Declaração à imprensa do senhor Porta-Voz, general Otávio Rêgo Barros -Washington/EUA
Washington/EUA, 18 de março de 2019
Jornalista: Qual a sua principal mensagem?
Porta-voz: Principal mensagem que nós estamos muito felizes com a fala tanto do ministro Paulo Guedes, a qual eu tiver oportunidade de apreciar, como principalmente a fala do nosso presidente, colocando claramente a intenção do nosso País, por meio do seu governo, do governo do presidente Jair Bolsonaro em estabelecer um relacionamento amistoso com os Estados Unidos onde o livre comércio prevaleça, que as possibilidades de intercâmbio tecnológico, também possam nos permitir alavancar as nossas potencialidades. E, ao mesmo tempo os aspectos ideológicos que são importantes caracterizadas nesse momento especialmente, pela Venezuela. É preciso que nós tenhamos o foco para resolvermos o problema do povo amigo da Venezuela.
Jornalista: General, lá na CIA, o presidente estabeleceu alguma parceria? Dá para descrever um pouco mais o que ocorreu lá hoje?
Porta-voz: O presidente foi recebido pela diretora da CIA e foi com o intuito de confirmar a importância que ele dá ao combate ao crime organizado, a importância que ele dá ao combate aos crimes transnacionais e a partir daí, estabelecer eventualmente uma comunicação com os meios de inteligência. Parece um pouco divergente, mas assim nos parece que deva ser uma integração na atividade de inteligência no âmbito da nossa América.
Jornalista: Porta-voz, o fato desse compromisso da CIA não ter sido divulgado anteriormente, foi uma exigência dos americanos, dos brasileiros ou de ambos?
Porta-voz: Olha, nós decidimos a ida do nosso Presidente enquanto eu vôo, embora nós já estivéssemos efetuando os contatos, mas enquanto em vôo, isso foi decidido. De forma, que a noite, quando vocês me arguíram, eu ainda não tinha exatamente quais eram as condições dessa, desse encontro. Então, eu evitei avançar para vocês.
Jornalistas: Por que demorou tanto para definir esse encontro?
Porta-voz: Aspectos de segurança foram colocados principalmente nessa questão.
Jornalista: Mas por parte dos americanos, principalmente?
Porta-voz: Por ambos.
Jornalista: Ao sair da CIA e até ele voltar para Blair House, tem um período ali de 2 horas que a gente não sabe onde o presidente estava. Onde o presidente estava?
Porta-voz: O presidente teve atividade privada.
Jornalista: O presidente foi passear?
Porta-voz: Atividade privada.
Jornalista: Ele deu a entrevista para Fox?
Porta-voz: Deu. Foi ótima a entrevista.
Jornalista: Agora, uma outra dúvida. O presidente Bolsonaro ele citou aqui agora a capacidade econômica e bélica dos Estados Unidos, entre outros, para resolver questões que trabalham em conjunto. Aí, logo em seguida ele cita a Venezuela. Isso mostra a ligação que o Brasil pode de repente, apoiar uma intervenção?
Porta-voz: O Brasil entende que a situação da Venezuela, deva ser resolvida com base na nossa diplomacia que é tão antiga e referência ao mundo inteiro.
Jornalista: Mas é possível, enfim isso de intervenção?
Porta-voz: Nós não trabalhamos com intervenção, até porque afronta nossa Carta Magna.
Jornalista: (...) para facilitar a percepção em relação ao discurso do presidente aqui na Câmara de Comércio. Um discurso muito focado também em costumes, óbvio ele acabou falando da situação da economia, mas menos da economia,talvez, do que era esperado. O senhor acha que é por aí ou o senhor acha que o discurso atendeu perfeitamente?
Porta-voz: O discurso foi perfeito, sob a ótica de todos que aqui se encontravam. Já conversei com vários, vários daqueles ouvintes. Eu posso dizer que ele iluminou um pouco mais fortemente as questões de costume porque o ministro Paulo Guedes, na sua bela conferência, colocou quais são os princípios sob os quais nós devemos caminhar, Ou seja, a própria privatização, da resolução da questão previdenciária, infraestrutura é muito importante que seja resolvido. A questão do enxugamento das leis, que dificultam muito ao empregador e ao empregado, uma relação amistosa e que seja profícua para ambos.
Jornalista: O senhor acha que depois desse discurso vai ter um interesse maior por parte dos americanos, principalmente na questão do nosso programa de privatização?
Porta-voz: Esse é o intuito do nosso presidente. Me parece que sim, porque esta abertura, esta vontade do presidente de se mostrar claramente enquadrado pelo livre comércio é um sentimento natural aqui neste país.
Jornalista: Houve várias falas em relação a possível acordo, alguma coisa a mais concreta entre Brasil e Estados Unidos. Existe um diálogo nesse sentido?
Porta-voz: Sim, o diálogo existe não de agora, existe já de algum tempo, mas isso está reforçado pela postura do nosso presidente e nós podemos caracterizar neste momento a questão do Centro Espacial de Alcântara, que foi colocado aqui, vocês viram e também a firma de um protocolo para que estudantes do ITA, possam compartilhar, aliás, venceram um concurso por parte da NASA, e possam compartilhar os estudos a respeito daquele problema que ocorre na faixa do Equador, que dificulta a questão de GPS, comunicação, etc. O nome técnico, eu evitarei citar.
Jornalista: Estava falando mais na questão comercial, porque a Tereza Cristina chegou a sugerir um pouco isso, algum acordo comercial mais claro, bilateral entre os Estados Unidos e Brasil.
Jornalista: Que a mediadora perguntou sobre um acordo de livre comércio e ela falou, a ministra, que sim, que devemos caminhar nesse sentido?
Porta-voz: Isso é uma possibilidade, já esposada pela nossa ministra, mas o presidente precisa debruçar-se sobre isso, para efetivamente tornar viável ou não.
Jornalista: Podemos falar um pouco da expectativa sobre amanhã?
Porta-voz: A expectativa é ótima. O presidente Trump já demonstrou por meio da sua fidalguia na recepção ao nosso presidente, nos colocando na Blair House, que esse encontro, será um encontro histórico para ambos os países.
Jornalista: Sobre a Venezuela ainda, teve um encontro com Almagro? O que que foi acertado?
Porta-voz: Amanhã. Amanhã pela manhã.
Jornalista: O senhor poderia fazer a gentileza de detalhar o acordo da base de Alcântara? Se prevê o uso exclusivo dos Estados Unidos ou se é multi (...)?
Porta-voz: Essa é a questão de soberania que tanto vos preocupa, eu gostaria de iluminar dizendo uma questão de soberania é perene para o nosso país. Até o próprio ministro Marcos e o diretor da nossa Agência Espacial, ele coloca usando uma metáfora, a questão do aluguel. Então você tem um apartamento, você aluga um apartamento, a pessoa que aluga o apartamento de você tem direito sobre apartamento. Não obstante, você obrigatoriamente, pode por meio de contrato ter acesso ao apartamento para verificar as questões de estrutura, etc, etc. Acho que uma metáfora muito interessante, que pode com isso, proporcionar à sociedade o entendimento do que vem a ser esse acordo.
Jornalista: Mas não é só questão de soberania. Tem relação a questão do uso de outros países, é um aluguel então só para os Estados Unidos ou é um aluguel também que pode ser estendido à França, à Rússia ...?
Porta-voz: No (...) ele é permitido entre países, não apenas Brasil e Estados Unidos podem realizar esse tipo de um protocolo. Há protocolos entre outros países e depois eu posso até iluminá-los para que vocês tenham condições de averiguar o que nós tratamos aqui e como há uma paridade em relação a outros países.
Jornalista: Esse acordo é válido por 1 ano?
Porta-voz: Eu não vou te adiantar, eu teria que estudar isso.
Jornalista: A gente não tem como ter acesso ao texto?
Porta-voz: Eu terei a oportunidade de promover o conhecimento de vocês, por meio de documentos, etc. Já está previsto isto.
Jornalista: Esse acordo depende de alguma ratificação (...)
Jornalista: Precisa ratificar no Congresso ainda?
Porta-voz: Tem que ser submetido ao Congresso.
Jornalista: O presidente vai pedir ao presidente Trump apoio dos Estados Unidos para o Brasil entrar na OCDE?
Porta-voz: Eu não tenho como avançar esse assunto. Ele tem uma pauta e esta pauta será apresentada à vocês amanhã.
Jornalista: Mas o ministro Paulo Guedes falou aqui, né (...)
Porta-voz: O presidente amanhã vai tratar disso com o presidente Trump, e a partir destas tratativas, aquilo que for firmado, aquilo que for acordado, passará a ser do conhecimento de todos.
Jornalista: Eu queria que o senhor falasse mais um pouquinho sobre essa questão da CIA. Como é que foi essa visita? Se tem mais algum detalhe? Se tem algum acordo previsto?
Portavoz: O que que é CIA?
Jornalista: Agência de inteligência.
Porta-voz: Centro de Inteligência, é isso? Agência Americana de Inteligência?
Jornalista: (...) mas algum acordo para o Brasil?
Porta-voz: Não, foi uma visita de cortesia. Foi uma visita de cortesia, que a partir daí nós vamos estabelecer esse foco de cooperação na área do crime organizado, dos crimes transnacionais e, eventualmente os acordos na área de inteligência.
Jornalista: General, essa questão da China. O Paulo Guedes passou um bom tempo falando sobre as relações que o Brasil tem com a China versus as relações que ela tem com os Estados Unidos. Como que isso vai ser dialogado com presidente Trump? Como é que foi recebido aqui?
Porta-voz: O presidente americano e, inclusive os empresários americanos, encontram na China, também um grande parceiro comercial. A China é o primeiro parceiro comercial com o nosso país e é um grande parceiro com os Estados Unidos. E obviamente, não podemos olvidar a China nos relacionamentos internacionais no âmbito comercial.
Jornalista: Existe essa rivalidade entre a relação com os Estados Unidos e com a China?
Porta-voz: Da parte de quem?
Jornalista: Do governo brasileiro.
Porta-voz: Não, absolutamente.
Jornalista: Para gente se programar aqui (...) vai ter, alguém vai falar depois do jantar? A gente pode…
Porta-voz: Não, eu acho que vocês estão aqui protegidos. Ontem, vocês ficaram sob uma temperatura de cerca de 4 graus, mas aqui está bastante agradável.
Jornalista: (...) algum momento o presidente não vai falar com a gente?
Porta-voz: Não. Ainda não está previsto. Ainda não está previsto.
Jornalista: O ministro de Minas e Energia, falou em investimento de 550 bi para o Ministério nos próximos 8 ou 9 anos. O senhor pode detalhar um pouquinho melhor esse investimento?
Porta-voz: Acho melhor você direcionar essa pergunta à assessoria do ministério, porque ele vai poder te complementar com prioridade.
Jornalista: O senhor vê a possibilidade do Brasil ser declarado parceiro estratégico (...) OTAN?
Porta-voz: Isso já foi anunciado pelo nosso presidente. Naturalmente, precisa que a OTAN, faça o convite e também nós a partir desse convite tenhamos a possibilidade de avaliá-lo.
Paz e bem.
Ouça a íntegra (10min38s) da declaração do Porta-voz.