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WiCade: UFMG, IDP, Insper e USP (equipe B) disputam final neste sábado
Quatro equipes - Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), Insper Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) e a equipe B da Universidade de São Paulo (USP)- avançaram para as semifinais da WiCade 2026, que ocorrem neste sábado (7/11). A etapa chega após os painéis classificatórios e as quartas de final.
A competição é promovida pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), em parceria com a Rede Women in Antitrust (WIA), e reuniu estudantes universitários em julgamentos simulados de um caso fictício relacionado à defesa da concorrência, desde quinta-feira (5/11).
Trabalho em equipe e networking
O trabalho coletivo integra a experiência da WiCade. Ao longo dos últimos dias, as equipes distribuíram tarefas, discutiram diferentes interpretações para o caso e chegaram em uma estratégia em comum.
Para Rayssa Aleluia, estudante da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), de São Paulo, embora o trabalho seja cansativo, também é prazeroso. “Eu e minha equipe temos uma sintonia muito boa porque a gente convive na faculdade. Acima de tudo, a WiCade não é só uma competição, é uma experiência que traz novos contatos e fortalece a intimidade com os colegas”, afirmou.
Além do conteúdo técnico, a competição também aproxima os estudantes de profissionais atuantes no setor. A participação de especialistas, acadêmicos e profissionais da área proporciona contato com diferentes perspectivas sobre a defesa da concorrência e permite aos competidores conhecer melhor um campo de atuação que, muitas vezes, ainda é pouco explorado durante a graduação.
João Fornari, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), avaliou como positivas as conexões proporcionadas pela participação na WiCade: “Conheci Felipe Roquette – superintendente-geral interino do Cade –, que auxiliou nossa equipe durante o desenvolvimento e na sustentação. Conheci economistas da autarquia, e foi incrível aprender como se aplica a defesa da concorrência e como isso tudo está presente no nosso dia a dia.”
Caso fictício aborda concorrência no futebol
Neste ano, o caso escolhido para a competição envolve um processo administrativo para apurar a licitude de práticas associadas à coordenação econômica entre clubes integrantes de uma liga profissional de futebol, tendo a República de Maracanã, país fictício conhecido pela paixão de seus cidadãos pelo futebol, como cenário.
Para Maria Beatriz Nunes, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que participou das últimas três edições da WiCade, “esse foi o caso mais desafiador até agora, justamente por ser um tema de futebol e de mercado de trabalho, que a gente não tem tanta jurisprudência sobre”, opinou. “Mas eu achei muito interessante.”
A competição é dividida em duas fases. Na etapa escrita, as equipes elaboram memoriais para defender as partes envolvidas no caso fictício. Na fase oral, os participantes apresentam e sustentam seus argumentos diante de bancas avaliadoras formadas por especialistas e acadêmicos, em sessões que simulam julgamentos do Tribunal do Cade.
Manuela Lobato, da Universidade Federal do Pará (UFPA), ressaltou que participar da competição foi maravilhoso: “Tive a oportunidade de falar, receber perguntas e feedbacks dos conselheiros sobre como eu atuo, como é minha postura dentro do discurso. Isso facilita o aperfeiçoamento da minha carreira de advogada.”
Formação em defesa da concorrência
Realizado desde 2021, o WiCade visa aproximar estudantes de direito e economia da prática do direito concorrencial. A iniciativa proporciona contato com profissionais e autoridades da área, além de permitir que os participantes desenvolvam habilidades de pesquisa, argumentação jurídica e sustentação oral.
A competição também incentiva a representatividade feminina no ambiente antitruste. O edital, desde a 1ª edição, estabelece que pelo menos metade das vagas de cada equipe seja ocupada por mulheres.
Ariadne Ribas, da Universidade de São Paulo (USP) - grupo A, descreveu tais iniciativas inclusivas como essenciais e comparou a presença de mulheres em posições de importância com uma fala da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, ao ser questionada quando o órgão seria igualitário: “Ela respondeu: ‘Não é quando metade for homem, metade for mulher, é quando todas forem mulheres, porque nós estamos tão acostumados a vermos lugares em que 100% das pessoas presentes são homens, mas mulheres nós nos contentamos com metade.’ Então, para mim, é lindo ver cada vez mais mulheres nas equipes.”
Isadora Granato, da Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), do Rio Grande do Sul, destacou a força da WiCade na integração feminina na área de defesa da concorrência. “É uma competição que abre muitas portas, te proporciona conhecer profissionais incríveis, uma matéria incrível que tem um campo de atuação gigante que, às vezes, se não fosse pela competição, a gente nem conheceria”, completou.
O último dia da WiCade será transmitido pelo canal do Cade no YouTube. Acompanhe!