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Energia nuclear no combate à pandemia

Pesquisa do CDTN comprova presença de coronavírus em aerossóis atmosféricos no ar

Publicado em 12/02/2021 15h04 Atualizado em 12/02/2021 15h11

   Pouco explorado pela comunidade científica, o monitoramento dos aerossóis atmosféricos permitiu mapear a presença e o trajeto do vírus no ar e pode auxiliar na prevenção e no aperfeiçoamento das medidas de segurança. Desde o ano passado, o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), instituição ligada à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) analisa as partículas microscópicas e invisíveis e sua presença no ar, observando como o coronavírus se locomove por seu baixo peso e sua baixa massa.

   

Atividades da pesquisa sobre coronavírus em aerossóis, desenvolvida pelo CDTN. Foto: Ascom/CDTN.
Atividades da pesquisa sobre coronavírus em aerossóis, desenvolvida pelo CDTN.
No CDTN, a pesquisa de monitoramento de aerossóis atmosféricos é conduzida pelo pesquisador do Serviço de Análise e Meio Ambiente, Ricardo Gomes Passos, em conjunto com a pesquisadora Marina Silveira; a pesquisa conta ainda com o apoio dos servidores do CDTN Márcio Tadeu Pereira, Pablo Grossi e Edson da Silva.

   O monitoramento da locomoção das partículas nos aerossóis atmosféricos tem como objetivo analisar a transmissão do vírus para além das gotículas de saliva, cuja transmissão é evitada com o distanciamento social, Afinal, as distâncias que as partículas suspensas no ar podem atingir tendem a ser maiores. Segundo o pesquisador Ricardo Gomes Passos, “esses aerossóis são formados até mesmo durante a fala, grito, canto, respiração e tosse de uma pessoa contaminada, principalmente se não estiver de máscara, ou pela evaporação de parte dessas gotículas visíveis, que sofrem redução de tamanho e passam a ser invisíveis e ‘flutuarem’ no ar”. 

   O estudo foi realizado em dois hospitais de Belo Horizonte entre maio e julho, e em áreas de grande circulação de pessoas na cidade, como pontos de ônibus, calçadas e estacionamentos (foto ao lado), entre maio e agosto de 2020. A relevância da evidência se dá no campo da prevenção da doença, já que o uso de máscaras diminui a dispersão das partículas de SARS-CoV-2. Além da pesquisa voltada ao combate à pandemia, o CDTN também analisará os aerossóis nas estações de tratamento de esgoto e nas casas de pessoas com Covid-19, com o objetivo de aferir os riscos de transmissão nesses locais, e projetar estratégias de cuidado e prevenção do contágio pelo ar.

   As análises tiveram colaboração do Laboratório de Vírus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e os resultados foram publicados no periódico “Environmental Research”, em inglês, sob título “Exploratory assessment of the occurrence of SARS-CoV-2 in aerosols in hospital facilities and public spaces of a metropolitan center in Brazil”. Para acessar o artigo, clique aqui.

 Texto: Agatha Azevedo, da Assessoria de Comunicação do CDTN ( assessoria@cdtn.br )
Foto: Ascom/CDTN