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Projeto BiomeSat conclui Revisão de Projeto Preliminar e entra em nova fase de desenvolvimento

- Missão BiomeSat foi aprovada pelos especialistas da Revisão Preliminar de Projeto (PDR)
O projeto BiomeSat, desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), concluiu com êxito a Preliminary Design Review (PDR). Realizada em maio, a revisão contou com o acompanhamento da Agência Espacial Brasileira (AEB) e marcou o encerramento da Fase B do desenvolvimento, dedicada à consolidação do projeto preliminar. Nessa etapa, foram validadas a arquitetura do sistema, os requisitos da missão e os principais subsistemas propostos.
A PDR representa uma etapa estratégica no ciclo de vida de um satélite, ao demonstrar que a missão alcançou maturidade técnica suficiente para avançar às fases de detalhamento de engenharia, produção e testes.
Durante a revisão, os tópicos analisados incluíram:
• Requisitos da missão: cobertura geográfica, resolução espacial, frequência de revisita e cargas úteis;
• Carga útil principal: imageador óptico com resolução adequada ao monitoramento de biomas brasileiros;
• Cargas úteis secundárias: receptor para o Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais (SBCDA) e transponder AIS (AISS), voltado ao monitoramento de tráfego fluvial e costeiro;
• Configuração do satélite: CubeSat no padrão 8U, com massa aproximada de 10 kg;
• Subconjuntos críticos: controle de atitude, geração e armazenamento de energia, comunicações, estrutura e propulsão química para manutenção orbital;
• Integração com o segmento solo: sistemas de recepção, processamento e controle;
• Gestão de riscos e plano de mitigação, além de cronograma e orçamento.
“A aprovação da Revisão de Projeto Preliminar do BiomeSat representa um marco importante para o fortalecimento da capacidade nacional de desenvolver satélites voltados ao monitoramento ambiental. Essa missão reforça o papel do Brasil como país comprometido com a observação autônoma dos seus biomas, utilizando tecnologias de ponta adaptadas à nossa realidade orçamentária e operacional”, afirma Felipe Fraga, coordenador de Satélites e Aplicações da AEB.
Com a aprovação da PDR, o projeto entrou na Fase C, destinada ao detalhamento técnico do sistema. Essa etapa prevê a finalização dos esquemas de engenharia mecânica, elétrica e de software, além da validação dos requisitos do sistema. Também contempla o início do planejamento para montagem, integração e testes (AIT), com foco na produção do modelo de engenharia e da maquete radiométrica.
As próximas etapas do cronograma incluem a Critical Design Review (CDR), que validará o projeto final, seguida pela fabricação dos modelos de voo, execução dos testes ambientais e preparação da campanha de lançamento. O INPE também dará início aos procedimentos operacionais do satélite, utilizando suas estações de recepção e controle.
Com foco nos biomas brasileiros, o BiomeSat é uma missão compacta, de baixo custo e alto potencial de replicação. O objetivo é fornecer dados de sensoriamento remoto para avaliar áreas degradadas, monitorar florestas e apoiar políticas públicas ambientais, de forma complementar aos programas espaciais já em andamento.
“Do ponto de vista estratégico, o BiomeSat amplia a diversidade do portfólio espacial brasileiro ao apostar em plataformas menores, de menor custo e com potencial de replicação em constelações. Ele complementa os grandes programas já em curso, como o Amazonia-1 e os satélites da série CBERS, oferecendo novas possibilidades de atuação em áreas como desmatamento, degradação florestal e gestão de recursos naturais. Para a AEB, essa missão está alinhada aos objetivos do ProSAME e ao esforço de democratização do acesso aos dados orbitais em benefício da sociedade brasileira”, acrescenta Fraga.
Sobre a AEB
A Agência Espacial Brasileira (AEB), órgão central do Sistema Nacional de Desenvolvimento das Atividades Espaciais (SINDAE), é uma autarquia pública vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), responsável por formular, coordenar e executar a Política Espacial Brasileira.
Desde a sua criação, em 10 de fevereiro de 1994, a Agência trabalha para viabilizar os esforços do Estado Brasileiro na promoção do bem-estar da sociedade, por meio do emprego soberano do setor espacial.