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1965 — Argonauta: um reator feito para pesquisar, ensinar e formar pessoas
Em 20 de fevereiro de 1965 o Brasil acrescentou mais um capítulo à história de sua ciência nuclear. Naquele dia o Reator Argonauta atingiu sua primeira criticalidade, depois de cerca de três anos de trabalho de construção no Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), criado em 1962 a partir de uma parceria entre a CNEN e a então Universidade do Brasil, atual UFRJ.
O Argonauta tinha uma característica importante: ser um reator de pesquisa com forte vocação educacional.
Seu projeto era derivado de uma tecnologia desenvolvida pela Universidade de Argonne, nos Estados Unidos, e chegou ao Brasil no contexto do programa Átomos para a Paz. Mas a equipe brasileira não se limitou a reproduzir um projeto estrangeiro.
Durante sua construção houve adaptação do projeto e utilização de materiais e componentes produzidos no Brasil. Os elementos combustíveis, por exemplo, foram fabricados em uma unidade construída no IPEN, em São Paulo.
A inauguração oficial do reator Argonauta ocorreu em 7 de maio de 1965. Instalado na Ilha do Fundão, no campus da UFRJ, o Argonauta passou a desempenhar uma função que permanece atual: servir como infraestrutura para pesquisa, ensino e treinamento de profissionais. E esse talvez seja um dos aspectos mais interessantes desse marco.
Quando se fala em “reator nuclear” é comum imaginar imediatamente uma usina destinada à produção de eletricidade. Mas o Argonauta é outra coisa. É um reator de pesquisa. Sua função está ligada à geração de conhecimento e à realização de experimentos. Ao longo de sua trajetória, sua instalação contribuiu para pesquisas envolvendo radioisótopos, indústria, medicina e materiais, além de atividades de formação.
O Argonauta também representa uma característica essencial da trajetória do IEN: a combinação entre ciência e formação de pessoas, uma vez que laboratórios e equipamentos podem ser construídos, mas o conhecimento precisa ser transmitido.
E é exatamente por isso que o Argonauta é mais do que um equipamento histórico. Ao longo de décadas, pesquisadores e estudantes passaram por instalações do instituto, formando novas gerações de profissionais capazes de atuar em diferentes segmentos do setor nuclear.
Ele é uma espécie de símbolo de uma ideia que atravessa os 70 anos da CNEN: não existe desenvolvimento tecnológico sustentável sem pessoas capazes de produzir e renovar conhecimento. A história do reator mostra como uma instalação criada nos anos 1960 pode continuar fazendo parte do presente.
E mostra também que inovação não significa necessariamente abandonar aquilo que foi construído no passado. Muitas vezes significa preservar e atualizar, utilizando uma infraestrutura histórica para formar as pessoas que vão criar o futuro.