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COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
Brasil e Coreia do Sul assinam acordo sobre comércio e integração produtiva
Legenda: Indústria, economia digital, bioeconomia e manufatura avançada estão entre os setores abrangidos pela iniciativa. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Brasil e Coreia do Sul deram, nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, mais um passo para aprofundar a integração produtiva e a cooperação industrial bilateral, com foco em inovação, agregação de valor e geração de empregos qualificados. Durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Seul foi assinado o Acordo sobre Comércio e Integração Produtiva entre as duas nações.
O instrumento, assinado pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, estabelece um marco institucional permanente para aprofundar as relações econômicas bilaterais, ampliar o comércio e fortalecer a integração produtiva, com ênfase em inovação, agregação de valor e geração de empregos qualificados.
Não é possível encontrar, em outro período recente da história do Brasil, indicadores econômicos tão favoráveis quanto os observados nos últimos anos, com pleno emprego, aumento da massa salarial e inflação controlada. Esses resultados criam as condições necessárias para aprofundar a integração produtiva, atrair investimentos e ampliar parcerias estratégicas, como a firmada com a Coreia do Sul"
Márcio Elias Rosa, secretário-executivo do MDIC
Para o secretário-executivo, o Acordo firmado entre Brasil e Coreia do Sul se apoia em um ambiente econômico favorável e em uma política industrial estruturada, capaz de sustentar parcerias produtivas de longo prazo. “Não é possível encontrar, em outro período recente da história do Brasil, indicadores econômicos tão favoráveis quanto os observados nos últimos anos, com pleno emprego, aumento da massa salarial e inflação controlada. Esses resultados criam as condições necessárias para aprofundar a integração produtiva, atrair investimentos e ampliar parcerias estratégicas, como a firmada com a Coreia do Sul”, afirmou Márcio Elias Rosa.
ÁREAS ESTRATÉGICAS — O Acordo contempla cooperação em áreas estratégicas como indústria, agricultura e tecnologia; integração e resiliência de cadeias de valor, inclusive em minerais críticos; manufatura avançada e tecnologias do futuro; economia digital, economia verde e bioeconomia; além da facilitação do comércio e dos investimentos e do fortalecimento das medidas sanitárias e fitossanitárias aplicadas ao comércio agrícola.
A iniciativa também abre caminho para avanços rumo a uma integração econômica mais ampla, inclusive no contexto de eventuais negociações entre o Mercosul e a Coreia do Sul.
COMISSÃO BILATERAL — Para a implementação das iniciativas, o Acordo institui a Comissão Bilateral de Relações Econômicas e Comerciais, co-presidida, do lado brasileiro, pelo MDIC e pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e, do lado sul-coreano, pelos ministérios correspondentes. A Comissão será responsável pelo acompanhamento das ações e poderá criar grupos de trabalho temáticos, com participação do setor privado.
EXPANSÃO SUSTENTÁVEL — Na sessão ministerial do Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul, o secretário-executivo do MDIC pontuou que a expansão sustentável do comércio exterior está diretamente associada a uma política industrial estruturada, previsível e integrada às cadeias globais de valor.
“A melhor forma de ter expansão do comércio exterior é por meio de uma boa política industrial. Não é a eleição de barreiras, a criação de barreiras tarifárias ou não tarifárias, mas política industrial — com foco, objetivos, metas e parcerias”, afirmou.
O Fórum Empresarial Brasil–Coreia do Sul funciona como espaço de diálogo entre governos e setor privado, voltado à identificação de oportunidades de negócios, investimentos e parcerias produtivas. A iniciativa busca aproximar empresas dos dois países, estimular a integração produtiva e aprofundar a cooperação em áreas estratégicas da agenda econômica.
CADEIAS GLOBAIS — Ao tratar da agenda de minerais críticos e tecnologias do futuro, o secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços, Uallace Moreira, ressaltou a necessidade de reposicionar o Brasil nas cadeias globais de valor, com foco na produção e na internalização de tecnologia.
“O Brasil não quer apenas uma relação comercial com a Coreia do Sul. O Brasil quer uma relação produtiva, de transferência e internalização de tecnologia. O Brasil, no governo do presidente Lula, não aceita mais ser apenas um exportador de commodities. Quer agregar valor, internalizar tecnologia e ter a Coreia como parceiro estratégico nesse processo”, concluiu o secretário.
BRASIL E COREIA DO SUL — Em 2025, o intercâmbio comercial bilateral entre Brasil e Coreia do Sul alcançou US$ 11 bilhões, com fluxo relativamente equilibrado entre exportações e importações. As exportações brasileiras para a Coreia do Sul somaram cerca de US$ 5,5 bilhões, concentradas principalmente em combustíveis minerais — com destaque para o petróleo —, minério de ferro, celulose e produtos do agronegócio, como soja e carnes.
Já as importações brasileiras provenientes da Coreia do Sul, também da ordem de US$ 5,5 bilhões, foram compostas majoritariamente por bens manufaturados de maior intensidade tecnológica, como automóveis e autopeças, máquinas e equipamentos, semicondutores, produtos siderúrgicos, químicos e farmacêuticos.