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Visibilidade com o Oscar se conecta a investimentos recordes no audiovisual brasileiro
"O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, disputa quatro estatuetas: melhor filme, melhor filme internacional, direção de elenco e melhor ator, com Wagner Moura. Foto: Divulgação/MK2FILMS
O cinema brasileiro vive um ciclo de amplo reconhecimento da crítica internacional que se conecta a uma retomada de investimentos sem precedentes no país. Neste domingo, 15 de março, os olhos do público se voltam para a cerimônia do Oscar, com o Brasil disputando cinco categorias da principal premiação da indústria global. O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, disputa quatro estatuetas: melhor filme, melhor filme internacional, direção de elenco e melhor ator, com Wagner Moura. Adicionalmente, o brasileiro Adolpho Veloso concorre na categoria de fotografia, por Sonhos de Trem.
No ano passado, o país já havia celebrado pela primeira vez na história a conquista de Melhor Filme Internacional no Oscar para o longa Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, com Fernanda Torres também disputando a categoria de melhor atriz e a película indicada ao título de melhor filme.
Houve uma reativação da governança, do Conselho Superior de Cinema, a retomada do diálogo com a Ancine e a escuta do setor audiovisual. A retomada do investimento federal no cinema e na cultura como um todo é uma conquista conjunta”
Margareth Menezes, ministra da Cultura
O bom momento nacional, com diversos outros filmes brilhando em diversos festivais internacionais, encontra respaldo numa retomada histórica nas políticas públicas de fomento. Entre 2023 e 2025, o Governo do Brasil, por meio do Ministério da Cultura, aportou mais de R$ 5,7 bilhões no setor audiovisual, levando em conta recursos do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e de leis de incentivo.
O ano de 2025 marca o maior volume da série histórica: R$ 1,41 bilhão em recursos públicos, crescimento de 179% em relação a 2021. O motor da engrenagem é o FSA, que operou R$ 2 bilhões em 2025, divididos entre a contratação de novas obras (R$ 564 milhões) e crédito para estrutura e modernização de estúdios (R$ 411 milhões).
No lançamento do Plano de Diretrizes e Metas para o Audiovisual Brasileiro 2026–2035, a ministra da Cultura, Margareth Menezes, celebrou o momento especial. “Houve uma reativação da governança, do Conselho Superior de Cinema, a retomada do diálogo com a Ancine e a escuta do setor audiovisual. A retomada do investimento federal no cinema e na cultura como um todo é uma conquista conjunta”, afirmou.
Um dos pilares da atual gestão é a nacionalização da produção. Por meio dos Arranjos Regionais, o governo mobilizou R$ 662 milhões (unindo FSA e contrapartidas locais) para garantir que o cinema seja feito em todas as regiões do país. O resultado já é visível: 852 obras foram contempladas em chamadas públicas recentes, com 70% dos recursos dos novos editais destinados às regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO — Além de fomentar a produção, o governo atua em gargalos históricos do setor. A Cota de Tela foi retomada e renovada para 2026, o que assegura espaço para filmes brasileiros nos cinemas nacionais. Um edital de comercialização reservou R$ 60 milhões exclusivamente para filmes independentes chegarem às salas de cinema. E em 2025 foi lançado o Programa Rouanet Festivais Audiovisuais, no valor de R$ 17 milhões, que vai fomentar festivais audiovisuais para ampliar as ações de difusão em regiões historicamente menos contempladas por investimentos culturais.
Além disso, para ampliar a possibilidade de espelhar toda a diversidade nacional, os editais passsaram a contar com cotas obrigatórias (50% para mulheres e 25% para pessoas negras, indígenas ou com deficiência). Em outra vertente, a da internacionalização, houve apoio recorde para a presença brasileira em grandes festivais, como Cannes e Berlim, ambiente onde se pavimenta o caminho para o Oscar.
TELA BRASIL — Para garantir que essa produção chegue a todos os brasileiros, o MinC prepara para o primeiro semestre de 2026 o lançamento da Plataforma Tela Brasil. O serviço de streaming público e gratuito, desenvolvido com a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), oferecerá um catálogo 100% nacional, com foco em diversidade e acessibilidade, servindo também como ferramenta pedagógica para escolas públicas.
Assim, seja no domingo de Oscar ou no cotidiano das salas de cinema por todo o país, o audiovisual brasileiro reafirma sua força como indústria que gera emprego, renda e, acima de tudo, identidade nacional.