Critérios para avaliação de Bolsas de Produtividade, nas Chamadas de 2024, 2025 e 2026 - CA-LL
Critérios Gerais do CNPq
As avaliações dos pedidos de bolsas de produtividade ao CNPq devem ser guiadas por esses critérios gerais, além daqueles estabelecidos especificamente por cada Comitê de Assessoramento de cada área do conhecimento assim como pelos critérios estabelecidos em cada chamada.
Níveis das bolsas de produtividade
Os Comitês Assessores publicam os critérios de julgamento para as chamadas 2024 a 2026 considerando a mudança de 5 para 3 níveis das Bolsas de Produtividade, considerando o nível C para a categoria de entrada, o nível B para a categoria de desenvolvimento e o nível A para a categoria em plena atividade consolidada.
Sobre avaliações qualitativas e quantitativas
Tendo em vista a valorização da componente qualitativa no julgamento de bolsas e auxílios, as propostas devem vir acompanhadas de formulário de submissão de propostas onde consta a súmula curricular, limitada a 8000 caracteres ou aproximadamente 1000 palavras. Nesta Súmula, o proponente deverá destacar e justificar até 5 (cinco) das suas realizações acadêmicas de maior impacto e relevância; principais destaques no histórico profissional (compreendendo serviços, distinções acadêmicas e prêmios); lista de financiamentos à pesquisa; indicadores quantitativos em bases de dados que considere adequadas; link para página ORCID, Web of Science, Scopus ID ou MyCitation (Google Scholar); e outras informações consideradas relevantes pelo Comitê Assessor que avaliará o projeto, nos termos deste Anexo I da Chamada Pública.
Sobre métricas de avaliação da produção acadêmica
Diferentes comitês propõem diferentes critérios, e esses devem ser respeitados pois refletem a diversidade de regimes de produção acadêmica entre as distintas disciplinas. Contudo, não devemos aceitar referências a uma única plataforma de avaliação dos índices. Com a iniciativa Ciência Aberta, muitas plataformas poderão perder relevância e outras podem aparecer. Além disso, em se tratando de critérios para chamadas públicas seria inadequado referência a uma única plataforma uma vez que existem distintas plataformas competindo entre si no mercado editorial. As mesmas orientações valem para o Qualis/CAPES. Quando adotado, não deve ser a única métrica, devendo ser combinado com outras. Considerando que os critérios aqui adotados terão validade por três anos, é preciso certa flexibilidade para dar conta das mudanças em curso nessas plataformas e no mercado editorial.
Sobre maternidade e adoção
Proponentes que tiveram filhos ou adotaram menores durante o período de avaliação terão o período de avaliação da produtividade estendido, além do previsto em editais, em dois anos por casos de maternidade ou de adoção. Esta orientação decorre de determinação da Diretoria
Executiva do CNPq, publicada em 06/01/2024. Ambos os casos deverão ser comprovados com a documentação pertinente.
Sobre situações emergenciais não previstas
Proponentes que, durante o período de avaliação, residiam em região atingida por desastre natural, oficialmente declarada como em estado de calamidade pública, terão estendido o período de avaliação por prazo de três vezes a duração do desastre.
Diversidade e inclusão
Todas as chamadas públicas do CNPq são norteadas pelos critérios de mérito acadêmico e impacto científico, tecnológico e social e devem expressar também preocupação com a busca de maior diversidade de gênero, étnico-racial, regional, institucional e epistemológica. Em particular, em situações de equilíbrio entre distintas propostas, os comitês devem incluir essas variáveis nos processos de deliberação.
Sobre uso de Inteligência Artificial
Os proponentes que utilizarem recursos e Inteligência Artificial na elaboração de projetos devem declarar como tais recursos foram utilizados.
Sobre renovação de bolsas
Observa-se que não há renovação de bolsas e todos(as) os(as) solicitantes serão avaliados conforme os critérios estabelecidos em cada chamada.
Sobre critérios mínimos de elegibilidade
Para o Nível C, a Resolução Normativa RN-028/2015 exige 2 (dois) anos, no mínimo, de doutorado por ocasião da implementação da bolsa, havendo uma flexibilização para os candidatos à bolsa DT. Todavia, o texto da Chamada Pública poderá ser mais restritito neste aspecto (item 3.2.2 dos Critérios de Elegibilidade), fixando ano ao invés de compto em meses.
Excepcionalmente, em particular para pesquisadore(a)s vinculado(a)s a instituições sem cursos de graduação ou pós-graduação, o critério relativo à formação de recursos humanos poderá ser substituído pela conclusão da coordenação de, pelo menos, um (01) ou dois (02) projetos de pesquisa (para, respectivamente, os níveis C, e B e A) que tenham recebido financiamento de órgãos de fomento (internacional/nacional/estadual) no período sob avaliação.
Índice
CGCHS / COCHS | CA-LL
Critérios de Julgamento: história e Linguística
CA-LL – Letras
Apresentamos as ponderações relativas ao processo de avaliação das propostas de concessão de Bolsas de Produtividade em Pesquisa e Bolsas de Produtividade em Pesquisa Sênior para Letras.
O Comitê considera fundamental, diante do atual cenário brasileiro, marcado por profundas diferenças no que se refere a uma distribuição harmônica do fomento à pesquisa no país, que se leve adiante uma política responsável, visando sanar desequilíbrios regionais, bem como implementar, normatizar e estabelecer metas para o desenvolvimento de Ações Afirmativas que permitam maior acesso à concessão de bolsas para pessoas negras (pretos e pardos), pessoas indígenas (povos originários), mulheres, pessoas com deficiência (PcD) e pessoas transgênero. A igualdade é um valor fundamental, alcançado tão somente se respeitadas as diferenças e valorizados os grupos historicamente subalternizados.
O Comitê considera que o processo de consolidação de tais ações deve se dar por meio de sua inserção nas chamadas formuladas pela agência para a totalidade do grupo de pesquisadores no país, harmonizando os critérios. Dessa forma, as medidas propostas deverão ser acolhidas pelos Comitês de todas as áreas, o que evitará discrepâncias entre os critérios seguidos por cada área ou subárea do conhecimento ou a adoção de distintos pesos para avaliação no interior de uma mesma agência.
O Comitê considera também que, para se alcançar a avaliação do candidato em termos globais, democráticos e equitativos, é importante dispor de um memorial de autoria do proponente, em que relate, de modo breve e objetivo, um sumário de sua formação, produção científica, atividades de gestão e de extensão, protagonismo acadêmico e o caráter nucleador das ações por ele desenvolvidas. Cabe a esse curto memorial oferecer aos avaliadores a compreensão integrada e coerente da atuação acadêmica do proponente, evidenciando a articulação entre as informações listadas no currículo disponível na plataforma Lattes.
O Comitê enfatiza, por último, que se valorizem os aspectos qualitativos do projeto proposto e do percurso do candidato, como se destaca nos critérios discriminados a seguir, sem que sejam desconsiderados os elementos quantitativos necessários a um melhor desenho comparativo entre os distintos postulantes à bolsa.
Indicadores de excelência:
- Atividade contínua de pesquisa de reconhecido mérito acadêmico no Brasil e no exterior.
- Publicação constante e regular de livros e/ou capítulos de livro, bem como de artigos em revistas com corpo editorial.
- Capacidade de formação de recursos humanos nas modalidades de Iniciação Científica (IC), Mestrado (ME) e Doutorado (DO), além da supervisão de pós-doutorados.
- Impacto e liderança do candidato na área.
Critérios Gerais de Avaliação:
- Apresentação de projeto de pesquisa com tema original e relevante, fundamentação teórica e metodológica, evidenciando conhecimento do estado do debate no campo em que se insere.
- Produção científica: publicação de livros e/ou capítulos de livros, e artigos em periódicos com corpo editorial, no Brasil e no exterior. Serão priorizadas publicações com alto impacto na área e/ou na sociedade, em veículos de reconhecido mérito editorial.
Será considerada a produção regular referente aos últimos 10 (dez) anos, como forma de apreensão mais ampla do perfil de produtividade do pesquisador A e B, e a produção científica referente aos últimos 5 (cinco) anos, no caso de pesquisador C.
- A excelência acadêmica será analisada em conjunto com: 1. a regularidade da produção científica; 2. a atuação institucional; 3. a capacidade da formação de quadros; 4. a inserção e o reconhecimento nacional e internacional.
- Indicadores de liderança acadêmica também serão considerados, tais como a participação em conselhos editoriais de periódicos e linhas de edição de reconhecida qualidade, convites para palestras no Brasil e no exterior e atuação em grupos de pesquisa com participantes de diferentes universidades brasileiras e/ou estrangeiras.
- Serão igualmente levadas em conta ações extensionistas do pesquisador atuante em programas de pós-graduação, registradas em termos de nucleação, desenvolvimento de parcerias com diferentes instituições, setores e atores sociais; ações afirmativas e outras ações de relevância social.
Pontuação e peso dos indicadores
Os indicadores de produção serão quantificados e pontuados conforme as seguintes categorias e respectivos pesos:
- Publicações: 30%
- Projeto de pesquisa: 20%
- Orientações: 20%
- Gestão científica: 20%
- Extensão:10%
Critérios de classificação:
Os critérios específicos supõem a satisfação dos requisitos do nível imediatamente anterior e a eles acrescentam condições suplementares para a classificação inicial ou a reclassificação do pesquisador. A classificação dos bolsistas é orientada pela excelência acadêmica, conjugada com liderança intelectual, presença institucional, inserção nacional/internacional, nucleação, e leva em conta sua atuação na formação dos pesquisadores.
Pesquisador PQ-C - requisitos:
-
- ter concluído o Doutorado há pelo menos 2 (dois) anos,quando da implementação da bolsa;
- ter publicado com regularidade artigos em periódicos, livros e/ou capítulos de livros que atendam aos critérios antes explicitados;
- ter orientado bolsistas de Iniciação Científica;
- estar credenciado em programa de pós-graduação e ter levado à defesa ao menos uma dissertação de Mestrado ou tese de Doutorado;
- ter presença institucional e inserção nacional na área de Letras/Linguística, demonstrada por meio de organização de eventos, participação em GTs ou nucleação de grupos de pesquisas e/ou colaboração em grupos interinstitucionais.
Excepcionalmente, em particular para pesquisadore(a)s vinculado(a)s a instituições sem cursos de graduação ou pós-graduação, o critério relativo à formação de recursos humanos poderá
ser substituído pela conclusão da coordenação de, pelo menos, um (01) ou dois (02) projetos de pesquisa (para, respectivamente, os níveis C, e B e A) que tenham recebido financiamento de órgãos de fomento (internacional/nacional/estadual) no período sob avaliação.
Pesquisador PQ-B – requisitos:
Superar os requisitos para pesquisador C, em função de seu tempo de atuação e do número de publicações de qualidade, apresentando autonomia na produção científica e maior liderança acadêmica, evidenciada em atuações tais como parecerista ad hoc, coordenador de projetos, palestrante convidado, docente de minicursos em eventos nacionais de relevância reconhecida na área e /ou em eventos internacionais, bem como constância na atuação como formador de recursos humanos nos níveis de IC, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
Pesquisador PQ-A – requisitos:
Superar os requisitos para pesquisador B, com evidência inequívoca de reconhecimento acadêmico em âmbito nacional e de inserção internacional. As atividades de formação de recursos humanos já mencionadas devem ter continuidade e seu impacto demonstrado pela inserção dos doutores formados pelo pesquisador como docentes no sistema de pós- graduação.
Mais do que requisitos quantitativos, considera-se a trajetória acadêmica de reconhecida notoriedade, levando-se em conta índices tais como, publicação em veículos de circulação internacional, presença de obras de referência na bibliografia de cursos de graduação/pós graduação, contribuição para a qualidade de programas de pós-graduação e/ou para o desenvolvimento da área/subárea, criação de núcleos de excelência em nível nacional ou internacional, impacto da produção acadêmica em nível nacional/internacional e/ou distinções/premiações em âmbito nacional e/ou internacional.
Para a análise qualitativa da produção bibliográfica, serão utilizados os vários indicadores disponíveis, como o Qualis Periódicos-Capes e os fatores de impacto medidos pelos indexadores internacionais.
Os critérios de avaliação e de classificação devem orientar a avaliação qualitativa por parte de pareceristas ad hoc.
CA – LL – Linguística
- Apresentação
O CA-LL Linguística apresenta os critérios específicos de avaliação para as propostas submetidas às chamadas de Bolsas de Produtividade em Pesquisa e de Bolsas Especiais, válidos para o período de 2025–2027.
Esta proposta foi construída em consonância com as orientações discutidas na Reunião dos Comitês de Assessoramento do CNPq, realizada nos dias 12 e 13 de março de 2024, e com as demandas da área expressas durante a Conferência Livre: Para uma Política de CTI na Linguística e na Literatura, organizada por entidades acadêmicas da área como atividade preparatória para a 5ª Conferência Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação.
2. Princípios orientadores
A avaliação será pautada por princípios de justiça, equidade, qualidade e contextualização, conforme diretrizes internacionais como a Declaração de São Francisco (DORA), o Manifesto de Leiden e os compromissos da Coalition for Advancing Research Assessment (CoARA). O processo será qualitativo, colegiado e comparativo, respeitando os perfis diversos de atuação científica na área e promovendo a diversidade regional, institucional, epistêmica e identitária.
3. Aplicação dos critérios
Os critérios descritos neste documento aplicam-se igualmente às propostas de Bolsas de Produtividade (PQ) e de Bolsas Especiais, salvo quando indicado explicitamente.Diferenças quanto à elegibilidade, vigência ou pesos de pontuação devem ser observadas nas respectivas chamadas do CNPq, mas não afetam os critérios de julgamento adotados por este Comitê.
4. Elementos da avaliação
A análise das propostas será realizada com base nos seguintes elementos:
– Projeto de pesquisa, inserido diretamente no campo correspondente do formulário eletrônico disponível na Plataforma Carlos Chagas, conforme as exigências da chamada.
– Súmula curricular, estruturada em dois campos do formulário, nos quais o(a) proponente deverá destacar suas contribuições científicas, formativas, institucionais e sociais, conforme critérios descritos adiante.
– Currículo Lattes, utilizado como fonte de comprovação das informações declaradas.
– Práticas de Ciência Aberta serão consideradas positivamente na avaliação do projeto e da súmula curricular.
Em consonância com boas práticas internacionais, será recomendada a apresentação de dados de produção e impacto relativos, a ser explicitada na própria súmula. Indicadores como número de publicações, citações e fator h devem ser descritos no corpo da súmula curricular, com base em fontes públicas verificáveis, sem anexos.
A seguir, apresentam-se critérios específicos para avaliação do projeto de pesquisa (item 5) e da súmula curricular (item 6), considerados os componentes centrais da proposta.
5. Projeto de pesquisa
O projeto de pesquisa deve ter mérito reconhecido nos pareceres ad hoc e ser inserido diretamente no formulário da Plataforma Carlos Chagas, respeitando os limites de caracteres.
A análise do projeto será qualitativa e contextualizada, sendo considerados os seguintes aspectos:
– Clareza e consistência interna, com enunciado preciso da pergunta de pesquisa, objetivos bem definidos e coerência entre problema, métodos e fundamentação teórica;
– Exequibilidade, considerando a adequação entre objetivos, abordagem metodológica, cronograma proposto e a experiência do(a) proponente;
– Originalidade, com contribuições teóricas, metodológicas e/ou aplicadas, especialmente em diálogo com lacunas do campo ou questões emergentes;
– Atualidade e domínio do estado da arte, demonstrados por bibliografia especializada recente e articulação com debates contemporâneos, em âmbito nacional e internacional;
– Potencial formativo, evidenciado pela integração planejada de estudantes e pela contribuição para a formação em pesquisa;
– Inserção institucional e colaboração em rede, incluindo articulações interinstitucionais, interdisciplinares ou internacionais;
– Contribuição científica e social, considerando o potencial do projeto para ampliar o conhecimento na área e gerar impactos para além da comunidade acadêmica, quando pertinente;
– Qualidade da instituição de execução, sempre que exigido pela chamada, especialmente em modalidades de Bolsas Especiais;
– Avaliação do(a) supervisor(a) ou anfitrião(ã), nos casos em que a modalidade da bolsa envolva essa figura, conforme definido pela chamada;
– Instituição de origem do(a) candidato(a), quando aplicável, em modalidades como doutorado sanduíche no país.
6. Súmula curricular
A súmula curricular narrativa é parte central da análise qualitativa da proposta. Deve ser preenchida diretamente nos campos específicos do formulário eletrônico da Plataforma Carlos Chagas, conforme a estrutura definida a seguir.
Essa súmula orienta a leitura crítica do currículo Lattes e oferece uma visão integrada da trajetória científica do(a) proponente. Junto com o projeto de pesquisa, constitui o eixo central do julgamento da proposta.
Nota: Nos casos em que a chamada exigir a participação de um(a) supervisor(a) ou anfitrião(ã), como em diversas modalidades de Bolsas Especiais, o currículo dessa pessoa também será avaliado pelo Comitê, conforme os critérios definidos no edital.
A súmula deverá conter as seguintes informações:
- Narrativa estruturada da trajetória científica
A narrativa estruturada da trajetória científica deve oferecer uma visão crítica, sintética e contextualizada da atuação do(a) proponente, destacando suas principais contribuições à pesquisa, à formação e à articulação com a sociedade. Esta seção constitui um dos elementos centrais da avaliação qualitativa e deve abordar, de maneira articulada, os seguintes eixos:
Inserção e liderança acadêmica
Devem ser descritas atividades que evidenciem inserção qualificada e protagonismo no campo científico, tais como:
– Participação em bancas de graduação, pós-graduação e concursos;
– Atuação como conferencista, debatedor(a), moderador(a) ou organizador(a) de eventos acadêmicos;
– Exercício de funções em diretorias de associações científicas ou coordenação de Grupos de Trabalho (GTs);
– Integração a conselhos editoriais e atuação como parecerista ad hoc de periódicos, editoras ou agências de fomento;
– Coordenação de redes temáticas, núcleos de pesquisa, laboratórios, programas ou outras iniciativas acadêmicas.
Cooperação em redes locais, nacionais e internacionais
Devem ser relatadas experiências de colaboração científica em diferentes escalas, incluindo:
– Publicações em coautoria;
– Participação conjunta em projetos, eventos, simpósios, GTs, comunicações coordenadas ou dossiês;
– Organização colaborativa de eventos, mesas-redondas ou outras ações interinstitucionais;
– Intercâmbios, missões de pesquisa, convites internacionais ou participação em redes de cooperação, incluindo parcerias Sul-Sul.
Formação de recursos humanos
Espera-se a descrição de ações sistemáticas de formação científica e técnica, como:
– Orientações e coorientações em TCC, iniciação científica (IC, PIBIC, PIVIC), programas de ensino (PIBID, monitoria, extensão PET), mestrado, doutorado e pós-doutorado;
– Atuação docente em cursos de especialização e programas de formação continuada;
– Supervisão de estágios ou participação em programas de formação de professores(as) da educação básica, como PARFOR e outros;
– Treinamento de profissionais em contextos que demandem conhecimento especializado em Linguística.
Difusão e inserção social da pesquisa
Devem ser apresentadas ações que promovam a circulação pública do conhecimento científico, como:
– Produção e participação em iniciativas de divulgação científica (podcasts, vídeos, artigos de divulgação, entrevistas, redes sociais);
– Atividades de extensão universitária vinculadas ao projeto de pesquisa;
– Parcerias com escolas, comunidades tradicionais, organizações sociais, instituições públicas ou privadas;
– Estratégias de popularização do conhecimento linguístico em contextos não acadêmicos.
- Destaques da produção científica e/ou técnica
Devem ser indicados até cinco produtos considerados mais representativos da trajetória acadêmica no período de avaliação. Para cada item selecionado, é necessário apresentar uma justificativa concisa que destaque sua originalidade, contribuição teórica ou metodológica, impacto na área, potencial formativo e/ou aplicação social.
As justificativas devem explicitar, por exemplo:
– O ineditismo dos dados analisados ou da abordagem adotada;
– A proposição de novos métodos, modelos analíticos ou categorias conceituais;
– A repercussão acadêmica (citações, inclusão em programas de disciplinas, reconhecimento por pares);
– O vínculo com o projeto proposto ou sua relevância para o avanço de determinada linha de pesquisa;
– A integração do produto a redes de cooperação científica ou a seu uso em contextos sociais ou educacionais.
São considerados produtos bibliográficos::
– Artigos científicos, livros autorais, capítulos de livro, traduções, coletâneas organizadas, dossiês temáticos, trabalhos completos em anais, manuais e tutoriais.
São considerados produtos técnico-científicos, entre outros:
– Relatórios com responsabilidade técnica, pareceres emitidos para periódicos, editoras ou agências de fomento, registros de software, organização de eventos técnico-científicos, materiais de divulgação científica, prefácios, posfácios, ou outras contribuições com reconhecimento na comunidade científica.
O Comitê incentiva que o(a) proponente destaque, sempre que pertinente, evidências de circulação, uso ou impacto social, cultural, educacional ou midiático dos produtos selecionados. Tais evidências podem incluir, entre outras:
– adoção em políticas públicas, currículos, programas educacionais ou materiais didáticos;
– aplicação prática em escolas, comunidades tradicionais, projetos de extensão ou movimentos sociais;
– indicadores de acesso e visibilidade pública, como downloads, visualizações, menções em mídias digitais ou tradicionais;
– impactos formativos demonstrados por ações vinculadas à formação de professores(as), ciência cidadã ou práticas de popularização da ciência.
- Métricas de impacto (citações e fator h)
O(a) proponente deve informar, na súmula curricular, os principais indicadores de impacto de sua produção científica, como o número total de citações, índice h e índice i10, com base em plataformas reconhecidas (ex.: Google Scholar, Scopus ou Web of Science).
Esses indicadores devem ser apresentados em três formatos distintos:
– Valores acumulados até o momento da submissão (ex.: 180 citações, h = 8, i10 = 10);
– Valores relativos ao período da chamada: para bolsas de nível C: últimos 5 anos completos anteriores ao ano de submissão; para bolsas de níveis B e A: últimos 10 anos completos anteriores ao ano de submissão;
– Valores relativos ao tempo de carreira, considerado a partir do ano de obtenção do doutorado até o ano de submissão da proposta.
Plataformas como Scopus e Web of Science permitem o filtro temporal para obtenção dos dados. O Google Scholar disponibiliza diretamente o h5-index, útil para o caso das bolsas de nível C.
Nos casos de trajetórias não lineares, como licenças, maternidade, atuação fora da academia ou mudanças de área, recomenda-se que o(a) proponente registre essas informações na súmula curricular, acompanhadas de breve justificativa narrativa, quando pertinente. Esses elementos serão considerados na análise qualitativa, colegiada e contextualizada, sem penalização, conforme os princípios de avaliação responsável adotados por este Comitê.
As métricas bibliométricas aqui apresentadas têm caráter complementar e informativo. Não serão utilizadas como critério classificatório automático, nem como substituto da análise qualitativa da trajetória. Devem ser interpretadas criticamente, considerando o tipo de produção, o ciclo de citação, as práticas da subárea e a circulação predominante do conhecimento. A qualidade intrínseca das contribuições prevalecerá na avaliação, independentemente de valores numéricos. O fator de impacto de periódicos não será utilizado como critério individual, por ser um indicador agregado que não reflete a qualidade específica dos trabalhos avaliados.
7. Alinhamento à Ciência Aberta
O Comitê considera positivamente, tanto na avaliação do projeto quanto na análise da súmula curricular, a adoção de práticas de Ciência Aberta que promovam a transparência, a reprodutibilidade e a democratização do conhecimento científico. Entre essas práticas, destacam-se: a publicação em acesso aberto, tanto em periódicos quanto em livros, a divulgação de manuscritos em servidores de preprints, o uso de repositórios públicos para dados, scripts e protocolos, o pré-registro de estudos, o engajamento com ciência cidadã e ações de divulgação científica voltadas ao público amplo. Reconhece-se que algumas dessas práticas são mais adequadas a certos tipos de investigação empírica, enquanto outras têm potencial de aplicação transversal na atividade científica. A presença dessas práticas será considerada positivamente na avaliação e poderá ser registrada no parecer com caráter orientador.
8. Perfil e parâmetros indicativos para os níveis de Bolsa de Produtividade em Pesquisa – PQ
A classificação das propostas nos níveis A, B ou C será orientada por uma avaliação qualitativa e contextualizada, centrada no projeto de pesquisa e na trajetória acadêmica descrita na súmula curricular narrativa. Os parâmetros numéricos apresentados a seguir têm caráter exclusivamente indicativo: oferecem marcos comparativos que auxiliam a leitura das propostas, sem configurar exigências eliminatórias.
Propostas com trajetórias que se afastem desses parâmetros poderão, ainda assim, ser avaliadas positivamente, desde que revelem contribuições acadêmicas de mérito excepcional, em consonância com os princípios de avaliação responsável adotados por este Comitê. Entre tais contribuições, destacam-se aquelas voltadas à ciência aberta, ao impacto social do conhecimento e à inovação metodológica ou conceitual.
8.1. Nível C (36 meses)
São esperadas para este nível evidências de atuação consolidada em um nicho temático, com potencial de liderança científica, articulação em redes de cooperação (locais, nacionais e/ou internacionais), envolvimento consistente na formação de recursos humanos e contribuições para a inserção social do conhecimento produzido.
Para a análise deste perfil, serão observados os seguintes parâmetros mínimos indicativos, a serem referenciados no Currículo Lattes:
– 4 defesas de mestrado e/ou 2 defesas de doutorado concluídas como orientador(a) principal;
– 5 orientações de graduação concluídas (TCC ou programas institucionais de formação como PIBIC, PIBID, PET, etc.);
– 10 produtos bibliográficos avaliados por pares, sendo ao menos 6 artigos completos publicados em periódicos;
– 10 produtos técnico-científicos, como relatórios, pareceres, coordenação de eventos, organização de dossiês, materiais de divulgação científica, entre outros;
– Vínculo ativo com ao menos uma associação científica da área.
8.2. Nível B (48 meses)
A classificação no nível B é destinada a pesquisadores(as) com nicho de atuação estabelecido e consolidado, cuja trajetória demonstre projeção científica, liderança acadêmica e inserção qualificada em redes de cooperação locais, nacionais e internacionais. Espera-se uma articulação consistente entre produção científica, formação de recursos humanos e contribuição efetiva para a inserção social do conhecimento linguístico.
A análise desse perfil será fundamentada na súmula curricular e referenciada no Currículo Lattes, com base nos seguintes parâmetros mínimos indicativos:
– 8 defesas de mestrado e 4 defesas de doutorado concluídas como orientador(a) principal;
– 15 produtos bibliográficos avaliados por pares, sendo no mínimo 6 artigos completos publicados em periódicos;
– 20 produtos técnico-científicos, tais como pareceres, relatórios técnicos com notação de responsabilidade científica, coordenação de eventos, organização de dossiês, produção de materiais de divulgação científica, entre outros;
– Atuação de liderança em pelo menos uma associação científica da área, comprovada por atividades como coordenação de grupo de trabalho (GT), área temática, organização de evento, participação em conselhos, presidência ou cargos equivalentes.
8.3. Nível A (60 meses)
O enquadramento no Nível A destina-se a pesquisadores(as) com trajetória consolidada e amplamente reconhecida por seus pares, tanto nacional quanto internacionalmente, em seu nicho de atuação, com impacto relevante também em outras áreas da Linguística.
Espera-se evidência consistente de liderança acadêmica, atuação destacada em redes de cooperação científicas locais e globais, envolvimento contínuo na formação de recursos humanos e forte inserção social da pesquisa.
Esse reconhecimento pode ser demonstrado por atividades como:
– Ocupação de cargos de diretoria em associações científicas da área;
– Participação em comitês de assessoramento de agências de fomento à pesquisa;
– Atuação como docente visitante em instituições de ensino e pesquisa no Brasil ou no exterior;
– Premiações e distinções concedidas por associações científicas ou entidades relevantes;
– Histórico consistente de obtenção de financiamento competitivo para pesquisa.
Além dos parâmetros mínimos indicativos associados ao Nível B, o(a) proponente deve demonstrar os seguintes elementos adicionais de trajetória, conforme registro na Plataforma Lattes:
– 2 (duas) supervisões de pós-doutorado concluídas;
– 10 (dez) produtos técnico-científicos de destaque, como conferências convidadas, prefácios e posfácios, prêmios, distinções, coordenação científica de redes de pesquisa, entre outros.
9. Política de ações afirmativas
Em conformidade com a decisão do STF na ADPF 186 e com os princípios de justiça e equidade que regem este Comitê, serão adotadas ações afirmativas na avaliação de propostas coordenadas por pesquisadoras(es) pertencentes a grupos historicamente sub-representados.
Essas ações consistem na consideração de cinco anos adicionais de produção, além do período regular de avaliação, exclusivamente nos seguintes casos, desde que explicitamente autodeclarados na súmula curricular e no Currículo Lattes no momento da submissão:
– Pessoas pretas, pardas, indígenas ou quilombolas;
– Pessoas transgêneras;
– Pessoas com deficiência ou surdas;
– Pesquisadores(as) com vínculo institucional nas regiões Norte, Nordeste ou Centro-Oeste.
A aplicação não é cumulativa: mesmo que o(a) proponente atenda a mais de um critério, será considerada uma única ampliação temporal.
Essa política tem como objetivo mitigar desigualdades estruturais e ampliar a diversidade na pesquisa em Linguística, em consonância com as diretrizes do CNPq, os posicionamentos dos fóruns da área e as boas práticas internacionais de avaliação responsável.
- Avaliação e critérios de priorização em caso de empate de perfil
Todas as propostas recomendadas, após a avaliação do projeto e da súmula curricular, serão ranqueadas em ordem de prioridade. O ranqueamento compara as propostas dentro de uma mesma chamada e nível, com base nos critérios e pesos estabelecidos. Assim, a nota final reflete a posição relativa das propostas avaliadas sob parâmetros comuns.
Em situações de empate entre propostas com perfil equivalente, serão adotados critérios de priorização orientados pela missão de promover equidade na pesquisa em Linguística.
Para fins de desempate, serão priorizadas propostas que contribuam para a diversificação do perfil acadêmico, observando:
- a representatividade de diferentes subáreas da Linguística;
- a distribuição regional das instituições dos(as) proponentes;
- a inclusão de pesquisadoras(es) pertencentes a grupos historicamente sub-representados (mulheres, pessoas trans, pessoas com deficiência, pessoas surdas, indígenas, quilombolas, pretas, indígenas entre outras identidades).
A autodeclaração de pertencimento a grupos minorizados deverá constar na súmula curricular e será considerada para fins de priorização.
- Compromisso com avaliação responsável e aperfeiçoamento contínuo
O CA-LL Linguística reafirma seu compromisso com uma avaliação justa, alinhada a diretrizes internacionais de avaliação responsável. Para garantir a aplicação desses princípios, o Comitê oferecerá treinamento aos membros dos painéis de avaliação. Também promoverá discussões com a comunidade acadêmica, com o objetivo de esclarecer os processos de submissão e avaliação e fomentar a transparência.
Os critérios adotados serão revisados periodicamente, à luz de recomendações atualizadas, diretrizes de boas práticas e contribuições recebidas em fóruns abertos organizados por associações científicas. Com isso, o Comitê reforça seu compromisso com a autorreflexão permanente e com o aperfeiçoamento dos procedimentos, assegurando a integridade e a equidade na avaliação das propostas.
- Considerações finais
Cabe aos(às) proponentes verificar os critérios eliminatórios, pesos e exigências específicas previstos nas chamadas públicas. Este documento não substitui as normas das chamadas, mas detalha os procedimentos de julgamento sob responsabilidade do Comitê, nos limites definidos pelo CNPq.
O CA-LL Linguística reforça que os critérios adotados neste triênio foram formulados em consonância com diretrizes internacionais amplamente referendadas sobre avaliação responsável, com compromissos firmados por entidades científicas nacionais e com as propostas debatidas em conferências e consultas públicas sobre políticas de CT&I no Brasil.