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CNEN 70 ANOS
2021 — Um novo radiofármaco e a busca por diagnósticos mais precisos
Uma pesquisa do Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), unidade da CNEN em Minas Gerais, realizada em 2021 envolveu o Fluoroestradiol, um marcador utilizado em exames PET e relacionado à identificação de tumores que expressam receptores de estrogênio. A pesquisa em parceria com instituições acadêmicas e de saúde permitiu caracterizar o uso do marcador na população brasileira. O Fluoroestradiol (¹⁸FES) é destinado ao diagnóstico de pacientes com câncer de mama através da Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET)
A tecnologia chama atenção porque permite olhar para uma característica específica do tumor. Enquanto determinados exames mostram aspectos anatômicos da doença, a medicina nuclear pode fornecer informações sobre processos biológicos e moleculares.
No caso do , sua afinidade pelos receptores de estrogênio pode contribuir para identificar determinados tumores e auxiliar na avaliação da doença e na definição de estratégias terapêuticas. Este é um exemplo de como a medicina nuclear vem caminhando em direção a diagnósticos cada vez mais personalizados.
Mas existe algo ainda mais importante nessa história. O ¹⁸FES não surgiu de uma hora para outra. Por trás de um novo radiofármaco estão anos de pesquisa em química, física, biologia, farmacologia, produção radioisotópica, controle de qualidade e avaliação clínica. Além disso, existe também uma infraestrutura científica capaz de transformar uma molécula estudada em laboratório em um produto que possa ser utilizado em pesquisa e, posteriormente, na prática clínica. Esse é um dos grandes legados construídos ao longo dos 70 anos da CNEN.
O CDTN/CNEN instituição acumulou conhecimento e infraestrutura que permitem aos pesquisadores brasileiros trabalhar não apenas com radiofármacos já consolidados, mas também com novas moléculas. Sob este aspecto a trajetória dos centros da CNEN que pesquisam e produzem radiofármacos demonstram ainda como a ciência nuclear está diretamente relacionada a uma das maiores demandas da sociedade: o enfrentamento do câncer.
A CNEN mantém atuação histórica na produção de radiofármacos. O IPEN, por exemplo, foi pioneiro na produção brasileira de radioisótopos e radiofármacos e, atualmente, possui uma ampla atuação nessa área.
O marco de 2021 representa, portanto, uma ponte entre passado e futuro. O mesmo país que começou produzindo experimentalmente iodo-131 em 1959 estava, seis décadas depois, desenvolvendo novas ferramentas para investigar tumores. Setenta anos de ciência podem ser medidos em datas, mas talvez sejam melhor compreendidos pelas possibilidades que cada geração deixou para a seguinte.