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“América Latina e Caribe são capazes de construir um projeto autônomo de inserção internacional”, diz Lula no Panamá
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com o presidente da República do Panamá, José Raúl Mulino. Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante declaração à imprensa, nesta quarta-feira, 28 de janeiro, que concluiu a visita ao Panamá com “renovada certeza de que a América Latina e o Caribe são capazes de construir um projeto autônomo de inserção internacional. Juntos, podemos impulsionar um novo ciclo de prosperidade para 660 milhões de latino-americanos e caribenhos”, completou.
Lula lembrou que é a sexta vez que ele e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, se encontram em um intervalo de menos de dois anos. “Isso é sinal do nosso compromisso em aprofundar vínculos econômicos e de cooperação entre nossos povos. O Panamá é o principal parceiro comercial do Brasil na América Central. Em 2025, tivemos um crescimento de 78% nos intercâmbios bilaterais”, disse.
Concluímos a visita ao Panamá com a renovada certeza de que a América Latina e o Caribe são capazes de construir um projeto autônomo de inserção internacional. Juntos, podemos impulsionar um novo ciclo de prosperidade para 660 milhões de latino-americanos e caribenhos"
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República
Também durante a declaração à imprensa, o presidente do Panamá ressaltou a cooperação bilateral entre os países. “Nós temos consolidado uma relação muito importante como políticos e amigos, que se traduz hoje no início de um mecanismo de cooperação bilateral do Panamá com o Brasil, acordado em reunião anterior, com o objetivo de integrar nossas equipes técnicas em diferentes áreas, desde questões fiscais a assuntos marítimos e turismo, tudo para estreitar e agilizar o relacionamento com o grande país que é o Brasil”, destacou Mulino.
Durante a cerimônia, Lula foi condecorado com a Ordem de Manuel Amador Guerrero, a mais alta distinção concedida pelo Panamá. “É um prazer para mim, presidente Lula, distingui-lo como panamenho, como presidente da República e, sobretudo, como amigo”, acenou Mulino ao entregar a honraria.
ATOS — Brasil e Panamá também avançaram na agenda econômica bilateral. Nesta quarta-feira, o Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) foi assinado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e pelo ministro do Comércio e Indústria, Júlio Armando Moltó Alain.
O instrumento promove e facilita os investimentos recíprocos entre os países, além de fortalecer a segurança jurídica. O acordo estabelece a previsibilidade para os investidores e aprofunda a cooperação bilateral em matéria de investimentos. O Acordo também contribuirá para a melhoria do ambiente de negócios, por meio de mecanismos de transparência, facilitação e prevenção de controvérsias, favorecendo, assim, o aumento dos fluxos de investimento produtivo e o fortalecimento da relação econômica bilateral.
Os países também lançaram formalmente as negociações com vistas a um Acordo de Alcance Parcial sobre o comércio de bens, com o objetivo de definir regras, prazos e disciplinas de acesso a mercados, ampliando oportunidades para exportadores e importadores.
No contexto da agenda do presidente Lula no país, outros atos também foram firmados, entre eles o Plano de Ação para a implementação do Acordo de Cooperação Turística entre o Ministério do Turismo e a Autoridade de Turismo do Panamá. E foi tratado, ainda, o Memorando de Entendimento entre o Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil e a Autoridade Marítima do Panamá sobre cooperação em transporte marítimo, logística e sustentabilidade.
Para Lula, o Acordo de Facilitação de Investimentos vai dinamizar o fluxo de comércio e capitais entre os nossos países. “Avançamos nas tratativas sobre o Acordo de Preferências Tarifárias que queremos firmar no amparo da adesão do Panamá como Estado Associado do Mercosul. Assinamos instrumentos de cooperação em turismo e gestão portuária”, declarou.
“Tratamos da atualização do nosso acordo de serviços aéreos para dar maior segurança jurídica ao transporte de cargas. Também discutimos a conclusão do procedimento sanitário para a importação de carne bovina, suína e de aves do Brasil”, disse Lula.
Tive uma produtiva reunião com o presidente do Panamá, @JoseRaulMulino. Em menos de dois anos, esta é a 6ª vez que nos encontramos. Isso é sinal do nosso compromisso em aprofundar vínculos econômicos e de cooperação entre nossos povos.
— Lula (@LulaOficial) January 28, 2026
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SOBERANIA — O presidente também evidenciou o apoio, integral, à soberania do país sobre o Canal do Panamá. “Enviei ao Congresso Nacional brasileiro a proposta de adesão formal ao Protocolo de Neutralidade do Canal. Há quase três décadas, o Panamá administra de forma eficiente, segura e não-discriminatória essa via fundamental para a economia mundial”, alertou.
Atualmente, o Brasil é o 15º maior usuário do Canal do Panamá, por onde passam quase sete milhões de toneladas, por ano, de exportações brasileiras. Ao lembrar da visita realizada ao Canal na tarde desta quarta-feira, o presidente destacou que ele é referência em governança climática, com iniciativas inovadoras como a cota para navios que utilizam combustíveis sustentáveis. “Defender a neutralidade do Canal é defender um comércio internacional justo, equilibrado e baseado em regras multilaterais.”
FÓRUM INTERNACIONAL — Pela manhã, Lula participou da abertura do Fórum Econômico Internacional – América Latina e Caribe 2026. O Brasil foi o convidado de honra da edição. Na declaração à imprensa, o presidente brasileiro parabenizou a organização do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe e o governo do Panamá, e apontou que “fóruns como este nos mostram que, com diálogo e pragmatismo, é possível trabalhar em conjunto para alcançar objetivos compartilhados.”
CRIME ORGANIZADO — Lula ainda destacou os desafios comuns enfrentados pelos países, como o combate ao crime organizado transnacional. “Eles só poderão ser enfrentados em cooperação internacional. Por isso, é essencial fortalecer os foros de concertação latino-americanos e caribenhos. Retorno a Brasília inspirado pela receptividade do povo panamenho e pelos avanços concretos que tivemos em nossa relação bilateral.”