O projeto-piloto
Seguindo a identificação das Redes de Aprendizagem como ferramenta capaz de fomentar a melhoria do desempenho energético das indústrias brasileiras, foi desenvolvido o projeto-piloto da RedEE - Indústrias, para analisar a viabilidade da aplicação da metodologia deste setor específico.
No período compreendido entre novembro de 2020 e novembro de 2021, a RedEE - Indústrias desenvolveu suas atividades com o objetivo de capacitar 11 instituições privadas a analisar seu consumo de energia e a desenvolver, viabilizar e implementar ações de Eficiência Energética e Gestão de Energia. São elas:
- Danone
- Gelita do Brasil
- General Motors
- Grupo Maringá Ferro-Liga
- Hyundai
- Novelis do Brasil Ltda.
- Randon
- Robert Bosch Ltda.
- Suzano
- Unipar Carbocloro
- Wheaton.
Um ponto relevante da RedEE - Indústria foi a introdução do grupo à análise de múltiplos benefícios, que abriu possibilidade de discussão sobre a relevância dos projetos de eficiência energética no valor adicionado aos produtos das companhias. Isto, considerando uma diversidade de setores: vidro, alumínio, automotiva, alimentos e bebidas, químico, papel e celulose, entre outros.
Durante 12 meses, as instituições foram apoiadas na superação de barreiras, de caráter técnico e financeiro, por meio do trabalho em grupo e de um amplo acompanhamento técnico por profissionais especializados.
1. Atividades da RedEE - Indústrias
No escopo de implementação da RedEE - Indústrias, estabelecida inicialmente no estado de São Paulo, foram pré-definidas as seguintes atividades por etapa:
1.1 De setembro a novembro de 2020
- Realização do evento de divulgação (Webinar);
- Assinatura de acordos de cooperação sobre a troca de experiências na rede por 11 empresas;
- Coleta de informações sobre as tecnologias transversais de maior interesse para discussão;
- Determinação de um moderador qualificado para as sessões;
- Início dos levantamentos de consumo de energia;
1.2 De dezembro de 2020 a dezembro de 2021
- Realização do evento de abertura (Online Pitch Day);
- Elaboração dos diagnósticos energéticos (segundo ISO 50.001);
- Definição de seis reuniões de 3 horas, com duas sessões;
- Troca regular de experiências;
- Consultoria qualificada de energia e análise de potencial e desempenho energético;
- Quantificação de oportunidades de melhorias, estabelecimento de metas de economia energética e implementação, com base no tamanho da empresa, ou nos resultados de uma auditoria e/ou de um sistema de gestão qualificado (ISO 50.001);
- Apoio no processo de monitoramento;
- Introdução ao tema de Múltiplos Benefícios.
2. Realização de Diagnósticos Energéticos e Ações de Eficiência Energética
O diagnóstico energético permite conhecer exatamente em que situação a empresa se encontra em relação ao nível de desempenho energético, etapa de extrema importância para tornar seus processos produtivos e plantas fabris mais eficientes.
Com essa ferramenta, é possível responder à pergunta: “Dado que os recursos financeiros são limitados, em que área, maquinário, equipamento ou sistema eu devo investir, se o meu objetivo é melhorar a eficiência do processo e/ou da instalação?”. O diagnóstico é a base não só para entender a situação atual, mas também para identificar possíveis Ações de Eficiência Energética (AEEs) e analisar sua viabilidade.
As(os) participantes da RedEE - Indústrias receberam treinamentos e capacitações sobre como executar um diagnóstico energético, com base na norma ISO 50.002, incluindo os aspectos técnicos de como abordar cada uso final de energia relevante para seus processos produtivos e/ou instalações. Além disso, materiais especializados, como uma planilha de levantamento energético e um guia orientativo para seu preenchimento, foram disponibilizados, para que as(os) participantes chegassem a um mesmo padrão de relatório de diagnóstico energético.
2.1 Estrutura do diagnóstico energético
Para os objetivos da RedEE - Indústrias, e considerando o porte e as caraterísticas das empresas participantes, seguimos uma análise Nível 2.
Os usos finais incluídos compreenderam as principais tecnologias transversais, que puderam ser abordadas por empresas de diferentes setores: calor de processo, força motriz, refrigeração, bombeamento, compressão de ar ou gases, iluminação e climatização (HVAC - Heating, Ventilating and Air Conditioning).
As empresas participantes caracterizam-se como unidades fabris, localizadas no estado de São Paulo, que possuem o máximo de informação, sistemas de monitoramento e potenciais de melhoria.
2.2 Etapas e Atividades
2.2.1 Planejamento
- Definição e registro do escopo do diagnóstico energético;
- Escopo da metodologia;
- Definição da equipe (pares de trabalho) e líder responsável.
2.2.3 Coleta de dados
- Coleta e registro de dados de consumo de energia de todas as fontes (histórico de consumo e gastos com energia - referência do ano 2019);
- Levantamento de Usos Significativos da Energia (USE).
2.2.4 Plano de Medições
- Identificação preliminar de ações de curto prazo;
- Identificação preliminar de ações de zero, baixo ou alto custo;
- Avaliação qualitativa de ações prioritárias segundo critérios;
- Importação e registro de medições de equipamentos existentes e temporários.
2.2.5 Análise de viabilidade econômico-financeira
- Cálculo e registro do potencial de economia e investimento para ações de baixa complexidade;
- Levantamento de oportunidades com necessidade de análise Ex Ante detalhada;
- Levantamento de oportunidades relacionadas às atividades de gestão;
- Consideração de eventuais cenários de desenvolvimento de custos/tarifas;
- Identificação de potenciais fornecedores/parceiros comerciais e financiamentos.
2.2.6 Descrição do processo de diagnóstico energético
Foram definidos os critérios utilizados para avaliar e priorizar as oportunidades de melhoria do desempenho energético em cada empresa (aspectos econômicos, técnicos e/ou ambientais).
Em todas as empresas, o diagnóstico energético foi realizado internamente pelas equipes responsáveis por gestão energética, algumas delas já contando com auditorias preliminares e outras iniciando os primeiros levantamentos.
Um ponto de destaque foi a criação e fortalecimento de equipes internas de gestão energética. Em algumas empresas, foram definidas atividades para as pessoas envolvidas nos projetos de eficiência e energias renováveis e em outras, inclusive, foram contratados profissionais específicos para dar andamento aos trabalhos.
Em suma, no diagnóstico energético foram identificadas e, consequentemente analisadas a viabilidade técnica de possibilidades de melhoria na operação e na manutenção dos sistemas e/ou máquinas, substituição de equipamentos antigos, ineficientes ou que utilizam tecnologias já obsoletas, recuperação de equipamentos com determinados graus de avaria, entre outros.
3. Monitoramento e controle de implementação
Com as informações do diagnóstico energético consolidadas e as linhas de base estabelecidas, foi possível acompanhar, ao longo da RedEE - Indústrias, o resultado da implementação de ações de eficiência energética e energias renováveis.
A linha de base energética permite que o valor dos indicadores seja comparado em momentos distintos com eficácia, mesmo apresentando modificações relevantes na produção.
Algumas empresas conseguiram desenvolver, com auxílio das ferramentas da RedEE - Indústrias, linhas de base específicas por produtos e por áreas, o que possibilita o acompanhamento mais detalhado dos resultados. Todas as orientações de medição e verificação de resultados seguiram os princípios do Protocolo Internacional de Medição e Verificação de Desempenho (IPMVP - International Performance Measurement and Verification Protocol).
A RedEE - Indústrias forneceu também um modelo de controle de implementação, que auxilia a verificação das etapas necessárias e as boas práticas de medição para apuração de resultados. Projetos com dúvidas técnicas tiveram retroalimentação por parte dos pares em outras empresas do grupo que já tinham passado por desafios similares.
4. Introdução à análise de benefícios não energéticos.
Um ponto relevante da implementação do projeto-piloto foi a introdução à análise e quantificação de benefícios, além da redução de consumo de energia. Iniciou-se, então, a aplicação de uma metodologia de comunicação e interação entre a área de energia e outras áreas estratégicas das empresas, para incentivar a resolução de barreiras com o norte de adição de valor ao produto de cada companhia.
Esta metodologia, desenvolvida de forma pioneira na União Europeia, poderá ter mais desdobramentos no cenário brasileiro e será fundamental para atender os objetivos de neutralidade de carbono e metas de longo prazo.
5. Adaptação do modelo para o ambiente digital/virtual
Seguindo a mesma estratégia do modelo tradicional alemão e, ao mesmo tempo, inovando com sua adaptação a um ambiente amplamente digital, a primeira RedEE - Indústrias no Brasil foi um grande sucesso. Durante um ano, foram realizados encontros digitais, que possibilitaram a troca de experiência e debates acerca de temas como o mercado de energia nacional; a gestão de energia para a implementação de metas e indicadores; os modelos para a execução de projetos com foco em eficiência energética; ar comprimido, recuperação de calor, desenvolvimento de medidas de eficiência em sistemas motrizes e fontes renováveis e cogeração, entre (as)os participantes.
