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CONFERÊNCIA AIEA
Painel sobre resposta ao acidente radiológico com césio-137 destaca dimensões humanas, sociais e institucionais
O painel “Goiânia 1987: Histórias por detrás do acidente radiológico”, promovido em 16 de setembro pela CNEN durante a 70ª Conferência Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi um grande sucesso. O espaço destinado ao evento ficou completamente lotado, reunindo participantes de diversos países interessados em conhecer mais sobre as dimensões humanas, sociais e institucionais do maior acidente radiológico ocorrido fora de instalações nucleares do mundo.
Quatro profissionais que atuaram na resposta ao acidente de Goiânia compartilharam a experiência de cada um. Paulo Roberto Ferreira, coordenador geral de segurança nuclear e radiológica da CNEN, iniciou as apresentações trazendo um panorama sobre o acidente.
Paulo Becker, analista de salvaguardas, abordou questões referentes à logística, como os cuidados com relação aos equipamentos e medidas de descontaminação. Além disso, destacou a importância da comunicação com o público.
Carlos Nogueira, que atuou no Hospital de Doenças Tropicais de Goiânia, falou de confiança e transparência. “Tudo o que aprendemos virou lição nacional e internacional”, afirmou. Roberto Vicente, pesquisador do Centro de Rejeitos Radioativos do Instituto de Pesquisa Energéticas e Nucleares (IPEN/CNEN), explanou que o desafio não foi apenas lidar com a radiação, e sim cuidar das pessoas, tendo o olhar com relação à dignidade humana.”
Os relatos, imagens históricas e reflexões apresentadas despertaram grande interesse da audiência, que acompanhou atentamente as apresentações e participou ativamente das discussões, contando inclusive com participantes de cidades vizinhas à Chernobyl.
O presidente da CNEN, Francisco Rondinelli Júnior, explicou que o tratamento aos radioacidentados está na terceira geração das famílias vítimas da tragédia, que seguem com acompanhamento e assistência pela Fundação Leide das Neves. Também contou de um menino de nove anos que conheceu a história do acidente, vendo a série da Netflix Emergência Radioativa, e escreveu uma carta para a CNEN dizendo que queria ser físico nuclear, ação que emocionou a todos os presentes.
O espaço lotado foi um reflexo do reconhecimento internacional da experiência brasileira na gestão das consequências do acidente.