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Prêmio Destaque ICT
Projeto estuda desenvolvimento de sistema nanobiotecnológico para enfrentamento de bactéria indutora de câncer colorretal
Pesquisador João Gabriel Dutra de Barros Brito - Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
Uma pesquisa realizada por João Gabriel Dutra de Barros Brito, estudante do Ensino Médio no Colégio Militar do Recife (CMR), com orientação de Isabella Macário Ferro Cavalcanti, da UFPE, e coorientação de Maria Goretti Cabral de Lima, está desenvolvendo uma estratégia nanobiotecnológica inovadora para o enfrentamento de uma bactéria indutora de câncer colorretal. O trabalho “Avaliação da atividade antibacteriana e antibiofilme do ácido úsnico encapsulado em nanopartículas de zeína frente à Escherichia coli indutora de câncer colorretal” foi agraciado no Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica na área Ciências da Vida do CNPq, na categoria Bolsista de Iniciação Científica Júnior. Este é o primeiro prêmio em sua carreira acadêmica.
A premiação ocorre no dia 10 de agosto, na abertura da 8ª Reunião de Trabalho dos RICs e Coordenadores(as) de Iniciação Científica e Tecnológica - Edição 2026, a ser realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nos dias 10 e 11.
João Gabriel explicou que a Escherichia coli, ou E. coli, é uma bactéria Gram-negativa que compõe naturalmente a microbiota intestinal, mas que, em determinadas condições, pode adquirir características patogênicas capazes de comprometer a saúde humana. Cepas específicas de E. coli produzem fatores de virulência, como genotoxinas e biofilmes, que favorecem processos inflamatórios crônicos, danos ao DNA e alterações celulares associadas ao desenvolvimento do câncer colorretal. Atualmente, infecções bacterianas são reconhecidas como fatores envolvidos em aproximadamente 20% dos casos de câncer em humanos.
"Nesse contexto, desenvolvemos um sistema nanobiotecnológico baseado em nanopartículas de zeína encapsulando ácido úsnico. A zeína é uma proteína natural extraída do milho, amplamente utilizada na nanotecnologia devido à sua biocompatibilidade, biodegradabilidade, baixa toxicidade e capacidade de carrear compostos hidrofóbicos. Além de proteger moléculas bioativas da degradação, as nanopartículas de zeína promovem maior estabilidade, biodisponibilidade e liberação controlada dos compostos encapsulados, potencializando sua atividade biológica", afirmou.
O ácido úsnico, por sua vez, é um metabólito secundário produzido por líquens, organismos abundantes em biomas brasileiros como a Mata Atlântica e o Cerrado. Apesar de apresentar reconhecidas propriedades antimicrobianas, seu uso terapêutico permanece limitado pela baixa solubilidade em meio aquoso e elevada toxicidade. "Por meio da nanotecnologia, conseguimos ultrapassar essas limitações, incorporando o ácido úsnico em nanopartículas de zeína, obtendo assim, um nanossistema mais seguro e eficiente."
Segundo João Gabriel, os resultados do trabalho demonstraram uma elevada atividade antibacteriana in vitro frente a cepas de E. coli associadas ao câncer colorretal. "[Isso evidencia] o potencial dessa plataforma nanobiotecnológica como uma estratégia promissora para um futuro tratamento de infecções bacterianas envolvidas na oncogênese intestinal", acredita.
Prêmio
Para o pesquisador, receber o Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica simboliza o amadurecimento construído ao longo de anos de envolvimento com a pesquisa, iniciado ainda na Educação Básica. "Em diversos momentos, ouvi que fazer ciência na escola era apenas um devaneio. 'Você não vai longe, espere a graduação' ou 'Esqueça isso, foque nas suas provas' foram frases recorrentes ao longo dessa trajetória", lembrou.
"Ao receber o prêmio do CNPq, tenho a certeza de que todas as renúncias, horas de estudo e de laboratório, correções e recorreções de relatórios valeram a pena", acredita. "Este prêmio não representa apenas uma conquista individual, mas também o esforço, a dedicação e a confiança de todos que fizeram parte dessa jornada".
João Gabriel é bolsista do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIBIC-EM) - CNPQ e integrante do grupo de pesquisa em Microbiologia Clínica e Novas Abordagens Terapêuticas (MicroNAT) no setor de Microbiologia Clínica do Instituto Keizo Asami (iLIKA - UFPE).