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Mesa debate discute o futuro das memórias em VHS e os desafios da preservação audiovisual
Encontro do 11º Arquivo em Cartaz reúne especialistas para refletir sobre a preservação de registros em suportes magnéticos, a obsolescência tecnológica e o acesso às memórias audiovisuais.
Como preservar as memórias registradas em fitas VHS diante da obsolescência dos equipamentos e das dificuldades de digitalização? Essa é a questão central da mesa de debate O futuro do passado magnético: memórias em VHS, que será realizada em 18 de novembro, às 13h30, no auditório principal do Arquivo Nacional, com transmissão ao vivo pelo YouTube.
Em 2019, a UNESCO alertou para o risco de um possível ponto de não retorno, a partir de 2025, para a digitalização de conteúdos audiovisuais armazenados em suportes magnéticos. O desafio, porém, vai além da deterioração física das fitas: envolve também a disponibilidade de equipamentos em funcionamento e de profissionais capacitados para operá-los, realizar reparos e recuperar os registros.
Amplamente utilizados nas décadas de 1980 e 1990, os VHS popularizaram a gravação e a reprodução de imagens, tornando possível que famílias, grupos e indivíduos produzissem seus próprios registros audiovisuais. Esses materiais guardam memórias cotidianas, afetivas e coletivas, mas correm o risco de se tornar inacessíveis à medida que os equipamentos e os conhecimentos necessários à sua reprodução desaparecem.
A mesa reunirá especialistas com experiências complementares em preservação audiovisual, pesquisa, curadoria e defesa dos direitos humanos. O debate pretende discutir os caminhos para salvaguardar esses registros e ampliar as possibilidades de acesso aos acervos, considerando também as questões sociais envolvidas na preservação: quem terá acesso às memórias em VHS no futuro? Quais histórias serão preservadas e quais poderão se perder?
A atividade dialoga com o tema do festival, “Cinema, Memória e Justiça”, ao propor uma reflexão sobre a preservação audiovisual como responsabilidade técnica, cultural e social. Garantir a sobrevivência desses registros significa também criar condições para que diferentes experiências e narrativas continuem disponíveis às futuras gerações.
Debatedores
Ines Aisengart Menezes é diretora-técnica da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA) e coordenadora do programa Brasil da WITNESS, organização internacional que promove o uso do audiovisual na defesa dos direitos humanos e dos territórios. Formada em Cinema pela Universidade Federal Fluminense (UFF), possui mestrado em Preservação pela Universidade de Amsterdã. Trabalhou na Cinemateca Brasileira e no Eye Filmmuseum, na Holanda, como especialista em acesso digital. Foi co-curadora da temática Preservação na Mostra de Cinema de Ouro Preto e, desde 2019, leciona sobre cinema e preservação audiovisual.
Mariela Cantú é pesquisadora, curadora e realizadora nas áreas de artes e meios audiovisuais. Licenciada e professora em Comunicação Audiovisual pela Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, atuou como docente na Universidade de Buenos Aires, na Universidade do Cinema e na própria Universidade Nacional de La Plata. É mestranda em Estética e Teoria das Artes pela Faculdade de Belas Artes da Universidade Nacional de La Plata. Criou o Proyecto Arca Video Argentino, arquivo e base de dados on-line dedicado ao videoarte argentino.
Cadu Marconi é graduado em História e mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense. Possui formação em Preservação do Patrimônio de Arquivos Sonoros e Audiovisuais pela Fonoteca Nacional do México e pelo Ibermemoria. Participa do grupo de trabalho de Arquivos Musicais da Associação Latino-Americana de Arquivos (ALA) e é membro da Associação Internacional de Arquivos Sonoros e Audiovisuais (IASA). Atualmente, é chefe do Serviço de Reformatação de Documentos Audiovisuais do Arquivo Nacional.
Mediação
José Quental é historiador, mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense e doutorando em Cinema pela Université Paris 8, na França. Pesquisador da história da preservação cinematográfica no Brasil, desenvolveu estudos sobre a trajetória da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-RJ), instituição na qual atua como curador adjunto. Sua trajetória reúne pesquisa, curadoria e reflexão sobre a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.
A mesa integra a programação do 11º Arquivo em Cartaz – Festival Internacional de Cinema de Arquivo, realizado de 16 a 18 de novembro de 2026. A participação é gratuita.
🎬 Mesa de debate — O futuro do passado magnético: memórias em VHS
📅 Data: 18 de novembro de 2026 (quarta-feira)
🕜 Horário: 13h30
📍 Local: Auditório principal do Arquivo Nacional
👥 Debatedores: Ines Aisengart Menezes, Mariela Cantú e Cadu Marconi
📺 Transmissão ao vivo: canal do Arquivo Nacional no YouTube
🎟️ Entrada: Gratuita
