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Seminário de Segurança Cibernética reforça importância da proteção da informação na CNEN
A Coordenação-Geral de Tecnologia da Informação (CGTI) da CNEN realizou, nos dias 18 e 19 de agosto, o Seminário de Segurança Cibernética. Voltado aos servidores, colaboradores e bolsistas de todas as unidades da autarquia, o evento teve como objetivo promover a conscientização e fortalecer a cultura de segurança cibernética na instituição.
Realizado no Auditório Carneiro Felippe, na sede da CNEN, no Rio de Janeiro, com transmissão ao vivo para todas as unidades da Comissão, o seminário contou com palestrantes de diversas instituições, como a Polícia Federal (PF), a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR) e a Marinha do Brasil. A programação abordou ameaças digitais, proteção de informações e sistemas, segurança cibernética no setor nuclear e cuidados que podem ser adotados no ambiente de trabalho e na vida pessoal.
Após a abertura, realizada com a participação do diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da CNEN, Wilson Calvo, e do diretor de Gestão Institucional, Pedro Maffia, a programação teve início com a palestra “Os pilares da Segurança: como proteger nossos dados”, apresentada pelo tenente-coronel Renato Vargas Monteiro, do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI/PR).
A apresentação tratou da crescente digitalização das atividades e da consequente dependência de sistemas e informações para o funcionamento das instituições. Nesse contexto, foi ressaltada a importância de proteger recursos digitais essenciais à continuidade das atividades e à missão institucional, especialmente diante da relevância estratégica das informações relacionadas ao setor nuclear.
Monteiro também apresentou casos reais de incidentes cibernéticos e destacou a evolução das ameaças digitais. Segundo o palestrante, o cenário atual envolve um verdadeiro ecossistema de ameaças, com grupos criminosos especializados e capacidade de atuação em escala. A inteligência artificial também foi abordada como um fator que amplia as possibilidades de atuação nesse ambiente, com sistemas que podem passar de uma função predominantemente de resposta para a execução de ações.
Na sequência, o representante da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Marcelo Garcia, apresentou a palestra “Por que somos um alvo – motivações e casos reais”, com foco nas particularidades da segurança cibernética quando relacionada ao setor nuclear. A apresentação destacou que, nesse contexto, as motivações para ações cibernéticas podem estar relacionadas não apenas a interesses financeiros, mas também a questões geopolíticas, considerando o caráter estratégico do setor. Foram apresentados exemplos de vulnerabilidades e incidentes envolvendo instalações nucleares em diferentes países. Garcia ressaltou, contudo, que os casos apresentados não resultaram em vazamentos radiológicos.
A palestra também abordou diferentes formas pelas quais sistemas e redes podem ser expostos a ameaças, incluindo o uso inadequado de dispositivos USB, tentativas de phishing e vulnerabilidades relacionadas à atualização de softwares. A inteligência artificial voltou a ser discutida como elemento que pode ampliar as capacidades de atuação no ambiente cibernético, aumentando a assimetria já existente entre capacidades ofensivas e defensivas.
A programação contou com uma demonstração conduzida por Fábio Araujo, do Esquadrão de Guerra Cibernética da Marinha (EsqdGCiber), na palestra “Invasão de Wi-Fi: demonstração ao vivo e como proteger-se”. Durante a atividade, foi realizada uma simulação para demonstrar, de forma prática, a importância da adoção de medidas de proteção e de hábitos seguros no uso de redes e dispositivos. A demonstração foi realizada em uma rede de teste, preparada para a atividade.
No encerramento do primeiro dia, o tema foi retomado pelo chefe da Divisão de Segurança Cibernética, Aléxis França, e pelo diretor de Gestão Institucional, Pedro Maffia. O diretor destacou que os impactos de incidentes cibernéticos podem alcançar tanto questões diretamente relacionadas às atividades nucleares quanto processos administrativos que dão suporte ao funcionamento do setor.
Já no segundo dia de evento, o delegado da Polícia Federal e chefe da Delegacia de Combate a Crimes Cibernéticos da Superintendência da PF no Rio de Janeiro, Renato Gentile, apresentou a palestra “Golpes Digitais: panorama geral, desafios e crimes mais comuns”. Na ocasião, explicou a evolução histórica do Direito Penal em relação aos crimes cometidos em ambiente virtual e abordou a questão da territorialidade dos crimes digitais. Destacou que esses crimes podem ultrapassar fronteiras nacionais, o que reforça a necessidade de atualização legislativa e de cooperação internacional.
Gentile também apresentou características que compõem a chamada anatomia do crime digital, como anonimato, baixo custo, alta velocidade de execução e menor risco físico. Segundo o palestrante, a existência de grupos especializados em crimes digitais no âmbito do crime organizado contribui para tornar as investigações mais complexas. Ele destacou ainda que, atualmente, os crimes cibernéticos superam expressamente os crimes físicos em volume de ocorrência.
Outro ponto abordado foi o que ele chamou de paradoxo brasileiro: ao mesmo tempo em que a digitalização em massa é fundamental para a evolução da sociedade, ela também pode ser utilizada pelo crime organizado, favorecendo o surgimento de novas formas de crimes virtuais e ampliando a atuação da criminalidade organizada no ambiente digital.
Na sequência, Renato Cézar, da Diretoria Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, apresentou a palestra “Incidentes de segurança: casos reais e lições aprendidas”. Foram abordados casos recentes de incidentes cibernéticos em instalações de operação, pesquisa e desenvolvimento das áreas nuclear e radiológica, bem como as lições aprendidas a partir dessas ocorrências.
Entre os casos apresentados esteve uma tentativa de invasão ao Centro Nacional de Pesquisa Nuclear da Polônia, em março de 2026, que, entre outras lições, destacou a importância do monitoramento contínuo e da resposta rápida a incidentes. Também foi abordado o caso de vazamento de dados da usina Kudankulam, na Índia, em maio de 2026, a partir do qual foram destacadas a necessidade de aprimoramento da inteligência de ameaças cibernéticas (CTI) e de Estado, além da importância da auditoria contínua de conformidade. Outro caso apresentado foi o de um ataque com inteligência artificial autônoma à agência de segurança nuclear de Taiwan, em agosto de 2026, que evidenciou a necessidade de avançar no uso de IA para a defesa cibernética e para a automatização da resposta a incidentes.
Durante a apresentação, Renato Cézar também destacou que a proteção do setor nuclear transcende os muros das usinas, laboratórios, instalações e institutos. Segundo ele, é imprescindível estabelecer requisitos de cibersegurança, auditoria periódica e conformidade rígida para projetistas, fornecedores e prestadores de serviços de engenharia que custodiam dados técnicos sensíveis.
O chefe da Divisão de Segurança Cibernética da CNEN, Aléxis França, apresentou a palestra “Protegendo sua identidade digital: senhas, autenticação em dois fatores e passkeys”. Ele abordou o perigo do reuso de senhas em diferentes plataformas, deu orientações para a elaboração de senhas mais seguras e ressaltou a importância da autenticação de múltiplo fator (MFA). Também foi apresentada a utilização de chaves de acesso como uma nova forma de autenticação.
Encerrando a programação, o coordenador-geral de Tecnologia da Informação da CNEN, Emerson Coimbra, apresentou a palestra “IA Generativa: dicas para uso seguro no trabalho”. Ele abordou o conceito de inteligência artificial e exemplos de sua utilização no cotidiano, com destaque para os Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs), como Gemini, Claude, ChatGPT e Copilot. Coimbra destacou a necessidade de verificar as informações produzidas por esses sistemas e apresentou o princípio do “human in the loop”, segundo o qual a atuação humana permanece necessária para validar resultados, especialmente no contexto da atuação de agentes públicos.
A apresentação também abordou a proteção de informações no setor público. Nesse contexto, foi ressaltado que, embora a publicidade seja um princípio fundamental da administração pública, determinadas informações precisam ser protegidas em razão de sua natureza. É o caso, por exemplo, de informações críticas e sensíveis, dados relacionados à segurança das instalações e projetos estruturantes.
Ao longo de dois dias, o Seminário de Segurança Cibernética 2026 reforçou a importância da proteção digital para a segurança institucional e o compromisso da CNEN com a segurança da informação. A realização do evento também contribuiu para fortalecer a conscientização do público interno e incentivar a adoção de boas práticas no cotidiano.