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CNEN 70 ANOS
Audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação celebra 70 anos da CNEN
Em homenagem aos 70 anos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), foi realizada, no dia 28 de maio, uma audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados. A sessão contou com a presença do presidente da CNEN, Francisco Rondinelli, dos diretores de Pesquisa e Desenvolvimento, Wilson Calvo, Gestão Instittucional Pedro Maffia, e representantes das unidades técnico-científicas da autarquia. Servidores, parceiros institucionais e representantes de organizações do setor nuclear também participaram. A audiência foi presidida pelo deputado federal Reimont, um dos autores do requerimento da sessão, subscrito também pelos deputados Rui Falcão, Pedro Uczai e Jandira Feghali.
Durante a apresentação institucional, o presidente da CNEN, Francisco Rondinelli, resgatou o contexto histórico que antecedeu a criação da autarquia e destacou a contribuição crescente da instituição para o desenvolvimento científico e tecnológico do país. O dirigente ressaltou pesquisas, projetos e aplicações nucleares que geram impactos diretos para a sociedade brasileira, entre eles a produção de radiofármacos, o processamento de materiais para aprimoramento de propriedades, o beneficiamento de gemas, a irradiação de alimentos e a esterilização de produtos médicos, farmacêuticos e biológicos. Também foi destacada a aplicação da tecnologia nuclear na preservação de bens do patrimônio histórico e cultural.
Rondinelli enfatizou ainda as cooperações técnicas e parcerias institucionais firmadas pela CNEN, que resultaram na assinatura de memorandos em áreas como meio ambiente, saúde e materiais avançados. Entre os projetos estruturantes mencionados estiveram o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), o projeto Centena, o Microrreator Nuclear Brasileiro e o Laboratório de Fusão Nuclear. A implantação da estação de monitoramento de radionuclídeos no CRCN-NE também foi lembrada como iniciativa estratégica. Os dirigentes do órgão ressaltaram a importância da estabilidade orçamentária e recomposição do quadro de servidores.
Uma instituição que reflete alta capacitação
O ambiente de ensino, pesquisa e inovação foi o foco da fala do diretor de Pesquisa e Desenvolvimento, Wilson Calvo, que homenageou os profissionais das unidades técnico-científicas responsáveis pelos resultados institucionais da Comissão. Ele destacou que os institutos da CNEN estão localizados dentro dos campi de universidades de excelência no Brasil, formando um ecossistema extremamente importante para o desenvolvimento de tecnologia e a transferência para a sociedade brasileira. A CNEN tem cinco programas de pós-graduação, que já formaram cerca de 6 mil mestres e doutores
O diretor de Gestão Institucional, Pedro Maffia, ressaltou os esforços de modernização organizacional e destacou o papel dos servidores, colaboradores, bolsistas e alunos ao longo da trajetória da CNEN. Destacou as entregas sociais que a tecnologia nuclear promove. “Precisamos fortalecer a estrutura que alimenta o sistema, com pessoas. São elas que desenvolvem o trabalho com tecnologia. Pilar da gestão de conhecimento”. No ano passado, após mais de dez anos sem concurso, a CNEN realizou o certame e este ano ingressaram 100 novos servidores, porém ainda é preciso seguir na recomposição do quadro de profissionais, "para que possamos seguir com as entregas para a sociedade e manter o conhecimento estratégico gerado ao longo de décadas", afirmou Maffia.
A secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Brito, agradeceu pelo espaço dado pela Câmara ao saber científico. Ressaltou a importância de levar a educação para a juventude, como um legado. Esse é um papel que a Câmara tem que fazer, brigando por investimentos no ensino e na ciência.
As diretoras Isolda Costa, do IPEN/CNEN, e Amenônia Ferreira, do CDTN/CNEN, integraram a mesa de apresentadores, representando a valorização da diversidade de gênero e da contribuição feminina para a área nuclear. Ambas destacaram iniciativas e projetos de grande relevância conduzidos por suas instituições.
Amenônia abordou projetos históricos e estratégicos desenvolvidos pelo CDTN/CNEN, que completa 74 anos em 2026. Enfatizou também a importância da pesquisa, do ensino e prestação de serviços. Lembrou as áreas de excelência em meio ambiente rejeitos radioativos, materiais avançados e minerais estratégicos. Reforçou a importância de investimentos em pessoal
Isolda ressaltou ações voltadas ao incentivo de meninas e mulheres na ciência, além do pioneirismo do IPEN em áreas como radiofármacos, química analítica, tecnologia laser e gestão de rejeitos radioativos. Também destacou iniciativas para promover o interesse das meninas e mulheres na ciência. Em 2026 o IPEN/CNEN também completa 70 anos dedicados à ciência brasileira, entregando importantes resultados, como a produção de tecnécio, utilizado em mais de 80% dos exames em medicina nuclear.
Participações de destaque
Representantes de instituições parceiras da CNEN estiveram presentes, como o CNPq. O diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Márcio Fortes, destacou a histórica parceria entre as instituições ao longo das últimas décadas. Segundo ele, os 70 anos da CNEN demonstram que não há programa nuclear sólido sem investimento contínuo em pesquisa básica, formação de pessoas e fortalecimento institucional. Também enfatizou o papel estratégico do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), liderado pela CNEN e considerado um dos principais projetos científicos em andamento no país, com potencial para ampliar a produção de radioisótopos, fomentar pesquisas e fortalecer parcerias com a indústria nacional. O dirigente defendeu ainda a importância da estabilidade orçamentária para garantir a continuidade das atividades científicas e tecnológicas e reforçou que instituições como a CNEN e seus institutos são essenciais para a soberania tecnológica brasileira.
O presidente Rondinelli também fez distinções e rendeu homenagem a Rex Nazaré Alves, presidente da CNEN na época da resposta ao acidente com césio-137, que faleceu no início de 2026. “Foi uma pessoa fundamental para o desenvolvimento do setor nuclear brasileiro. Realizou um trabalho impressionante, indispensável de coordenação de equipes e mobilização de apoio para a atuação da CNEN e das instituições que trabalharam de forma integrada. Walter Mendes, físico, o primeiro a identificar o acidente, também foi lembrado por sua importância essencial para conter o acidente.
Outros destaques
O diretor do Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro Oeste (CRCN-CO) Almir Aniceto apresentou o programa de bolsas de estudo para estudantes do município de Abadia, a partir do valor pago como compensação financeira à localidade, por receber o depósito definitivo dos rejeitos gerados com o césio-137. A prefeitura transformou em lei municipal que o recurso fosse aplicado na educação, no programa Abadia Educa Mais, voltado a estudantes universitários, oferecendo bolsa de estudos e apoio com transporte e alimentação. O CRCN-NE/CNEN realiza o controle institucional dos depósitos de rejeitos do césio.
Carlos Brayner, do Regional de Ciências Nucleares do Nordeste (CRCN-NE/CNEN), lembrou que a unidade completa 30 anos este ano, trabalhando para disseminar o conhecimento, a tecnologia e os serviços especializados que a CNEN presta em outras unidades e outras regiões do país. “Então, nós estamos no Nordeste, com muito orgulho, fazendo esse atendimento e participando de formação de recursos humanos, desenvolvimento de pesquisas, inovações”.
O diretor do IEN/CNEN, Cristóvão Araripe, lembrou o investimento de 8,7 milhões de recursos da Finep no reator nuclear de pesquisas Argonauta. “Nós estamos no estado da arte e o reator está entregue à sociedade brasileira, contribuindo para a formação de jovens”, afirmou. Acrescentou ainda que a unidade terá ainda o primeiro centro de treinamento em segurança física nuclear da América Latina.
O diretor do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) destacou a histórica parceria entre o instituto e a CNEN na consolidação da área nuclear brasileira. Segundo ele, os 70 anos da CNEN demonstram que não há programa nuclear sólido sem investimento em pesquisa básica, formação de pessoas e fortalecimento institucional. O dirigente também ressaltou o papel estratégico do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) e defendeu a estabilidade orçamentária para garantir a continuidade das atividades científicas e tecnológicas, reforçando que instituições como a CNEN são essenciais para a soberania tecnológica brasileira.
Representantes de associação de servidores destacaram o orgulho em pertencer à instituição, a importância de C&T ser programa de estado e não programa de governo e a reposição de pessoal, já que são profissionais altamente qualificados e a demanda por essa renovação constitui pauta institucional antiga e de grande importância.
Vozes de representantes do Legislativo
O deputado federal Julio Lopes, integrante da Frente Parlamentar Nuclear, afirmou que a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) formou gerações de cientistas, pesquisadores e especialistas, colocando o Brasil entre os poucos países do mundo com capacidade tecnológica no setor nuclear. Segundo o parlamentar, um país que domina a tecnologia nuclear não é um país qualquer, mas um país que investe em inteligência, em ciência e em segurança energética. Destacou que a CNEN foi definitiva para o avanço da medicina nuclear, da produção de radiofármacos e da pesquisa científica “Comemoramos 70 anos de grande patriotismo científico e de grande compromisso com o Brasil”.
A sessão foi finalizada sob a presidência do deputado federal Inácio Arruda, que também destacou o trabalho da CCTI da Câmara e do MCTI. Enfatizou o quanto é importante o olhar para o setor estratégico, para a construção de estruturas fundamentais para o desenvolvimento nacional. “Desejo vida longa para a CNEN”, concluiu.
Para assistir a sessão completa acesse https://www.camara.leg.br/evento-legislativo/82154