Declaração à imprensa do senhor porta-voz, general Rêgo Barros - São Paulo/SP
São Paulo-SP, 28 de Janeiro de 2019
Então, o nosso briefing hoje à imprensa, ele vai tratar, naturalmente, da cirurgia do nosso presidente e, em seguida, nós iremos comentar alguns eventos, algumas ações referentes à operação em Brumadinho.
No que toca à cirurgia do nosso presidente, foi expedido, há pouco, um boletim médico, o qual eu vou vocalizar agora:
“São Paulo, 28 de janeiro de 2019.
O excelentíssimo presidente da República, Jair Bolsonaro, foi submetido, nesta manhã, à cirurgia de reconstrução do trânsito intestinal e extensa lise de aderências decorrentes das duas cirurgias anteriores. Foi realizada a anastomose do íleo, com cólon transverso, que é a união do intestino delgado com o intestino grosso.
O procedimento teve duração de sete horas. Ocorreu sem intercorrências e sem necessidade de transfusão de sangue. No momento, o paciente encontra-se na Unidade de Terapia Intensiva, clinicamente estável, consciente, sem dor, recebendo medidas de suporte clínico, prevenção de infecção e de trombose venosa profunda.”
Assinam o boletim os doutores Antônio Luiz Macedo, cirurgião; Leandro Echenique, clínico e cardiologista; e Miguel Cendoroglo, diretor superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein.
A cirurgia do nosso presidente, ela teve início em torno de 8h30, então havia, por parte da imprensa, uma preocupação natural, que é a preocupação do nosso País, da nossa sociedade, com o sucesso, com o êxito da mesma. E encerrou-se próximo de 15h30.
Eu não quero adentrar-me nos aspectos técnicos, mas a cirurgia foi conduzida de uma forma muito especial, de uma forma muito cuidadosa, particularmente porque o presidente possuía, em razão das duas outras cirurgias, uma quantidade muito grande de aderências, que é o que o boletim transcreve, de forma técnica. E essas aderências exigiram do corpo médico uma verdadeira obra de arte, em relação à cirurgia.
Então, eu quero, desde já, em nome do Planalto, em nome da Presidência da República, agradecer ao Hospital Albert Einstein e aos cirurgiões que se debruçaram sobre o nosso presidente, para dizer-lhes da nossa satisfação, do nosso otimismo com a recuperação do nosso presidente e da nossa gratidão pela eficiência e eficácia da ação.
Nós, agora, vamos tratar sobre atualizações de Brumadinho, em Minas Gerais. Ontem, um dos jornalistas nos arguiu com relação ao licenciamento das barragens. E eu fiquei de dar uma resposta hoje, ei-la. Estudos estão sendo aprofundados a respeito da legislação para que a decisão seja tomada adequadamente pelo governo federal. Então, no momento, nós ainda não temos uma decisão fechada e acordada no que toca essa questão do licenciamento de barragens.
Repasses financeiros para Brumadinho: também foi uma pergunta elencada ontem. O Governo Federal está à disposição para receber os pedidos do estado de Minas Gerais. Neste momento, por razões óbvias, o estado trabalha focado nas ações de resgate e assistência devida para as vítimas. Tão logo as medidas de reconstrução sejam iniciadas e pedidos direcionados ao governo federal, o presidente Bolsonaro e sua equipe técnica dará os devidos encaminhamentos para o auxílio continuado ao estado e ao município de Brumadinho.
Decreto sobre o diesel, que foi colocado à apreciação e informado à sociedade hoje. Altera para o último dia útil de abril de 2019 a data final para apuração e liquidação entre débitos e créditos da União, para com os produtores e importadores de óleo diesel rodoviário, beneficiários dessa subvenção econômica concedida para o comércio de produtos após a greve dos caminhoneiros em 2018. Então, o prazo anterior era o último dia útil de janeiro de 2019.
Com relação a uma questão que foi suscitada no dia de hoje, em relação à diretoria da Vale, estudos estão sendo aprofundados para que a decisão seja tomada adequadamente e naturalmente dentro dos ditames legais que regem o nosso dia a dia.
Eu tenho mais algumas informações que eu gostaria de apresentar-lhes, ainda com relação a Brumadinho. Então, são ações que foram desencadeadas a partir da reunião do Comitê de Crise, vários ministérios contribuíram de forma sinérgica para isso. Então, valeria a pena, me parece, esclarecer e iluminar aos senhores para que vocês sejam tradutores junto à sociedade daquilo que o governo federal está fazendo em prol do governo do estado de Minas Gerais em razão dessas questões do desastre ambiental. Então, o Comitê de Gestão e Avaliação de Resposta a desastres, do governo federal, prossegue os trabalhos de articulação dos esforços em apoio a Minas Gerais. Inclusive, estão reunidos agora.
Ministros e técnicos reuniram-se novamente no Palácio do Planalto para coordenar as ações em curso e definir os próximos passos do auxílio aos atingidos pela tragédia de Brumadinho. Entre as ações já implementadas pelo governo federal, desde a última sexta-feira, dia 25, destacamos: envio de profissionais de vigilância em saúde para as ações de apoio à gestão da emergência e a vigilância da qualidade da água para consumo humano. Então, referente à área da saúde, Ministério da Saúde.
Monitoramento da interrupção da captação de água para partes da região metropolitana da cidade de Belo Horizonte, para que o abastecimento não seja comprometido, outras formas de captação de água podem ser utilizadas nesse momento. Então, a informação da ANA.
Antecipação do pagamento do Bolsa Família para os beneficiários da cidade de Brumadinho, Ministério da Cidadania.
Fornecimento de equipe para apoiar profissionais em Brumadinho que trabalham abrigando pessoas desalojadas e cadastrando famílias afetadas.
Fornecimento de atendimento psicossocial aos atingidos pela tragédia. Uma ação do Ministério da Cidadania.
Identificação de danos em áreas produtivas, reservatórios e outras estruturas, por meio de sistema de gerenciamento em parceria com o MAPA, Segov.
Monitoramento das redes de telecomunicações que foram afetadas parcialmente e estão funcionando com geradores – Ministério da Comunicação.
Acompanhamento técnico da equipe israelense em Brumadinho – Casa Civil, GSI, MRE e Ministério da Defesa.
Autuação da mineradora Vale no valor de R$ 250 milhões pelo Ministério do Meio Ambiente e Ibama.
Participaram da reunião, melhor, estão participando da reunião ainda agora, os ministros Onyx Lorenzoni, da Casa Civil; o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral; o ministro Santos Cruz, da Secretaria de Governo; o ministro Fernando Azevedo e Silva, da Defesa; o ministro Bento Costa Lima, Minas e Energia, e o ministro Gustavo Canuto, do Desenvolvimento Regional. Outras notas informativas continuarão a ser distribuídas diariamente.
Eu imagino que, a partir desta elucidação e desta informação a vocês, dá para perceber o esforço do governo federal, no intuito de, por uma medida sinérgica, fortalecer a atuação do estado de Minas Gerais nessa catástrofe que foi a de Brumadinho.
Queríamos também colocar como informação a disponibilidade por parte do Ministério da Defesa das tropas que estão aquarteladas no estado de Minas Gerais e outras, se assim se fizerem necessárias, que são as tropas da 4ª Região Militar, com sede em Belo Horizonte, e as tropas da 4ª Brigada de Infantaria Leve de Montanha, com sede em Juiz de Fora. Então, estão prontos desde sexta-feira, cerca de mil integrantes do Exército de Caxias e esses militares, com seus recursos e com as suas expertises, estão disponíveis para caso o governo do estado de Minas Gerais, assim lhe pareça conveniente, solicite ao governo federal e estas tropas e estes recursos far-se-ão presentes o mais pronto possível na região.
Eu abro agora para perguntas. Por favor.
Jornalista: César Menezes, da TV Globo. Obrigado. Em relação à cirurgia, o senhor conversou com os médicos sobre os primeiros passos agora de recuperação, se ele vai receber alimentação, vai ficar em jejum recebendo alimentação intravenosa e se ele fica com algum tipo de limitação, já que uma porção considerável do intestino grosso foi retirado?
Porta-voz: Os aspectos referentes à alimentação eu confesso que não aprofundei com o médico. Eles me descreveram a cirurgia, como ela ocorreu, as características da cirurgia, os cuidados que eles tiveram, os medicamentos que foram ministrados ao senhor presidente. Mas eu posso voltar, em uma oportunidade, o mais rápido possível, e concluir e espelhar para vocês essa questão que eu estou entendendo que se trata de aspecto nutricional, não é verdade?
Jornalista: (inaudível)... já que foi retirado uma parte do intestino?
Porta-voz: Não, não me apresentou nenhuma… a equipe médica não me apresentou nenhuma limitação nesse sentido. Pode ser que, no futuro, nas outras reavaliações isso possa vir a ser suscitado, e aí eu terei a informação para passar-lhes.
Jornalista: Vai ser montado um gabinete do governo?
Porta-voz: Já está montado, e o presidente vai passar 48 horas a partir do horário que iniciou-se a cirurgia, em descanso total. Então, na quarta-feira, aí em torno de 9, 10 horas da manhã, ele retoma legalmente a função de presidente da nossa República.
Jornalista: Por favor, Joelmir Tavares, da Folha. A gente tinha… Não sei se o senhor consegue explicar para a gente um aspecto da cirurgia. Pelo que a gente entendeu, havia duas possibilidades: uma mais simples, que era religar as duas pontas do intestino grosso, e uma um pouco mais complexa, que era ligar o intestino delgado no grosso. E foi feita a segunda opção. Por quê? Isso é necessário, isso é comum? Por que foi feita essa segunda opção, que é mais complexa?
Porta-voz: Eles não me explicaram, mas por tratar-se de uma questão técnica, eu declino de responder-lhe e, no prosseguimento até da sua análise para a reportagem, você há de compreender que foi necessário sacar um pedaço que não estava adequado para provisionar o presidente de uma circulação normal.
Jornalista: O Flávio Bolsonaro assistiu à cirurgia de dentro da sala (incompreensível)?
Porta-voz: Eu não tenho essa informação, mas ele estava, sim, dentro da área de cirurgia.
Jornalista: Meu nome é (incompreensível), da RedeTV. Quem da família está presente e quem do governo está presente hoje, aqui, ao hospital? E já existe, os médicos já chegam a falar em algum prazo para alta?
Porta-voz: Sim. O prazo para alta: permanecemos com os 10 dias previstos inicialmente. Obviamente que a evolução será analisada pelos médicos, pelo corpo médico do Albert Einstein e, a partir dessa evolução, pode haver um encurtamento.
No que toca à questão familiar, nós tivemos… Tivemos não, estamos aqui, no nosso Hospital Albert Einstein, com a primeira-dama, com os filhos Carlos, Eduardo e Renan. Do governo, encontram-se aqui o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, o porta-voz, membros da equipe de segurança e elementos da equipe da Secom, a fim de prover para vocês as informações necessárias.
Jornalista: André Tal, da Record. A previsão inicial da cirurgia era de mais ou menos três horas, e foi de sete horas. Isso se dá por conta de mais aderências que foram encontradas depois do início da cirurgia? E se sim, o quanto isso pode trazer mais traumas, dor para o presidente, se isso afeta um pouco essa previsão de 48 horas, ele poder já retomar o trabalho? Como é que isso pode ser, no desenrolar da recuperação?
Porta-voz: Bem, os médicos me afiançaram que números, em cirurgia dessa magnitude, eles não devem ser qualificados antes da própria cirurgia. De fato, a cirurgia alongou-se um pouco mais do que estava sendo apresentado pela imprensa. E até o próprio presidente, em um vídeo, na noite de ontem, o fez.
O prazo para a cirurgia foi o necessário para que a cirurgia fosse exitosa. Então, 3, 4, 5, 6 horas. O mais importante: a cirurgia foi exitosa e qualquer dificuldade futura, ela foi muito mitigada, a partir dessa capacidade da equipe médica do Einstein de cuidar, com muito cuidado, os problemas. Pois não.
Jornalista: (incompreensível), da TV Bandeirantes. O que o senhor chamou de obra de arte?
Porta-voz: A obra de arte é o trabalho espetacular, o estado da arte que é o Albert Einstein, o estado de arte da equipe de médicos e a forma como o presidente foi tão bem recebido, acolhido, afetivamente e emocionalmente, aqui.
Jornalista: Em relação a Brumadinho, os bombeiros de Minas Gerais estão trabalhando no limite da força de trabalho deles. Já existiu algum pedido de ajuda? Existe a possibilidade de o Exército ajudar nas buscas?
Porta-voz: O Exército já está pronto desde sexta-feira à noite, quase que imediatamente após o acidente. Há protocolos que nós chamamos de “prontidão” nas Forças Armadas, que permitem antecipar o retorno de militares, mesmo cortando férias, para que esses militares se ponham à disposição para uma ação, seja essa ação de caráter operacional, no chamado “braço forte” do Exército Brasileiro, seja de caráter de ação subsidiária, que é a mão amiga.
No caso específico, nós estamos desde sexta-feira. Resta ao governo do estado de Minas Gerais, se assim lhe parecer adequado, fazer a requisição.
Jornalista: (inaudível)
Porta-voz: Inicialmente, nós temos cerca de mil homens prontos na região.
Jornalista: Por favor, aqui. Gustavo Schmitt, jornal O Globo. Eu gostaria de saber sobre os custos da cirurgia. Como é que é isso? A Presidência arca com os custos ou o presidente, em pessoa física? Enfim, há uma cobrança, como que ocorre, qual o procedimento, por favor?
Porta-voz: Eu não tenho esse dado para você. Vou aprofundar e retornarei no momento adequado.
Gente, se não tem mais pergunta, eu agradeço. Desejo-lhes uma boa noite. E peço, mais uma vez, orações para que a recuperação do nosso presidente se faça o mais pronto possível. Obrigado.
Ouça a íntegra (18min11s) da Declaração à Imprensa do Porta-Voz