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70 ANOS CNEN
2025 — Uma nova CNEN para novos desafios
Para a CNEN, a transformação significou uma nova definição de prioridades e a partir de agosto de 2025 a instituição passou a concentrar sua atuação principalmente em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, inovação, serviços tecnológicos, ensino e formação especializada. A Autoridade Nacional de Segurança Nuclear (ANSN) assumiu o licenciamento e fiscalização da área nuclear, anteriormente concentradas na CNEN.
Uma oportunidade de olhar para o futuro e perguntar: qual deve ser o papel de uma instituição de ciência e tecnologia nuclear no Brasil nas próximas décadas? A resposta passa por desafios bastante diferentes daqueles existentes em 1956. O país precisa ampliar cada vez mais o acesso à tecnologia nuclear, formar especialistas, preservar conhecimentos estratégicos, estimular inovação e transformar resultados de pesquisa em produtos e serviços.
Projetos como o Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) estão inseridos nesse cenário. O empreendimento é considerado estratégico para ampliar a capacidade nacional de produção de radioisótopos e desenvolver pesquisas com nêutrons e materiais. O projeto Centena também, o Centro Tecnológico Nuclear e Ambiental que visa criar o primeiro repositório de rejeito radioativo da América Latina, além de um centro de tecnologia para estudos em gerenciamento de rejeitos radioativos.
Outro desafio para a CNEN é a formação de pessoas, já que tecnologia nuclear é uma área que depende de profissionais altamente especializados e a formação de pesquisadores e técnicos não acontece rapidamente. Exige anos de estudo, pesquisa e experiência. Por isso, a renovação das equipes é uma questão estratégica.
Em 2026, ano em que completa 70 anos, a CNEN reforçou essa dimensão ao lançar um edital para concessão de bolsas de mestrado e doutorado em áreas estratégicas do setor nuclear e radiológico, com 20 bolsas de mestrado e 20 de doutorado. O movimento simboliza uma ideia essencial: celebrar 70 anos não significa olhar apenas para trás, pois uma instituição científica só permanece relevante quando consegue transformar sua memória em capacidade de construir o futuro.
Essa nova fase também fica evidente na busca contínua pela pesquisa de excelência, desenvolvimento, inovação e formação de profissionais e pesquisadores.
A CNEN que chega aos 70 anos é, portanto, diferente daquela criada em 1956. Mudaram as tecnologias, os desafios, as estruturas institucionais e as demandas da sociedade, mas permanece uma missão essencial: produzir conhecimento estratégico e transformá-lo em benefícios para o Brasil.
Dos primeiros laboratórios de pesquisa ao desenvolvimento de novos radiofármacos; dos reatores aos aceleradores; da radioproteção à formação de pesquisadores; da ciência básica às aplicações na saúde, na indústria e no meio ambiente, a trajetória da CNEN é também a história de milhares de pessoas que construíram ciência no país. Por isso, em 2026, sete décadas depois de sua criação, a pergunta já não é apenas o que a CNEN fez. É também o que o Brasil será capaz de fazer com o conhecimento que a CNEN ajudou a construir.