Declaração à imprensa do senhor porta-voz, general Rêgo Barros - São Paulo/SP
São Paulo-SP, 29 de Janeiro de 2019
Porta-voz: Então primeiro vamos ao nosso boletim médico do nosso presidente, Jair Bolsonaro.
“O excelentíssimo presidente da República, Jair Bolsonaro, manteve-se estável durante o dia, sem sangramentos ou qualquer outra complicação. Permanece em jejum oral, recebendo analgésicos e hidratação endovenosa. À tarde, sentou em poltrona e realizou fisioterapia respiratória e motora com bom desempenho. Por ordem médica, as visitas são restritas.”
Assinam o boletim os doutores Antônio Luiz Macedo, cirurgião; Leandro Echenique, clínico e cardiologista; e o doutor Miguel Cendoroglo, diretor superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein”.
Eu estive com o presidente pela manhã e agora à tarde. Agora à tarde, já sentado, já conversando com muito cuidado, porque há a necessidade de preservar-se ainda essa recuperação prevista pelos médicos para um prazo de 48h. Então, o nosso presidente nesse período está atendendo na plenitude as orientações médicas de forma que, conforme vocês podem perceber pelo boletim, tem uma evolução bastante razoável. Os próprios doutores me comentaram, em uma espécie de benchmarking, em relação à última cirurgia, uma evolução muito positiva nesta cirurgia.
Claro que pela preparação, claro que porque o presidente é um homem muito forte. Então, essas condições naturais dele e as orientações médicas o fizeram estar muito melhor preparado nesse momento.
Eu vou tocar agora nas ações atualizadas sobre Brumadinho, Minas Gerais. Então, o governo federal se mobilizou rapidamente para dar suporte ao governo de Minas Gerais, em Brumadinho, desde o início da ocorrência no município. Na data de hoje, 29 de janeiro, o Comitê de Crise e o Conselho publicaram duas resoluções que reforçam o apoio institucional ao governo de Minas Gerais. São elas: a Resolução nº 1, que recomenda ações e medidas de respostas à ruptura da barragem do Córrego do Feijão, no município de Brumadinho, estado de Minas Gerais. Essas resoluções já foram publicadas, naturalmente, os senhores têm acesso a elas por meio do portal lá do Planalto.
E a resolução nº 2, que institui o Subcomitê de Elaboração e Atualização Legislativa, com o objetivo de elaborar anteprojeto de atualização e revisão da política nacional de segurança de barragens, esta estabelecida em setembro de 2010.
Como eu disse, essas resoluções tratam de atualizações de revisão da política nacional de segurança de barragens e determinação para que os órgãos fiscalizadores iniciem de pronto a revisão das condições de segurança das barragens, começando por aquelas que apresentam, teoricamente, maior risco às vidas humanas.
Eu quero destacar agora algumas das ações que vêm sendo implementadas a partir de sexta-feira. Eventualmente, algumas delas eu já as citei ontem, mas gostaria de reforçá-las agora.
O ministro da Casa Civil participou hoje, terça-feira, de uma reunião interministerial. Estavam lá os ministros das Minas e Energia, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Regional. E foi decidido que as fiscalizações serão concentradas em 3.300 barragens consideradas de alto risco. Então, é uma ação da Casa Civil.
O pagamento do Bolsa Família aos residentes em Brumadinho, com as suas consequências, é uma ação da Caixa Econômica e do Ministério da Cidadania. Foi autorizada a liberação do FGTS aos trabalhadores que residem na área afetada pela tragédia. Foi permitida a antecipação do cronograma de pagamento dos benefícios de prestação continuada aos residentes em Brumadinho. Então, é uma ação do Ministério da Cidadania.
Foi determinada também a extensão do horário de atendimento das agências da Caixa Econômica Federal, lá em Brumadinho e na região.
O Ministério da Saúde já disponibilizou insumos estratégicos de cerca de 2,5 toneladas, que vão atender ou vão suplementar aquilo que já foi disponibilizado pelo estado de Minas Gerais.
Por parte do Ministério da Justiça e Polícia Federal, o envio de papiloscopistas especializados em necropapiloscopia para a região, para ajudar os times lá da Polícia Civil de Minas Gerais.
E, dentre outros, o Ministério da Economia disponibilizou uma equipe para a avaliação de suplementação de apoio… perdão, de ação de apoio emergencial e desastre, dotação inicial de R$ 800 milhões.
Eu abro para os senhores a possibilidade das perguntas. Vamos começar aqui pelo SBT.
Jornalista: General, eu gostaria de saber a respeito, a previsão inicial é de que o presidente pudesse receber a partir desta quarta-feira, começar a despachar, começar a realizar alguns trabalhos e receber algumas visitas, (de repente alguns ministros). Já se confirma, então, essa expectativa, ou de passar essa possível questão só para quinta-feira? Como é que está essa situação?
Porta-voz: Não, está confirmado, a partir de amanhã, às 7h, o presidente reassume a Presidência da República. A despeito de algumas das restrições, ele já se encontrará amanhã em condições. Naturalmente, nós tentaremos evitar que esses despachos se façam de uma maneira rotineira, que possa vir a cansá-lo. Afinal, é um homem que superou uma cirurgia de sete horas, e não apenas uma, é a terceira cirurgia. Mas ele encontrar-se-á em condições amanhã a partir das 7h, como foi planejado inicialmente.
Jornalista: Ontem aqui no briefing, os senhores tinham falado que ele ia reassumir a Presidência entre 9 e 10 da manhã. Foi antecipado por algum motivo?
Porta-voz: Não, é uma questão técnica. 7h é a determinação da Casa Civil, melhor, orientação da Casa Civil, coadjuvada pela Subsecretaria de Ações de Justiça.
Jornalista: Ele já pode receber ministros amanhã?
Porta-voz: Sim, já começará a receber ministros, melhor, poderá receber ministros. Não que necessariamente venha a recebê-los.
Jornalista: O senhor falou que (inaudível) informou que ele começou fisioterapia respiratória e motora. O senhor pode dar mais detalhes?
Porta-voz: São os procedimentos normais para uma cirurgia como essa. As respiratórias, naturalmente, e a motora é uma espécie de bicicleta, me explicou o doutor Macedo, Antônio Luiz Macedo, que é uma bicicleta, que ele na própria cama começa a se movimentar.
Jornalista: Ah tá. Falou-se em caminhada?
Porta-voz: Não, caminhada ainda não. Ele encontra-se sentado, nesse momento, ele encontra-se sentado, já em condições mais naturais. Pela manhã, ele ainda estava deitado.
Jornalista: Por favor, em relação à alimentação, tem prazo para começar a alimentação, mesmo que líquida?
Porta-voz: Eu conversei com os médicos hoje, este prazo depende da evolução do presidente. Mas ele, porque teve um aporte nutricional muito forte antes da própria cirurgia, ele encontra-se em condições de aguardar um pouco mais se assim fizer-se necessário, para a introdução de alimento pastoso, até mesmo alimento sólido.
Jornalista: General, por favor. André Tal, da Record. O boletim diz que não está aberto a visitas, mas o senhor comentou que esteve com ele. Quem está tendo acesso ao quarto exatamente? Quem está conversando com o presidente diretamente?
Porta-voz: As visitas, naturalmente, são aquelas visitas externas. O presidente, ele é acompanhado por uma equipe que conhece quais são os procedimentos técnicos, quais são os protocolos. Eu estive com ele hoje e o que nós esperamos é que os ministros, a partir de amanhã, tenham a possibilidade de despachar com o presidente, não que efetivamente ou necessariamente o façam.
Jornalista: General, mas continua restrito a familiares, não é?
Porta-voz: Os familiares se encontram sim disponibilizados, ou, quer dizer, a visita aos familiares está disponibilizada desde a noite...
Jornalista: Está mais limitada a familiar?
Porta-voz: Sim.
Jornalista: General, não tem nenhum ministro na agenda ainda então para amanhã?
Porta-voz: Não que eu saiba, eu não recebi a agenda, eu não tenho esse dado.
Jornalista: General, Alana Ambrósio, da CBN. O presidente ficou sabendo da morte do irmão do ex-presidente Lula e da possibilidade de saída dele?
Porta-voz: Nós não o comunicamos.
Jornalista: Algum comentário do presidente?
Porta-voz: Nós não comunicamos.
Jornalista: Não, não sobre isso. Alguma coisa que ele tenha acordado no outro dia, uma frase?
Porta-voz: Olha, ele foi... Foi muito interessante, quando ele acordou pela primeira vez e demonstrou todo o apreço e todo o carinho que tem pela esposa.
Jornalista: General, Mateus Fagundes, do Estadão. O presidente, diante dessa tragédia em Brumadinho, vai mudar alguma estratégia dentro da Câmara, do Senado, em relação à Reforma da Previdência ou continua sendo a prioridade do governo e a questão ambiental vai acontecer junto? Como que está sendo planejado? O presidente já falou alguma coisa a respeito disso?
Porta-voz: Não, não falou e por óbvio me parece que nem poderia falar, porque a tragédia aconteceu na sexta-feira. Nós, no sábado, nos deslocamos para Brumadinho e no domingo ele deu entrada no hospital. É óbvio que ele está muito preocupado com essa questão da Previdência, mas, no devido momento e de forma coordenada, vai expressar sua orientação para os nossos ministros e esses ministros vão estudar a melhor maneira de vocalizar junto ao nosso Congresso.
Jornalista: O senhor falou que o presidente não foi comunicado da morte do irmão do ex-presidente Lula. Por enquanto, o presidente Bolsonaro está assistindo televisão no quarto? Ele está tendo informações diretamente da mídia ou só a partir dos assessores?
Porta-voz: Não, não está assistindo televisão. Mas não há impedimento de assistir, mas não está assistindo.
Jornalista: Mas, de qualquer forma, ele já começou a trabalhar, já está em contato com os ministros via celular, alguma coisa assim, ou é repouso absoluto?
Porta-voz: Não. Repouso absoluto ainda hoje.
Jornalista: Ele não está ansioso não, (incompreensível)?
Porta-voz: Imagino que sim. Do jeito que ele é, imagino que ele esteja ansioso. Os próprios filhos dizem que é uma característica dele, de se colocar à frente e liderar pelo exemplo. E é uma situação que impossibilita que ele exerça essa liderança na primeira linha de combate.
Jornalista: Luíza, TV Cultura. Falando na família, quem da família permanece aqui no hospital, acompanhando o presidente? E sobre os ministros, apesar de não ter nenhum nome confirmado, mas quais que viriam para cá, para esse gabinete que foi montado?
Porta-voz: Permanecem a primeira-dama e o filho Carlos. A primeira-dama e o filho Carlos. Com relação aos ministros, eu ainda não tive acesso ao cronograma de despacho desses ministros. Esse cronograma está sendo providenciado pela Chefia de Gabinete e, assim que ele estiver disponível, os senhores também, igualmente, terão acesso.
Jornalista: O ministro Augusto Heleno foi embora?
Porta-voz: Sim, o ministro Heleno foi embora hoje pela manhã. E participou, inclusive, da reunião que ocorreu lá em Brasília.
Jornalista: General, como é que o governo recebeu essa acusação de um dos oficiais do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, de que os equipamentos israelenses, que a ajuda deles não era, de fato, efetiva?
Porta-voz: Eu desconheço essa informação oficial, por parte do Corpo de Bombeiros.
Jornalista: General, foi perguntado ontem a respeito dos custos. A respeito dos custos, qual é o custo da internação e cirurgia e quem está pagando, se é a Presidência, é particular do próprio presidente. O senhor poderia esclarecer isso para a gente?
Porta-voz: Existe um convênio da Presidência da República para com o Hospital das Forças Armadas e é por meio desse convênio que será efetivado o pagamento ao Hospital Albert Einstein.
Jornalista: (inaudível)
Porta-voz: Tem uma outra ali. Vamos lá.
Jornalista: General, Manuela, do Portal Metrópoles. Sobre esse dinheiro que vai ser liberado para Brumadinho, esses R$ 800 milhões, do Ministério da Economia, já foi liberado? Para que ele vai ser usado? E o FGTS, para quantas famílias vai ser liberado, o Bolsa Família para quantas famílias? Já tem todas essas informações?
Porta-voz: Muito bem. A informação da liberação eu a possuo. Não obstante, como vai ser essa distribuição e quando, melhor consulta ao próprio Ministério da Economia, que tem o cronograma e a forma como esse desembolso será efetuado.
Jornalista: Não foi liberado ainda, não é?
Porta-voz: Eu não tenho esse dado para você. Posso consultar e depois te forneço. Eu tenho a informação.
Jornalista: Obrigada.
Porta-voz: Última pergunta? Então, gente, muito obrigado. Mais uma vez, eu peço orações para que a recuperação prossiga dessa forma como vem sendo, tá? Boa noite. Paz e bem.
Ouça a íntegra (15min25s) da declaração à imprensa do Porta-Voz