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NOTA DE PESAR
CNEN comunica o falecimento de seu ex-presidente Rex Nazaré Alves e rende homenagens a um dos grandes nomes da energia nuclear no país
A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) manifesta profundo pesar pelo falecimento de Rex Nazaré Alves, ocorrido em 6 de janeiro de 2026, e rende homenagem a um dos mais relevantes nomes da história do desenvolvimento da tecnologia nuclear no Brasil. Físico, gestor público e formulador de políticas estratégicas, Rex Nazaré dedicou sua vida ao desenvolvimento científico, tecnológico e institucional do setor nuclear brasileiro, sempre guiado pela convicção de que a tecnologia nuclear é um elemento essencial da soberania nacional.
A CNEN se solidariza com familiares, amigos, colegas, ex-alunos e com toda a comunidade científica e tecnológica brasileira, reconhecendo em Rex Nazaré Alves um exemplo de servidor público, cientista e cidadão cuja obra permanecerá como referência para o Brasil. A despedida está marcada para sexta-feira, 9 de janeiro, a partir de 9 horas, no Crematório do Memorial do Carmo, no Rio de Janeiro.
O presidente da CNEN, Francisco Rondinelli, enalteceu a dedicação de Rex Nazaré Alves para o desenvolvimento do setor nuclear brasileiro, ressaltando sua contribuição histórica, sua integridade intelectual e seu compromisso inabalável com o país. Sua trajetória confunde-se com a própria consolidação da CNEN e com a formação de gerações de profissionais que atuaram e ainda atuam na área nuclear.
Presidente da CNEN entre setembro de 1982 e março de 1990, condecorado com a Medalha Carneiro Felippe, maior honraria da CNEN, Rex Nazaré exerceu papel central no fortalecimento das bases técnicas e institucionais do setor. Mesmo após deixar a presidência, manteve vínculo ativo com a CNEN como membro da Comissão Deliberativa, reafirmando seu compromisso permanente com a política nuclear brasileira.
Ele teve papel decisivo ao liderar a resposta institucional ao acidente radiológico com o césio-137, em Goiânia (GO), coordenando equipes da CNEN e seus institutos no local, nas análises especializadas, em uma iniciativa grandiosa e inédita. Em suas palestras e depoimentos públicos, Rex Nazaré destacava que a história do desenvolvimento da tecnologia nuclear no Brasil está diretamente ligada à busca por independência e autonomia. Alertava para os desafios estruturais do setor e para a importância de decisões políticas alinhadas a um projeto nacional de longo prazo.
Com clareza e firmeza, defendia a valorização do conhecimento científico, da memória institucional e da massa crítica de pesquisadores brasileiros, ressaltando que a soberania é uma construção contínua. Sua atuação foi marcada pela coerência, atravessando diferentes governos e contextos políticos sem jamais abdicar da defesa do interesse público e do patrimônio científico nacional.
Trajetória de Rex Nazaré Alves
Bacharel e licenciado em Física pela Universidade do Estado da Guanabara (UEG), atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), especialista em Engenharia Nuclear pelo Instituto Militar de Engenharia (IME), em 1963. Realizou estágio no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH) e doutorado em Física pela Universidade de Paris (Sorbonne), em1968
Na CNEN tornou-se pesquisador a partir de 1965, ano da entrada em operação do reator Argonauta. Foi chefe da Seção de Física de Fissão da CNEN após o retorno de seu doutorado. Teve papel decisivo na criação do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD/ANSN), sendo seu primeiro diretor, entre 1972 e 1975, e consolidando a importância da radioproteção no país. Atuou diretamente na captação de recursos, na escolha do terreno e na viabilização da construção do instituto. Às vésperas da inauguração do IRD, mesmo após danos estruturais causados por vendaval, participou de uma reconstrução que permitiu manter a data de inauguração, proferindo a célebre frase “o entusiasmo supera nossas deficiências”.
Foi coordenador do Programa Nuclear Paralelo, nas décadas de 1970 e 1980. Tornou-se diretor da Finep, na diretoria de projetos estratégicos nacionais, diretor de Tecnologia da Faperj. Ocupou posições como Membro do Conselho de Administração da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), chefe do Departamento de Tecnologia da ABIN, assessor especial do Ministro de Estado Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, colaborador da Presidência da Eletronuclear.
Rex recebeu muitas homenagens ao longo de sua trajetória. Foi professor em cursos de pós-graduação, palestrante muito requisitado e conferencista emérito da Escola Superior de Guerra (ESG). Em 2014 teve sua história transformada em livro, por Débora Motta, edição Faperj, na obra Uma vida dedicada à energia nuclear.
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Informações sobre a cremação:
Dia 9/01/2026
Velório: 9 às 12 horas.
Local: Memorial do Carmo
Endereço: Rua Monsenhor Manuel Gomes, 287, Caju, Rio de Janeiro