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CONFERÊNCIA AIEA
Presidente da CNEN destaca potencial dos microrreatores para ampliar o acesso à energia limpa
O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Francisco Rondinelli Júnior, apresentou os avanços do projeto brasileiro de desenvolvimento de microrreatores nucleares, ressaltando os benefícios que essa tecnologia poderá trazer à população, especialmente para municípios de pequeno porte e regiões de difícil acesso.
Durante a apresentação, realizada em 17 de setembro, na 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi destacado que os microrreatores representam uma alternativa inovadora para ampliar a oferta de energia elétrica de forma segura, sustentável e confiável.
Com potência de aproximadamente 5 MW elétricos, cada unidade poderá atender à demanda energética de municípios com até 5 mil habitantes, contribuindo para melhorar a qualidade de vida da população e impulsionar o desenvolvimento econômico local. Segundo o presidente da CNEN, a tecnologia foi concebida para levar energia a locais onde a expansão da infraestrutura elétrica convencional é mais complexa ou onerosa. O fornecimento contínuo de energia poderá favorecer serviços essenciais, como unidades de saúde, escolas, sistemas de abastecimento de água, telecomunicações e atividades produtivas, fortalecendo as condições de desenvolvimento social das comunidades atendidas.
Outro aspecto ressaltado foi a confiabilidade do sistema. Os microrreatores foram projetados para operar continuamente, 24 horas por dia, durante todo o ano, garantindo estabilidade no fornecimento de energia. Além disso, possuem vida útil do combustível superior a dez anos, reduzindo a necessidade de intervenções frequentes e aumentando a segurança energética das localidades beneficiadas.
A proposta brasileira também incorpora conceitos avançados de segurança nuclear, incluindo os princípios de “Segurança pelo Projeto” e “Defesa em Profundidade”. A tecnologia dispensa o uso de água para operação e sistemas de segurança, além de não emitir gases de efeito estufa durante seu funcionamento, contribuindo para os compromissos ambientais e climáticos do país.
De acordo com os dados pontuados na explanação, um único microrreator poderá atender cerca de 1.225 municípios brasileiros, o equivalente a 22% das cidades do país. Quando utilizados em conjuntos de uma a quatro unidades, os microrreatores teriam potencial para suprir a demanda energética de aproximadamente 68% dos municípios brasileiros, ampliando significativamente o acesso à energia de qualidade.
O presidente da CNEN informou ainda que o projeto possui um importante componente de desenvolvimento nacional. A expectativa é que a tecnologia possa ser integralmente projetada, fabricada e operada no Brasil, estimulando a geração de empregos qualificados, o fortalecimento da indústria nacional e a formação de novos especialistas no setor nuclear.
“Mais do que uma inovação tecnológica, o microrreator nuclear brasileiro representa uma oportunidade de levar energia limpa, confiável e sustentável a milhares de cidadãos, promovendo inclusão, desenvolvimento regional e melhoria da qualidade de vida da população”, enfatizou o presidente durante a apresentação.
Após a exposição, o presidente da CNEN foi procurado no estande do Brasil por representantes de instituições estrangeiras interessados em conhecer mais detalhes sobre o projeto nacional de microrreator.