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NOTA À SOCIEDADE
Nota de esclarecimento e repúdio a informações distorcidas veiculadas em reportagem da CNN Brasil
Em relação à reportagem “Documentos revelam falhas estruturais em depósitos de rejeitos radioativos”, publicada pela CNN Brasil em 26/02/2026 e apresentada de forma sensacionalista sobre as instalações do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN/CNEN), é necessário registrar as graves omissões e distorções que comprometem a correta compreensão dos fatos pela sociedade, apesar de todo o esclarecimento técnico prestado pela CNEN.
A reportagem recebeu previamente documentos oficiais da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) que pertence à Autoridade Nacional de Segurança Nuclear e teve acesso ao laudo técnico elaborado por empresa de engenharia estrutural contratada pelo IEN/CNEN. Esses três relatórios técnicos afastam risco de colapso estrutural das edificações, informação essencial que foi omitida ou apresentada de forma secundária no texto publicado.
A matéria adota interpretações próprias sobre aspectos de engenharia civil, desconsiderando pareceres técnicos especializados emitidos por órgãos competentes. Causa especial preocupação o fato de a reportagem, na versão para a TV, comparar recortes de imagens constantes em relatório técnico — que apontam pontos específicos a serem corrigidos em uma edificação — com o acidente radiológico de Goiânia, ocorrido em 1987, quando houve roubo de um equipamento de radioterapia em uma clínica abandonada e violação inadvertida da fonte radioativa. Trata-se de situação absolutamente distinta. A comparação, além de tecnicamente inadequada, constitui desserviço à sociedade por induzir associação alarmista e desproporcional.
Os rejeitos radioativos constantes em institutos da CNEN são originados de instalações médicas, industriais, de pesquisa e devem ser caracterizados, tratados e acondicionados de acordo com sua natureza, atividade e parâmetros estabelecidos em normas. São atividades técnicas complexas e que requerem profissionais de alta qualificação. A CNEN conta com o trabalho dessas equipes, inclusive formando os quadros de profissionais que atuam em diversas instalações nucleares e radiativas no país.
Importa esclarecer de forma objetiva:
• O material armazenado encontra-se devidamente acondicionado e monitorado;
• Do ponto de vista ambiental, ocupacional e do público em geral, estão preservadas as condições de segurança e proteção radiológica;
• A própria Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) afirmou que a população do entorno permanece protegida pelas barreiras de confinamento existentes e pelo acesso controlado à instalação — informação mencionada apenas ao final da matéria, sem o devido destaque.
A reportagem também recebeu informação de que está em adequação um edifício (“Galpão L”), projetado para atender integralmente às diversas exigências regulatórias, com conclusão em maio de 2026. Esse prédio permitirá armazenar os rejeitos em condições modernas e adequadas, e, após a transferência, viabilizará que a edificação original passe pelas manutenções e reparos necessários.
É incorreta a afirmação de que a transferência do material “envolve riscos e por isso não está autorizada”. Procedimentos dessa natureza seguem rito regulatório próprio: as autorizações são formalmente solicitadas e o órgão regulador verifica o atendimento a todas as exigências técnicas e de segurança. Somente após a conclusão das obras, vistoria e análise técnica, é que a ANSN definirá sobre a autorização da transferência entre os prédios, os quais se encontram no próprio IEN/CNEN. Trata-se de procedimento padrão de controle regulatório, e não de impedimento por risco iminente.
O repórter foi convidado a visitar a instalação no IEN/CNEN para conhecer in loco as condições estruturais e os sistemas de segurança, mas optou por não realizar a visita. A matéria foi construída a partir de informações parciais de relatórios e uso seletivo de imagens, favorecendo uma narrativa previamente orientada à tese de risco de desmoronamento e colapso com dispersão de contaminantes — cenário que não encontra respaldo nos laudos técnicos disponíveis da Defesa Civil, do IRD/ANSN e da empresa de engenharia estrutural contratada pelo IEN/CNEN.
Profissionais de proteção radiológica do IEN/CNEN, bem como responsáveis pela segurança física e radiológica do material, foram profundamente desrespeitados pela abordagem adotada. Também foram ignoradas as medidas internas de arranjo, acondicionamento e monitoramento dos rejeitos radioativos, que seguem protocolos técnicos rigorosos.
A CNEN opera depósitos de rejeitos radioativos provenientes de instalações médicas, industriais e de pesquisa em suas unidades técnico-científicas no Recife, em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, com total transparência e sem histórico de incidentes relacionados à dispersão de material ou falhas de segurança.
A comparação alarmista, a omissão de informações técnicas relevantes e a construção de narrativa confusa e contraditória configuram um desserviço à sociedade, que merece informação técnica equilibrada, precisa e contextualizada.
A segurança radiológica é tratada com rigor técnico e regulatório, e as medidas preventivas seguem sendo adotadas de forma contínua, responsável e transparente. Todas as informações e esclarecimentos a respeito das medidas adotadas ao longo do tempo sempre foram acompanhadas pelos órgãos de controle e regulatório (Ministério Público Federal, Auditoria Interna da CNEN, Controladoria Geral da União e Autoridade Nacional de Segurança Nuclear).
A CNEN permanece à disposição de qualquer instituição ou cidadão, por intermédio de suas redes sociais e canais oficiais de comunicação, para todo e qualquer esclarecimento que se faça necessário.