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Conheça os homenageados com a Medalha de Honra ao Mérito do Arquivo Nacional
No dia em que se celebraram os 30 anos da Lei de Arquivos, três grandes personagens da história do Arquivo Nacional foram homenageados com a Medalha de Honra ao Mérito da instituição: os ex-diretores-gerais Celina Vargas e Jaime Antunes, e a professora Ismênia Martins.
A cerimônia de entrega das medalhas foi realizada no encerramento do webinar comemorativo do aniversário da Lei n.º 8.159, de 8 de janeiro de 1991, e de 183 anos do AN, criado em 2 de janeiro de 1838.
O evento foi transmitido ao vivo na última sexta-feira, e pode ser assistido aqui (no vídeo, a partir de 1h 6min) .
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Após narrar um breve, porém completo, histórico dos 183 anos de existência do órgão onde é servidor e assessor da Direção-Geral, o mediador Vicente Rodrigues anunciou a primeira agraciada com a Medalha de Honra ao Mérito do AN: a socióloga Celina Vargas do Amaral Peixoto. Com doutorado em Ciências Políticas pela Université René Descartes e Fondation Nationale des Sciences Politiques, foi fundadora e diretora do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil e diretora-geral da Fundação Getúlio Vargas.
Durante sua gestão no AN, de 1980 a 1990, promoveu a modernização da instituição e a valorização dos arquivos, com a tramitação do projeto-de-lei que instituiu uma política nacional para a área. Além disso, conseguiu a doação dos prédios atualmente ocupados pelo órgão, que até então serviam de sede da Casa da Moeda do Brasil. Infelizmente, Celina Vargas não pôde comparecer à cerimônia.
Em seguida, foi anunciada a segunda ganhadora da Medalha, a Professora Emérita da Universidade Federal Fluminense (UFF) Ismênia de Lima Martins. Doutora em História Social pela Universidade de São Paulo, é especialista em História do Brasil e ex-presidente da Associação Nacional de História, além de membro da Associação Cultural do AN (Acan).
Com 53 anos de militância pela causa arquivística no país, prof.ª Ismênia aproveitou a ocasião para exaltar o trabalho de todos os técnicos do AN, enfatizando que o órgão não se trata de “um depósito, e sim um equipamento social, a serviço da administração”. Ao contar um pouco de sua trajetória, relatou que, quando começou a estudar sobre os arquivos, descobriu a importância de gestores como o historiador José Honório Rodrigues, que foi diretor-geral do AN entre 1958 e 1964, e introduziu a visão do que seria um arquivo moderno.
Ao fim de seu discurso de agradecimento pela honraria, Ismênia Martins emocionou os presentes ao dizer que, apesar das limitações impostas por complicações recentes na saúde, sempre que pensa no AN, tem um sorriso. “Trabalhei muito pelo Arquivo [...] foram anos de convivência e militei tudo o que eu pude”, ensinou a professora, para então concluir: “Já recebi alguns prêmios e medalhas, mas essa é uma medalha muito especial para mim, que me toca muito pessoalmente, muito profundamente”.
O último ganhador da Medalha de Honra ao Mérito do AN foi o historiador e arquivista Jaime Antunes da Silva, que é professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e diretor do Arquivo do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro. Em 1964, Jaime iniciou sua carreira no AN como estagiário, chegando a diretor-geral em 1992, cargo que ocupou até 2016. Em sua gestão, dentre outras realizações, implantou o Conselho Nacional de Arquivos (Conarq), que também presidiu; executou a reforma do conjunto arquitetônico tombado onde funciona parte da sede da instituição; e atuou na criação do Sistema de Gestão de Documentos e Arquivos (Siga), do qual o AN é o órgão central.
Apesar das dificuldades dos momentos atuais, o professor apontou, no início de sua fala de agradecimento, que “o AN é uma entidade de Estado”, uma instituição perene, “como tem que ser”. Ao percorrer a trajetória de alguns dos gestores que o antecederam, citou o caso de Joaquim Portela (1873-1898), diretor responsável pelo
primeiro plano de classificação de documentação existente na instituição
, e mencionou também o “olhar determinado” de José Honório Rodrigues, e a gestão “repleta de realizações” de Celina Vargas. “Coloquei em prática aquilo que as gestões anteriores tinham para apresentar”, ponderou Jaime Antunes, após lembrar que a própria Medalha de Honra ao Mérito que estava recebendo, assim como o
Prêmio AN de Pesquisa
, eram parte do legado de Maria Alice Barroso (1991-1992), sua antecessora imediata.
Para terminar a cerimônia, a Diretora-Geral do AN Neide De Sordi reiterou o convite, feito aos homenageados, para participar do projeto de História Oral, que irá colher depoimentos de nomes marcantes que fizeram parte da entidade. Os relatos integrarão um repositório da memória institucional, cujo acesso será feito por meio da Biblioteca Digital do AN, a ser lançada em breve.