Declaração à imprensa do senhor porta-voz, general Rêgo Barros - São Paulo/SP
São Paulo-SP, 05 de Fevereiro de 2019
Eu fico com pena do pessoal sentado aí. Vão ter que providenciar cadeira para vocês, viu? Na próxima vez vai ter cadeira aqui também, tá bem?
Então vamos lá.
Sobre o estado de saúde do nosso presidente.
O presidente tem apresentado evolução do seu estado de saúde, ele mesmo informou sobre a sua condição hoje, via twitter, com o espírito altivo que lhe é peculiar.
A equipe clínica e cirúrgica ainda não definiu a data da alta. Passarei à leitura do boletim médico.
“São Paulo, 5 de fevereiro de 2019.
O excelentíssimo presidente da República, Jair Bolsonaro, permanece
internado na unidade semi-intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein.
Houve melhora do seu estado de saúde nas últimas 24 horas, evoluindo sem dor, afebril e com redução da coleção líquida no abdome. Apresentou aumento da movimentação intestinal, o que possibilitou o início de ingestão de líquidos por via oral em associação à nutrição parenteral.
Os exames laboratoriais apresentam melhora. O paciente segue com antibióticos e dreno no abdome. Por ordem médica, as visitas permanecem restritas.
Assinam o boletim os doutores Antônio Luiz Macedo, cirurgião; Dr. Leandro Echenique, cardiologista; e Dr. Miguel Cendoroglo, Diretor Superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein.”
Vamos aos destaques do dia. O conselho de governo, que é reunião de ministros, com relação a ele, o presidente tem se mostrado bastante satisfeito com a condução dos trabalhos pelos ministérios e com o acompanhamento detalhado dos projetos prioritários para o nosso País. Isso demonstra unidade de pensamento do governo, integração entre os ministérios e sinergia nas ações propostas por esse conselho.
Os assuntos tratados hoje na reunião de governo foram: reforma administrativa com foco no ajuste do orçamento, em face da reestruturação dos novos ministérios; ações em apoio à tragédia de Brumadinho, prioritariamente na revisão de segurança das barragens; análises sobre propostas da Previdência que serão submetidas ao senhor presidente.
O presidente em breve, assim que esteja disponível para tal, decidirá sobre a linha de ação, o curso de ação a ser apresentado ao Congresso. E ainda, estudos sobre a otimização no uso de prédios públicos, a fim de identificar aqueles que, não sendo passíveis de uso pelo governo, possam ser alienados.
Com relação a Brumadinho, Casa Civil. O Comitê de Gestão e Avaliação de Respostas a Desastres do Governo Federal prossegue nos trabalhos de articulação dos esforços em apoio a Minas Gerais. Algumas informações: estão sendo realizadas visitas domiciliares com busca ativa das pessoas que tiveram contato com a lama na região do Parque Cachoeira e do Córrego do Feijão. O objetivo é identificar possíveis sinais de contaminação e orientar as pessoas quanto aos cuidados que se deve tomar com alimentos e produtos oriundos daquela região. Então aí é uma ação do Ministério da Saúde.
O Programa Saúde da Família, de Córrego do Feijão e de Casa Branca está funcionando com médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e psicólogos em regime de plantão para atender à população naquela região.
A previsão é de que a pluma de rejeitos chegue bastante diluída ao reservatório da Usina Hidrelétrica de Retiro Baixo. Então é uma ação do Ministérios das Minas e Energia.
Eu abro aos senhores a possibilidade me arguirem caso achem necessário.
Jornalista: General, tudo bem? É Leandro Stoliar, do Jornal da Record.
Porta-voz: Como vai, Leandro?
Jornalista: Tudo bem. Eu tenho uma pergunta. Com a melhora do presidente, volta a se cogitar a possibilidade dele receber visita de ministros e do vice-presidente aqui?
Porta-voz: Cogitar-se é uma possibilidade. Não obstante, o corpo médico ainda advoga que ele deve manter-se em estado de repouso para que a evolução, a curva de evolução positiva possa configurar-se nos próximos dias.
Jornalista: Então existe a possibilidade?
Porta-voz: Existe a possibilidade.
Jornalista: Mas ainda estão restritas, né General?
Porta-voz: As visitas, conforme o boletim médico, se mantêm restritas.
Jornalista: Boa tarde. A introdução de líquidos na dieta começou hoje ou começou ontem? E exatamente que líquidos são? Água, suco, algum coquetel com nutrientes?
Porta-voz: Ontem ele teve a primeira ingestão de líquido e hoje, efetivamente, mais dois copos. São copos pequenos, de 20ml. Então ele ingere esse líquido e os médicos fazem uma observação de como ele vai comportar-se. Agora há pouco mais de uma hora, uma hora e pouco eu estava dentro do quarto e ele ingeriu mais um copo desses se comportando bem o organismo dele.
Jornalista: Ontem três, hoje…?
Porta-voz: Um ontem, dois hoje. E hoje vai ser a cada…
Jornalista: Que líquido?
Porta-voz: É água. O período entre um copo e outro eu fico a dever-lhes e posso arguir o corpo médico posteriormente.
Jornalista: Oi, general, boa tarde. Sobre a fisioterapia respiratória e motora, como anda o programa do presidente nisso?
Porta-voz: Eu acabei de sair do quarto dele e ele já estava realizando a fisioterapia naquela bicicleta ergométrica que se posiciona na parte inferior da cama. Vem fazendo bastante fisioterapia respiratória porque isso, naturalmente, ajuda a dissipação de eventuais líquidos que ainda possam existir, e acelera o processo de cura do nosso presidente.
Jornalista: General, aqui novamente Thiago Nolasco do SBT. O senhor falou sobre a análise da reforma da Previdência, da proposta da reforma, que a última análise, antes de enviar para o Congresso vai ser do presidente da República. Já tem uma data para que isso seja, para que o presidente possa analisar essa proposta? Tem uma data limite que o governo trabalha? Ah, o governo quer enviar a proposta semana que vem? Como que tá essa situação?
Porta-voz: Eu poderia alongar-me um pouco mais, com a sua permissão, para tratar da Previdência num escopo um pouco mais amplo. A Previdência, melhor, o presidente está avaliando os pontos da previdência que serão elencados para análise do Congresso em sinergia com os ministros envolvidos no tema, para em seguida apresentar qual que é a sua decisão, qual que é a linha de ação final ao Poder Legislativo. Ajustando, discutindo, ponderando.
O processo decisório de um tema tão relevante exige, naturalmente, muita análise e repito, ponderação. A decisão então será discutida no âmbito daquela casa, que é a casa dos legisladores, e nós acreditamos, de forma consensual e democrática, o Congresso vai aprovar a proposta do nosso presidente, e com isso o País possa, uso sempre essa palavra, alavancar-se para um futuro ainda mais promissor.
Ele compreende também também a importância do timing com relação a essa apresentação e está trabalhando para que isso possa ser feito no prazo menor possível. Em um prazo menor possível.
Jornalista: Porta-voz, aqui Priscila Kerche da TV Brasil. O que foi essa melhora nos exames, em que consiste isso?
Porta-voz: Perdão?
Jornalista: A melhora nos exames, o que foi exatamente?
Porta-voz: São parâmetros dos exames. Eu não posso afiançar-lhe qual é exatamente esses parâmetros, mas os médicos disseram que da tomada de dados ontem para a tomada de dados hoje esses parâmetros melhoraram.
Jornalista: Ontem o senhor falou em leucócitos, aumento de leucócitos...
Porta-voz: Sim, eu posso promover para você a informação sobre especialmente qual dos exames melhoraram. Mas não adianta pontuar um exame ou outro. Então é um conjunto, sobe um desce outro, de forma a proporcionar a melhoria do estado geral do presidente.
Jornalista: Esse início de quadro infeccioso então não existe mais? Ou como está?
Porta-voz: Como eu disse, eu preciso checar quais são os níveis desses exames que foram levantados. Mas tudo indica que sim.
Jornalista: General, o dreno continua sendo usado? Eu sei que ele ainda está lá, mas continua drenando ainda aquele líquido no abdome? E também sobre a sonda nasogástrica, o presidente continua usando e ela continua aberta, continua retirando o líquido do estômago?
Porta-voz: Muito pouco a sonda nasogástrica e o dreno sim, permanece com muito pouco líquido sendo extraído do abdome. Então, praticamente, não há mais uma extração do líquido. Então é uma evolução, ao que entendi por parte dos médicos, bastante positiva.
Jornalista: Há uma previsão de retirar?
Porta-voz: Eu prefiro não adiantar.
Jornalista: General, Mauro Tagliaferri da RedeTv. Em termos de trabalho, o que está sendo possível ao presidente fazer, o quê que ele, que tipos de atividade ele tem conseguido desenvolver?
Porta-voz: Ele tem, naturalmente, usado o telefone para comunicar-se via mídia social com a nossa sociedade e eventualmente tem estabelecido contato com os ministros. Hoje, antes de vir ao encontro de vocês, eu o arguí sobre quem ele teria conversado hoje e hoje, casualmente, ele não conversou com ninguém. Não obstante, isso não inviabiliza a possibilidade dele direcionar a condução do governo, até porque os ministros se reportam a ele por meio do porta-voz ou por meio do ajudante de ordem, ou por meio de outros atores do governo que aqui se encontram.
Jornalista: Ele está menos ansioso? Ele está mais quietinho?
Porta-voz: Ele está querendo vencer rapidamente esse processo, mas está compreendendo bem a importância de que os passos sejam dados de forma bastante parcimoniosa e de forma bastante controlada no que tange a ele pessoalmente e no que tange à equipe médica e cirúrgica desse acompanhamento.
Jornalista: General, existe a possibilidade de ele voltar a fazer reunião por videoconferência ainda essa semana?
Porta-voz: O estabelecimento do escritório tem essa finalidade. Se ele vai usar ou não o escritório vai depender das necessidades de condução do governo. A possibilidade sim, existe.
Jornalista: Não tem nada marcado não?
Porta-voz: Não, não há.
Jornalista: General, hoje o presidente ele publicou um texto em uma rede social e ele faz algumas críticas à atuação da imprensa. Não revela exatamente o quê, ele ficou descontente com exatamente o quê e é essa pergunta que eu faço. Ele chegou a se manifestar a esse respeito? O que que desagradou o presidente na cobertura da imprensa?
Porta-voz: Não, ele não me comentou sobre isso. Apenas eu li o twitter e no início do twitter ele vocaliza a imprensa imparcial como ele entende que deva ser, aliás eu acho que a sociedade de uma maneira geral advoga que a imprensa seja imparcial e que ela faça chegar a essa sociedade, traduzindo, naturalmente, segundo as suas avaliações, o fato em si.
Jornalista: General, o presidente estava fazendo caminhada no corredor e parou quando foi para cuidados semi-intensivos. Ele voltou a fazer essas caminhadas? E ele pode sair do quarto, por exemplo, para usar o escritório que foi montado para ele?
Porta-voz: Não, hoje não foi permitido que ele saísse do quarto para caminhar. Então as atividades físicas dele estão adstritas à bicicleta ergométrica e atividades isométricas. Ele chegou mesmo a usar pesos de 1 ou 2kg na perna e no braço no processo de fisioterapia.
Jornalista: Boa tarde, Tábata da Rádio CBN. Porta-voz, o senhor falou que não foi definida uma data para alta do presidente Jair Bolsonaro. Mas os médicos passaram algum tipo de previsão do tipo de entre 7 e 10 dias pode ser que ele possa deixar o hospital? Ou realmente não tem como falar em nem previsão nesse momento?
Porta-voz: Não há como nós adiantarmos previsão, visto que aqueles dados que ontem eu vos adiantei, trata-se, exclusivamente, da questão de administração do antibiótico. Passado essa fase da administração do antibiótico, naturalmente o conjunto de informações vai determinar aos médicos a decisão do quando e do como o presidente vai receber esta alta.
Jornalista: Porta-voz, é por isso que ele não pode caminhar no corredor, ele deve ficar restrito ao quarto? Seria por conta do antibiótico?
Porta-voz: Não, não acredito que seja. Mas eu não gosto de expressar-me na dúvida. Eu prefiro consultar os médicos sobre a razão específica de ele não ter autorização para iniciar esse processo de caminhada.
Jornalista: General, o que que mudou na rotina dele. Primeiro ele estava na internação e passou para o semi-intensivo por conta daquele estado febril. O que que mudou na rotina dele indo para a semi-intensiva?
Porta-voz: Nada. O protocolo do hospital advoga que deve o estado de saúde dele ser considerado um paciente na unidade de terapia semi-intensiva. Mas ele se mantém no mesmo quarto, com os mesmos equipamentos e com os mesmos procedimentos.
Jornalista: General, esse episódio da formação desse líquido, essa intercorrência que levou a uma piora no quadro geral que agora melhorou, os médicos consideram isso normal num caso com o do presidente ou isso preocupou um pouco os médicos?
Porta-voz: O episódio do líquido está dentro dos aspectos esperados para uma cirurgia como essa. Tá bem?
Paz e bem. Obrigado.
Ouça a íntegra da declaração (16min41s) do Porta-voz do Presidente.