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Imagens que aproximam a ciência do público: Prêmio de Fotografia do CNPq anuncia vencedores da edição 2026
Imagens premiadas na edição 2026 do Prêmio Fotografia = Ciência e Arte do CNPq. - Foto: Divulgação
Os contemplados na edição deste ano do Prêmio de Fotografia – Ciência & Arte do CNPq exaltam a importância da iniciativa ao observar que uma premiação do tipo aproxima a pesquisa do público, fazendo com que a ciência, muitas vezes desenvolvida em laboratório, esteja ao alcance de todos. Além da divulgação científica, os agraciados ressaltam que o prêmio valoriza não só o respectivo trabalho, mas o coletivo, as atividades desenvolvidas por inúmeros pesquisadores, de diversos áreas do país. Para alguns, o prêmio aponta também que o Brasil tem capacidade técnica de liderar inovações. Outros salientam que o prêmio reforça a relevância dos investimentos governamentais em Ciência, Tecnologia e Inovação.
Conheça os(as) premiados(as):
Categoria I – Imagens Produzidas por Câmaras Fotográficas
Ediego de Sousa Batista - 1º lugar
Estudante de graduação do curso de bacharelado em Ciências Biológicas e Conservação pela Universidade Federal do Oeste Pará (Ufopa), Ediego Batista foi premiado com a foto “A noite da caçadora”. A imagem mostra o momento em que uma aranha-pescadora Architis sp. captura um girino de Pithecopus hypochondrialis, na região do Salgado, Oriximiná, Pará. “Este registro destaca não apenas a biodiversidade do Oeste do Pará, mas também a surpreendente complexidade de predação que ocorre em micro-habitats efêmeros na Amazônia”, explica Batista, que desenvolve projeto de pesquisa sobre a diversidade de anfíbios e répteis.
Para o estudante, o prêmio, além de dar visibilidade a sua pesquisa, certifica a força dos profissionais e dos projetos de pesquisa da Amazônia. “É saber que a dedicação que colocamos nos projetos, que são desenvolvidos por pesquisadores da região, também pode ser destaque no cenário nacional. Além disso, pessoalmente, sinto uma imensa felicidade em saber que a minha admiração pela natureza, que se materializou nessa imagem, pode impactar outras pessoas e pode colaborar na divulgação científica pelo Brasil afora”, afirma.

- A impermanência e o efêmero da vida através da fitotipia: investigação do processo fotográfico em suporte vegetal. Foto: Nathaly Lopes
O premiado acredita que a fotografia facilita a divulgação de trabalhos científicos no mundo de hoje. “Espalhar ciência é essencial”, completa Batista, para quem o prêmio concedido pelo CNPq constitui um incentivo para a divulgação de pesquisas e projetos. “O prêmio atrai a atenção da comunidade acadêmica e da sociedade para aqueles instantes que registramos quando estamos atentos a nossa pesquisa”, completa.
Nathaly Cristina Lopes - 2º lugar
A segunda colocada na categoria I atenta para a importância de receber o prêmio no início de sua trajetória como artista e pesquisadora, o que torna a premiação ainda mais significativa. "É maravilhoso ver um trabalho tão sensível, ligado à natureza e à experimentação, sendo valorizado nesse contexto. Essa conquista também reforça minha vontade de continuar explorando a relação entre fotografia, ciência e processos naturais”, afirma.
Lopes foi contemplada com a foto intitulada “A impermanência e o efêmero da vida através da fitotipia: investigação do processo fotográfico em suporte vegetal”, que mostra imagem do Theatro Municipal de São Paulo utilizando como suporte uma folha da espécie Philodendron imbé. A imagem foi produzida por meio de técnica conhecida como fitotipia, que consiste na transferência de imagens por meio da ação direta da luz solar sobre superfícies vegetais. A técnica explora a reação dos pigmentos e compostos orgânicos presentes nas folhas, sem a necessidade de utilização de agentes químicos industriais. A imagem premiada foi desenvolvida no trabalho de conclusão do curso de graduação em fotografia no Centro Universitário Senac, em São Paulo.
“O experimento investiga o potencial fotossensível de materiais vegetais e a influência de suas estruturas e composições químicas na formação da imagem. A folha atua como agente ativo no registro fotográfico, evidenciando fenômenos naturais de transformação e degradação da matéria. A pesquisa contribui para o estudo de suportes fotográficos alternativos baseados em materiais naturais, estabelecendo relações entre fotografia, botânica e os efeitos da luz sobre superfícies orgânicas”, diz Lopes.
Para a premiada, iniciativas como o Prêmio de Fotografia aproximam a pesquisa do público de forma mais acessível e sensível. “A fotografia tem a capacidade de traduzir processos e investigações em imagens que comunicam de maneira direta. Além disso, o prêmio valoriza diferentes formas de pesquisa, inclusive aquelas que transitam entre arte e ciência, incentivando novas possibilidades de criação e investigação”, observa.
Danilo Estevam dos Santos - 3º colocado
Autor da foto “Sorriso na cara do perigo”, Danilo Estevam dos Santos é mestrando em Ciências Ambientais na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e tem como principal objeto de estudo a ecologia de comunidades de morcegos. Santos desenvolve pesquisas envolvendo a estrutura e a dinâmica de comunidades desses animais, buscando integrar conservação, ciência e gestão ambiental, trabalho que reúne seu interesse em ecologia de mamíferos, impactos ambientais e aplicação do conhecimento científico na mitigação de impactos e no planeamento ambiental. O pesquisador atua profissionalmente em diferentes frentes da biologia da conservação e do licenciamento ambiental, participando de levantamentos, diagnósticos, monitoramentos e estudos aplicados à fauna silvestre. Já atuou como biólogo de campo com ornitofauna, incluindo diagnóstico, monitoramento, controle e afugentamento, bem como com falcoaria e manejo geral de fauna no Aeroporto de Viracopos.
Categoria II – Imagens Produzidas por Instrumentos Especiais
Ingrid Augusto - 1ª colocada
Professora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ingrid Augusto foi agraciada com o trabalho “Investigação morfofuncional do sistema de osmorregulação em Trypanosoma cruzi”, que revela a paisagem ultraestrutural de formas epimastigotas de Trypanosoma cruzi, agente etiológico da doença de Chagas. Epimastigotas se referem à forma replicativa do trypanosoma cruzi, encontrada no intestino do inseto vetor, responsável pela multiplicação do parasita antes de se diferenciar em formas infectantes.
A foto foi produzida por análise em criomicroscópio eletrônico de varredura de alta resolução operando a -140°C e integra o banco de imagens e dados gerados durante o desenvolvimento do projeto de pesquisa da professora. O estudo teve como foco a investigação morfofuncional do sistema de osmorregulação e da arquitetura organelar do parasito.
“Buscando a popularização científica via impacto visual, a imagem original em tons de cinza foi processada no software Adobe Photoshop. Preservando a integridade dos dados microscópicos, a obra foi colorizada artificialmente por meio de máscaras técnicas, sem necessidade de ajuste de brilho e contraste. As cores conferem aos parasitos fraturados uma semelhança com conchas marinhas, transmutando a complexidade de um patógeno microscópico em uma estética lúdica que aproxima a ciência de ponta do público geral ’’, explica a pesquisadora.
Para Augusto, ser contemplada com o prêmio do CNPq representa a valorização de anos de dedicação à ciência e à pesquisa e uma forma de reconhecimento pelo trabalho que vem desenvolvendo. “E embora premie o esforço individual, sei que este é reflexo da contribuição de muitos colegas pesquisadores”, afirma. A pesquisadora afirma que concursos como o Prêmio de Fotografia do CNPq são fundamentais para estimular o pesquisador a traduzir, por meio de uma linguagem visual lúdica e acessível, os bastidores da ciência para a sociedade, que é quem, em grande parte, financia a pesquisa. “Dar visibilidade a essas realidades também é uma forma de gerar impacto concreto”, diz a pesquisadora, para quem prêmios também são uma ferramenta de conscientização sobre a diversidade temática da ciência. “É o caso das doenças negligenciadas, como a doença de Chagas, que ainda impacta milhares de vidas, mas permanece subestimada pela população e até mesmo por profissionais de saúde da linha de frente”, observa.
Luiz Fernando Southier - 2º colocado
Segundo colocado na categoria II, o professor e pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), afirma que receber o prêmio concedido pelo CNPq representa o reconhecimento da importância social e científica do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Processamento de Informação - Biometria Neonatal da UTFPR, Campus Pato Branco, além da validação de uma tecnologia brasileira que busca solucionar um hiato tecnológico crítico: a identificação biométrica neonatal estável.

- Título da Imagem Desenvolvimento de modelo preditivo para projeção de impressões digitais neonatais para a vida adulta. Foto: Luiz Fernando Southier
“Para nós, essa premiação é o coroamento de um esforço para garantir que as crianças tenham uma identidade civil perene e segura desde o nascimento. Ver a imagem premiada demonstra que a ciência, além de funcional, possui uma estética própria que comunica a complexidade do desenvolvimento humano e a precisão da nossa engenharia de software”, afirma. De acordo com Southier, a premiação é a prova de que a metodologia está no caminho certo para transformar a segurança pública e a garantia de direitos no Brasil. O método já auxilia na emissão de carteiras de identidade e na prevenção de trocas em maternidades em diversos estados.
“A iniciativa do CNPq com o Prêmio de Fotografia é fundamental porque transpõe os muros da academia, traduzindo dados e algoritmos complexos em uma linguagem visual compreensível e impactante para a sociedade”, ressalta Southier, contemplado com a imagem “Desenvolvimento de modelo preditivo para projeção de impressões digitais neonatais para a vida adulta”. A foto apresenta uma projeção realizada pelo software BioUTFPR desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Processamento de Informação da UTFPR PB. É possível ver a evolução temporal das impressões digitais de um mesmo indivíduo, coletadas em marcos críticos do desenvolvimento neonatal, aos 0, 7 e 14 dias, 1 mês, 6 meses e 1 ano, culminando na projeção da digital em vida adulta, gerada por métodos computacionais.
“A implementação de sistemas de identificação biométrica neonatal é necessária para garantir direitos e proteger a vida, sendo essencial para mitigar trocas acidentais em ambientes hospitalares, localizar crianças desaparecidas e fortalecer a segurança nos aeroportos contra o tráfico infantil. Além disso, a biometria permite o monitoramento dos calendários vacinais, dar acesso a tratamentos precoces, como os de HIV, e preservar a integridade de programas de nutrição, impedindo fraudes e garantindo que o suporte chegue aos indivíduos vulneráveis”, explica Southier.
Na opinião do pesquisador, a visibilidade concedida pelo prêmio é vital por aumentar a conscientização social, permitindo que o público entenda como a ciência aplicada atua de forma direta em áreas como a proteção da vida, o combate ao tráfico infantil e fornecendo subsídios para a criação de políticas públicas. O pesquisador também ressalta que, ao contemplar projetos que utilizam ferramentas de ponta, o prêmio favorece o fortalecimento da ciência nacional, ao reafirmar a capacidade técnica do Brasil para liderar inovações que transcendem as limitações da literatura internacional. “Prêmios como este humanizam a pesquisa e mostram que, por trás de cada imagem técnica, há o compromisso de assegurar direitos fundamentais e dignidade aos cidadãos desde o primeiro dia de vida”, conclui.

- Título da Imagem História natural e bioquímica de peçonhas de escorpiões Tityus Koch, 1836 da Amazônia brasileira. Foto: Jéssica Marques
Jéssica Araújo Marques - 3ª colocada
A terceira colocada na categoria II comemorou o prêmio afirmando ser “uma honra imensurável” receber uma honraria de uma das maiores entidades fomentadoras de pesquisa no Brasil. Para Marques, além do reconhecimento pelo trabalho, o prêmio é uma oportunidade de divulgar sua pesquisa e reforçar que o investimento do governo em ciência e em pesquisadores é bem aplicado, gerando impacto e contribuindo para o avanço do conhecimento.
“[O prêmio] evidencia a infraestrutura e os investimentos realizados em laboratórios distribuídos por todo o país, amplia a visibilidade da área de bioimagem e, sobretudo, estimula os cientistas a continuarem produzindo conhecimento e a não desistirem do que acreditam. Por ser concedido pelo CNPq, confere ao pesquisador um prestígio amplamente reconhecido e almejado na comunidade científica”, afirma. Marques também observa o impacto do alcance do prêmio para sua região. “É também uma forma de evidenciar que, mesmo diante das dificuldades e da escassez de oportunidades, a pesquisa no Norte acontece e produz resultados relevantes”, salienta.
Doutoranda em Doenças Tropicais e Infecciosas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Marques é graduada em Biotecnologia pela mesma instituição e tem mestrado também pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) na mesma área. Ela foi contemplada com a imagem “História natural e bioquímica de peçonhas de escorpiões Tityus Koch, 1836 da Amazônia brasileira”, que mostra o cefalotórax, região prosomal, de um escorpião da espécie Microtityus vanzolinii, inserido em um estudo que investiga os casos notificados de acidentes escorpiônicos no Brasil, bem como a distribuição das espécies de escorpiões no ambiente urbano do estado do Amazonas.
“O interesse científico decorre da avaliação de processos ecológicos que estruturam as comunidades de escorpiões, bem como do papel desses artrópodes como predadores generalistas nos ecossistemas urbanos”, explica Marques, que atenta para a relevância biomédica associada ao aparelho inoculador de veneno e às glândulas associadas, cujas toxinas apresentam ampla diversidade molecular e potencial aplicação biotecnológica e farmacológica, incluindo compostos com atividade antimicrobiana, analgésica e antitumoral.


