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CNEN 70 ANOS
1997 — Abadia de Goiás: quando o desafio de Goiânia ganhou uma solução permanente
Dez anos depois do acidente radiológico de Goiânia, um novo marco surgiu em Abadia de Goiás. Em 5 de junho de 1997, foi inaugurado o depósito definitivo destinado aos rejeitos radioativos produzidos durante as ações de descontaminação da cidade.
O local, instalado no Parque Estadual Telma Ortegal, passou a receber os materiais contaminados resultantes do acidente de 1987. São cerca de 6 mil toneladas de materiais. A solução para os rejeitos era um dos grandes desafios deixados pelo acidente.
Não bastava retirar o material contaminado dos locais atingidos. Era necessário armazená-lo de maneira segura, controlar a área e estabelecer um sistema permanente de acompanhamento. Foi nesse contexto que também se consolidou o Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste (CRCN-CO).
Oficialmente inaugurado com essa denominação em 1997, o centro passou a exercer funções relacionadas ao controle institucional do depósito, ao monitoramento radiológico ambiental das áreas impactadas e à realização de pesquisas e formação de recursos humanos. É uma transformação importante.
Um episódio que começou como emergência radiológica acabou levando à criação de uma estrutura permanente de conhecimento científico em Goiás. O local passou a representar não apenas uma resposta ao passado, mas também um compromisso com o futuro.
Monitorar significa acompanhar continuamente. Significa produzir dados, analisar informações, observar o ambiente e garantir que as condições permaneçam dentro dos parâmetros estabelecidos. A história de Abadia de Goiás mostra, portanto, que a ciência não termina quando uma emergência é controlada.
Depois da resposta imediata vêm outras etapas: remediação, gerenciamento de rejeitos, monitoramento, pesquisa, acompanhamento das populações e preservação da memória.
É justamente essa perspectiva de longo prazo que torna o marco de 1997 tão importante para a história dos 70 anos da CNEN.
O acidente de Goiânia foi uma tragédia. O depósito definitivo não apaga o que aconteceu. Mas a estrutura criada a partir daquela experiência representa uma das formas pelas quais uma instituição científica transforma conhecimento adquirido em capacidade permanente de prevenção, controle e proteção.
Hoje, o CRCN-CO/CNEN continua atuando em pesquisa e monitoramento ambiental, mantendo uma presença permanente na região. Recebe estudantes, pesquisadores e mantém importantes parcerias para transformar o legado em aprendizado e construção de um futuro com protagonismo da ciência, tecnologia e inovação.