
Energia nuclear
Em 2023 e 2024, o Brasil passou a valorizar a energia nuclear como um componente importante da estratégia de transição energética. É uma fonte limpa para a geração de eletricidade, pois não produz gases de efeito estufa.
O Ministério de Minas e Energia (MME) está engajado na realização de estudos e em ações para a retomada de investimentos no setor. Um dos objetivos é fortalecer a cadeia de energia nuclear no Brasil, avançando na elaboração de uma política para a mineração do urânio até a geração de energia elétrica, incorporando ainda a perspectiva de aplicação futura dos pequenos reatores nucleares. O Brasil tem potencial para alcançar a posição de terceira maior reserva de urânio no mundo.
Além de ajudar a descarbonização do planeta, o aumento da oferta de energia nuclear é estratégico para atender à crescente e acelerada demanda de energia face aos avanços tecnológicos associados à Inteligência Artificial e seus data centers. Empresas como Microsoft, Google, Amazon, Oracle e Nvidia começam a explorar o setor da energia nuclear como forma de garantir energia limpa, firme e confiável para sustentar seus negócios.
O Brasil detém a oitava maior reserva de urânio do mundo. Com as novas tecnologias e com o mapeamento integral do território brasileiro, a expectativa é subir nesse ranking. O potencial das reservas pode ser comparado à importância de uma empresa como a Petrobras ou de uma nova descoberta de petróleo no pré-sal.
A exploração ainda é pequena. A única mina em operação fica no município de Caetité, na Bahia. Está em desenvolvimento um projeto para a jazida de Itataia, em Santa Quitéria, no Ceará, junto com fertilizantes fosfatados, que vão contribuir para a produção de alimentos e a garantia da segurança alimentar do povo brasileiro. Além das citadas, há jazidas menores: Gandarela (Minas Gerais), Rio Cristalino (Pará) e Figueira (Paraná).
O urânio é considerado estratégico e sua produção, um monopólio da União. Mudanças recentes na legislação facilitaram a participação privada no setor.
O Brasil é uma das poucas nações a deter o conhecimento e a tecnologia ao longo de todas as etapas do ciclo do combustível, desde a mineração à fabricação dos insumos a serem usados nas plantas nucleares.
A prospecção de minerais nucleares no Brasil se desenvolveu, principalmente, ao longo das décadas de 1970 e 1980. Apenas uma fração do território nacional foi explorada sistematicamente. Acredita-se que o país possa deter um dos maiores recursos de urânio do mundo, uma vez que menos de um terço do território foi pesquisado. O panorama atual dos recursos de urânio é o seguinte:
- Recursos medidos e indicados – 209,700 tU
- Recursos inferidos – 172,600 tU
- Recursos potenciais – 300,000 tU
- Recursos especulados – 500,000 tU.
O MME busca integrar a energia nuclear como parte vital da matriz energética nacional. O Programa Nuclear Brasileiro é uma oportunidade estratégica para aumentar a segurança energética e promover o desenvolvimento econômico, possibilitando geração de emprego, divisas e novas tecnologias.
Sobre a usina de Angra 1, o MME viabilizou a autorização para que Angra 1 possa operar por mais 20 anos, conforme anunciado em 21/11/2024. A aprovação atende a uma resolução feita pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).
A extensão da vida útil de Angra 1 envolve investimentos de R$ 3,2 bilhões ao longo de quatro anos. O caminho é vantajoso, uma vez que o investimento é menor do que construir uma nova usina.
Quanto a Angra 3, estão em andamento negociações para retomada das obras, iniciadas nos anos 1980 e depois paralisadas.
MERCADO INTERNACIONAL PROMISSOR
Nas duas últimas edições da Conferência Mundial do Meio-Ambiente (COP28 e Cop29), realizadas em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (2023), e em Baku, no Azerbaijão (2024), 31 países se comprometeram a triplicar a produção da energia nuclear até 2050 para cumprir as metas de descarbonização. Confira a lista a seguir.
Com esse compromisso assumido, abrem-se grandes oportunidades para o Brasil, um dos poucos países do mundo que detém o conhecimento e o domínio de toda a cadeia e ciclo do combustível nuclear, além de reservas relevantes de urânio no subsolo.
É um mercado bastante promissor, sem falar que, atualmente, já há mais de 450 centrais nucleares operando no mundo e outras 60 sendo construídas.
Após processo de enriquecimento, o urânio é o principal combustível usado nessas usinas. O Brasil pode se tornar exportador de combustível nuclear, um produto estratégico, de alto valor agregado, capaz de contribuir muito para a balança comercial.
O Governo Federal estimula a pluralidade de fontes na matriz energética nacional. Com isso, o país aumenta a segurança energética e busca melhores custos para a população, promovendo a transição rumo a uma economia verde, com atração de investimentos, geração de emprego e desenvolvimento sustentável.
O MME iniciou entendimentos com outros países e empresas do setor nuclear, para estabelecer parcerias, aproveitando as expertises desses potenciais parceiros e buscando investimentos em estudos para o conhecimento do potencial mineral brasileiro. O Brasil conhece apenas 26% do seu subsolo. A expectativa é que, até o final de 2025, chegue-se a um acordo para a cooperação.
O Brasil é membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com a qual tem mantido esforços de capacitação e cooperação diversos.
PEQUENOS REATORES MODULARES (SMR)
O MME, com apoio da EPE, tem identificado perspectivas promissoras para aplicação de pequenos reatores modulares (Small Modules Reactors, SMR na sigla em inglês), com potência de 10 e 300 MW.
Entre as vantagens para o uso dos SMR, destacam-se:
- Modularização pode proporcionar menor custo, facilitando a atração dos investimentos necessários para a construção
- Pelo tamanho reduzido das unidades, a construção leva menos tempo
- Podem ser usados para atendimento a locais remotos, nos Sistemas Isolados, por exemplo na Amazônia
- As unidades dentro das indústrias eletrointensivas diminuem o investimento em transmissão e, consequentemente, reduzem os custos para o consumidor
- O Brasil possui domínio das principais etapas do ciclo de produção, capacidade industrial e tecnológica, ampla experiência operacional e experiência regulatória
- O tamanho compacto permite a construção em série em fábrica, com transporte posterior para o local de instalação e operação, observadas as regras de licenciamento
- Sua modularidade pode prover maior flexibilidade operativa quando comparada com termonucleares convencionais.
NÚMEROS
- Oitavo lugar do Brasil no ranking mundial de reservas de urânio
PRODUÇÃO DE URÂNIO NO BRASIL:
- Caetité (Bahia) – 101 mil toneladas (estimativa) e capacidade de produção entre 400 e 800 toneladas por ano
- Santa Quitéria (Ceará) – 142,5 mil toneladas (estimativa) e capacidade de produção de 2.300 toneladas por ano.
ANGRA 1, 2 E 3
As usinas nucleares de Angra somam cerca de 2 GW de potência assim distribuídos:
- Angra 1 – 640 MW – em operação desde 1985
- Angra 2 – 1.350 MW – em operação desde 2001
- Angra 3 – Aguardando condições para retomada das obras – 1.405 MW
DATAS
- 21/11/2024 – MME anuncia autorização para que Angra 1 possa operar por mais 20 anos

Publicado em 12/11/2025
Foto (crédito): Tomaz Silva (Agência Brasil)