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Visibilidade trans: Trensurb promove ações sobre o tema direcionadas a usuários e metroviários
Folders informativos sobre o tema foram distribuídos na Estação Canoas - Foto: Alan Santana/Trensurb
Na tarde de quinta-feira (29), Dia Nacional da Visibilidade Trans, a Trensurb promoveu, por meio do Setor de Responsabilidade Social e do Núcleo de Apoio à Diversidade da empresa, ação alusiva à data. Na Estação Canoas, foram distribuídos cerca de 200 folders informativos a usuários do metrô que passavam pelo local.
Os materiais gráficos contêm informações relevantes sobre a população transgênero, que visam informar e conscientizar. Conceitos como sexualidade e identidade de gênero, dados da inserção da população transgênero no mercado de trabalho, ambulatórios que prestam atendimento à comunidade e outras informações sobre seus direitos compõem a cartilha.
“Trouxemos a cartilha com informações aqui para a Estação Canoas, que tem bastante fluxo, e as pessoas estão bem receptivas. É muito interessante a vontade dos jovens de pegar e discutir o material”, afirmou a coordenadora do Núcleo de Apoio à Diversidade, Ágata Mostardeiro. “Esse é o objetivo da ação de visibilidade: dar informação a quem precisa, dar acesso aos espaços, mostrar as políticas públicas para uma comunidade marginalizada. Isso, sem dúvida, é transformador”, completou.
Roda de conversa para metroviários
Na quarta-feira (28), a Trensurb realizou mais uma ação em alusão ao tema, a roda de conversa “Visibilidade trans: vivências e entraves”. Foi a primeira atividade desse tipo no ano, trazendo assuntos de relevância social para reflexão dos metroviários. A roda de conversa foi conduzida por: Ágata Mostardeiro, 32 anos, mulher trans, bióloga e coordenadora do Núcleo de Apoio à Diversidade da empresa; Nicolly dos Santos, 22 anos, mulher trans, estudante de Administração na Unisinos e estagiária da Trensurb; Lucas Rafael Bordignon, 22 anos, homem trans, estudante de Relações Públicas na UFRGS, técnico em eventos pelo IFSul e também estagiário da Trensurb.
Eles compartilharam suas experiências, desde o momento em que se descobriram pessoas trans até a construção de sua identidade de gênero. O público presente também pôde apresentar questionamentos e sanar dúvidas.
Para Ágata, visibilidade é “poder se sentir acolhida e segura, enquanto se fala sobre a sua identidade, sem sofrer com ameaças ou olhares de estranheza”. Para Lucas e Nicolly, a visibilidade diz respeito antes de tudo à possibilidade de preencher os espaços sociais sem transtornos. “Visibilidade é a oportunidade de ocupar um espaço. Para quem é trans, é difícil se fazer presente em diversos lugares e a visibilidade, que aqui falamos, é sobre a oportunidade de estar presente”, afirmou Nicolly. “Visibilidade também vem marcada pela oportunidade de nos descobrirmos através de uma série de TV, algum livro, em algo importante nas nossas vidas, de nos entendermos por esses meios”, refletiu Lucas.
Ao falar sobre suas experiências, os palestrantes mencionaram diversas situações que marcaram sua trajetória como pessoas transgênero, comentando sobre os aspectos emocionais da transição e a relação com a sociedade. Também foram explorados os aspectos políticos e sociológicos da questão da pessoa transgênero no Brasil. O Brasil é o país com mais mortes de pessoas transgênero pelo 18º ano consecutivo e a expectativa de vida do grupo social beira os 35 anos segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). Acesso à saúde, cirurgias específicas, acompanhamento psicoterapêutico e os custos elevados desses procedimentos também foram abordados pelos convidados. “Por isso nós damos importância às políticas públicas em prol da comunidade. Muitas pessoas precisam desses acompanhamentos, mas não têm condições”, afirmou Ágata.