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Trensurb promove diálogo sobre intolerância religiosa
Participaram do encontro, da esquerda para a direita, o reverendo Jerry Andrei dos Santos, o frei Orestes Serra, o babalorixá e doutor em Teologia Hendrix Silveira e o metroviário e pastor evangélico Elieser de Fraga Maria - Foto: Luana Quadrado/Trensurb
Na tarde dessa quinta-feira (26), a Trensurb realizou o seminário “Racismo Religioso: um crime estrutural”, reunindo lideranças em um diálogo inter-religioso no auditório da empresa. A atividade foi alusiva ao Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro) e foi promovida pela Trensurb por meio do Setor de Responsabilidade Social (Seres) e pelo Núcleo de Apoio à Diversidade (NAD) da empresa.
Participaram do encontro o babalorixá Hendrix Silveira, doutor em Teologia, afroteólogo, cientista das religiões, docente, palestrante, conferencista e escritor; o reverendo Jerry Andrei dos Santos, clérigo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e Capelão da Pastoral da Diversidade da Igreja; o frei Orestes Serra, da Paróquia Santa Clara, em Porto Alegre, atuante em causas sociais, como apoio às famílias atingidas pela enchente e pela fome; e o metroviário Elieser de Fraga Maria, pastor auxiliar em comunidade evangélica de Cachoeirinha.
Ao abrir o evento, Hendrix apresentou dados sobre casos de intolerância religiosa no Brasil e no Rio Grande do Sul, com destaque para a perseguição às religiões de matriz africana. Ele ressaltou que a centralidade histórica de valores cristãos na cultura brasileira impacta a forma como essas religiões são socialmente percebidas. “As religiões de matriz africana ainda são tratadas como mitologia, enquanto outras são reconhecidas como teologia. Precisamos rever essa lógica”, afirmou.
A exposição do reverendo Jerry dos Santos buscou fazer uma genealogia da comunidade anglicana no Brasil e no Rio Grande do Sul. Em seguida, o reverendo destacou a contemplação dos livros sagrados como fontes de amor e de esperança para a humanidade como forma de enfrentar a intolerância religiosa, em oposição a quem se utiliza das escrituras para justificar o que considera práticas condenáveis. “A religião que deveria ser ligada com o sagrado, com Deus, que deveria ser para unir as pessoas, acaba por impedir, promovendo ódio, morte, intolerância e perseguição, que são práticas condenáveis. Precisamos ver os livros sagrados, não como a forma com que muitos fazem, para promover o mal, mas como fonte de solidariedade, de dignidade e de amor”, refletiu.
Frei Orestes Serra reforçou que diferenças não devem ser sinônimo de hierarquia ou exclusão. “Diferença não significa que eu tenho mais valor do que o outro. Diferença não significa que religiões diferentes não possam caminhar de forma convergente. É preciso entender que não precisamos agir pelo convencimento, insistindo para um ou para outro pertencer à minha fé. Temos que fazer a nossa pregação sem silenciar a fé do outro”.
Encerrando as exposições, Elieser de Fraga ressaltou a importância de espaços institucionais de diálogo e destacou que liberdade religiosa é princípio constitucional. “Precisamos afirmar que fé não é fundamentalismo, convicção não é violência e evangelização não é perseguição. Liberdade religiosa é um princípio previsto em nosso Estado Democrático de Direito. A partir daí, temos de ser espaços de escuta e reconhecer a dignidade e o direito do outro, considerando suas necessidades materiais e suas necessidades espirituais”, concluiu.
Ao final, o houve espaço para perguntas do público participante, estimulando a reflexão e aprofundando o debate sobre convivência, democracia e respeito à diversidade religiosa.