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Série Amazonia 1: aliança estratégica para o desenvolvimento

Publicado em 22/02/2021 12h23 Atualizado em 22/02/2021 13h56

As demandas por satélites da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) incentivaram as pesquisas na área no país no fim da década de 1980. O interesse em convergir os avanços espaciais com o desenvolvimento das indústrias locais foi a oportunidade para fortalecer a economia interna e facilitar a busca por novos parceiros internacionais para este processo.

Nesse período, os chineses emergiam de duas décadas de isolamento. O país tinha, então, o anseio de elevar o nível de suas competências científicas e tecnológicas. Para isso, o governo chinês traçava diretrizes de desenvolvimento intensivo de vários setores, entre eles a indústria e a área espacial.

A experiência na construção de satélites e foguetes lançadores fazia da China um grande aliado estratégico para o governo brasileiro. Em contrapartida, o Brasil já possuía familiaridade com a alta tecnologia empregada pelo setor e um parque industrial mais moderno que o chinês.

Outra característica comum aos dois países eram as grandes áreas despovoadas e com vastos recursos naturais no território. As grandes extensões de terras agricultáveis e de proteção ambiental faziam com que Brasil e China tivessem necessidade de monitoramento constante do território.

Assim, foi assinado um acordo de cooperação entre o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e a CAST (Academia Chinesa de Tecnologia Espacial) para a construção de dois satélites de sensoriamento remoto. O trabalho em conjunto foi oficialmente iniciado em 6 de julho de 1988 e deu início ao Programa CBERS (China-Brazil Earth Resources Satellite - Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres).

Os satélites CBERS 1 e 2 foram construídos com a inclusão de câmeras ópticas (imageadoras), destinadas a observações de todo o globo terrestre, um repetidor para o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (ver a matéria anterior: Série Amazonia 1: satélites de coleta de dados) e outros equipamentos voltados para experimentos científicos.

Sobre a tecnologia das câmeras

A câmera WFI (Imageador de Amplo Campo de Visada) produz imagens de uma faixa de 890 km de largura, permitindo a obtenção de imagens com resolução espacial de 260 m. No período aproximado de cinco dias, obtém-se uma cobertura completa do globo. A câmera CCD (Câmera Imageadora de Alta Resolução) fornece imagens de uma faixa de 113 km de largura, com uma resolução de 20 m. Esta câmera tem capacidade de orientar seu campo de visada dentro de ± 32 graus, possibilitando a obtenção de imagens estereoscópicas de certa região. Além disso, qualquer fenômeno detectado pela câmera WFI pode ser focalizado pela câmera CCD, para estudos mais detalhados, através de seu campo de visada, no máximo a cada três dias. A câmera de varredura IRMSS (Imageador por Varredura de Média Resolução) tem quatro faixas espectrais e estende o espectro de observação do CBERS até o infravermelho termal. O IRMSS produz imagens de uma faixa de 120 km de largura com uma resolução de 80 m (160 m no canal termal). Em 26 dias, obtém-se uma cobertura completa da Terra, que pode ser correlacionada com aquela obtida através da câmera CCD. Está presente nos CBERS 1 e 2, mas não no CBERS 2B. Neste, foi substituído pela HRC (Câmera Pancromática de Alta Resolução).

O acordo entre Brasil e China permitiu a cooperação com a utilização de recursos financeiros e tecnológicos das duas nações. O investimento foi superior a US$ 300 milhões, sendo 30% de orçamento brasileiro e 70% de dotação chinesa.

Por meio do Programa CBERS, implantou-se um sistema completo de sensoriamento remoto de nível internacional. O esforço bilateral serviu para derrubar as barreiras, romper padrões de restrição de acordos internacionais com transferência de tecnologia e permitiu o intercâmbio entre pesquisadores de nacionalidades diferentes.

No terceiro texto da série Amazonia 1, acompanhe mais informações sobre o Programa CBERS.

Sobre a AEB

A Agência Espacial Brasileira, órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), é uma autarquia vinculada ao MCTI, responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.

Desde a sua criação, em 10 de fevereiro de 1994, a Agência trabalha para viabilizar os esforços do Estado Brasileiro na promoção do bem-estar da sociedade, por meio do emprego soberano do setor espacial.

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