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AEB acompanha primeiro ensaio de propulsor líquido realizado pela DeltaV em nova bancada instalada na UnB
Propulsor líquido da DeltaV em nova bancada instalada na UnB
A Agência Espacial Brasileira (AEB) acompanhou, no dia 1º de maio, o primeiro ensaio do propulsor líquido de 8 kN desenvolvido pela DeltaV Engenharia Espacial na nova bancada de testes instalada na Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE) da Universidade de Brasília (UnB), no campus Gama. O motor, que utiliza etanol e oxigênio líquido como propelentes, integra o projeto de desenvolvimento do Foguete de Treinamento a Propelente Líquido, apoiado pela Subvenção Econômica MCTI/AEB/Finep/FNDCT – Protótipo de Foguete de Capacitação 03/2022.
A AEB realiza o acompanhamento técnico do projeto no âmbito de Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). A cooperação viabiliza a execução de seleções públicas de subvenção econômica à inovação, promovidas pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com foco no desenvolvimento científico, tecnológico e no estímulo ao empreendedorismo no setor espacial.
O diretor de Inteligência Estratégica e Novos Negócios da AEB, Paolo Gessini, acompanhou o ensaio e destacou a relevância da iniciativa para o fortalecimento e o avanço do Programa Espacial Brasileiro.
“Trata-se de um teste de grande relevância para o setor espacial nacional. O motor de 8 kN, movido a etanol e oxigênio líquido, já apresenta potencial de aplicação em foguetes de sondagem, veículos de treinamento e até estágios superiores de pequenos lançadores. Além disso, o domínio dessa capacidade abre caminho para o desenvolvimento de motores de maior porte no futuro”, afirmou.
Gessini também ressaltou o caráter inovador do projeto no contexto da indústria espacial brasileira. “É a primeira vez que uma empresa privada brasileira desenvolve um motor-foguete líquido dessa categoria. Esse tipo de iniciativa demonstra o potencial das pequenas empresas nacionais e reforça a importância dos investimentos realizados por meio da subvenção da Finep, com acompanhamento da AEB, para o avanço tecnológico e industrial do país”, completou.
Implantada em parceria com o Chemical Propulsion Laboratory (CPL), coordenado pelo professor Olexiy Shynkarenko, a bancada amplia a capacidade nacional para ensaios em propulsão líquida e fortalece a infraestrutura disponível para pesquisa, desenvolvimento tecnológico e formação de recursos humanos no setor espacial.
“É uma infraestrutura de testes de propulsão líquida de até 25 kN, uma das maiores da América Latina, o que torna a UnB provedora desse serviço na região. Para o setor espacial nacional, essa infraestrutura proporciona capacidade crítica para validações experimentais de motores-foguete que operam com oxigênio líquido. O trabalho com propelentes criogênicos representa um salto técnico, com alta complexidade logística, operacional e de segurança, além de entregar o desempenho propulsivo exigido para veículos lançadores de satélites”, destacou o professor Olexiy Shynkarenko.
Segundo o pesquisador, a nova estrutura também contribui para aproximar o ambiente acadêmico das demandas estratégicas do Programa Espacial Brasileiro. “A bancada preenche uma lacuna ao unir o design teórico e as simulações computacionais avançadas à verificação prática em solo brasileiro. Isso reforça o ecossistema aeroespacial ao demonstrar o valor da cooperação entre academia, governo, por meio da Agência Espacial Brasileira, e iniciativa privada, representada pela parceria com a DeltaV Engenharia Espacial”, afirmou.
O ensaio teve duração reduzida e concentrou-se no comissionamento da bancada. Durante o teste, a equipe verificou as operações com oxigênio líquido, avaliou a sequência de ignição e analisou subsistemas como vedação e proteção térmica. Os dados obtidos orientarão as próximas etapas de desenvolvimento do motor e o aperfeiçoamento da infraestrutura.
“A infraestrutura e as metodologias validadas nestes ensaios iniciais, como o teste bem-sucedido do motor de 8 kN, estabelecem a base para o desenvolvimento e o escalonamento de motores futuros. Como resultado direto, a infraestrutura também garante a formação de recursos humanos altamente qualificados para lidar com as demandas tecnológicas do país”, explicou Shynkarenko.
O professor também ressaltou as perspectivas de evolução tecnológica associadas aos próximos ciclos de desenvolvimento. “A principal evolução técnica prevista é a incorporação em massa da manufatura aditiva na concepção de novos motores de propulsão líquida. Essa transição se construirá sobre a base do conhecimento que já consolidamos em trabalhos prévios, nos quais testamos com sucesso componentes de propulsão fabricados por meio de manufatura aditiva. Continuaremos a realizar ensaios a quente para otimizar o desempenho, a estabilidade da combustão e a eficiência térmica de novos projetos de injetores e câmaras, apoiando ativamente os próximos saltos do programa espacial brasileiro”, completou.
O propulsor ensaiado será incorporado ao foguete de treinamento desenvolvido pela DeltaV, iniciativa que busca fortalecer competências técnicas e ampliar a base industrial do setor espacial brasileiro.
Sobre a AEB
A Agência Espacial Brasileira (AEB), órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), é uma autarquia pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.
Desde a sua criação, em 10 de fevereiro de 1994, a Agência trabalha para viabilizar os esforços do Estado Brasileiro na promoção do bem-estar da sociedade, por meio do emprego soberano do setor espacial.
