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Como se diferenciar e ganhar competitividade

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Como se diferenciar e ganhar competitividade

Para competir no mercado europeu, sua empresa precisa mostrar por que o produto merece a escolha do comprador. É importante adaptar o produto, comunicar seus diferenciais, proteger seus ativos e valorizar atributos como origem, qualidade, inovação e sustentabilidade. 

Veja cinco formas de aumentar sua competitividade: 

1. Adapte seu produto ao mercado europeu  

Adaptar o produto não significa apenas traduzir o rótulo ou converter medidas. Um produto bem-sucedido no Brasil pode precisar de ajustes para atender às preferências dos consumidores e compradores do mercado de destino. 

Revise a embalagem

A embalagem é um dos primeiros elementos a serem avaliados. Além de proteger o produto, ela comunica sua qualidade, sua origem e seu posicionamento. 

Verifique: 

  • Idioma do país de destino;  

  • Apresentação da composição e origem;  

  • Sistemas de medida; 

  • Símbolos de reciclagem e descarte;  

  • Advertências regulatórias específicas, quando exigidas.  

Atenção: adaptação comercial não substitui o cumprimento das exigências obrigatórias de rotulagem, composição, segurança e embalagem. Consulte a seção “Seu produto atende às exigências da União Europeia?"

Defina como deseja posicionar o produto

Um produto vendido no Brasil como item de consumo diário pode ser apresentado na Europa como produto premium, artesanal, inovador, sustentável ou ligado a uma origem específica. Esse posicionamento pode facilitar o acesso a nichos de mercado e justificar um preço superior ao praticado no mercado doméstico. 

Produtos como cafés especiais, cacau premium, cervejas artesanais, cosméticos naturais, joias e artesanato contemporâneo podem explorar esse tipo de posicionamento.

Mostre por que seu produto é diferente

Consumidores e compradores precisam entender o valor do produto. Por isso, destaque atributos como: 

  • origem; 

  • história; 

  • processo produtivo; 

  • qualidade; 

  • inovação; 

  • Design; 

  • sustentabilidade; 

  • relação com comunidades ou territórios.

2. Adapte sua comunicação 

Uma comunicação adequada aumenta a credibilidade da empresa e facilita o contato com importadores, distribuidores, varejistas e outros compradores profissionais. 

Prepare, conforme o país e o público de destino: 

  • catálogo e ficha técnica em idioma adequado; 

  • site com informações claras sobre a empresa e os produtos; 

  • imagens de boa qualidade; 

  • apresentação comercial; 

  • canais de contato atualizados; 

  • materiais adaptados ao comprador profissional ou ao consumidor final. 

O inglês pode ser utilizado em muitos contatos empresariais, mas o idioma e o conteúdo devem ser definidos conforme o mercado-alvo. 

3. Proteja sua marca e outros ativos 

Ao exportar para a União Europeia, proteger a marca, o design e as inovações ajuda a preservar os diferenciais da empresa e a evitar problemas comerciais. 

Antes de exportar, verifique se já existem na União Europeia: 

  • marcas iguais ou semelhantes; 

  • desenhos ou embalagens protegidos; 

  • tecnologias ou processos patenteados; 

  • nomes protegidos como Indicações Geográficas. 

Uma pesquisa preventiva pode evitar disputas, mudanças de marca, retenção de mercadorias e impedimentos à comercialização. 

Sua marca está protegida na Europa?

A proteção da marca é territorial. Isso significa que o registro no Brasil não garante proteção automática na União Europeia. 

Sem a proteção adequada: 

  • outra empresa pode registrar a marca primeiro; 

  • sua empresa pode perder o direito de usar o nome no mercado europeu; 

  • o produto pode ter sua comercialização impedida; 

  • concorrentes podem copiar elementos de sua identidade; 

  • a marca pode perder valor comercial.

O que fazer antes de exportar?

  1. Registrar a marca no Brasil junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial do Brasil (INPI). Registrar a marca no INPI não protege automaticamente sua marca na União Europeia; 

  1. Definir os mercados de interesse; 

  1. Verificar se não existe marca semelhante na Europa; 

  1. Solicitar o registro para os países da União Europeia.

Como proteger a sua marca?

O registro pode ser feito de três maneiras:  

  1. em países europeus específicos, por meio dos escritórios nacionais. 

  1. em toda a União Europeia, por meio da Marca da União Europeia (European Union Trade Mark – EUTM) junto ao European Union Intellectual Property Office (EUIPO). 

A principal vantagem é evitar a necessidade de registrar a marca separadamente em cada país europeu. No entanto, a marca possui caráter unitário: se houver impedimento relevante em um dos países da União Europeia (por exemplo, conflito com marca já existente), isso pode afetar o pedido inteiro.

  1. internacionalmente, por meio do Protocolo de Madri. 

O Protocolo de Madri permite apresentar um pedido internacional e indicar os países ou regiões nos quais se deseja proteção. No Brasil, o pedido é apresentado por meio do INPI e encaminhado à Organização Mundial da Propriedade Intelectual. Cada país ou região indicada analisa o pedido conforme suas próprias regras e pode exigir o pagamento de taxas.  

Consulte 

  • Guia de Propriedade Intelectual para Exportadores - União Europeia   

  • Lista dos escritórios nacionais de propriedade intelectual na UE  

  • EUIPO 

  • INPI 

  • Simulador do Protocolo de Madri

Proteção de desenhos industriais e design

A União Europeia também protege o design dos produtos:  

  • Formato  

  • Aparência   

  • Textura  

  • Ornamentação   

  • Inclusive embalagens   

Essa proteção ajuda a impedir cópias e uso indevido do design original do seu produto por terceiros.  Para exportadores, isso é relevante em setores como:  

    • Moda  

    • Calçados  

    • Artesanato   

    • Mobiliário   

    • Produtos industrializados   

Desenhos Industriais: Produtos com design novo e original (como o formato de uma embalagem ou o visual de um móvel) terão proteção de pelo menos 15 anos.  

O European Union Intellectual Property Office (EUIPO) é também o responsável pelo registro de desenhos industriais ou modelos na União Europeia.

Proteção de patentes (invenções em geral e de base tecnológica)

Empresas que exportam produtos tecnológicos ou inovadores devem verificar se o produto ou processo pode infringir patentes existentes no mercado europeu. 

Se a empresa desenvolveu uma tecnologia própria, a proteção pode: 

  • preservar a exclusividade de exploração; 

  • reduzir riscos de cópia; 

  • facilitar contratos de licenciamento; 

  • aumentar o valor da tecnologia para parceiros e investidores. 

Pedidos internacionais de patente podem envolver o Tratado de Cooperação em Matéria de Patentes, o PCT. Como os procedimentos e os prazos são específicos, recomenda-se buscar orientação especializada. 

Para mais informações sobre o Tratado de Cooperação em matéria de Patentes (PCT) acesse aqui.

4. Use as Indicações Geográficas como diferencial 

O que são Indicações Geográficas?

As Indicações Geográficas, ou IGs, identificam produtos cuja qualidade, reputação ou características estão ligadas à sua origem geográfica. Na União Europeia, produtos ligados à sua origem geográfica costumam ter alto valor comercial, especialmente em mercados que valorizam qualidade, tradição autenticidade  

Uma IG reconhecida pode ajudar a: 

  • diferenciar o produto; 

  • assegurar o uso exclusivo do nome pelos produtores autorizados; 

  • proteger contra imitações; 

  • fortalecer a reputação da região; 

  • acessar nichos de maior valor agregado; 

  • preservar conhecimentos e métodos de produção locais.

Indicações Geográficas no Acordo Mercosul-União Europeia

O Acordo prevê proteção, na União Europeia, para 37 Indicações Geográficas brasileiras incluídas em sua lista. Essa proteção ajuda a impedir o uso indevido dos nomes protegidos e a valorizar produtos associados à origem, à tradição e ao conhecimento local. 

Seu produto pertence a uma região com Indicação Geográfica? Verifique se sua empresa integra o grupo de produtores autorizados e se cumpre as condições para utilizar o nome protegido. 

Se ainda tem dúvidas com relação a Indicações Geográficas, consulte o Manual de Indicações Geográficas elaborado pelo governo brasileiro com informações claras e detalhadas sobre as IGs no âmbito do acordo.

5. Transforme sustentabilidade em valor 

No mercado europeu, práticas ambientais, sociais e de governança podem fortalecer a reputação da empresa, reduzir riscos e ampliar o relacionamento com compradores, investidores e parceiros. 

A empresa pode valorizar práticas já existentes, como: 

  • uso eficiente de recursos naturais; 

  • rastreabilidade; 

  • respeito à legislação trabalhista; 

  • valorização de comunidades locais; 

  • redução de resíduos; 

  • uso de tecnologias mais limpas; 

  • controle da origem de matérias-primas; 

  • acompanhamento de fornecedores. 

Como transformar sustentabilidade em valor para exportar

A empresa pode se preparar para o mercado europeu ao: 

a) Mapear a origem de matérias-primas e fornecedores. 

b) Manter registros que comprovem a rastreabilidade e as práticas adotadas. 

c) Identificar oportunidades para reduzir consumo de energia, água, embalagens e resíduos. 

d) Adotar políticas de respeito aos direitos humanos e às condições de trabalho. 

e) Comunicar seus diferenciais de forma clara, objetiva e comprovável. 

Nem todas as empresas precisam dos mesmos selos ou certificações. A necessidade dependerá do produto, da legislação aplicável e das condições estabelecidas pelo comprador.

Regras europeias de sustentabilidade que podem afetar sua exportação

Além dos compromissos previstos no Acordo Mercosul-União Europeia, a União Europeia possui normas próprias de sustentabilidade aplicáveis a determinados produtos e cadeias produtivas. 

Entre os exemplos estão: 

  • a Regulamentação Europeia Antidesmatamento, abrange determinadas mercadorias e produtos derivados associados a gado, cacau, café, palma de óleo, borracha, soja e madeira; 

  • o Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM), abrange determinados bens de setores como cimento, ferro e aço, alumínio, fertilizantes, eletricidade e hidrogênio; 

  • as Regulamento relativo a embalagens e resíduos de embalagens que podem estabelecer condições relacionadas a materiais, composição, reciclabilidade e informações. 

Essas regras não se aplicam igualmente a todos os produtos. Consulte a seção “Seu produto atende às exigências da União Europeia?” para identificar as exigências relacionadas à sua mercadoria.

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