Declaração à imprensa do senhor porta-voz general Rêgo Barros- São Paulo/SP
São Paulo-SP, 30 de Janeiro de 2019
Pessoal, boa tarde.
Vamos à leitura da nota, do boletim médico de hoje. Sei que alguns dos senhores argumentaram sobre a não divulgação de um boletim hoje pela manhã, mas, em face da evolução natural, os próprios médicos indicaram que passariam a liberar boletins apenas no final da tarde. Então, a partir de hoje, assim será a nossa rotina e não há, em razão disso, nenhuma preocupação a ser esboçada ou iluminada à nossa sociedade. Vamos lá.
“O excelentíssimo presidente da República, Jair Bolsonaro, recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva nesta manhã. Segue apresentando boa evolução clínico-cirúrgica, sem sangramentos ou disfunções orgânicas. Permanece sem febre ou outros sinais de infecção.
Continua em jejum oral, recebendo por via endovenosa todos os nutrientes necessários para a sua recuperação. Realizou os exercícios de fisioterapia respiratória e motora e caminhou no corredor com boa tolerabilidade. Por ordem médica, o paciente segue com visitas restritas.”
Assinam o boletim o doutor Antônio Luiz Macedo, cirurgião; o doutor Leandro Echenique, clínico e cardiologista; e o doutor Miguel Cendoroglo, diretor superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein.
Então estive com o presidente pela manhã e agora à tarde. Durante a manhã, fez uma caminhada um pouco mais longa, naturalmente apoiado naqueles equipamentos de suporte. Na parte da tarde, igualmente fez uma caminhada e já exercitou-se simultaneamente, ou melhor, posteriormente à caminhada, com aquela bicicleta ergométrica que é colocada na parte inferior da cama. Nós vamos, inclusive, disponibilizar uma fotografia deste aparelho para que vocês possam entender a dinâmica do exercício.
Encontra-se em uma recuperação plena, não obstante precisa manter-se descansando um pouco mais, daí a razão de nós estabelecermos a possibilidade de despachos via videoconferência ou audioconferência. E assim, a partir de amanhã, caso se faça necessário, o presidente estabelecerá os contatos com os seus ministros e, a partir deste contato, definirá as diretrizes que devem ser esboçadas a eles com relação a Brumadinho e outras ações do próprio governo federal.
Jornalista: (inaudível)
Porta-voz: Não, ainda não há. Amanhã, o doutor Pedro, que é o chefe de gabinete, vai confirmar isso. Mas falamos com o doutor Pedro agora há pouco, e ele nos indicou essa possibilidade.
Jornalista: Então as visitas dos ministros, porta-voz, Sonia Blota, da TV Bandeirantes, elas não acontecerão pessoalmente amanhã aqui no prédio do Albert Einstein, no gabinete?
Porta-voz: Não, não acontecerão. Os ministros farão, se necessário, as suas consultas por meio de videoconferência ou audioconferência. Testamos os dois sistemas e funcionaram perfeitamente.
Jornalista: César Menezes, da TV Globo. Já há algum ministro agendado para conversar algum assunto que deve ser despachado amanhã? Uma pergunta. E a outra, só uma curiosidade: nessas duas caminhadas, o senhor pode dar uma noção de quantos metros ele caminhou em cada uma delas?
Porta-voz: Olha, os corredores hospitalares, eles têm aquelas marcações de metro, e na ala onde o presidente se encontra, este corredor tem cerca de 15 a 20 metros. E ele fez, na manhã, cinco caminhadas, ou seja, totalizando algo em torno de 100 metros. E, na parte da tarde, por orientação médica, já que ele ia exercitar-se na bicicleta, ele fez uma ida e vinda, totalizando 40 metros e foi para a bicicleta. Eu não sei quanto que ele pedalou, até vi a enfermeira brincando que ele tinha uma meta fácil de ser atingida que era cinco quilômetros. Eu não sei se ele atingiu.
Jornalista: General, como é que está a fala do presidente? Como é que ele se comunica?
Porta-voz: O presidente está preservado de falar, porque, ao falar, há possibilidade de que gases, que ar entre na sua cavidade abdominal e isso vai provocar dores e vai dificultar a cicatrização. Particularmente, no que toca à cicatriz externa.
Jornalista: (inaudível)
Porta-voz: Aí ele vai absorver a informação e vai escrever a orientação dele. Essa é a nossa ideia. Se amanhã ele já estiver habilitado pelo médico, então ele vai exercer por meio da vocalização as suas ideias.
Jornalista: General, por favor. A videoconferência, ela tira o risco de infecção? Os médicos chegaram a falar sobre isso?
Porta-voz: Não compreendi.
Jornalista: Não receber visitas pessoalmente.
Porta-voz: Não, não trataram da questão específica de infecção. Naturalmente, por ser um paciente egresso de uma cirurgia tão longa, todos os cuidados referentes a esse protocolo vêm sendo administrados às equipes que têm contato com o presidente. Mas diretamente isso não nos foi falado, ao menos a mim.
Podemos seguir em outros temas e depois volvemos a esse?
Ontem, nós comentamos uma ação do Ministério da Economia. Então, o Ministério da Economia e do Desenvolvimento Regional disponibilizaram o valor de R$ 801.9 milhões para assistência emergencial às famílias afetadas em Brumadinho no âmbito da rubrica “apoio emergencial e desastres”. O valor pode ser direcionado para a doação de kits de emergência, contendo, por exemplo, barracas para dormitórios, água potável, colchões, cestas básicas, produtos de limpeza e de higiene pessoal.
Cabe citar ainda os kits para idosos e crianças, contendo, dentre outros produtos, até fraldas descartáveis. Então, alguém ontem me havia arguido e eu fiquei em dívida no que toca a essa pergunta.
Então, já toquei no assunto sobre atividade física, foi muito interessante, alguém me questionou também sobre o custo da cirurgia, mas, na verdade, sobre como isso seria realizado, tecnicamente, administrativamente. Então, eu reforço que a Presidência da República tem um convênio com o Hospital das Forças Armadas e é por meio desse convênio que o Hospital das Forças Armadas vai realizar o pagamento aqui ao Hospital Albert Einstein.
Jornalista: Mas há valores?
Porta-voz: Os valores, nós, por política do Hospital, não citamos.
Com relação ao Comitê de Gestão e Avaliação de Respostas e Desastres do Governo Federal, nós temos algumas sinalizações para vocês.
Fiscalização prioritária, inclusive, hoje pela manhã, já foi iluminado para vocês, 3.386 barragens com maior potencial de risco e vidas humanas ao País. Então é uma ação capitaneada pela Casa Civil.
Liberação do seguro-defeso para os pescadores da região atingidos pela tragédia. Então, uma ação do Ministério da Economia, do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
Portaria do Ministério da Cidadania ampliando o número de agricultores familiares que vendem seus produtos ao Programa de Aquisição de Alimentos (atualmente são 43 agricultores beneficiados em Brumadinho).
Serão disponibilizados mais R$ 300 mil para a execução do Programa de Aquisição Alimentar no município, além de R$ 120 mil já disponíveis. A portaria será publicada na edição do Diário Oficial da União de quinta-feira (amanhã).
Era isso que eu tinha a iluminar-lhes, não sei se há perguntas referentes às atividades de Brumadinho ou ainda querem retornar às questões do presidente.
Jornalista: O presidente despachou hoje, ele chegou a assinar algum ato, alguma coisa veio para análise dele?
Porta-voz: Não, hoje não.
Jornalista: Ele não trabalhou ainda hoje?
Porta-voz: Ele ainda se preservou dentro daquela ideia de quanto menos falar, quanto menos não estar dentro dos protocolos de recuperação para que possa, no menor tempo possível, voltar à normalidade.
Jornalista: Pode falar então que ele manteve o repouso?
Porta-voz: Sim, pode falar.
Jornalista: Não foi antecipada demais, no sentido de que hoje ele ainda não estava bem, por que se decidiu que ele assumisse mesmo assim? Ele está bem, mas não tem condições de despachar? Por que que decidiu-se por ele assumir se ainda era necessário preservar a saúde dele?
Porta-voz: Pois bem. O documento que foi solicitado, inclusive subscrito pelo médico do presidente, previa que em 48 horas, consorciado com os médicos do Hospital Albert Einstein, o presidente teria condições já de deliberar. Então a ideia (inaudível) é a deliberação, e ele tem condições já, a partir de hoje, de deliberar, de poder indicar, de poder direcionar as ações referentes ao governo, o Poder Executivo, melhor dizendo.
Jornalista: Porta-voz, eu queria falar sobre Reforma da Previdência e entender se o presidente, enquanto estiver no hospital, vai deliberar sobre o tema, vai bater o texto aí com seus ministros, da economia, da Casa Civil. Ontem o secretário de Previdência falou que a ideia é enviar esse projeto aí na segunda semana de fevereiro. Como é que o presidente vai tratar desse tema, se vai bater o texto, finalizar esse tema aqui e como é que ele vai se posicionar em relação à mensagem que o governo levará para o Congresso agora na retomada dos trabalhos lá no Congresso?
Porta-voz: Muio bem. Com relação à Previdência, naturalmente, o presidente, à medida que se torne mais forte e que possa deliberar em melhores condições, ele vai estabelecer o contato com os ministros que são responsáveis pela configuração, pela conformação da questão da Previdência Social e vai definir quais são as suas diretivas.
Isso vai ser, a partir do momento que for entregue ao Congresso, vai ser da lavra do Congresso, dos congressistas, dos deputados, dos senadores a responsabilidade por definir qual é a Previdência que o País precisa para poder alavancar-se no futuro, de fato, ter a sua decolagem tão esperada por todos nós.
Jornalista: Porta-voz, por favor. Daniela, da Globo News. Eu queria entender…
Porta-voz: Perdão, o seu nome?
Jornalista: Daniela. Eu queria entender se ele falou com alguém, mesmo que por telefone, nessa questão de poder deliberar, ou se ele manteve aquela questão restrita de conversar com outras pessoas e tudo mais, por conta do repouso. Em relação à alimentação, o senhor falou em jejum, alguma previsão disso começar a ser introduzido também, por favor?
Porta-voz: Alimentação. Então, o protocolo médico indica que, aos poucos, ele vai ser colocado à frente de ingestão de alimento pastoso e, posteriormente, de alimento sólido. No momento, o que os médicos estão prescrevendo ainda é alimentação endovenosa.
Jornalista: Sobre despachar…
Porta-voz: Os despachos. Ele tem, sim, condições, já vem mexendo no seu telefone, já assiste televisão, já vê, inclusive, as notícias que vocês, responsáveis que são, vêm apresentando nos respectivos órgãos de imprensa.
Jornalista: General, foi uma cirurgia bastante complexa. O presidente reclama de dores ou os analgésicos eliminam totalmente essa dor?
Porta-voz: Não, ele vem, em alguns momentos, reclamando de dor, uma dor que é natural, segundo me relataram os médicos e, naturalmente, é ministrado a ele as drogas que são eficientes para esse caso.
Jornalista: Porta-voz, o senhor vê alguma…
Porta-voz: Qual o seu nome, por favor?
Jornalista: Mauro Tagliaferri, eu sou da RedeTV. Deveria ter me identificado. Existe alguma possibilidade – os médicos falam em 10 dias a previsão de alta –, mas, pela complexidade dessa cirurgia e da recuperação, existe a possibilidade do presidente permanecer no hospital por mais tempo que isso?
Porta-voz: O tempo de permanência do presidente no hospital é aquele que for necessário para a sua recuperação. Nós temos como previsão inicial esses 10 dias, que podem ser antecipados, se a evolução for tão importante e referencial aos médicos, como pode ser postergado. Mas nós partimos da premissa que os 10 dias são necessários por aquilo que nos foi relatado anteriormente.
Gente, então, obrigado para vocês.
Jornalista: Só para confirmar uma questão, desculpa. Só uma questão. O senhor falou que ele já está usando o celular para se comunicar. A gente pode dizer que ele já está despachando por mensagem, ele está lidando com a equipe dele, com os ministros dele por mensagem de celular?
Porta-voz: Olha, hoje, nos tempos de Whatsapp e mídia social, eu diria que sim, que, por meio do Whatsapp, você pode direcionar, definir alguma diretiva para os seus ministros.
Jornalista: Mas ele já conversou com quem?
Porta-voz: Eu não tenho esse dado exatamente concreto. Concreto eu não tenho.
Jornalista: Porta-voz, como é que o presidente avaliou essa decisão do STF sobre liberar o ex-presidente Lula para comparecer ao enterro de seu irmão, mas aí, por causa da questão do tempo, o ex-presidente decidiu não viajar?
Porta-voz: As questões referentes à Justiça devem estar atinentes ao ambiente da Justiça. Então sobre este ponto, o presidente não se pronuncia.
Gente, obrigado. Paz e bem para vocês.