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COOPERAÇÃO PROMOVE PESQUISA DE FRONTEIRA EM FÍSICA PLANETÁRIA
Brasília, 25 de novembro de 2015 – As primeiras conversas entre a pesquisadora Rosaly Lopes, coordenadora de Ciências Planetárias do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), da Agência Espacial Norte-americana (Nasa), e o pesquisador Walter Gonzalez, líder do grupo de Heliofísica da Coordenação de Ciências Espaciais e Atmosféricas (CEA) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), iniciaram-se em 2011.
A partir destes contatos, foram traçadas as primeiras atividades em comum com o objetivo de se criar e consolidar uma nova área de pesquisa na CEA, no campo de Física Planetária, fronteira do conhecimento em que alguns países vêm investindo nos últimos anos.
A estratégia para a criação dessa linha de pesquisa no Inpe foi reunir a experiência de Rosaly, em vulcanismo e dinâmica planetária, e a de pesquisadores da CEA, liderados por Gonzalez, na área de magnetosferas planetárias.
Apesar de campos de conhecimento distintos, os dois temas possuem conexões, afirmam os pesquisadores, principalmente quando se trata da magnetosfera de Júpiter e de atividades vulcânicas de Io, uma das maiores luas deste planeta. Io é um dos astros de maior atividade vulcânica enquanto Júpiter é o planeta com maior campo magnético do sistema solar.
Rosaly explica que “a intensa atividade vulcânica de Io e a interferência que provoca no campo magnético e na magnetosfera de Júpiter gera um toros (um anel pneumático) de plasma ionizado em torno do planeta”. Como parte desse fenômeno, partículas ejetadas pelo vulcanismo de Io precipitam-se ao longo do campo magnético de Júpiter e ao se conectarem com a região auroral do planeta, nos polos magnéticos, geram intensas emissões de rádio.
Estas emissões, segundo Gonzalez, também podem ser fonte de identificação de exoplanetas, planetas fora do sistema solar, que possam apresentar fenômenos semelhantes a este na região auroral de Júpiter.
Apesar de se conhecer as correlações entre o vulcanismo de Io e o comportamento da magnetosfera de Júpiter, em especial, em sua região auroral, pouco se sabe ainda sobre como estas ocorrem com maior profundidade. O que se sabe hoje desses fenômenos, em grande parte, é resultado de observações coletadas por sondas espaciais, como Ulisses e Cassini, que fizeram passagens não muito próximas ao planeta nos últimos anos.
Sonda – Rosaly afirma que a missão da sonda espacial Juno, desenvolvida em parceria entre a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA) deve trazer novos dados sobre esses fenômenos, permitindo melhorar a compreensão sobre a interação de Io com a magnetosfera de Júpiter. A sonda, programada para ser lançada em 2016, ficará em órbita polar de Júpiter.
No Inpe, o grupo do pesquisador Gonzalez atua há vários anos no estudo da magnetosfera terrestre, cujo comportamento é bastante influenciado pelo vento solar, enquanto o de Júpiter recebe maior influência de seu próprio movimento de rotação, mais rápido que o da Terra.
A troca de experiências e as atividades conjuntas de pesquisa estão recebendo o suporte do Programa Ciência Sem Fronteira (CsF), que deu apoio à visita de Rosely ao Inpe este mês. O Programa também vem dando suporte à visita de uma aluna de doutorado do Inpe ao JPL, onde recebe a orientação de Rosely.
Os pesquisadores envolvidos nessa cooperação Nasa e Inpe estudam ainda a possibilidade de propor o envio de um magnetômetro, tecnologia em desenvolvimento no Instituto, em uma futura missão de sonda espacial.
Também como resultado dessa parceria, se organiza o workshop Io-Iteraction between Volcanic Activity and Jupiter’s Magnetosphere programado para abril de 2016 no Inpe. O evento já tem a confirmação da participação de 20 pesquisadores de instituições estrangeiras que desenvolvem pesquisa na área.
O workshop ocorre três meses antes do lançamento da sonda espacial Juno e um dos principais pesquisadores que integram a missão já confirmou presença.
Em sua visita ao Inpe, além de atividades de pesquisa, Rosely proferiu uma palestra sobre as atividades vulcânicas da lua Titã, de Saturno, cujos dados para pesquisa foram obtidos pela sonda espacial Cassini, da Nasa.
Fonte: Inpe