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Nota de pesar — José Israel Vargas (1928–2025)
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) lamenta profundamente o falecimento do professor José Israel Vargas, ocorrido na manhã de 15 de maio de 2025. Físico, químico e intelectual de destaque na ciência brasileira, Vargas foi um dos formuladores da política nacional de energia nuclear nas décadas iniciais do programa nuclear brasileiro, além de ter atuado diretamente como assessor técnico da CNEN e diretor do então Instituto de Pesquisas Radioativas da UFMG.
Nascido em Paracatu (MG), Vargas formou-se em Química pela UFMG, estudou Física no Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA) e obteve o doutorado em Ciências Nucleares pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido. No Brasil, além de sua atuação na CNEN, foi pesquisador do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), professor emérito da UFMG e colaborador incansável no desenvolvimento da ciência e tecnologia nucleares.
Após o golpe militar de 1964, foi afastado de suas funções na CNEN e na UFMG e seguiu para a França, onde liderou um grupo de pesquisa no Centro de Estudos Nucleares do Comissariado de Energia Atômica, em Grenoble. Sua produção científica inclui trabalhos de referência sobre transformações nucleares nos sólidos e interações hiperfinas, além de contribuições importantes para o planejamento de sistemas energéticos.
Na vida pública, ocupou cargos estratégicos como secretário de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais, ministro da Ciência e Tecnologia (1992–1999) e embaixador do Brasil na Unesco. Foi também presidente da Academia Brasileira de Ciências (1991–1993) e da Academia Mundial de Ciências (TWAS), defendendo o avanço científico nos países em desenvolvimento e a democratização do conhecimento.
José Israel Vargas será lembrado como um defensor da energia nuclear como instrumento de desenvolvimento nacional e como uma das vozes mais lúcidas e comprometidas com a ciência pública, crítica e transformadora. A CNEN presta sua solidariedade à família, amigos e à comunidade científica brasileira, rendendo homenagem a um dos pilares da história da energia nuclear no Brasil.