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ASTRONAUTAS RETORNAM A TERRA APÓS MAIS DE 300 DIAS NO ESPAÇO
Brasília, 2 de março de 2016 – Após 340 dias a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês), o astronauta Scott Kelly e o cosmonauta Mikhail Kornienko retornaram a Terra. O pouso da espaçonave Soyuz que trazia a dupla, junto com o cosmonauta Sergey Volkov, ocorreu na madrugada de hoje (2) (horário de Brasília), no Cazaquistão,na Rússia.
Kelly e Kornienko integraram a missão “Um ano no espaço”, que pretende entender melhor os efeitos das viagens espaciais no organismo humano. O estudo é essencial para jornadas mais longas, como as futuras missões a Marte, que devem durar entre dois e três anos.
A missão durou o dobro do tempo normal das tripulações a bordo da ISS. Com o feito, Kelly bate duas marcas históricas ao se tornar o norte-americano que passou mais tempo no espaço em uma única viagem e no acumulado, com 520 dias em órbita ao longo de quatro missões.
Já Kornienko não conseguiu bater as marcas dos russos Valeri Polyakov, que passou 437 dias consecutivos a bordo da MIR, e Gennady Padalka, que esteve no espaço por 879 dias ao longo de cinco missões.
O americano Scott Kelly ocupou o papel principal na missão, não apenas por ter sido o capitão da ISS na longa estadia, mas por ter deixado na Terra um irmão gêmeo idêntico, o ex-astronauta Mark Kelly. Nesses 340 dias, Scott Kelly realizou uma série de experimentos, se alimentou das primeiras verduras produzidas no espaço, tomou o primeiro café expresso a bordo da ISS, captou imagens fantásticas, mas fez diversas coletas de sangue, urina, saliva e fezes.
Em terra, a Nasa fazia o mesmo com Mark Kelly. A expectativa dos cientistas é que o resultado da comparação dos materiais revele informações inéditas sobre o comportamento do corpo humano no espaço.
Sob efeito da microgravidade, os astronautas e cosmonautas sofrem com o atrofiamento de músculos e ossos, que não são mais necessários para suportar o peso do corpo sob ação da gravidade. Para contornar o problema, os tripulantes da ISS fazem cerca de duas horas diárias de exercícios e tomam suplementos vitamínicos. Mas, mesmo assim, a perda média é de 1,5% do tecido ósseo por mês.
A microgravidade também tem influência sobre os fluídos corporais. Sem gravidade, o coração tende a encolher, porque não é necessário fazer tanto esforço para bombear o sangue para o resto do corpo. O rosto tende a inchar e ficar mais arredondado porque os fluídos não sofrem a ação da gravidade e descem para as partes inferiores do organismo. Isso dificulta a visão e o olfato.
Fonte: O Globo