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Representatividade e gestão: o papel das mulheres no Cade
No Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), decisões tomadas no plenário podem impactar setores inteiros da economia e milhões de consumidores brasileiros. É nesse ambiente de análise técnica e definição dos rumos da política de concorrência que a presença feminina tem se ampliado nos últimos anos, inclusive em posições de liderança e de tomada de decisão dentro da autarquia.
No Departamento de Estudos Econômicos, a economista-chefe, Lílian Marques, acompanha de perto a complexidade das análises em diferentes mercados, inclusive os mercados digitais, seja em operações de fusões e em investigações de condutas anticompetitivas. Seu trabalho é traduzir dados em evidências que sustentam decisões. “Na economia, falamos em diversificação de ativos para reduzir riscos e aumentar a rentabilidade em um ambiente de incertezas. Acho que a diversidade é um ativo estratégico que tende a apresentar melhor qualidade decisória e resultados mais consistentes na administração pública.”
Lílian faz parte de uma realidade maior: hoje, 52% da força de trabalho do Cade é composta por mulheres. Destas, 55% ocupa cargos de chefia. Elas estão no plenário, nas áreas técnicas, na análise econômica, na gestão administrativa e na formulação estratégica da política concorrencial brasileira.
Atualmente a segunda mulher a chefiar o DEE em 17 anos, Lílian observou de perto, ao longo de sua trajetória acadêmica em Economia, como a participação feminina tende a diminuir à medida que se avança na carreira. Se na graduação sua turma era composta por metade de homens e a outra metade de mulheres, nos níveis de metrado e doutorado, essa proporção caiu consideravelmente – em alguns momentos, ela era uma das apenas duas mulheres em uma sala com mais de 20 alunos. “No DEE, felizmente, vemos uma realidade diferente. A participação feminina é elevada, próxima de 50%, mantendo uma proporção semelhante à que encontramos no Cade como um todo”, destaca.
Durante muito tempo, essa foi uma realidade inexistente no mercado de trabalho e no contexto da administração pública.
No Dia Internacional da Mulher, o Cade evidencia que a representatividade feminina não é apenas numérica, é estruturante. E se mostra junto a cada liderança feminina, com a autarquia cada vez mais comprometida em incorporar essa pluralidade de experiências.
Protagonismo nas áreas centrais
Única mulher a integrar o Tribunal da autarquia, a conselheira Camila Alves acredita que a participação de mulheres em cargos estratégicos contribui para ampliar perspectivas na análise de problemas complexos e favorece ambientes de trabalho mais colaborativos e capazes de produzir respostas inovadoras para os desafios institucionais.
“Meu conselho para as jovens que estão começando é que não deixem de buscar posições de liderança. O caminho é mais duro do que para eles, mas, ao longo da trajetória, encontramos pessoas que confiam, incentivam e oferecem suporte. É importante lembrar que esses espaços também nos pertencem e que construir redes de apoio e fortalecer laços de confiança e empatia faz toda a diferença — para nós e para as que virão depois", afirma.
Gestão que sustenta a política pública
Responsável pela gestão administrativa e pelo planejamento institucional do Cade, a Diretoria de Administração e Planejamento (DAP) desempenha papel estratégico para o funcionamento da autarquia. À frente da área, a diretora Bruna Cardoso comanda uma equipe de 227 colaboradores e acompanha de perto processos que envolvem desde a gestão de pessoas e recursos até o apoio às atividades finalísticas do órgão.
Para Bruna, a presença feminina em posições de liderança contribui para ampliar a capacidade de interpretação dos ambientes organizacionais e fortalecer a tomada de decisões. Segundo ela, a diversidade de perspectivas é um fator importante para o desenvolvimento institucional.
“Acho que as mulheres promovem a inovação, trazendo um redesenho estratégico para a organização. Além da parte humana de relacionamento com equipes, de comunicação e de diálogo, que podem melhorar o Cade como um todo”, afirma.
Política institucional e compromisso com a equidade
Se nas trajetórias individuais há histórias de esforço e qualificação, no plano institucional também há escolhas deliberadas. A frente da Coordenação Geral de Pessoas do Cade (Cgesp), a servidora Luisa Macedo, reforça que os avanços alcançados nas equipes do Cade são resultado da incorporação da diversidade como valor expresso do Planejamento Estratégico.
“Os indicadores evidenciam a responsabilidade institucional e as práticas de gestão de pessoas, que sinalizarem maturidade organizacional e fortalecimento da governança,” conta Luisa.
Neste mesmo esforço, o Cade promove anualmente o Wicade, competição de Direito Concorrencial que reúne estudantes de Direito e Economia para a simulação de um julgamento fictício. O evento ocorro em parceria com a rede Wia (Women in Antitrust), e exige que ao menos metade das equipes formadas na competição sejam ocupadas por mulheres, promovendo assim maior representatividade feminina no ambiente antitruste.
O WiCade teve início em 2021 e, entre as cinco edições já realizadas, conseguiu reunir mais de 600 estudantes, em sua maioria mulheres. Na ocasião, as jovens participantes têm a oportunidade de desenvolver habilidades de argumentação jurídica, promover a participação feminina em posições de destaque e fazer parte de algo maior: tornar-se futuras especialistas qualificadas nessa área.
Ainda no ano passado, a autarquia ofereceu aos colaboradores o “Programa de Letramento de Gênero no Trabalho”, uma capacitação com o objetivo de desenvolver ações e estratégias para a compreensão das desigualdades em diferentes contextos do cotidiano organizacional — e para além dele — por meio de temáticas como desafios das lideranças femininas, masculinidades, equidade e pertencimento.
A ação faz parte do planejamento estratégico da autarquia, que também estimula a candidatura de mulheres, negros e pessoas com deficiência nos processos seletivos que realiza, para juntos, construirmos um ambiente organizacional mais diverso e inclusivo.
Referência e futuro
Para as gestoras entrevistadas, ampliar a presença feminina em posições de liderança também passa por incentivar novas gerações a ocupar esses espaços. O caminho, segundo elas, envolve investimento em formação técnica, participação ativa em ambientes de decisão e confiança na própria trajetória profissional.
No Cade, os dados mostram que essa transformação já está em curso. Com mulheres presentes no plenário, nas áreas técnicas e nas funções de gestão, a diversidade de experiências e perspectivas tem se consolidado como um elemento importante para o fortalecimento das decisões institucionais.
Ainda assim, ampliar a presença feminina em posições estratégicas segue sendo um desafio em muitas instituições públicas e privadas. No Cade, os avanços registrados nos últimos anos mostram que esse movimento está em curso e que tornar os espaços de decisão cada vez mais diversos é parte de um processo contínuo de fortalecimento institucional.
Confira a homenagem feita pelo Cade neste dia tão especial!