Declaração à imprensa do senhor Porta-Voz, general Rêgo Barros
Palácio do Planalto, 13 de Fevereiro de 2019
Uma boa tarde a todos.
O nosso briefing de hoje é um briefing especial e de felicidade. Hoje é dia de boas notícias.
O presidente Jair Bolsonaro acaba de receber alta médica concedida pela equipe que o acompanhou nos últimos 17 dias de internação. Desde o dia 27 de janeiro no Hospital Israelita Albert Einstein. Hoje ele acordou extremamente animado, disposto e naturalmente ansioso por retornar a Brasília e à sua casa.
Ele está seguindo para o aeroporto neste momento, acabei de conversar com ele. Acompanhado da primeira-dama, senhora Michelle Bolsonaro e de integrantes de sua equipe técnica.
Ao desembarcar aqui, na Capital Federal, o presidente seguirá para o Palácio da Alvorada, sua residência oficial. Até o momento não há previsão de compromissos hoje à tarde.
Eu farei a leitura do boletim final expedido pelo Hospital Albert Einstein. É um boletim um pouco mais longo, onde nós discorreremos de uma forma sistematizada e quase que dia a dia os eventos que aconteceram com o presidente e as ações realizadas pela excepcional equipe do Hospital Albert Einstein.
“São Paulo, 13 de fevereiro de 2019.
O excelentíssimo presidente da República, Jair Bolsonaro, permaneceu internado no Hospital Israelita Albert Einstein entre os dias 27 de janeiro e 13 de fevereiro.
A programação da cirurgia eletiva de reconstrução do trânsito intestinal iniciou no dia 27 de janeiro com a avaliação clínica pré-operatória, exames laboratoriais e de imagem, encontrando-se apto para o procedimento.
Na manhã seguinte, o paciente foi submetido a uma cirurgia bem-sucedida de reconstrução do trânsito intestinal e extensa lise de aderências decorrentes das duas cirurgias anteriores. Foi realizada anastomose do íleo com o cólon transverso, que é a união do intestino delgado com o intestino grosso. O procedimento teve duração de 7 horas, ocorreu sem intercorrências e sem necessidade de transfusão de sangue. O resultado final do anatomopatológico evidenciou serosite crônica sem outras anormalidades.
Devido ao episódio de náusea e vômito em 2 de fevereiro, o paciente passou a usar uma sonda nasogástrica. Apresentou na noite de 3 de fevereiro elevação de temperatura (37,3°C) e alteração de alguns exames laboratoriais. Foi iniciada antibioticoterapia de amplo espectro empiricamente e realizados novos exames de imagem. Identificou-se uma coleção líquida ao lado do intestino, na região da antiga colostomia. Foi submetido à punção guiada por ultrassonografia e um dreno foi colocado no local. O paciente se manteve sem dor, afebril e em jejum oral. A coleção drenada era sero-hemática e não houve crescimento bacteriano, não configurando infecção.
Nos dias seguintes, houve melhora do seu estado de saúde com redução da coleção líquida no abdômen e aumento da movimentação intestinal. Isso possibilitou o início da ingestão de líquidos por via oral em associação à nutrição parenteral.
Em 6 de fevereiro, teve episódio isolado de febre sem outros sintomas associados, sendo submetido à tomografia de tórax e abdômen que evidenciou boa evolução do quadro intestinal e imagem compatível com pneumonia. Essa pneumonia não era associada à ventilação mecânica e possivelmente decorreu de microaspiração de conteúdo gástrico. Foi realizado um ajuste na antibioticoterapia e mantidos os demais tratamentos.
Nos dias posteriores, a evolução clínica foi considerada boa, sem disfunções orgânicas e com melhora nos exames laboratoriais. O dreno colocado no seu abdômen foi retirado pela equipe de radiologia intervencionista em 8 de fevereiro, quatro dias após sua introdução. Devido à melhora do quadro intestinal e boa receptividade à dieta líquida, a sonda nasogástrica também foi retirada.
O quadro pulmonar progrediu de forma positiva, assim como os exames laboratoriais. Com a evolução da movimentação intestinal e aceitação da dieta líquida, foi iniciada uma dieta cremosa. A nutrição parenteral foi sendo reduzida gradativamente até sua suspensão em 11 de fevereiro, quando foi iniciada uma dieta leve e mantido o suplemento nutricional.
Durante o período de internação, realizou exercícios de fisioterapia respiratória e motora, com períodos de caminhada fora do quarto. Medidas de prevenção de trombose venosa também foram adotadas.
Recebeu alta nesta manhã com o quadro pulmonar normalizado, sem dor, afebril, com função intestinal restabelecida e dieta leve por via oral.”
Assinam o boletim: Dr. Antônio Luiz Macedo, cirurgião e médico titular; Dr. Leandro Echenique, cardiologista; Dr. Luis Fernando Aranha, infectologista; Dra. Carmen Silvia Valente Barbas, pneumologista; Dr. Celso Cukier, nutrólogo; Dr. Miguel Cendoroglo, Diretor Superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein.
É mister aproveitar a oportunidade para dirimir quaisquer dúvidas de algumas notícias falsas que estiveram a vicejar ao longo da internação do nosso presidente.
Questão relativa a infecções: a maioria das infecções hospitalares é associada a dispositivos ou procedimentos. A despeito das inúmeras culturas colhidas, em nenhum momento houve identificação de infecção dessa natureza. A pneumonia decorreu, muito provavelmente, de aspiração de conteúdo gástrico, condição que pode ocorrer em situações de pós-operatório, com íleo paralítico prolongado.
Questões referentes à fístula: devido à gravidade do trauma sofrido no dia 6 de setembro e a três cirurgias de grande porte para corrigir os problemas, havia algum risco de complicações cirúrgicas, como ocorrências de bridas ou fístulas. No pós-operatório foi identificada uma coleção líquida que foi drenada com exteriorização de um líquido pouco sanguinolento, sem características de pus, e com culturas que se seguiram negativas. Desta forma, tanto as culturas quanto as imagens descartaram a ocorrência de fístula ou outras complicações cirúrgicas.
Questões relativas a câncer: em nenhum momento houve suspeita, pré-operatório ou durante a internação, com relação a essa doença, além disso os achados intraoperatórios ou anatomopatológicos e os diversos exames de imagens feitos ao longo da internação, reiteraram a ausência desta doença.
Eu me coloco à disposição para eventuais perguntas, no obstante o boletim esteja extremamente completo.
Jornalista: Bom dia, porta-voz, Carla Araújo, do Valor Econômico.
Porta-Voz: Como vai Carla?
Jornalista: Tudo bem. A ansiedade em relação à reforma da Previdência. O ministro Paulo Guedes e a expectativa que tem trabalhado é que ela vá ao Congresso entre o dia 19 e 20. Este é um compromisso que presidente pretende fazer chegando, mesmo ainda ele não tendo compromisso, ela vai se debruçar para ver a proposta, para manter o envio no Congresso no dia 19?
Porta-Voz: Ele não me comentou isso, ele ainda passará por um período de descanso, mas ao longo desse período, ele terá a capacidade de autoavaliar-se e, a partir desta autoavaliação, perceber se é possível debruçar-se de pronto sobre essa questão. Naturalmente ele está muito preocupado e entende que o timing precisa ser considerado nessas avaliações.
Jornalista: Porta-voz, Gustavo Uribe, da Folha de São Paulo. O senhor tem o horário certinho de quando ele pousa em Brasília? Eu gostaria de saber se tem uma previsão de quando ele terá uma agenda pública? Se nessa semana ou deve ficar para a semana que vem? Ele deve ficar em repouso essa semana?
Porta-Voz: O presidente está a decolar de São Paulo nos próximos minutos. Eu não tenho horário exato, mas se você contabilizar a partir da decolagem, algo em torno de uma hora e meia ele estará tocando o solo aqui em Brasília e talvez duas e meia, duas e pouco.
A agenda pública ainda não foi divulgada, de forma que eu não poderia antecipá-la, o que é natural.
Jornalista: (inaudível)
Porta-Voz: Sim, os médicos prescreveram que ele se mantenha em descanso e ele faça essa autoavaliação, quanto a receber os seus ministros ou não.
Jornalista: Porta-voz, boa tarde, Rodolfo Costa, do Correio Braziliense.
Porta-Voz: Como vai?
Jornalista: Tudo bom. Porta-voz, por gentileza, eu queria saber se o presidente ele terá acompanhamento médico no Palácio da Alvorada? E se há previsão de quando ele vem ao Palácio do Planalto? Semana que vem, enfim.
Porta-voz: O presidente ele tem uma equipe médica que o acompanha, independente do fato dele estar saindo de uma cirurgia como essa que nós estamos a comentar. Então, sim, ele terá acompanhamento médico durante todo o período.
Para facilitar então, é sempre importante.
Jornalista: (inaudível)
Porta-voz: Eu não tenho esse dado ainda. Não tenho esse dado.
Jornalista: Tudo bem, porta-voz, boa tarde? Luciana Amaral, do Uol. Nesses últimos dias têm surgido indícios, inclusive investigações, a PF está em cima disso, de candidatos laranjas no PSL, com possível envolvimento do ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. Gostaria de saber se o presidente Bolsonaro está empenhado em saber o que ocorreu? E se ele já conversou com o Bebianno e com o Luciano Bivar, sobre essas suspeitas?
Porta-Voz: Eu não tenho essa informação, o presidente não me comentou. Eu poderei conversar com ele, e se ele achar adequado adiantar-lhes o que ele pensa.
Jornalista: Porta-Voz, Jussara Soares, sou repórter do O Globo, a minha dúvida é a seguinte: hoje teria uma viagem programada para alguns ministros para o Pará e segundo informações desses ministros a viagem foi cancelada a pedido do presidente. Foi isso de fato que ocorreu? O presidente, chegando aqui em Brasília, ele já quer encontrar esses ministros? O que de fato ocorreu para essa viagem ser cancelada? E se de fato realmente foi a pedido do presidente?
Porta-Voz: Eu desconheço a informação que o presidente tenha solicitado o cancelamento da viagem. Com relação a reuniões com os ministros, como eu disse, ele terá a possibilidade de autoavaliar-se a partir dessa autoavaliação, decidir se isso será possível.
Jornalista: Porta-Voz, tudo bem? Talita Fernandes, da Folha de São Paulo. Tem previsão do presidente manter aquelas agendas de viagens ao exterior, para Israel, Estados Unidos? Tinha uma previsão de que ele pudesse ir em março e em abril, isso muda depois do processo operatório, está previsto?
Porta-Voz: O presidente, melhor falando, a equipe que planeja essas viagens está mantendo o planejamento, a depender da questão apenas temporal, do quando. Mas as viagens elas estão planejadas, e ocorrerão...
Jornalista: (inaudível)
Porta-Voz: Eu não tenho como te adiantar isso, porque naturalmente ademais a necessidade de avaliar a possibilidade do presidente, que é ótima nesse momento, é também o estabelecimento de uma agenda conjunta com os países que ele terá a oportunidade de visitar.
Jornalista: Perdão, só sobre a saúde do presidente, ele vai ser acompanhado por enfermeiros, por técnicos, auxiliares de enfermagem de algum tipo aqui em Brasília ainda durante esse pós-operatório?
Porta-Voz: O presidente ele possui uma equipe de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas que o acompanham independente, como eu disse já, dessa questão da cirurgia. Então sim, ele será acompanhado, mesmo que não tivesse sido feito uma cirurgia, ele já teria naturalmente este acompanhamento. É parte do processo da segurança de uma autoridade, chefe do Poder Executivo. Microfone, por favor.
Jornalista: Vai ter um reforço desse acompanhamento dos médicos?
Porta-Voz: Não, normal.
Jornalista: É o padrão, só mais uma…
Porta-Voz: Tem um médico, que o médico chefe da equipe, que é o Dr. Camarinha, possui enfermeiros que o acompanharam, inclusive lá em São Paulo. E aqui por consequência também o farão.
Jornalista: Só mais uma pergunta. Foi falado que depois que ele recebesse alta do hospital, ele decidiria sobre o líder do governo no Senado, ele realmente já decidiu sobre isso?
Porta-Voz: Não me comentou, não me comentou ainda. Ok? Gente, muito obrigado. Paz e bem.
Ouça a íntegra (16min07s) da declaração do Porta-Voz