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Estante da CNEN aproxima o público da ciência nuclear na SBPC 2026
Considerado o maior evento de divulgação científica da América Latina, a 78ª Reunião Anual da SBPC aconteceu entre os dias 26 de julho e 1º de agosto, na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ). O evento reuniu universidades e instituições de pesquisa de todo o país para apresentar ao público suas contribuições para o desenvolvimento científico brasileiro.
Na ExpoT&C, mostra científica da reunião anual, o destaque da participação da CNEN foi a diversidade de aplicações da ciência nuclear na sociedade, em áreas como saúde, agricultura, meio ambiente, geração de energia e proteção radiológica. No estande da autarquia foram apresentados projetos e pesquisas desenvolvidos por cinco de suas unidades técnico-científicas: o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO), o Centro Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE), o Instituto de Engenharia Nuclear (IEN) e o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).
O contato direto com as pesquisas também contribuiu para aproximar o público de temas muitas vezes cercados por desinformação. Visitante da feira, Giovanni Corrêa, de São Gonçalo (RJ), afirmou que a experiência ajuda a mudar a percepção das pessoas sobre a área nuclear. "É incrível ter mais contato com esse mundo. A gente ouve a palavra 'nuclear' e sempre pensa em coisas perigosas, mas vendo o trabalho produzido aqui no Rio de Janeiro e na usina de Angra, percebemos o nível de segurança e o quanto isso tudo é benéfico para a sociedade".
Experiências interativas despertam interesse do público
Entre as atrações do estande, um dos destaques foi o projeto Cidade Virtual da Ciência, desenvolvido pelo Laboratório de Realidade Virtual (LabRV), do IEN/CNEN. Assim como em edições anteriores da SBPC, o projeto permitiu que os visitantes explorassem virtualmente instalações nucleares e ambientes científicos por meio de óculos de realidade virtual. Nesta edição, foram apresentadas novidades como novos espaços de visitação, jogos educativos e recursos de interatividade, além das instalações já existentes, como a visita virtual ao Reator Argonauta.
A estudante Anny Karolinny, do 2º ano do ensino médio, aprovou a experiência. "Eu achei muito legal, porque era como se eu estivesse lá, mas virtualmente. As escolas poderiam ter algo assim. Estamos vivendo na era da tecnologia e isso desperta muito mais o interesse das crianças para aprender". Quem também experimentou a tecnologia foi João Gustavo Borges, aluno do 6º ano. "Usar os óculos foi muito legal. Parece que você está em outro lugar. Foi a primeira vez que eu usei realidade virtual. É uma forma muito legal de aprender."
Projetos evidenciaram a diversidade de aplicações da ciência nuclear
Durante a feira, cada unidade técnico-científica apresentou pesquisas e tecnologias desenvolvidas em diferentes áreas de atuação da CNEN.
O CDTN/CNEN levou ao público a maquete do reator de pesquisas TRIGA, amostras de pedras semipreciosas e alimentos irradiados, além de projetos como o Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental (CENTENA), o INTERFACES, o Laboratório de Irradiação Gama e a Unidade de Pesquisa e Produção de Radiofármacos.
O CRCN-CO/CNEN apresentou equipamentos de proteção individual e de radioproteção, detectores de radiação e a maquete do depósito definitivo destinado aos rejeitos radioativos gerados pelo acidente com Césio-137, ocorrido em Goiânia, em 1987.
O CRCN-NE/CNEN expôs projetos do Laboratório de Dosimetria Biológica e equipamentos utilizados em radioproteção.
O IEN/CNEN apresentou o projeto Cidade Virtual da Ciência, equipamentos e uniformes utilizados na área nuclear e uma maquete relacionada ao transporte ferroviário de urânio.
Já o IPEN/CNEN exibiu radiofármacos utilizados na medicina nuclear, uma maquete de unidade móvel para tratamento de efluentes industriais, tecnologias voltadas para a indústria, saúde e meio ambiente, além de uma maquete do núcleo de um reator de potência.
Entre os equipamentos que despertaram curiosidade esteve o cintilômetro, utilizado para detecção de radiação. O estudante Mateus dos Santos, de 11 anos, disse que o equipamento foi o que mais chamou sua atenção. "Eu nunca tinha usado um cintilômetro antes. A experiência foi muito legal, eu adorei. Eu já tinha visto na série Emergência Radioativa (Netflix), mas nunca tinha visto um pessoalmente. O estande da CNEN está muito legal, até agora foi o meu favorito."
Outro tema que despertou interesse dos visitantes foi a irradiação de alimentos. Para Rosemberg Sampaio, estudante de Nanotecnologia da UFRJ, iniciativas como a participação da CNEN na SBPC ajudam a ampliar o conhecimento da população sobre aplicações da tecnologia nuclear. "A ciência precisa ser disseminada para a sociedade de forma mais ampla. Muitas pessoas ainda têm receio das inovações científicas por falta de conhecimento. Quem conhece de fato, faz uso, incentiva o uso e melhora sua qualidade de vida."
Programação incluiu palestras sobre saúde e emergências radiológicas
Além da exposição de projetos e pesquisas, a CNEN promoveu duas palestras durante a programação da SBPC. Walter Mendes Ferreira apresentou "A ciência por trás do atendimento a emergências radiológicas: desafios históricos e perspectivas", enquanto Marina Bicalho Silveira ministrou "Saúde e bem-estar: os radiofármacos no combate ao câncer e outras doenças".
Os temas reforçaram a ampla atuação da Comissão e demonstraram como a ciência nuclear está presente em diferentes aspectos do cotidiano, contribuindo para a saúde, a segurança, a indústria, a pesquisa científica e a qualidade de vida da população.
Segundo a UFF, a edição deste ano reuniu mais de 50 mil visitantes. A última Reunião Anual da SBPC realizada no estado do Rio de Janeiro havia ocorrido em 1991, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A próxima edição do evento será realizada em 2027, no campus de João Pessoa da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), também na última semana de julho.