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“Encontro marca um recomeço das relações política, comercial, cultural e tecnológica entre os dois países”, diz Lula ao presidente Daniel Noboa
Lula também disse a Noboa que os dois países podem atuar juntos no combate às organizações criminosas e reforçou, junto ao colega equatoriano, a oferta brasileira de cooperação em segurança pública - Foto: Ricardo Stuckert/Secom-PR
Ao receber, nesta segunda-feira, 18 de agosto, o presidente do Equador, Daniel Noboa Azin, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o encontro marca um recomeço das relações política, comercial, cultural e tecnológica entre os dois países. A visita interrompe um hiato de quase 18 anos desde a última vez em que um mandatário equatoriano esteve no Brasil.
» Íntegra do discurso do presidente Lula
É uma oportunidade para reaproximar dois países amigos. É importante atingirmos uma visão de continente, de irmandade. Como nações, nós, nos últimos anos, nos acostumamos a dar as costas para os nossos vizinhos. É preciso acabar com isso"
Luiz Inácio Lula da Silva,
presidente da República
Os dois países assinaram memorandos de entendimento relativos à luta contra a fome e a pobreza e, também, na área de inteligência artificial e capacitação de profissionais em infraestruturas de computação de alto desempenho. Os memorandos também trataram de promoção de políticas públicas sobre agricultura familiar, desenvolvimento agropecuário e rural sustentáveis, transição agroecológica, circuitos curtos de comercialização, sistemas públicos de abastecimento de alimentos, aumento da produção da agricultura orgânica e redução das perdas e desperdício.
“É uma oportunidade para reaproximar dois países amigos”, resumiu o presidente Lula, ao dirigir-se à imprensa ao lado de Daniel Noboa. “É importante atingirmos uma visão de continente, de irmandade entre os países. Como nações, nós, nos últimos anos, nos acostumamos a dar as costas para os nossos vizinhos. É preciso acabar com isso”, reforçou o presidente do Equador.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E COP30 – Ao falar sobre as potencialidades da América do Sul para liderar uma transição energética justa, Lula destacou a qualidade dos potenciais dos dois países. “Brasil e Equador têm matrizes elétricas quase inteiramente renováveis. Ambos já apresentamos nossos novos planos de redução de emissões de gases do efeito estufa, as chamadas NDCs. Compartilhamos o bioma amazônico e a missão de cuidar de seus habitantes. Dentro de poucos meses, na COP30, a Amazônia será o epicentro das soluções para o planeta. Agradeci ao presidente Noboa seu apoio ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre, que o Brasil pretende lançar em Belém. Vamos trabalhar juntos para que esse mecanismo beneficie todos os membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica”, frisou o presidente brasileiro.
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POTÊNCIA E SOCIEDADE – Daniel Noboa disse que é preciso trabalhar para tornar a América Latina uma potência. “É importante vermos a América Latina como uma região única e temos uma oportunidade de ouro para torná-la uma potência. Uma potência na área de justiça e de dignidade, e oferecer aos nossos filhos uma vida melhor, assim como aos nossos netos e assim por diante. E são esses assuntos que nos unem aqui. As discussões ideológicas são página virada. Nós precisamos procurar soluções para as pessoas. Precisamos procurar entender quais são as prioridades da sociedade. Uma sociedade que convive com urgências muito sérias e que, juntos, seremos capazes de combater”, ressaltou o líder equatoriano.
COMBATE A ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS – Lula também destacou que os dois países podem atuar juntos no combate às organizações criminosas. “Só conseguiremos deter as redes criminosas que se espalharam pela América do Sul agindo juntos. Reforcei ao presidente Noboa a oferta brasileira de cooperação em segurança pública. Vamos reabrir a adidância da Polícia Federal em Quito e já promovemos treinamento sobre a investigação de crimes financeiros. Podemos fazer muito mais, desde ações para coibir atividades criminosas dentro de prisões até operações para reprimir o contrabando de armas”, afirmou.
BIG TECHS - Lula enfatizou, ainda, a urgência com que o governo e a sociedade brasileira vêm procurando enfrentar a criminalidade na esfera digital. "Nossas sociedades estarão sob constante ameaça sem regulação das “Big Techs”. Esse é o grande desafio contemporâneo de todos os estados. As redes digitais não devem ser terra sem lei em que é possível atentar impunemente contra a democracia, incitar o ódio e a violência. Erradicar a exploração sexual de crianças e de adolescentes é uma imposição moral e uma obrigação do poder público", afirmou.
COMÉRCIO BILATERAL – Lula também ressaltou que Equador e Brasil têm muito espaço para ampliar o comércio bilateral, mas disse que é preciso trabalhar por um comércio mais equilibrado. Em 2024, a corrente de comércio entre Brasil e Equador somou US$ 1,1 bilhão, com exportações brasileiras da ordem de US$ 970 milhões. “Temos um intercâmbio de mais de um bilhão de dólares, com um superávit superior a 850 milhões de dólares em favor do Brasil. Estamos dispostos a trabalhar por um comércio mais equilibrado, reduzindo barreiras a produtos equatorianos”, afirmou.
CORRENTE DE COMÉRCIO – Entre os principais produtos da pauta de exportações brasileiras para o Equador, destacam-se: papel e cartão; veículos automóveis de passageiros; trigo e centeio não moídos; e calçados. As importações brasileiras foram compostas, especialmente, por chumbo; resíduos de metais de base não ferrosos e de sucata; pescados, crustáceos, moluscos e invertebrados aquáticos; artigos de confeitaria; e chapas, folhas, películas, tiras e lâminas de plástico. Em 2024 o Equador foi o 50° destino de exportações do Brasil e a 73ª origem de importações do Brasil.
