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10ª Semana Nacional de Arquivos é encerrada com lançamentos, debates sobre inclusão e balanço histórico da edição
O Arquivo Nacional encerrou nesta sexta-feira (12/6), no Rio de Janeiro, a programação da 10ª Semana Nacional de Arquivos (SNA). Com o tema "Arquivos, democracia e justiça social", a edição deste ano reuniu especialistas, pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir o papel dos arquivos na garantia de direitos, no acesso à informação e na preservação da memória.
A programação do último dia foi marcada pelo lançamento da primeira fase do novo Sistema de Informações do Arquivo Nacional (SIAN), da nova base de dados do projeto Memórias Reveladas, da publicação Marcadores Sociais de Gênero, Orientação Sexual, Raça e Regionalidade: Um Modelo Básico para Aplicação em Vocabulário Controlado e da versão revisada da Política de Acessibilidade do Arquivo Nacional.
Arquivos, acesso e democracia digital
A mesa "Arquivos, acesso e democracia digital" abriu a programação do dia. A atividade foi mediada por Bruna Sarieddine Barcelos, coordenadora de projeto da Diretoria de Processamento Técnico, Preservação e Acesso ao Acervo (DPT), que destacou que os lançamentos apresentados integram entregas previstas no planejamento estratégico do Arquivo Nacional, voltadas à ampliação do processamento técnico, do acesso e da difusão do acervo.
Durante o encontro, foram apresentadas iniciativas voltadas à ampliação do acesso à informação e à modernização dos serviços oferecidos pela instituição.
Luciana Lombardo, da Divisão Centro de Referência Memórias Reveladas do Arquivo Nacional, apresentou a nova base de dados do projeto, destacando que a plataforma reúne informações sobre acervos relacionados ao regime militar custodiados pelo Arquivo Nacional e por diversas instituições públicas e privadas. Segundo ela, a iniciativa fortalece o acesso à memória, à verdade e à garantia de direitos.
Na sequência, Cristina Ruth Santos, do Serviço de Gestão e Normalização dos Sistemas de Informação Arquivística do Arquivo Nacional, apresentou a primeira fase do novo SIAN. A servidora destacou que a modernização da plataforma busca facilitar tanto o trabalho técnico quanto o acesso dos cidadãos às informações arquivísticas. A demonstração prática foi realizada por Bruno Tavares, da área de tecnologia da informação, que apresentou a versão beta do sistema, desenvolvida com recursos de acessibilidade, alinhada aos padrões do GOV.BR e com maior transparência sobre os dados do acervo.
Encerrando a mesa, Carmen Moreno, coordenadora da Coordenação de Consultas ao Acervo do Arquivo Nacional, ressaltou a importância da Política de Acesso e Difusão do Acervo e da integração dos sistemas de atendimento da instituição. Segundo ela, os arquivos só cumprem plenamente sua função quando os documentos preservados são efetivamente acessados, compreendidos e apropriados pela sociedade.
Acesso, representação e inclusão nos arquivos
À tarde, a mesa "Acesso, representação e inclusão nos arquivos" reuniu representantes do governo federal, do Arquivo Nacional e dos povos indígenas para debater acessibilidade, diversidade, representação documental e participação social. A atividade também marcou a apresentação da versão revisada da Política de Acessibilidade do Arquivo Nacional.
A mesa foi mediada por Letícia Grativol Pimentel, coordenadora-geral de Acesso e Difusão Documental do Arquivo Nacional, que destacou a importância de tratar conjuntamente os conceitos de acesso, representação e inclusão, entendidos como dimensões fundamentais para a ampliação do papel social dos arquivos.
Durante o debate, Anna Carolina Venturini, diretora de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), destacou que os arquivos não são espaços neutros, mas resultado de processos históricos e políticos de seleção documental. A pesquisadora defendeu ainda que a acessibilidade deve ser compreendida como condição fundamental para o exercício da cidadania e do direito à informação.
Representando o Museu Nacional dos Povos Indígenas, Juliana Tupinambá abordou a importância dos arquivos para a preservação da memória dos povos indígenas e para processos de reparação histórica. A diretora destacou o valor dos documentos relacionados ao antigo Serviço de Proteção aos Índios (SPI), utilizados em pesquisas e processos de reconhecimento de direitos, além de ressaltar a oralidade como forma legítima de preservação da memória e do conhecimento.
A mesa também marcou o lançamento do e-book Marcadores Sociais de Gênero, Orientação Sexual, Raça e Regionalidade: Um Modelo Básico para Aplicação em Vocabulário Controlado, apresentado por Josiane Rodrigues Monteiro, do Serviço de Gestão e Normalização dos Sistemas de Informação Arquivística. A publicação propõe diretrizes para uma representação mais inclusiva dos acervos e para a atualização dos vocabulários utilizados na descrição documental, ampliando as possibilidades de acesso e recuperação da informação.
A cerimônia de encerramento foi conduzida pela diretora-geral do Arquivo Nacional, Monica Lima, que apresentou um balanço da edição de 2026. Segundo ela, a Semana Nacional de Arquivos contou com 335 eventos realizados em todo o país, alcançando 24 estados e o Distrito Federal e reunindo 200 instituições entre órgãos públicos, universidades, escolas e organizações da sociedade civil.
Ao todo, a programação registrou 1.977 participantes, sendo 385 presenciais e 1.592 online, além da distribuição de 1.350 publicações gratuitas, inclusive para as novas superintendências regionais do Arquivo Nacional em Porto Alegre, Manaus e Salvador. Monica Lima destacou ainda a participação inédita de Roraima na iniciativa, ampliando a presença da Semana Nacional de Arquivos em todas as regiões do país.
Ao encerrar o evento, a diretora reforçou o papel dos arquivos na democracia e na garantia de direitos.
"Os arquivos são instrumentos vivos de acesso à informação, preservação da memória e garantia de direitos", afirmou.
Encerramento cultural
A programação foi concluída com apresentação da Roda Clandestina, coletivo de samba formado exclusivamente por mulheres. O grupo apresentou um repertório dedicado à valorização da memória, da diversidade e da participação social, em sintonia com o tema da 10ª Semana Nacional de Arquivos, "Arquivos, democracia e justiça social".