Notícias
Profix-CB: biotecnologia, inteligência artificial e energias renováveis são temas de interesse prioritário comum nos editais de PI, PB e SE
Vista lateral de pesquisadores em laboratório de biotecnologia com planta - Foto: Imagem de Freepik
As fundações de apoio à pesquisa dos estados do Piauí, Paraíba e Sergipe foram as primeiras a publicar editais estaduais no âmbito do Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Brasil - Conhecimento Brasil (Profix-CB), que tem como objetivo incentivar a fixação de doutores em áreas estratégicas de ciência, tecnologia e inovação para estados e Distrito Federal. Biotecnologia, inteligência artificial e energias renováveis são alguns dos temas considerados de interesse prioritário comum para os três estados.
Para os presidentes e diretores-presidentes das fundações, o programa representa um avanço estratégico para o fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação no Nordeste. O Profix-CB também tem um papel importante como instrumento de interiorização da ciência nos três estados.
Desconcentrar produção científica e fixar talentos no Piauí
O presidente Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi), João Xavier, acredita que o Profix-CB é estratégico para reduzir as desigualdades regionais na distribuição de pesquisadores altamente qualificados. "O Nordeste tem ampliado sua capacidade científica, mas ainda precisa de instrumentos robustos para atrair, fixar e integrar doutores em instituições de ensino superior, pesquisa e inovação."
Especificamente para o estado do Piauí, a importância do programa é ainda maior, pois o Profix-CB permite trazer doutores para atuar diretamente em projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação, vinculados às prioridades do Estado. "Não se trata apenas de conceder bolsas; trata-se de criar condições para que esses pesquisadores formem novos mestres, doutores e estudantes de iniciação científica, fortaleçam programas de pós-graduação, ampliem redes de pesquisa e contribuam para soluções concretas para os problemas do Estado."Outra questão importante é fortalecer a ciência de forma descentralizada. A proposta encaminhada ao CNPq destaca que o Piauí possui uma rede de instituições e programas de pós-graduação que não se limita à capital. "O Estado conta com programas de mestrado e/ou doutorado em cidades como Parnaíba, Piripiri, Teresina, Floriano, Picos, Bom Jesus e São Raimundo Nonato, evidenciando uma presença acadêmica e científica distribuída em diferentes regiões. Além disso, o Instituto Federal do Piauí possui campi em 19 cidades, bem distribuídos pelo território estadual"
Sobre as áreas estratégicas para o estado abrangidas pelo edital, Xavier destacou que são aquelas capazes de conectar a competência científica das instituições com os grandes desafios e oportunidades do Piauí. Por isso, o edital organiza as prioridades em sete Núcleos Temáticos de Referência: Agro e Bioeconomia; Economia Digital; GovTech; Indústria Mineral; Indústria Verde; Turismo e Economia Criativa; e Saúde e Biotecnologia.
Xavier explicou que Agro e Bioeconomia é uma área essencial porque o Piauí possui forte vocação agropecuária, biodiversidade, agricultura familiar e potencial para uso de bioinsumos, biotecnologia, agricultura de precisão e agregação de valor à produção local. Já Economia Digital e GovTech são fundamentais porque a transformação digital já é uma exigência para o setor produtivo e para o setor público. "Precisamos formar pesquisadores e desenvolver soluções em inteligência artificial, dados, plataformas digitais, governo digital, transparência, automação de serviços e inovação em políticas públicas", explicou.
A Indústria Mineral e Indústria Verde também são estratégicas porque dialogam com cadeias produtivas em expansão no estado, com a necessidade de beneficiamento, sustentabilidade, segurança operacional, transição energética, energias renováveis, descarbonização e economia circular. Turismo e Economia Criativa são áreas relevantes, porque o Piauí tem ativos culturais, naturais, históricos e arqueológicos de grande valor, que podem gerar desenvolvimento territorial, emprego, renda e inovação em serviços, design, audiovisual e economia da cultura.
Saúde e Biotecnologia, por sua vez, são indispensáveis para fortalecer a pesquisa aplicada à saúde pública, ao desenvolvimento de diagnósticos, fármacos, vacinas, dispositivos médicos, saúde digital e inovação nos sistemas de saúde. "A lógica do edital é clara: priorizar áreas nas quais a ciência possa gerar impacto real para o estado, seja no desenvolvimento econômico, na melhoria dos serviços públicos, na sustentabilidade ambiental ou na qualidade de vida da população", explicou.
Computação quântica na Paraíba
Amílcar Rabelo, presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq), considera o Profix-PB um divisor de águas para a ciência no Nordeste, pois proporciona condições competitivas, que não apenas fixam doutores formados na região, revertendo a histórica fuga de cérebros, mas também atraem pesquisadores de outras regiões do Brasil e também do exterior interessados em integrar o ecossistema de inovação da Paraíba. "Um desses projetos estruturantes é o Ciquanta-PB, que vai abrigar os primeiros computadores quânticos inteiramente funcionais no Brasil", afirmou.
Rabelo explica que o Profix-PB também foi desenhado como um instrumento de interiorização da ciência. O edital é aberto a todos os programas de pós‑graduação reconhecidos pela Capes na Paraíba, o que coloca em igualdade de condições os campi da UFCG (em Campina Grande, Cajazeiras, Sumé, Cuité, entre outros), da UEPB (espalhados pelo estado) e de instituições privadas do interior."O Profix-PB certamente vai fortalecer os diversos ecossistemas regionais de inovação ao fixar pesquisadores que qualificam a mão de obra local, estimulam startups de base tecnológica e conectam o conhecimento acadêmico às cadeias produtivas do semiárido, provando que a ciência de ponta pode florescer do litoral ao sertão", afirma.
O presidente da fundação explica que uma das linhas disponível no edital tem 12 eixos estratégicos que vão de inteligência artificial e engenharia de materiais a combate ao analfabetismo, passando por biotecnologia, radioastronomia e mudanças climáticas. "Esses eixos estratégicos têm norteado o desenvolvimento da Paraíba e seu crescimento em ritmo acelerado e sustentável." Segundo Rabelo, isso é uma demonstração do compromisso deliberado de incentivar frentes de pesquisa que abraçam a diversidade da Paraíba.
"Por exemplo, tem-se as Ciências do Mar e Economia Azul, que miram o litoral, e tem-se Ciências Agrárias, Bioma Caatinga e Segurança Alimentar, que alcançam o sertão. Essa política de fomento integra todas as regiões paraibanas, impulsionando a interiorização da ciência ao abrir oportunidades concretas para instituições de fora da capital e, ao mesmo tempo, projeta o estado internacionalmente ao atrair doutores do mundo inteiro interessados em colaborar em áreas tão variadas como Paleontologia, Saúde Digital e Energias Renováveis, consolidando as potencialidades locais."
A segunda linha de pesquisa do edital trata de projetos para Ciquanta-PB (Centro Internacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba) e dá continuidade a uma tradição em engenharia elétrica e computação na Paraíba iniciada em 1968 pelo então reitor da UFPB e depois presidente do CNPq, Lynaldo Cavalcanti, que trouxe para o Nordeste o primeiro computador de grande porte. "O Ciquanta-PB vem reviver essa ousadia tecnológica e plantar as sementes para a indústria das tecnologias quânticas na Paraíba. Abrigar os primeiros computadores quânticos inteiramente funcionais da América Latina, com transferência de tecnologia chinesa, garante soberania, projeta a Paraíba na vanguarda global e desconcentra a infraestrutura científica nacional."
Para o presidente, o Profix‑PB tem por objetivo explícito atrair e fixar doutores também no Ciquanta-PB, formar massa crítica em sincronia com a chegada dos computadores quânticos, e multiplicar a capacitação em desenvolvimento de hardware e software de tecnologias quânticas e suas aplicações. "Isso certamente vai gerar um ciclo virtuoso que consolida a Paraíba como referência em computação quântica e desenvolvimento tecnológico", garante
Ciência atrelada a vocações econômicas em Sergipe
O diretor-presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec), Alex Garcez, entende que o Profix-CB representa um avanço estratégico para o fortalecimento da ciência, tecnologia e inovação no Nordeste brasileiro, especialmente em estados como Sergipe, que vêm ampliando sua capacidade de pesquisa e formação de recursos humanos altamente qualificados.
"Em Sergipe, esse investimento ganha ainda mais relevância porque fortalece o ecossistema estadual de inovação, estimula a interiorização da ciência e cria condições para que pesquisadores permaneçam e contribuam com o desenvolvimento regional. O apoio à permanência desses profissionais também impacta positivamente áreas estratégicas para o estado, promovendo inovação, competitividade e desenvolvimento social", afirmou.Garcez também destacou que um dos grandes potenciais do Profix-CB é justamente ampliar a capilaridade da pesquisa científica em Sergipe, alcançando instituições localizadas em todo o estado. "Ao fortalecer instituições, o programa cria oportunidades para formação de pesquisadores, desenvolvimento de projetos regionais e geração de conhecimento conectado às realidades locais. Muitos desafios sociais, econômicos e ambientais do estado estão diretamente relacionados aos territórios do interior. Portanto, levar pesquisadores qualificados para essas regiões significa também estimular soluções inovadoras para demandas específicas dessas comunidades", garantiu.
O diretor-presidente da fundação disse que Sergipe possui vocações econômicas e científicas muito relevantes e algumas áreas se destacam como estratégicas para o desenvolvimento sustentável do estado. "Entre elas, podemos citar energias renováveis, petróleo e gás, tecnologias ambientais, agricultura e segurança alimentar, biotecnologia, educação, saúde e transformação digital", exemplificou.
A área da saúde é essencial pela necessidade de ampliar pesquisas aplicadas que contribuam para melhoria da qualidade de vida da população e fortalecimento do SUS. Já os setores de petróleo, gás e energias renováveis dialogam diretamente com a matriz econômica sergipana e com as oportunidades da transição energética.
Garcez também destacou pesquisas voltadas ao semiárido, gestão de recursos hídricos e sustentabilidade ambiental, considerando os desafios climáticos e territoriais da região. Além disso, a inovação tecnológica e a transformação digital têm papel decisivo na modernização dos serviços públicos, da educação e do setor produtivo.
"Acreditamos que investir nessas áreas significa conectar a produção científica às necessidades reais da sociedade e ao desenvolvimento econômico do estado", explicou.
Editais
O edital da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq-PB) aprovou duas linhas e terá valor global de R$ 54,67 milhões. . A linha do Programa de Apoio à Fixação de Doutores na Paraíba terá 31 projetos aprovado, sendo que cada um terá R$ 19,34 milhões de investimentos do CNPq em bolsas para doutores, R$ 6,17 milhões em bolsas da Capes para doutores e mestres e R$ 260 mil para bolsas de iniciação científica mais R$ 6,2 milhões de apoio à pesquisa da Fapesq.
Já a linha do Programa de Apoio à Fixação de Doutores na Paraíba - Projeto CiquantaPB (CentroInternacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba) terá 22 projetos aprovados com R$ 13,73 milhões para bolsas de doutorado no valor de R$ 13 mil cada com recursos oriundos da Fapesq; R$ 4,37 milhões para bolsas de doutorado e mestrado com fonte a definir; R$ 184,8 mil para bolsas de iniciação científica; e R$ 4,4 milhões de recursos de apoio à pesquisa com recursos da própria fundação. As inscrições vão até 01 de julho.
A Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), em seu edital, que tem inscrições até 10 de julho, prevê um valor global de R$ 20,563 milhões, sendo R$ 14,98 milhões oriundos do CNPq, R$ 4,78 milhões vindos da Capes e R$ 806,4 mil oriundos do Fundo Estadual para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Funtec e repassados à Fapitec/SE. No total serão apoiados até 24 projetos de pesquisa, com uma bolsa de R$ 13 mil para doutorado financiada pelo CNPq, bolsas de doutorado e mestrado custeadas pela Capes e de iniciação científica pela fundação.
O edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) terá inscrição até 29/07. Serão financiados 24 projetos, com valor global de R$24,16 milhões, sendo R$14,98 milhões oriundos do CNPq, R$ 4,78 milhões custeados pela Capes e R$ 4,4 milhões pela Fapepi. Neste caso, o CNPq arcará com bolsas de doutorado de R$ 13 mil, a Capes com bolsas de mestrado e doutorado e a fundação com bolsas de iniciação científica e auxílio à pesquisa.
O edital da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq-PB) aprovou duas linhas e terá valor global de R$ 54,67 milhões. A linha do Programa de Apoio à Fixação de Doutores na Paraíba terá 31 projetos aprovado, com bolsas CNPq modalidade Conhecimento Brasil, de R$ 13 mil mensais, com quantidade semelhante de bolsas de mestrado e doutorado da Capes,bolsas de iniciação científica mais R$ 6,2 milhões de apoio à pesquisa da Fapesq.
Já a linha do Programa de Apoio à Fixação de Doutores na Paraíba - Projeto CiquantaPB (CentroInternacional de Computação e Tecnologias Quânticas da Paraíba) terá 22 projetos aprovados com R$ 13,73 milhões para bolsas de doutorado no valor de R$ 13 mil cada com recursos oriundos da Fapesq; R$ 4,37 milhões para bolsas de doutorado e mestrado com fonte a definir; R$ 184,8 mil para bolsas de iniciação científica; e R$ 4,4 milhões de recursos de apoio à pesquisa com recursos da própria fundação. As inscrições vão até 01 de julho.
A Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec/SE), em seu edital, que tem inscrições até 10 de julho, prevê um valor global de R$ 20,563 milhões, sendo R$ 14,98 milhões oriundos do CNPq, R$ 4,78 milhões vindos da Capes e R$ 806,4 mil oriundos do Fundo Estadual para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Funtec e repassados à Fapitec/SE. No total serão apoiados até 24 projetos de pesquisa, com uma bolsa de R$ 13 mil para doutorado financiada pelo CNPq, bolsas de doutorado e mestrado custeadas pela Capes e de iniciação científica pela fundação.
O edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Piauí (Fapepi) terá inscrição até 29/07. Serão financiados 24 projetos, com valor global de R$24,16 milhões, sendo R$14,98 milhões oriundos do CNPq, R$ 4,78 milhões custeados pela Capes e R$ 4,4 milhões pela Fapepi. Neste caso, o CNPq arcará com bolsas de doutorado de R$ 13 mil, a Capes com bolsas de mestrado e doutorado e a fundação com bolsas de iniciação científica e auxílio à pesquisa.


