ENERGIA NUCLEAR
Entre 2023 e 2026, o Brasil passou a valorizar a energia nuclear como um componente importante da estratégia de transição energética. É uma fonte limpa para a geração de eletricidade, pois não produz gases de efeito estufa. O Ministério de Minas e Energia (MME) está engajado na realização de estudos e em ações para a retomada de investimentos no setor.
Um dos objetivos é fortalecer a cadeia de energia nuclear no Brasil, avançando na elaboração de uma política para a mineração do urânio até a geração de energia elétrica, incorporando ainda a perspectiva de aplicação futura dos pequenos reatores nucleares. O Brasil tem potencial para alcançar a posição de terceira maior reserva de urânio no mundo.
Além de ajudar a descarbonização do planeta, o aumento da oferta de energia nuclear é estratégico para atender à crescente e acelerada demanda de energia face aos avanços tecnológicos associados à Inteligência Artificial e seus data centers. Empresas como Microsoft, Google, Amazon, Oracle e Nvidia começam a explorar o setor da energia nuclear como forma de garantir energia limpa, firme e confiável para sustentar seus negócios.
O Brasil detém a oitava maior reserva de urânio do mundo. Com as novas tecnologias e com o mapeamento integral do território brasileiro, a expectativa é subir nesse ranking. O potencial das reservas pode ser comparado à importância de uma empresa como a Petrobras ou de uma nova descoberta de petróleo no pré-sal.
A exploração ainda é pequena. A única mina em operação fica no município de Caetité, na Bahia. Está em desenvolvimento um projeto para a jazida de Itataia, em Santa Quitéria, no Ceará, junto com fertilizantes fosfatados, que vão contribuir para a produção de alimentos e a garantia da segurança alimentar do povo brasileiro. Além das citadas, há jazidas menores: Gandarela (Minas Gerais), Rio Cristalino (Pará) e Figueira (Paraná).
O Governo Federal e o MME estimulam a pluralidade de fontes na matriz energética nacional. Com isso, o país aumenta a segurança energética e busca melhores custos para a população, promovendo a transição rumo a uma economia verde, com atração de investimentos, geração de emprego e desenvolvimento sustentável.
Busca-se integrar a energia nuclear como parte vital da matriz
energética nacional. O Programa Nuclear Brasileiro é uma oportunidade estratégica para aumentar a segurança energética e promover o desenvolvimento econômico, possibilitando geração de emprego, divisas e novas tecnologias.
O MME propôs, em janeiro de 2026, a atualização do marco legal do setor nuclear ao lançar consulta pública sobre o novo Plano Nacional de Mineração (PNM 2050).
BENEFÍCIOS
- Geração de empregos qualificados, como engenheiros e profissionais de Tecnologia da Informação e Inteligência Artificial, com expansão da exploração de urânio, construção de pequenos reatores e fornecimento de energia para data centers
- Estímulo ao empreendedorismo com mais oportunidades para donos de micro e pequenas na cadeia produtiva
- Energia elétrica de melhor qualidade e mais confiável para as moradias brasileiras, com menos desligamentos temporários e riscos de apagões
- Garantia de energia para serviços essenciais, como hospitais, postos de saúde e escolas.
COMO FUNCIONA
1. Atuação no mercado internacional
O MME iniciou entendimentos com outros países e empresas do setor nuclear, para estabelecer parcerias, aproveitando as expertises desses potenciais parceiros e buscando investimentos em estudos para o conhecimento do potencial mineral brasileiro. O Brasil é membro da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com a qual tem mantido esforços de capacitação e cooperação diversos.
Nas edições da Conferência Mundial do Meio-Ambiente (COP28 e COP29), realizadas em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (2023), e em Baku, no Azerbaijão (2024), 31 países se comprometeram a triplicar a produção da energia nuclear até 2050 para cumprir as metas de descarbonização. (Confira no quadro acima)
Com esse compromisso assumido, abrem-se grandes oportunidades para o Brasil, um dos poucos países do mundo que detém o conhecimento e o domínio de toda a cadeia e ciclo do combustível nuclear, além de reservas relevantes de urânio no subsolo. É um mercado bastante promissor, sem falar que, atualmente, já há mais de 450 centrais nucleares operando no mundo e outras 60 sendo construídas em vários países.
Após processo de enriquecimento, o urânio é o principal combustível usado nessas usinas. O Brasil pode se tornar exportador de combustível nuclear, um produto estratégico, de alto valor agregado, capaz de contribuir muito para a balança comercial.
2. Pequenos reatores modulares
Em janeiro de 2026, o MME foi designado para a coordenação de um Grupo Técnico responsável por estudar a infraestrutura nacional para implantação de reatores nucleares de potência no país. A análise foca na adoção de pequenos reatores e microrreatores modulares.
O Grupo Técnico foi instituído pelo Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB), para apresentar documento com os principais desafios e oportunidades relacionados à infraestrutura nacional para reatores nucleares de potência, considerando aspectos tecnológicos, institucionais, regulatórios e ambientais.
O grupo reúne órgãos e entidades do governo, além de instituições dos setores nuclear e energético. A iniciativa integra as ações para o fortalecimento do planejamento energético de longo prazo e diversificação da matriz energética brasileira. O MME tem identificado boas perspectivas para pequenos reatores modulares (Small Modules Reactors, SMR na sigla em inglês), com potência de 10 e 300 MW.
Entre as vantagens para o uso dos SMR, destacam-se:
- Modularização pode proporcionar menor custo, facilitando a atração dos investimentos necessários para a construção
- Pelo tamanho reduzido a construção leva menos tempo
- Podem ser usados para atendimento a locais remotos, nos Sistemas Isolados, por exemplo na Amazônia
- As unidades dentro das indústrias eletrointensivas diminuem o investimento em transmissão e, consequentemente, reduzem os custos para o consumidor
- O Brasil possui domínio das principais etapas do ciclo de produção, capacidade industrial e tecnológica, ampla experiência operacional e experiência regulatória
- O tamanho compacto permite a construção em série em fábrica, com transporte posterior para o local de instalação e operação, observadas as regras de licenciamento.
3. Usinas de Angra
O MME viabilizou a autorização para que a usina de Angra 1 possa operar por mais 20 anos, conforme anunciado em 2024. A aprovação atende a uma resolução da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). A extensão da vida útil de Angra 1 envolve investimentos de R$ 3,2 bilhões ao longo de quatro anos. O caminho é vantajoso, uma vez que o investimento é menor do que construir uma nova usina.
Quanto a Angra 3, estão em andamento estudos e negociações para retomada das obras, iniciadas nos anos 1980 e depois paralisadas.
MAIS INFORMAÇÕES
O urânio é considerado estratégico e sua produção, um monopólio da União. Mudanças recentes na legislação facilitaram a participação privada no setor.
O Brasil é uma das poucas nações a deter o conhecimento e a tecnologia ao longo de todas as etapas do ciclo do combustível, desde a mineração à fabricação dos insumos a serem usados nas plantas nucleares. A prospecção de minerais nucleares no Brasil se desenvolveu, principalmente, ao longo das décadas de 1970 e 1980. Apenas uma fração do território nacional foi explorada sistematicamente. Acredita-se que o país possa deter um dos maiores recursos de urânio do mundo, uma vez que menos de um terço do território foi pesquisado.
NÚMEROS
- 9º lugar do Brasil no ranking mundial de reservas de urânio
- Panorama atual das reservas de urânio (<USD 130/kgU):
- Reservas: 167.800 tU
Fonte: World Nuclear Association – Supply of Uranium 2023
Produção de urânio no Brasil
- Caetité (Bahia): < 100 toneladas beneficiadas com capacidade de produzir cerca de 400 toneladas/ano, podendo chegar a 800 toneladas/ano
- Santa Quitéria (Ceará): Quando em operação, a mina produzirá anualmente 2.300 toneladas de concentrado de urânio
Fontes: Agência Nacional de Mineração – Produção Beneficiada AMB e Indústrias Nucleares Brasileiras
Usinas de Angra
As usinas nucleares de Angra somam cerca de 2 GW de potência assim distribuídos:
- Angra 1 – 640 MW – em operação desde 1985
- Angra 2 – 1.350 MW – em operação desde 2001
- Angra 3 – Aguardando definição para retomada das obras – 1.405 MW
DATAS
- 21/11/2024 – Autorização para que Angra 1 possa operar por mais 20 anos
- Janeiro de 2026: Atualização do PNM 2050, incluindo aspectos do setor nuclear
- 07/01/2026 – MME designado para coordenar Grupo Técnico para estudar adoção de pequenos reatores e microrreatores modulares


Finalizado em fevereiro/2026
