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"ESTRUTURADO E ESTRATÉGICO"
Em palestra na NT2E, presidente da CNEN apresenta proposta para o Programa Nuclear Brasileiro com metas até 2060
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) apresentou nesta terça-feira, 20, durante a NT2E, o Programa Nuclear Brasileiro (PrNB 2025-2035), uma iniciativa estratégica que define metas e prioridades para consolidar o Brasil como potência científica e tecnológica no campo nuclear. A proposta representa um esforço articulado entre os principais atores do setor nuclear, liderado pela CNEN, com o objetivo de estabelecer uma política de Estado sólida, que ultrapasse os ciclos de governo e promova o desenvolvimento contínuo da área.
A apresentação foi conduzida pelo presidente da CNEN, Francisco Rondinelli Júnior, durante o painel “Futuro do Programa Nuclear Brasileiro”, que contou também com a participação de representantes da Marinha do Brasil, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Associação Brasileira para o Desenvolvimento de Atividades Nucleares (ABDAN). Ao longo do encontro, os participantes traçaram um panorama histórico do setor, apresentaram a atual estrutura regulatória e debateram caminhos para consolidar o Brasil como uma potência nuclear nos próximos anos.

- (Foto: Bianca Wendhausen/CNEN)
Um dos pilares do programa é a utilização pacífica e segura da tecnologia nuclear, alinhada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Ele está organizado em dez eixos estratégicos que abrangem as diversas frentes de atuação do setor: energia nuclear; medicina nuclear; indústria; agricultura; pesquisa e inovação; defesa; segurança radiológica e resposta a emergências; ensino e formação de pessoal; soberania tecnológica e geopolítica; e comunicação e transparência pública.
Entre os projetos estratégicos em destaque estão a conclusão da usina Angra 3, a implantação do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), o fortalecimento do ciclo do combustível nuclear e a análise da viabilidade de reatores modulares pequenos (SMRs). Outro projeto fundamental é ampliar o acesso da população aos benefícios das aplicações nucleares, com destaque para a medicina nuclear no SUS, a irradiação de alimentos e o desenvolvimento de materiais tecnológicos, fortalecendo a segurança alimentar, a saúde pública e a produtividade econômica.
“O PrNB representa um salto institucional ao propor metas de longo prazo para garantir segurança energética com baixa emissão de carbono, ampliar o acesso à medicina nuclear e fomentar a inovação e a produtividade em setores estratégicos como indústria e agricultura. Além disso, busca fortalecer a soberania nacional por meio do domínio tecnológico do ciclo do combustível nuclear, aprimorar a capacidade de resposta a emergências nucleares e radiológicas e estabelecer soluções definitivas para o armazenamento de resíduos radioativos. O programa também propõe a formação de recursos humanos qualificados e reforça o compromisso com o uso pacífico e controlado da tecnologia nuclear”, declara Rondinelli.
Como próximo passo, a proposta será apresentada ao Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro. A expectativa é que, a partir do terceiro trimestre de 2025, sejam realizadas reuniões temáticas para detalhar objetivos, metas e ações. A aprovação formal do programa será submetida à Presidência da República. “Nosso objetivo é ter o segundo Programa Nuclear oficialmente publicado pelo governo federal, algo que não ocorre desde 1977. Essa será a base para os próximos 30 anos do setor”, concluiu Rondinelli.
Evento destaca potencial do Brasil no setor nuclear
Realizada no centro de convenções ExpoMag, no Rio de Janeiro, a Nuclear Trade & Technology Exchange (NT2E) é a maior feira de negócios do setor nuclear da América Latina. Promovido pela ABDAN, o evento vai até o dia 22 de maio com uma programação intensa de painéis, palestras e exposições sobre as diversas aplicações da energia nuclear nas áreas médica, industrial e energética.
Na cerimônia de abertura, autoridades e representantes de diferentes segmentos da cadeia nuclear destacaram o potencial estratégico do Brasil, que possui a sétima maior reserva de urânio do mundo, com apenas 27% do território nacional mapeado. A mensagem comum foi clara: é hora de transformar projetos estruturantes em ações concretas.
Os debates ao longo do evento reforçaram e aprofundaram temas estratégicos já em curso, como a conclusão da usina de Angra 3, o desenvolvimento de reatores modulares pequenos (SMRs), a criação da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear e o programa do submarino com propulsão nuclear conduzido pela Marinha do Brasil.
Durante a cerimônia de abertura, Rondinelli reforçou o papel da ciência e tecnologia como motores do desenvolvimento e apresentou o slogan da CNEN para a NT2E: “Quando a pesquisa é um bom negócio: tecnologia de ponta para resolver grandes desafios”. Entre as iniciativas previstas ao longo do evento, a CNEN destacará as tecnologias desenvolvidas por suas unidades técnico-científicas que estão disponíveis para transferência tecnológica.
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Texto: Emanuel Galdino e Ana Paula Freire Artaxo