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Prêmio Destaque ICT
Pesquisa demonstra que bem-estar de mulheres lésbicas vai além de uma perspectiva centrada exclusivamente no sofrimento
Pesquisadora Larissa Linhares de Medeiros Chaves - Foto: Arquivo pessoal/Divulgação
Para entender de que maneira experiências de discriminação repercutem na saúde mental, nas relações e no sentido de vida de mulheres lésbicas, a pesquisadora Larissa Linhares de Medeiros Chaves, da PUC Goiás, desenvolveu o estudo "Bem-estar em mulheres lésbicas: os impactos da lesbofobia e suas manifestações", sob a orientação de Daniela Sacramento Zanini e Iorhana Almeida Fernandes. O projeto foi agraciado no Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica do CNPq, na área Ciências Humanas e Sociais, Letras e Artes, na categoria Bolsista de Iniciação Científica. É o primeiro prêmio na carreira acadêmica de Larissa, que é graduanda em psicologia.
A premiação ocorre no dia 10 de agosto, na abertura da 8ª Reunião de Trabalho dos RICs e Coordenadores(as) de Iniciação Científica e Tecnológica - Edição 2026, a ser realizada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), nos dias 10 e 11.
O estudo foi desenvolvido a partir da psicologia positiva e, pela análise dos resultados, foi possível identificar que mulheres lésbicas apresentaram níveis mais baixos de bem-estar e maiores índices de sofrimento psicológico, quando comparadas a mulheres heterossexuais e homens cisgênero. As diferenças mais expressivas foram observadas nas dimensões de relacionamentos positivos, sentido de vida e emoções positivas.
"Esses achados contribuem para compreender como experiências de discriminação, invisibilização e exclusão social podem repercutir na saúde mental e na qualidade de vida dessa população. Ao mesmo tempo, os resultados sugerem que aspectos relacionados aos vínculos interpessoais, ao pertencimento e ao reconhecimento social ocupam um papel importante na compreensão do bem-estar de mulheres lésbicas e dos recursos mobilizados para lidar com essas experiências no cotidiano", explicou Larissa.
Para a pesquisadora, um dos aspectos mais relevantes identificados pela pesquisa foi a necessidade de compreender o bem-estar de mulheres lésbicas para além de uma perspectiva centrada exclusivamente no sofrimento. "Embora seja fundamental reconhecer os impactos da lesbofobia, os resultados também apontam para a importância de investigar os processos de resistência, as redes de apoio, os vínculos afetivos e os recursos mobilizados na construção de sentidos para a vida", afirmou.
Para a realização da pesquisa foram entrevistadas 906 mulheres, das quais 384 são mulheres lésbicas, e, segundo Larissa, a própria coleta de dados se tornou um elemento importante para a compreensão do fenômeno. "A mobilização em torno da pesquisa permitiu observar como experiências compartilhadas podem produzir identificação, reconhecimento e apoio mútuo. Nesse sentido, a pesquisa não apenas investigou aspectos relacionados ao bem-estar, mas também evidenciou a relevância das relações e das redes comunitárias na construção de espaços de escuta e visibilidade para mulheres lésbicas", explicou.
Prêmio
Para Larissa, receber o Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica representa o reconhecimento da relevância científica e social de pesquisas voltadas para populações historicamente invisibilizadas na produção de conhecimento. "Também reafirma a importância de produzir ciência comprometida com a compreensão das desigualdades sociais e com a promoção da saúde e do bem-estar", afirmou.
A pesquisadora reforçou a importância de produzir conhecimento sobre experiências que, muitas vezes, permanecem invisibilizadas. Por outro lado, ela disse que é importante não restringir as experiências vividas pelas mulheres lésbicas à violência, destacando que a pesquisa permitiu direcionar um olhar para as formas de pertencimento, afeto, cuidado e resistência construídas por essas mulheres, bem como para a importância das relações e das redes de apoio na produção de bem-estar e sentido de vida.
"Nesse sentido, o reconhecimento conferido pelo prêmio amplia a visibilidade não apenas da pesquisa, mas também da importância de continuar investigando as experiências de mulheres lésbicas em sua complexidade. Mais do que um reconhecimento acadêmico, a premiação reforça a necessidade de produzir conhecimento comprometido com a escuta de grupos historicamente invisibilizados e com o desenvolvimento de políticas públicas e práticas psicológicas mais sensíveis às suas especificidades", afirmou.