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Lula: “BRICS é o novo nome da defesa do multilateralismo”

- O presidente Lula durante o encontro virtual com líderes do BRICS: em defesa do multilateralismo. Foto: Ricardo Stuckert / PR
Uma ênfase na cooperação, nas parcerias, na complementaridade econômica e na crença do multilateralismo como resposta às diferenças entre nações. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou nesta segunda-feira, 8 de setembro, esses preceitos durante a Reunião Virtual de Líderes do BRICS. O encontro, com duração de uma hora e meia, reuniu mandatários de China, Egito, Indonésia, Irã, Rússia e África do Sul, além do príncipe herdeiro dos Emirados Árabes Unidos, do chanceler da Índia e do vice-ministro das Relações Exteriores da Etiópia.
Cabe ao BRICS mostrar que a cooperação supera qualquer rivalidade. Regras e normas mutuamente acordadas são essenciais para o desenvolvimento. O comércio e a integração financeira entre nossos países oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo. Possuímos inúmeras complementaridades econômicas"
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República
» Íntegra do discurso do presidente Lula
» Nota: Reunião Virtual de Líderes do BRICS
Os países compartilharam visões sobre como enfrentar os riscos trazidos pela intensificação de medidas unilaterais no comércio internacional, e sobre como ampliar mecanismos de solidariedade, coordenação e comércio entre países do BRICS.
“Cabe ao BRICS mostrar que a cooperação supera qualquer rivalidade. Regras e normas mutuamente acordadas são essenciais para o desenvolvimento. O comércio e a integração financeira entre nossos países oferecem opção segura para mitigar os efeitos do protecionismo. Possuímos inúmeras complementaridades econômicas”, ressaltou Lula. “O BRICS já é o novo nome da defesa do multilateralismo”, afirmou Lula.
Para Lula, há uma crise de governança das instituições multilaterais que não é conjuntural e precisa ser endereçada de forma conjunta. “Os pilares da ordem internacional criada em 1945 estão sendo solapados de forma acelerada e irresponsável”. Lula alertou para a paralisia da Organização Mundial do Comércio (OMC) e para a normalização de práticas comerciais unilaterais como exemplos.
Em seu discurso, o presidente destacou avanços recentes do BRICS e a importância do grupo para a governança global. “Na Cúpula do Rio de Janeiro, mostramos que o BRICS é capaz de aportar soluções concretas para os dilemas enfrentados pela humanidade. Aprovamos decisões importantes em matéria de mudança do clima, saúde global, governança da inteligência artificial e integração econômico-comercial”, disse.
📝 Nota da Presidência – Reunião Virtual de Líderes do BRICS, 8 de setembro de 2025
— Lula (@LulaOficial) September 8, 2025
Por iniciativa do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no exercício da Presidência do BRICS, realizou-se, em 8 de setembro, Reunião Virtual de Líderes do agrupamento, com duração de cerca de…
BALANÇO — Na reunião, representantes de outros países também apontaram a necessidade de avançar rumo a uma ordem internacional mais justa, equilibrada e inclusiva. “Neste momento crítico, os países do BRICS, que estão na vanguarda do Sul Global, devem agir com base no Espírito do BRICS de abertura, inclusão e cooperação vantajosa para todos, defender conjuntamente o multilateralismo e o sistema multilateral de comércio, promover uma maior cooperação e construir uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade”, disse o presidente da China, Xi Jinping.
INTEGRAÇÃO - O líder sul-africano, Cyril Ramaphosa, país que está na Presidência do G20, destacou seu apoio a iniciativas que fortaleçam as economias do BRICS, ampliem a integração do Sul Global e o combate à fome. “Como BRICS, precisamos refletir sobre nosso papel na formação do crescimento global, no combate à pobreza global e na defesa do multilateralismo. Devemos usar nossa voz crescente para promover uma ordem global que melhore a vida de todas as pessoas do mundo e proteja o planeta para as gerações futuras”, disse Ramaphosa.
ESTABILIDADE - Na mesma linha, o chanceler da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, destacou que o mundo precisa de um ambiente estável e previsível para o comércio. “É imperativo que as práticas econômicas sejam justas, transparentes e beneficiem a todos. Quando há múltiplas interrupções, nosso objetivo deve ser protegê-lo contra tais choques. Isso significa criar cadeias de suprimentos mais resilientes, confiáveis”, disse.
POTENCIAL ECONÔMICO — O presidente Lula ressaltou o potencial econômico, comercial e demográfico do BRICS. Mencionou que o grupo tem grande capacidade de industrialização verde, 33% das terras agricultáveis e 42% de produção agropecuária global. “Juntos, representamos 40% do PIB global, 26% do comércio internacional e quase 50% da população mundial. Temos entre nós grandes exportadores e consumidores de energia. O Banco do BRICS contribui de forma crescente na diversificação de nossas bases econômicas e na promoção de uma transição justa e soberana”, disse.
PAZ — Ao citar os conflitos pelo mundo, Lula reafirmou o compromisso do Brasil com a solução pacífica de controvérsias. “Quando o princípio da igualdade soberana dos Estados deixa de ser observado, a ingerência em assuntos internos se torna prática comum. Sem amparo no direito internacional, os fracassos vivenciados no Afeganistão, no Iraque, na Líbia e na Síria voltarão a se repetir. No que se refere à Ucrânia, é preciso pavimentar caminhos para uma solução realista que respeite as legítimas preocupações de segurança de todas as partes”, afirmou.
ENCONTROS INTERNACIONAIS — A Cúpula Virtual também serviu de preparação para encontros multilaterais deste segundo semestre, como a 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, a COP30, em Belém (PA), e a Cúpula de Líderes do G20, na África do Sul. Lula destacou a oportunidade de que os países atuem “com uma só voz em defesa de um multilateralismo revigorado”. Mencionou a necessidade de avanço na ampliação do Conselho de Segurança da ONU, a governança democrática para avançar na soberania digital e o impacto do unilateralismo na esfera ambiental.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA - “A COP30, em Belém, será o momento da verdade e da ciência. Além de trabalhar pela descarbonização planejada da economia global, podemos utilizar os combustíveis fósseis para financiar a transição ecológica. Precisamos de uma governança climática mais forte, capaz de exercer supervisão efetiva”, pontuou o presidente brasileiro. Lula também apresentou ao BRICS o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), que será lançado na COP30, com o objetivo de remunerar os serviços ecossistêmicos prestados ao planeta.