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Você está aqui: Página Inicial Acompanhe o Planalto Entrevistas Transcrição da entrevista do presidente Lula ao podcast Papo de Crente
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Transcrição da entrevista do presidente Lula ao podcast Papo de Crente

Íntegra da entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao podcast Papo de Crente, em 18 de setembro de 2025
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Publicado em 12/11/2025 15h27 Atualizado em 04/12/2025 15h04

Pastor Marco Davi: A paz do Senhor, meu irmão, a paz do Senhor, minha irmã, é muito bom ter você conosco. Que Deus abençoe a sua vida, toda a sua família. O texto lá em Romanos, capítulo 13, versículo 1, diz: Toda autoridade vem de Deus e aqueles que ocupam cargos de autoridade foram ali colocados por Ele.

Irmãos e irmãs, hoje o nosso Papo de Crente é muito especial. Um programa histórico, gravado diretamente do Palácio da Alvorada, que é a residência oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da primeira-dama Janja Lula da Silva, a nossa querida Janja. E são eles que nos recebem hoje para uma conversa sobre o Brasil, sobre o que o governo está fazendo, sobre políticas que afetam a nossa vida e a vida de todas as nossas famílias, evangélicas ou não.

A quem nós agradecemos muito a delicadeza de vocês por nos receberem aqui. Nós sempre começamos com uma oração. Esse é um programa que, pela primeira vez, no governo Lula 3, que o presidente e a sua esposa conversam com o povo evangélico.

Então, nós vamos orar. Se vocês quiserem nos acompanhar nessa oração, nós agradecemos muito. Vamos orar.

Pai querido, nós te louvamos, nós te exaltamos pela vida. Obrigado pelo dom da vida. Senhor, muito obrigado pela existência do Papo de Crente, Senhor.

Nós te agradecemos muito por esse dia, por esse privilégio, por essa honra. Muito obrigado, Deus querido, pela vida do nosso querido presidente Lula, pela vida da nossa querida Janja. Nós queremos, ó Deus, pedir as Tuas bênçãos sobre esse casal.

Obrigado, Deus querido, por tudo que o presidente tem feito por esse país. E que a nossa conversa aqui, ó Deus, seja esclarecedora e que o povo, nossos ouvintes, possam receber informações importantes, ó Deus, a partir dessa conversa. Pai, tome conta desse país, nós agradecemos por tudo que tem acontecido.

Te louvamos, ó Deus, porque a justiça tem corrido como um ribeiro perene em nossa nação. E nós te louvamos, ó Deus, porque sabemos que o Senhor escolheu o presidente Lula para estar, ó Deus querido, neste lugar. E dê cada dia mais sabedoria a ele, ó Deus, e toda a sua equipe para que, ó Deus, esse país continue sendo um país onde a democracia seja uma realidade.

Nós oramos agradecidos e o fazemos em nome de Jesus. Amém e amém.

Eulália Lemos: Então, primeira-dama, primeiro nós queremos agradecer a você por esse tempo de escuta que você tem feito com as mulheres evangélicas, de várias partes do Brasil. E ouvindo essas mulheres, seus problemas, os problemas delas na igreja, as necessidades. E eu tenho uma pergunta para te fazer.

O que é que te motivou a iniciar essa jornada de escuta com mulheres evangélicas?

Janja Lula da Silva: Bom dia, Eulália, obrigada por esse momento especial. Estou aqui com o meu marido para a gente conversar um pouco. Pastor Davi, obrigada por esse momento.

Eulália, eu acho que foi conversando com algumas pessoas mais próximas que eu senti a necessidade de a gente entender como as políticas públicas do governo do presidente Lula têm afetado, têm atingido, têm chegado às mulheres, principalmente das periferias, as mulheres negras. E aí a gente não está falando de religião, a gente está falando do impacto dessas políticas na vida das mulheres.

Eu conheci a Nilza, que está aqui nos acompanhando nesse momento, que é uma pessoa incrível, e a gente conversou um pouco. E aí eu me propus a dialogar, a caminhar pelo Brasil ao lado dela, da Fernanda, da Carol, você, pastor Davi, para a gente conversar um pouco com as mulheres. E têm sido momentos muito importantes, porque a gente tem feito uma escuta, realmente, mais do que eu ir falar, a gente tem feito uma escuta com essas mulheres.

E tem sido muito importante, os evangélicos usam muito a palavra revelação. Para mim, tem sido, realmente, um momento de revelação, de me sentir confortável nesses ambientes e muito bem acolhida. Tem sido muito bom para mim. Eu acho que tem sido bom a gente conseguir conversar e fazer algumas conexões que talvez não estivessem bem firmes.

Pastor Marco Davi: Sim, coisa boa. Presidente, nos seus governos anteriores, o senhor se aproximou dos evangélicos. E a gente percebe hoje, nesse governo, a aproximação da primeira-dama nessas conversas que ela tem ouvindo testemunhos de fé por todo o país. Durante a campanha eleitoral, muita gente dizia que o senhor ia fechar as igrejas. E eu não conheço, eu não sei, mas quantas igrejas o seu governo já fechou?

Presidente Lula: Pastor Davi, eu acho que essa pergunta é muito importante, muito importante, porque ela vai me permitir restabelecer algumas verdades nesse país. Primeiro, pastor, eu não tenho o hábito de fazer política tentando dividir a sociedade por religião. Eu tento juntar todo o povo brasileiro, respeitando todas as religiões e conversar com as pessoas sobre políticas públicas que o Estado brasileiro tem que fazer.

Não importa que religião que a pessoa participe, não importa que clube que ela torça, não importa a cor dele, o que importa é o seguinte: ele é gente, é um ser humano e é brasileiro e brasileira, e eu tenho que cuidar deles. Essa é a minha lógica. Por isso que eu sempre disse que eu não gosto de ir numa igreja em época de campanha.

Sinceramente, eu não gosto, nem na católica, nem na evangélica, nenhuma igreja, porque eu não acho que a gente deva utilizar o nome de Deus em vão. Eu não acho que a gente deva utilizar a região eleitoralmente. A religião é o espaço-momento de você professar a sua fé, de você colocar para fora aquilo que você pensa do ponto de vista espiritual, de você conversar com Deus, de você dizer aquilo que é a verdade que está dentro de você.

Então, eu não tento fazer disso política, não tento. Se alguém achar que eu vou ganhar uma eleição porque eu vou numa igreja fazer discurso, esqueça de mim que eu não vou fazer. Eu faço para o religioso onde ele estiver, mas não me faça utilizar uma igreja como palanque que eu não vou utilizar.

A segunda coisa é a seguinte: a quantidade de mentiras que contaram contra mim, você me dá a oportunidade de responder alguma coisa. Só para você ter ideia, em dezembro de 2003, meu primeiro ano de mandato aqui, eu sancionei a lei dando segurança jurídica para as igrejas que foram reconhecidas como Pessoa jurídica de direito privado. Isso permitiu fazer valer seus estatutos, dando às igrejas liberdade para organização, estruturação interna e funcionamento.

Isso foi em 2003. Mas se não basta isso, em 2009, eu sancionei a lei que oficializou setembro, com a Lei 12.025, colocando no calendário oficial do Brasil a Marcha com Jesus. É importante que as pessoas saibam que fui eu que sancionei essa lei.

E agora, em 2023, eu sancionei a lei da ausência do vínculo trabalhista em atividade religiosa. O que é que diz essa lei? A Lei 16.647 exclui o vínculo empregatício de quaisquer trabalho realizado com vocação ou cunho religioso ou entidade religiosa de qualquer denominação. Isso permitiu reduzir a insegurança jurídica na relação entre igrejas, seus pastores e seus líderes.

Então, quem quiser falar da relação do Lula com as igrejas, fale a verdade, fale das coisas que eu fiz. Porque jamais eu impediria uma religião de fazer aquilo que ela acredita que deve ser feito. Então eu mantenho, de vez em quando eu sei e fico sabendo dessas mentiras, de vez em quando eu fico sabendo que algum pastor falou outra coisa.

Falou que “o Lula fechou a igreja”, que “o Lula não sei das contas”. Ou seja, eu, a minha crença, Davi, é que Deus está em todo lugar. E Deus está vendo quem está mentindo ou quem está falando a verdade.

E eu espero que a sabedoria de Deus passe na cabeça dessas pessoas para fazer as pessoas entenderem corretamente quem é que está falando a verdade, quem é que está mentindo. Porque a única razão pela qual eu voltei a ser candidato a presidente da República desse país é porque eu tenho um compromisso de fé de ajudar esse povo pobre brasileiro.

Todo mundo sabe, Davi, ninguém tem dúvida. Eu governo para todo mundo, mas eu tenho uma preferência pelo povo mais necessitado, que é quem precisa do Estado. E aí é que entram todas as políticas públicas do nosso governo, que eu espero que a gente possa discuti-las aqui, muito à vontade.

Então, a minha relação com a igreja é essa. É uma relação verdadeira, não tem mentira, não tem uso eleitoral das igrejas, não tem uso eleitoral da religião, que eu jamais me permitiria utilizar a religião como política, jamais.

Eulália Lemos: Falando em projetos e políticas públicas, que o senhor pontuou agora, a Bíblia diz, Janja, que o generoso será abençoado, porque reparte o seu pão com o pobre. Nós queremos saber sobre as cozinhas comunitárias sustentáveis e o Gás do Povo. Você sorriu, não é? Que prazer. Como vão melhorar a vida de quem realmente tem fome? Como que chega a essas pessoas, o projeto?

Janja Lula da Silva: Eu sorri, Eulália, porque talvez o Gás do Povo, que o presidente Lula lançou na semana passada, a gente fez um evento muito bonito em Belo Horizonte. Eu até falei naquele momento para ele que atrás de cada gás de cozinha tem uma mãe de família, tem uma mãe que está batalhando para dar de comer para os seus filhos, que às vezes tem que cozinhar no fogão com os tijolos amontoados, colocar lenha ali para poder cozinhar para os seus filhos. Então, talvez esse seja um dos programas mais importantes desse terceiro mandato.

E isso significa também combater a fome e a pobreza. Então, eu acho que eu fiquei muito feliz com o programa do Gás do Povo. Eu acho que as mulheres desse país vão ter um pouquinho mais de segurança, segurança no cozinhar, não ter problemas respiratórios, com fumaça e tudo isso.

E as nossas cozinhas comunitárias sustentáveis, que a gente também está trazendo uma tecnologia social das cozinhas solidárias, que vocês sabem que na pandemia foram importantíssimas para poder manter algumas famílias naquele momento muito difícil para o Brasil, em que o governo negacionista que tínhamos se negou a enfrentar a pandemia como devia ser. E eu falo isso com propriedade, porque eu perdi minha mãe na pandemia, então nós perdemos um companheiro de trabalho aqui na pandemia, então eu estou no lugar de fala para isso.

Então, as cozinhas, a gente trouxe essa tecnologia da cozinha solidária, ampliando um pouquinho para a questão do cuidado, do tempo da mulher, que as cozinhas comunitárias vão ser esse espaço em que a comunidade, as mulheres da comunidade se apropriam daquele espaço, para que elas possam também ter tempo para fazer outras coisas, estudar, cuidar um pouco de si, enfim.

E a gente agregou a isso a questão da sustentabilidade com os biodigestores na produção do gás. A gente sabe que muitas cozinhas comunitárias e solidárias têm uma dificuldade também por conta do gás. Então, a gente traz a questão do meio ambiente para dentro da cozinha, com a produção do gás, através dos resíduos orgânicos que a própria comunidade produz e o quintal e as hortas que essas cozinhas vão ter.

Estou muito feliz com esse projeto piloto, que é um projeto que a gente espera que se transforme em uma política pública e que esteja lá na Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que o meu marido lançou no G20, que eu tenho muito orgulho.

Presidente Lula: Eu acho que, Eulália, me intrometendo um pouco na resposta da Janja e na sua pergunta, é o seguinte: quando nós criamos o Gás do Povo, é porque o gás, o botijão de 13 quilos, que é o gás que as pessoas utilizam em qualquer lugar desse país, ele sai da Petrobras a 37 reais. E ele chega, em alguns estados, a 150 reais, a 140 reais. Isso é quase 10% do salário mínimo.

Então, não é possível que as pessoas pobres tenham que gastar 10% do seu salário para comprar gás. E as pessoas não podendo comprar, as pessoas vão fazer fogão de lenha. Mas não é fogão de lenha como aquele que a gente conhece, que tem alto, que tem várias bocas, que tem... Não. Muitas vezes é quatro ou cinco tijolos, uma grade em cima, correndo perigo de vida, correndo perigo de se acidentar, ou, muitas vezes, é colocar álcool para cozinhar.

Então, nós resolvemos fazer uma coisa. Nós vamos financiar quase 17 milhões de famílias nesse país, que estão no CadÚnico, vão receber o gás de graça. De graça. E o Estado vai assumir a responsabilidade de custear esse gás para que as pessoas possam ter dignidade para comprar comida e para cozinhar comida. Então, é isso.

Outra coisa que nós fizemos para ajudar o povo pobre foi a energia elétrica. Agora, no Brasil, quem consome até 80 kilowatts de energia por mês, não paga nada. Quem consome até 120 [kilowatts], paga apenas a diferença. Para quê? Para que a gente possa garantir que sobe mais dinheiro para a pessoa poder comprar o que comer.

Então, essas são medidas que a gente está tomando para atender aquilo que é o cerne da questão, aquilo que é o mais difícil para o povo pobre. Ou seja, você não tem gás. Eu morava num lugar, na Vila Carioca, em São Paulo, eu andava quase seis quilômetros para ir buscar um botijão de gás na cabeça, quando a minha mãe não tinha cinco cruzeiros para comprar o gás.

Então, eu sei como é que o povo da periferia sofre. Eu sei como é que a gente sofre quando passa o cara do caminhão do gás gritando lá e você não tem o dinheiro para pegar o gás. Aí, depois, você tem que descer o morro. Muitas vezes, o crime organizado se mete nisso e passa a intermediar o gás.

Então, nós criamos essas políticas para ver se a gente consegue fazer com que esse povo mais humilde sofra menos. Então, eu tenho certeza que isso são políticas de forma de atingir o coração do problema no Brasil. Os mais pobres precisam ser protegidos.

E os mais pobres, normalmente, são moradores da periferia, são pessoas negras, que são mais humilhadas. Eu chamo essas pessoas de “os invisíveis”. Ou seja, a classe política não as vê.

Eles só passam a ter importância na época das eleições, que vai todo mundo falar com os pobres na periferia, todo mundo. Aí, quando terminam as eleições, eles esquecem os pobres e vão jantar com os ricos. Então, essas políticas são para atender aquelas pessoas que eu considero invisíveis. E, para mim, eles são visíveis e eu quero enxergá-los em primeiro lugar. Depois eu vejo os outros.

Pastor Marco Davi: É muito interessante, presidente. A Bíblia, em Mateus 25:35, diz assim: Pois eu tive fome e vocês me deram de comer. Tive sede e vocês me deram de beber. Fui estrangeiro e vocês me acolheram. Necessitei de roupas e vocês me vestiram. Estive enfermo e vocês cuidaram de mim. Estive preso e vocês me visitaram. Isso foram palavras de Jesus. O que o senhor está fazendo é cumprindo isso aqui, a palavra de Jesus. E aí me veio a pergunta.

Graças a Deus, e também por causa das políticas públicas, nós saímos do mapa da fome, dessa famigerada lista de governos que não cuidam da alimentação adequada para o seu povo. Como que, além dessas atividades, dessas ações, como que o governo imagina erradicar a fome, de fato, desse país ou, pelo menos, transformar essa política numa política mais duradoura? Porque nós saímos da lista da fome, retornamos à lista, saímos novamente agora, não é? E a gente não sabe como que a gente vai conseguir segurar isso.

Presidente Lula: Davi, não tem milagre nisso. Isso tem que ter compromisso e opção política do governante. Porque é o seguinte: o orçamento da União é um bolo de dinheiro que o governo arrecada de todas as pessoas que contribuem. Na hora de dividir esse dinheiro é que você tem que ter lado.

Se você não tem um olhar carinhoso para o povo mais pobre, os ricos vão ficar com a grande parte desse dinheiro. Ora, por que tem muita gente ainda da classe rica, que não gosta do governo, que odeia o governo? É porque nós investimos aproximadamente R$ 400 bilhões em política de inclusão social. E essa gente gostaria que o dinheiro fosse para eles, fosse para pagamento da taxa de juros, e não para os pobres.

“Para que pobre quer dinheiro? Para comer? Deixa o pobre passar fome”. É assim que eles pensam. E eu não estou inventando uma história, isso é a história do Brasil. É a história do Brasil. Nós acabamos com a fome em 2014, reconhecido pela FAO [Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação].

Eu voltei para a Presidência em 2023, tinham 33 milhões de pessoas passando fome outra vez. Em dois anos e meio, pastor, nós acabamos outra vez com a fome.

Agora, para que a fome seja terminada definitivamente, é preciso que haja uma consequência de políticas públicas que eleve o salário mínimo, que eleve o padrão salarial da classe trabalhadora, que eleve o nível de empregabilidade neste país, que a gente tenha sustentabilidade na relação com os microempreendedores, para que eles tenham o direito.

Ou seja, se a gente não cuidar disso, entra um outro cara qualquer mentiroso e acaba. E acaba. Você sabe que para destruir é muito mais fácil do que construir. Para fazer uma casa, você leva anos. Para destruir basta uma chuva. Então é importante que a gente tenha noção.

Qual é a tese que eu inventei? Ou seja, se você não colocar o pobre no orçamento da União, não acaba com a pobreza. Eu vou dizer uma coisa que eu fiz agora, pastor, o Pé-de-Meia. O que é que nós descobrimos, Eulália? Nós descobrimos que 480 mil meninas e meninos do ensino médio desistiam da escola para ajudar no orçamento familiar.

Aí eu recebi essa informação do meu ministro da Educação [Camilo Santana]. Eu tinha que tomar a seguinte decisão. Ah, não tem dinheiro, não vou fazer nada. Ou eu vou procurar dinheiro e vou fazer. O que é que eu fiz? Eu fui atrás de dinheiro. E hoje nós damos o Pé-de-Meia para 4 milhões de jovens que recebem 200 reais por mês, mais mil no final do ano, durante três anos seguidos, até terminar o ensino médio.

Quando ele terminar, ele pode ter mil reais na conta dele, nove mil reais na conta dele. Se ele gastar para comida, tudo bem, mas esse mil reais ele não pode gastar. É uma poupança para quando ele terminar o ensino médio.

Olha, muita gente diz: “Ah, o Lula está gastando dinheiro”. Eu não estou gastando, eu estou investindo. Gastar, eu vou gastar o dia que eu tiver que fazer cadeia para cuidar desses jovens, ficar aí no crime organizado, se a gente não der educação para eles.

Então eu faço isso com a maior tranquilidade, porque tudo que eu faço na vida, Davi, não tem nada de teoria na minha vida, é tudo prática. É tudo prática. Se você quiser saber um cara que já acordou 10 horas da noite, meia-noite, com um metro de água dentro de casa, eu já acordei muitas vezes.

Eu sei o que é você acordar com um rato, com um barata, boiando na beira da sua cama. Você tem que levantar, tirar a sua mãe, levantar a geladeira, levantar o fogão. Depois que passa a chuva, você limpa, tem um metro, um palmo de barro, você tira aquele palmo de barro, um monte de sanguessuga nas suas pernas. Quando você limpa aquilo, vem outra chuva e enche tudo outra vez. Eu sei o que é isso. Eu vivi muitas enchentes na minha vida.

Então tudo que eu faço é sabendo da minha experiência de vida. Eu só quis ser presidente da República porque eu quero provar que um trabalhador metalúrgico, sem diploma universitário, tem mais competência para cuidar do povo do que os ricos. E a palavra que eu uso é cuidar, não é governar, é cuidar.

É cuidar das pessoas que mais precisam, que é para isso que o Estado necessita. É por isso que nós estamos fazendo uma verdadeira revolução na educação. O significado do Prouni, o significado do Fies, o significado do Reuni, a política de cotas, tudo isso não aconteceria, Eulália, se não tivesse um governo comprometido com esse povo.

Hoje, eu tenho orgulho, Davi, você vai na USP, a USP era uma universidade de branco, gente, de branco. Você vai na USP e hoje 50% são meninos e meninas negras, muitos da periferia. Qual é o milagre do Prouni? Foi tirar meninos pobres da periferia, da escola pública e fazê-los doutor.

Você não sabe, Davi, a coisa mais extraordinária que eu encontro por esse país afora são as mães chorando e me agradecendo. “Obrigado, Lula, obrigado. A minha filha virou médica, a minha filha virou dentista, a minha filha virou engenheira, a minha filha virou jornalista”.

Não tem nada mais gratificante do que uma mãe poder dar para o seu filho, para a sua filha, uma formação superior. E por que eu faço isso, Davi? Porque eu não tive um curso superior, eu não tive oportunidade. Eu quero que os filhos dos pobres tenham oportunidade.

Porque a gente já sabe, no Brasil, o rico vai fazer pós-graduação em Sorbonne, vai fazer em Nova York, vai fazer em Paris. O pobre não tinha faculdade, agora tem.

Vou contar uma coisa para você. Você acredita, Davi, que eu sou o único presidente na história do Brasil que não tem um diploma universitário? E sou o presidente que mais fez universidade na história desse país e mais fez institutos federais?

Tudo isso porque eu quero que o filho do trabalhador e o filho dos mais humildes, o filho da dona de casa, o filho da empregada doméstica, tenha a oportunidade de disputar uma vaga na universidade com o filho de qualquer outra pessoa. É isso que eu quero. Ninguém pode ser separado pelo berço que nasceu.

Cabe ao Estado dizer: o filho do pastor Davi vai disputar uma vaga com o dono da Volkswagen e vença quem for melhor. E o que o governo tem que fazer é dar oportunidade. E é assim que a gente trabalha para fazer com que a gente torne esse país mais justo.

Acabar com a fome é só uma coisa, mas você tem que acabar com o analfabetismo, você tem que acabar com a exploração contra a mulher, você tem que acabar com a violência contra a mulher. Então nós, por exemplo, aprovamos a lei da igualdade salarial. Ou seja, o que nós aprovamos? A mulher, exercendo a mesma função que o homem, ela tem que receber o mesmo salário.

Pensa que é fácil? A lei existe, mas tem muito patrão que já entrou na Justiça. Contra. Então é uma guerra todo dia. Você veja, a Constituição de 1934, aquilo que estava nas obrigações sociais não foi regulamentado. A de 1946 não foi regulamentada. E a nossa agora também não é regulamentada.

Pegue a Constituição e veja todos os direitos sociais. Não é regulamentada, por quê? Porque a maioria dos deputados não são trabalhadores, não têm compromisso com os trabalhadores. São gente de classe média alta, que pouco está ligando para o povo. Essa é a verdade. Então se a gente não fizer essa discussão, a gente não resolve o problema do Brasil.

O problema do Brasil é mais profundo. O problema do Brasil nós temos que fazer como aconteceu na África do Sul. Um dia os negros descobriram que era preciso liberdade.

E com a liberdade, os negros eram a maioria, eles tinham que eleger um negro presidente da República e elegeram o Mandela [Nelson Mandela].

O povo pobre nesse país tem que saber que a maioria é pobre. E não é possível imaginar que um rico vai fazer por eles o que eles têm que fazer. Sabe o que eu digo para a juventude, Davi? Eu digo para a juventude o seguinte: olha, eu sei que você é muito cético com relação à política. Tem uma idade na vida da gente que a gente não acredita em nada.

A gente não quer nem pensar em aposentadoria porque a gente pensa que nunca vai se aposentar. A gente não quer nada porque a gente acha que o mundo não vai acabar. Então eu digo para o jovem: quando você estiver descrente de tudo, quando você achar que não tem político que preste, não tem prefeito que preste, não tem governador que preste, não tem deputado que preste, ainda assim, meu filho, não desista da política porque a desgraça de quem não gosta de política é que é governado por quem gosta.

E se quem gosta for uma pessoa contra ele, ele está azarado, ele nunca vai resolver o problema dele. Então entre você na política, jovem. Entre. O político bom que você quer está dentro de você. O político inteligente é você. O político honesto é você.

Então não fuja da sua responsabilidade. Foi assim que eu tomei consciência política, Davi. E foi assim que eu criei um partido, foi assim que eu sou presidente da República e é assim que eu governo.

Eu digo sempre o seguinte: o meu coração é um coração de mãe. Eu sempre pego uma mãe como exemplo. Porque não tem nada mais doce do que uma mãe. Ou seja, uma mãe, se ela tiver dez filhos, ela gosta dos dez. Mas se tiver um fragilizado, é àquele que ela vai dar um dengo maior. Àquele que ela vai fazer um cafuné.

Então é assim que nós vamos acabar com a fome, definitivamente, nesse país. É cuidando do povo mais necessitado e colocando eles no centro das nossas decisões.

Eulália Lemos: Eu queria te dizer também que eu sou essa mãe aí grata a você.

Presidente Lula: Desculpa, falei demais.

Eulália Lemos: Que eu tenho dois filhos na Universidade Federal, graças à política de cotas. Minha filha está indo para o mestrado e eu sou uma dessas mães gratas aí, que choram porque eles não estariam se eu tivesse que pagar a universidade para cada um deles. Ao mesmo tempo, os dois na Universidade Federal. Eu queria representar as mães que choram com você, sendo grata aqui em público.

Quebrei o protocolo, não é, gente?

Pastor Marco Davi: E, Eulália, eu quero também dizer que eu tenho um filho médico. E tenho a Letícia, que é advogada, os dois formados na UERJ. E a gente também agradece muito as políticas públicas desse país.

Presidente Lula: É isso, Davi, é isso que me faz crer que o povo pobre não precisa de favor, só precisa de oportunidades.

Eulália Lemos: É verdade.

Presidente Lula: Aquela mulher que está nos ouvindo agora, essa hora, 10 horas da manhã, que ela está, quem sabe, fazendo algum serviço dentro de casa, quem sabe, conversando com o filho, quem sabe, preparando o filho para alguma coisa.

Essa companheira, o que nós precisamos garantir para ela? Que ela vai ter aquilo que ela precisa. Ela vai ter que ter uma casinha para morar, ela vai ter que ter uma renda mensal. O menino tem que ter direito a uma escola de qualidade.

É por isso, Eulália, que nós estamos fazendo agora escola de tempo integral. Nós queremos que a escola seja de tempo integral para a criança ficar o dia inteiro na escola. Para a criança não ficar vulnerável na rua, para ser vítima de uma bala perdida, para ser vítima de ser cooptado por um traficante. Ou seja, nós queremos a criança na escola para aprender tudo, aprender música, aprender a dançar, aprender a cantar, aprender a fazer o que ela quiser.

Porque, assim, a gente vai estar construindo um país competitivo. Um país em que a gente não vai ter vergonha nem medo de nenhum país do mundo. Esse país está na nossa mão, pastor.

Eulália, esse país está na nossa mão. Sua filha pode construir o país que você começou a construir. Esse que é o nosso desejo, esse que é o nosso sonho.

Eulália Lemos: Janja, é uma questão muito séria para nossas meninas, né? Nem sempre elas conseguem ter absorventes, isso impede que elas cheguem ao colégio. Bom, frequentem a escola, né? Como podemos apoiar? Essa é a minha pergunta. Como a igreja pode apoiar esse projeto, o projeto de dignidade menstrual, e se a igreja pode ser um ponto de distribuição?

Janja Lula da Silva: Pode, pode ser. Eulália, eu tenho conversado bastante com o pessoal, viu, meu amor? O pessoal fala muito por aí que eu me meto muito nas coisas, mas é porque a minha vida profissional foi isso, eu cresci, eu aprendi na minha vida profissional a fazer articulação de programas e políticas públicas, lá na Itaipu, em outras empresas que eu trabalhei, e eu converso muito com os ministros.

E esse programa da dignidade menstrual, nessas caminhadas minhas pelo Brasil, é um programa que tem um pouco de dificuldade ainda de chegar lá na ponta, e a gente precisa desburocratizar um pouco ele para que realmente as meninas, principalmente as meninas, não deixem de frequentar a escola por conta do período em que elas estão menstruadas e que não têm condição de comprar absorvente. Então, eu tenho conversado com o ministro Padilha [Alexandre, ministro da Saúde], o presidente sabe dessa minha angústia, às vezes as coisas não são tão simples quanto a gente acha que elas podem acontecer no estalar de dedos.

Às vezes demora um pouco, tem realmente algumas coisas que são um pouco mais complicadas. Eu acho que as igrejas podem ser um ponto de apoio, eu já falei isso em algumas reuniões nossas, a igreja pode ser um ponto de apoio de muitas coisas, porque as igrejas estão dentro da comunidade e sabem das angústias. A gente já falou disso em uma reunião sobre a questão das cozinhas, no Rio de Janeiro, que é um ponto importante.

A gente falou de alfabetização, que as igrejas podem ser um ponto de apoio para a alfabetização de adultos lá em Salvador, na comunidade que a gente fez uma conversa e assim por diante. Acho que a questão das igrejas pode ser um ponto, assim como a Associação de Moradores sempre foi, por exemplo, um ponto de apoio para levar, para a política pública chegar mais perto. Eu já trabalhei muito em comunidade na periferia de grandes cidades.

Eu sei o quanto é difícil, às vezes, uma política pública alcançar uma mãe de família, porque tem uma barreira. Tem o governo federal aqui em cima, e até a política pública alcançar essa pessoa lá na ponta, ela passa por um monte de coisas. Ela passa, talvez, por uma emenda de um deputado, ela passa pelo governador, ela passa pelo prefeito, e assim vai indo, pelo administrador regional da cidade.

Então, acho que a gente precisa encontrar mecanismos alternativos em que a gente possa fazer essas políticas públicas chegarem mais perto das pessoas, elas terem mais acesso a essas políticas públicas. A burocracia... O meu marido colocou no dicionário da Academia Francesa a palavra multilateralismo, e eu acho que a gente devia tirar do nosso dicionário a palavra burocracia, que, às vezes, é difícil.

Presidente Lula: Uma coisa, Eulália, uma coisa que a Janja me chama a atenção, e só poderia ser ela que me chama a atenção, porque eu fico com ela de noite, ou seja, é das coisas que a gente decide e muitas vezes não acontecem.

Então, esse negócio da dignidade menstrual é uma coisa simples. Você aprovou a lei, a lei garante que as meninas possam ter acesso gratuitamente. Acontece que, como é que você vai distribuir? Na escola? Pode ser, então o MEC [Ministério da Educação] tem que se preparar para poder criar condições.

Você vai distribuir na Farmácia Popular, o governo tem que se preparar. Você vai distribuir no Correio? Eu estou dizendo isso porque eu tive essa discussão essa semana com o ministro da Saúde e com o ministro Camilo. Nós fomos inaugurar aquele dia E, que é o dia do mutirão de saúde, e eu chamei a atenção.

Eu falei: olha, como é que é possível ainda ter menina que não vai na escola porque não consegue ter acesso? Nós aprovamos a lei.

Bem, então o que nós estamos decidindo? Possivelmente, se a gente não conseguir levar para cada escola, porque a secretaria da escola trabalha de sábado e domingo, as meninas podem pegar. E você tem que fazer um sistema de entrega que não humilhe as meninas, ou seja, que elas não sejam humilhadas para ir pegar.

Então, o que eu acho? Muitas vezes, o mais barato é dar o dinheiro para comprar o que a menina quiser. Então nós estamos discutindo para saber se a gente não pode transformar essa questão, em dar o dinheiro para a menina comprar onde ela quiser, vai na farmácia que ela quiser, vai na Farmácia Popular. O que você não pode é ter a política, ter pacotes e pacotes e não conseguir entregar porque não tem como entregar.

Então essa é uma coisa que nós estamos discutindo. Eu até brinquei com o Padilha [Alexandre, ministro da Saúde] e com o Camilo. Eu estou dando uma semana para vocês decidirem o que é que a gente vai anunciar para resolver esse problema definitivamente.

Porque se não, as pessoas passam a desacreditar em você. Você anuncia uma política e depois ela não chega na ponta. Então ela tem que chegar.

Pastor Marco Davi: Presidente, o senhor falou de saúde. Eu gosto muito da Bíblia. Jeremias 33:6 diz: Tratarei da saúde e da cura do meu povo.

E um ponto nevrálgico na saúde, sobretudo no SUS [Sistema Único de Saúde], que é maravilhoso. O SUS é uma coisa maravilhosa nesse país. Ai de nós sem o SUS. Ainda mais no período da pandemia. Seria terrível para nós.

Mas há um problema sério no SUS que é a fila. A fila do SUS é realmente muito complicada. A minha irmã está há quatro anos para fazer uma cirurgia. Como o governo está tentando resolver essa questão?

Presidente Lula: Eu vou te explicar como nós estamos tentando resolver. A primeira coisa que eu queria que o povo que está nos assistindo agora prestasse a seguinte atenção.

Quando a Dilma foi impichada em 2016, nós tínhamos 18 mil médicos trabalhando no Mais Médicos. Presta atenção. Em 2016, nós tínhamos 18 mil médicos trabalhando no Mais Médicos.

Quando eu voltei em 2023, nós tínhamos apenas 12 mil médicos. Ou seja, nós tínhamos 6 mil médicos a menos do que a gente tinha em 2016. Sabe quanto nós temos hoje já? 27 mil médicos. Espalhados por esse país afora. E mais grave ainda, 34% desses médicos já são pessoas negras. Meninas e meninos negros formados em medicina.

Bem, o que nós estamos fazendo? Eu sempre sonhei com uma coisa chamada segunda consulta. O que é a segunda consulta? A tua irmã vai ao médico. Aí chega no médico, o médico faz a primeira consulta, vai numa UPA no Rio de Janeiro, ou vai numa UBS [Unidade Básica de Saúde] no Rio de Janeiro, aí faz a primeira consulta e o médico fala assim: “olha, você tem um problema de cardiologia, você precisa procurar um cardiologista”.

Aí dá um papelzinho pra ela, ela sai e vai no balcão. Aí a moça vai lá no computador, está lá: “olha, cardiologista só daqui a um ano”. Aí se ela aguentar, ela volta lá, depois de um ano ela vai no cardiologista. Ele fala o seguinte: “olha, você tem que fazer uma ressonância magnética”. Aí a moça já vai no computador: “a ressonância vai ser só daqui a 10 meses”. Então o que nós fizemos? Nós criamos um programa chamado Agora Tem Especialistas.

O que é esse programa? Nós fizemos duas experiências, mas esse programa é o seguinte, a gente quer que em determinadas doenças a pessoa não fique mais de 30 dias esperando. Que a pessoa tenha uma sequência, vai no médico, vai no especialista e vai na máquina. E se for necessário, fazer a cirurgia.

Tem que ter um tempo de acompanhamento. O que é que nós estamos fazendo? Nós fizemos a segunda experiência, de fazer 45 hospitais universitários do Brasil. Já dois sábados seguidos, atendendo todo mundo. 45 hospitais, só para você ter ideia. Domingo a gente fez a nível nacional. Sábado, a nível nacional. A gente previa atender 29 mil pessoas. Atendemos 34.290 pessoas no Brasil inteiro. Fizemos 1.666 cirurgias.

Pastor Marco Davi: Uau!

Presidente Lula: Foi 57% a mais do que o outro “Dia E” que nós fizemos em junho. Fizemos 4.043 consultas especializadas. 225% a mais do que o primeiro. E exames especializados e terapias 25.580. Ou seja, nós estamos tentando fazer uma revolução. O que eu falei com o Padilha e com o Ministro da Educação e com o Chioro [Arthur, presidente da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares)], que é o diretor da Ebserh, que é a empresa dos hospitais universitários. Eu disse para eles que era importante a gente aprimorar e fazer todo sábado. Fazer todo sábado, a gente paga hora extra e pega o seguinte: quais são as doenças principais das mulheres? Qual é o mal maior? Então pega todo esse problema e vamos fazer 4 sábados só para atender mulher.

Janja Lula da Silva: Ministro Padilha já me disse que vai fazer em março, no mês da mulher.

Presidente Lula: Depois vamos pegar oftalmologia, fazer 4 sábados só para atender problema de catarata, outro problema qualquer no olho. Outro sábado, só ortopedia, para a gente acabar com uma fila, afinal a gente não acaba. Porque antes, Davi, como é que era? O que me incomodava? O pobre ia no médico, o médico fazia a consulta, aí o médico dava uma receita. Ele pegava a receita e ia na farmácia.

Chegava na farmácia e ele via o preço do remédio, ele não podia comprar. Voltava para casa, colocava a receita ou na prateleira embaixo de um copo, ou colocava embaixo do travesseiro e morria sem poder tomar o remédio. Aí nós criamos o Farmácia Popular e a gente distribui 41 remédios de uso contínuo de graça.

Então já não é mais por conta do remédio que ele vai morrer, ele vai ter o remédio de graça. Mas ele precisa da segunda consulta. E a segunda consulta é o tal do especialista. E é isso que nós agora estamos fazendo. Eu tenho fé em Deus, tenho fé em Deus, que até o ano que vem a gente vai estar acabando com a fila neste país. Tenho fé em Deus. Eu tenho muita fé. O Padilha está trabalhando demais.

Janja Lula da Silva: E as unidades móveis, né, amor?

Presidente Lula: Eu vou te contar outra coisa. Quando eu criei o Brasil Sorridente, pastor, é porque eu viajava muito o Brasil e eu via muita gente pobre sem dente na frente. E eu resolvi criar um programa chamado Brasil Sorridente. O que eu queria? Eu queria que as pessoas pobres tivessem direito a tratamento de canal, a ortodontia, que fizessem prótese. Então eu criei o programa.

Nós temos milhares de agentes de saúde bucal. Agora nós vamos encomendar 800 vans que vão ser consultórios dentários que vão viajar o Brasil. Chegando aonde tem... Vai lá na favela da Maré no Rio de Janeiro. Vai lá em qualquer lugar. Escolhe uma favela aí. Complexo do Alemão. Chega lá. Vai parar essa kombi e vai fazer uma escola. Vamos ver o que tem de gente com o dente aí.

Janja Lula da Silva: A kombi, amor?

Presidente Lula: É uma van. E vamos ver. E vamos tratar o dente da pessoa. Vamos fazer a pessoa sorrir... Eu tenho um filme que depois eu vou te dar.

Eu tenho um filme do que aconteceu no Amapá. Eu fui entregar Minha Casa, Minha Vida para uma mulher. Aí quando a mulher veio toda sorridente, ela não tinha nem um dente na boca.

Aí eu chamei o governador. Eu falei: governador, não tem o Brasil sorridente aqui? Ele falou: tem. A mulher dele era dentista. Eu falei: por que não cuida da boca dessa mulher? Agora mandou um filme para mim. Fizeram uma prótese para a mulher. Ela está maravilhosa.

O sorriso dela com a prótese é uma coisa maravilhosa. É isso, Davi, que nós vamos garantir para o povo. É aquilo que é necessário.

Então, nós estamos fazendo um trabalho muito grande. A Nísia [Trindade, ex-ministra da Saúde] começou a organizar esse Mais Especialistas. O Padilha está colocando em prática agora. Eu tenho certeza que vai ser o maior sucesso.

Eu fui ao hospital domingo. Você não tem noção da emoção das pessoas. Tinha um companheiro com câncer de pele, que estava um caroço na cabeça dele. Eu perguntei: como é que você deixa criar um caroço? Ele falou: “não sabia, não sei das quantas”. Outro tinha um caroço no nariz, no câncer de pele, que estava grande assim. Falei: como é que você deixa assim? Ele falou: “não sabia, ninguém nunca me falou”. Você percebe a falta de informação?

Janja Lula da Silva: Ele falou que foi lá para consultar e já ficou para a cirurgia. Ele estava ligando para a família, dizendo: “eu vim aqui para consultar, e eu já vou operar”.

Presidente Lula: A falta de informação é muito grande. Então, um programa como o de vocês, precisa ajudar a orientar. E aí, se a gente tiver que utilizar as igrejas, têm que utilizar as igrejas. Os pastores podem ajudar, os fiéis podem ajudar. É preciso fazer um verdadeiro mutirão para a gente acabar com a desigualdade nesse país. A desigualdade de raça, a desigualdade de gênero, a desigualdade de salário, a desigualdade de educação, a desigualdade na saúde.

Tudo tem desigualdade nesse país. Então, Eulália, é o seguinte: se a gente quiser, a gente faz.

Eulália Lemos: Nós vamos fazer.

Presidente Lula: Sabe, eu acho o seguinte: Deus já me deu dois braços, duas pernas, dois olhos, dois ouvidos, e me deu uma cabeça para pensar, agora depende de mim. Deus já fez o que deveria fazer. Agora Ele espera que eu faça a minha parte.

E eu quero fazer a minha parte.

Eulália Lemos: Deus não te colocou aqui à toa. Deus não te colocou aqui à toa, tem objetivos. Vamos lá, Janja. Nós sabemos que uma casa só se torna um lar quando tem infraestrutura, saneamento e serviços básicos. Quais iniciativas você tem acompanhado que integram habitação, urbanização e qualidade de vida para as famílias de todo o país?

Janja Lula da Silva: Eu acho que o programa Minha Casa, Minha Vida é um início para a família que não tem a casa poder acessar uma moradia digna. Eu acho que a palavra que o meu marido usa, dignidade, ela é muito forte. Porque as pessoas não querem ter uma casa milionária, elas querem ter dignidade, elas querem ter um teto para seus filhos poderem tomar um banho, poderem tranquilamente estudar, ter uma escola decente. Eu acho que a gente tem que fazer um empenho para que todas as políticas públicas efetivamente cheguem.

Muitas políticas públicas são gestionadas pelos prefeitos, pelas prefeituras municipais, a maioria delas do governo federal. Então a gente precisa fazer também que os prefeitos consigam que essas políticas públicas sejam eficientes lá na ponta. A gente tem o Minha Casa, Minha Vida com biblioteca, a gente está agregando outras coisas no Minha Casa, Minha Vida.

Saneamento básico ainda é um problema sério no Brasil. A gente descobriu, amor, que a gente tem 4 milhões de pessoas que não têm uma unidade sanitária, não têm um banheiro em casa. A gente está trabalhando para que isso, para que zere isso.

Então, a gente tem muita dificuldade. Eu vou dar um exemplo. O Brasil é muito grande. Quando a gente fica no nosso mundo, no nosso território, a gente não tem a noção do tamanho que o Brasil é. Eu sou embaixadora da alimentação escolar, e eu falo muito sobre a questão da alimentação escolar. Quando eu falo fora do Brasil, num evento que o Brasil alimenta diariamente 40 milhões de jovens, de crianças e jovens, o pessoal fica de queixo caído, porque é um desafio, amor, fazer essa política pública realmente chegar na ponta. E a alimentação escolar é uma estratégia que a gente tem para o Brasil sair do mapa da fome como saiu agora.

O presidente voltou e deu reajuste na alimentação escolar, que estava há dez anos parado o valor. Realmente as crianças estavam comendo só suco com bolacha, maizena. Hoje não, a gente vai às escolas e vê uma alimentação saudável.

Então eu acho que essas políticas públicas, elas dependem muito da vontade política do governador, do governo municipal, principalmente, de fazer acontecer. E a população tem mecanismos também para fazer essa fiscalização. A gente tem um site que se chama ComunicaBR, onde a população pode acessar qualquer coisa do seu município, quantos agentes de saúde têm, quanto de dinheiro a prefeitura está recebendo para a saúde, para a educação ou para as outras obras.

Então isso é importante que a população realmente fiscalize. É importante que vocês, pastores nas igrejas ou em qualquer templo de fé, falem isso para a população, dizendo que vocês podem fiscalizar. Se aquela comunidade está sentindo falta de uma creche, se as mães estão sentindo falta de creche, vão lá olhar e ver quanto de recurso o Ministério da Educação colocou, de infraestrutura colocou, para a construção de creche naquela cidade.
Isso é importante, porque às vezes o dinheiro fica parado lá, sem ser efetivamente utilizado. Então isso é importante.

Presidente Lula: Uma coisa importante.

Janja Lula da Silva: Complemento presidencial da minha resposta.

Presidente Lula: Há uma coisa importante nesse negócio da moradia, que é o seguinte. Nós criamos, em 2009, o maior programa habitacional já feito na história desse país, que é o programa Minha Casa, Minha Vida.

Quando eu voltei agora, esse programa estava paralisado. Só para você ter ideia, nós encontramos 153 mil casas paralisadas, algumas ainda do governo Dilma.

Janja Lula da Silva: Algumas do seu governo.

Presidente Lula: Ou seja, casas que tinham sido começadas a fazer em 2011, 2012, paralisadas. Então nós tivemos que refazer 135 mil casas que estavam paralisadas, e nós investimos já R$ 245 bilhões. Eu sei que quando eu falo bilhões, para o povo entender a quantia que é, mas é muito dinheiro para fazer 1 milhão e 670 novas moradias.

E até o final do ano vamos contratar 3 milhões de casas. E qual é o chique? Qual é o chique? O chique é que agora as casas, os conjuntos habitacionais vão ter biblioteca. E qual é o chique? É que as casas agora vão ter varandinha.

Tem que ter uma varanda, cara. Tem que ter a varanda. Eu não vou te contar a história do Rio de Janeiro da varanda, porque você pode não gostar.

Janja Lula da Silva: É o Papo de Crente.

Presidente Lula: Você pode não gostar. Mas é verdade, é uma história. O cara precisa de uma varandinha para ele respirar. Às vezes o cara não está muito bem, a mulher também não está muito bem. Precisa ficar uma varandinha.

O mínimo de respeito, o que custa uma varandinha de 2 metros para a pessoa sair um pouco para respirar um ar puro? Bom, então agora as casas vão ter isso, as casas vão ter varanda. Agora as casas vão ter biblioteca. Biblioteca e nós vamos avançando.

Nós estamos fazendo a casa de comunidade, nós damos o financiamento para as comunidades fazerem as casas e também estamos fazendo casas rurais. Muitas casas rurais. Ou seja, nós vamos contratar 3 milhões de casas.

Não é pouca coisa. Mas o que é realmente importante? Em maio de 2025 nós expandimos para a classe média. Qual é o problema que a gente tinha? A gente faz casa para as pessoas mais pobres.

Agora tem um setor da sociedade que é um bancário, que é um metalúrgico, que é um químico, que é um... O cara ganha 10 mil reais, ganha 8 mil reais, já é classe média. E para essa gente não tem nada. Então nós agora estamos fazendo um programa habitacional para atender essa gente.

Fazer casa para a classe média. E eu vou anunciar, vou anunciar, ainda esse mês, preste atenção, nós vamos anunciar 40 bilhões de reais de financiamento para a reforma de casa. Se você, Davi, não quiser comprar uma casa e você quiser fazer um quarto novo, quiser fazer um banheiro novo, quiser fazer uma cozinha nova, você vai poder ir na Caixa Econômica e pegar financiamento para fazer isso.

E a mesma coisa nós vamos fazer e anunciar também. Eu estou dando aqui, não vou dar o montante porque é segredo.

Janja Lula da Silva: Spoiler presidencial.

Presidente Lula: Nós vamos anunciar o maior programa de financiamento habitacional desse país. Eu posso até dizer: nunca antes na história do país. O programa está pronto.

Nós estamos aguardando apenas o momento de lançar. Porque é o seguinte, é o seguinte, ou a gente faz ou não acontece. Nós tivemos um louco na presidência desse país, irresponsável, que prometeu casa verde e amarela, não fez nenhuma. Prometeu emprego verde e amarela e não fez. O povo não quer mais promessas. O povo quer saber se está acontecendo ou não está acontecendo.

E nós vamos fazer acontecer. Portanto, esse negócio de casa para nós é sagrado. E quando eu digo de casa também, Eulália, é porque eu tenho uma experiência.

Eulália, eu sei o que é morar em um quarto e cozinha com 13 pessoas. E o banheiro do lado de fora. O banheiro era dividido com o pessoal do bar. Eu morei em uma casa, vou dar o número para você, para você provar. Rua Oliverde, 1.156, Vila Carioca, São Paulo. Na frente do armazém do IBC, que agora estou querendo pegar o armazém de volta.

É um armazém de 47 mil metros quadrados, dá quase 5 Maracanãs [estádio de futebol, no Rio de Janeiro], que está lá abandonado. Eu agora estou querendo tomar aquilo de volta para fazer o Instituto Federal, para fazer a Escola do Tempo Integral. Fazer área de lazer para aquele povo mais pobre.

Eu morei nessa casa. Eu morei, era um cortiço. A gente morava em 27 pessoas com um banheiro só, que não tinha vaso sanitário, você tinha que ficar agachado. Não tinha descarga, você tinha que levar o balde para dar descarga. Não tinha... Choveu, você tinha que levar o bote para tomar banho gelado.

E 27 pessoas levantavam cedo para usar o mesmo banheiro. Você imagina o inferno que era a vida da gente. E eu sobrevivi.

Eu vivia numa miséria tão grande, que a gente não tinha dinheiro para comprar cerveja, a gente comprava cerveja quente no supermercado, que era o mais barato. Colocava dentro do balde, deixava no posto, deixava meia hora no posto para depois a gente beber. Porque eu não tinha nem geladeira, cara.

Então, eu sei, eu sei o que é que passa o povo humilde desse país, cara. Eu sei o que passa uma família no final de semana em casa, com o marido, não tem lazer, não tem dinheiro para fazer as coisas. Sabe?

Então, meu caro, é o seguinte. Se depender de mim, nós vamos dar uma solução definitiva nesse negócio. Não dá para fazer num dia, nem num ano. Nós temos problemas acumulados de cinco séculos. Nós vamos ter que levar o tempo, mas que nós vamos consertar, vamos.

Janja Lula da Silva: E a gente teve que reconstruir o país.

Presidente Lula: Sabe o que eu sonho? Eu sonho com um país de classe média.

Eu sonho com um país de classe média. Eu não quero que o trabalhador não tenha nada mais do que ele merece. Ele tem que comprar o produto que ele fabrica, ele tem que se vestir bem, ele tem que comer bem, ele tem que morar bem. Sabe? É isso que eu quero. O que eu quero? Nada. Eu não quero luxo.

Eu quero o mínimo para viver dignamente com a minha família. Então, o pai sair com a família no final de semana, ir num restaurante para comer alguma coisa diferente, levar o filho para passear. Sabe? É tudo o que eu quero.

É tudo o que eu quero. E eu quero porque eu já passei por isso. Eu ganhei meu primeiro presente na vida com 17 anos porque eu mesmo comprei.

O único presente que eu ganhei na vida foi o que eu me comprei. Então, eu sei como é que o povo sofre. Eu sei o que é o rico comprando coisa na loja no dia de Natal e o pobre passeando com a sacola vazia do lado, olhando, sem poder comprar.

Então, eu sei como é que a gente volta para casa. Uma vez eu fiquei das nove da manhã, acho que das seis da manhã, às duas horas da tarde na prefeitura do Guarujá para ganhar o presente. Eu tinha dez anos de idade.

Na verdade, eu tinha sete. E quando chegou a minha vez de ganhar meu presente, acabou o presente. Aí você volta para casa com o dedo na boca sem o presente. Não sabe o que uma criança passa.

Então, a única coisa que eu quero é a seguinte. Eu quero que todos tenham a mesma oportunidade de ter as coisas, o mínimo necessário. É isso que a gente precisa. Viver bem. Viver em harmonia. Viver com tranquilidade. Viver com a família em harmonia. É tudo o que nós queremos no mundo.

Pastor Marco Davi: Presidente, já recebi aqui a notícia de que o tempo está acabando, mas eu gostaria muito de conversar e ouvir do senhor sobre a questão, justamente, de segurança pública, que a gente sabe que segurança pública é responsabilidade dos estados. Mas o senhor tem dito que ele deseja ajudar os governadores dos Estados a resolver esse problema. A Bíblia diz assim: em paz me deitarei e dormirei, porque tu, Senhor, me fazes habitar em segurança.

A gente não sabe se nas grandes cidades a gente consegue dizer isso com muita tranquilidade, porque realmente tem acontecido muita violência. Qual a ação do governo para ajudar os estados?

Presidente Lula: Esse é o grande problema que nós temos hoje no Brasil. Nós temos a questão da segurança pública nos grandes centros. Nós temos o enfrentamento ao crime organizado, porque o crime organizado é uma coisa sofisticada. O crime organizado é uma indústria internacional. É uma indústria multinacional.

Ele interage entre as nações. É como se fosse uma empresa multinacional. E o crime organizado está na política, está no futebol, está no poder judiciário, está nas igrejas, está em qualquer lugar.

Então, nós fizemos uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição] de segurança pública, mandamos para o Congresso Nacional uma PEC. Uma PEC é para a gente decidir. A gente não quer tomar o lugar do estado.

O que a gente quer é compartilhar com o estado soluções para saber onde é que o governo federal pode melhor ajudar. Qual é o papel da Polícia Federal? Qual é o papel da Força Nacional? Qual é o papel do combate ao narcotráfico?

Você viu outra ação da política federal, não viu? No Rio Madeira, nós instalamos o Centro Especial de Combate ao Crime Organizado na semana passada em Manaus. E a primeira ação da política federal foi estourar o garimpo legal que estava acontecendo lá no Rio Madeira.

Então, nós queremos ajudar e nós queremos trabalhar. Nós queremos combater porque o povo precisa de segurança. Nós aprovamos o telefone, o programa telefone seguro, Celular Seguro.

Sabe que se roubar teu celular, Eulália, você pode comunicar, na hora ele é desligado e o cara que roubou não vai poder fazer nada com ele, não vai nem poder vender. Se ele for honesto, ele vai te devolver. Ele vai procurar alguém para te devolver.

Janja Lula da Silva: Ele não vai ser honesto porque ele roubou.

Presidente Lula: Então, querida, é o seguinte, Eulália, nós estamos trabalhando e eu quero, eu estou terminando meu mandato, dia 31 de dezembro.

Janja Lula da Silva: Do ano que vem.

Presidente Lula: Agora é 5 de dezembro, que agora aumentou, 5 dias da posse. E eu espero que quando estiver no final do meu mandato, a gente possa fazer uma entrevista dessa, pra gente prestar contas do que aconteceu nesse país.

Porque eu não sei se você sabe, Davi, eu sou o único presidente da República desse país, que quando eu terminei meu mandato, em 2010, eu fiz um relatório e registrei, em cartório, todas as políticas públicas que eu fiz nesse país. Todas as políticas públicas estavam em cartório. Porque, normalmente, os presidentes não divulgam nem a agenda.

Se você for procurar alguma coisa no arquivo do ex-presidente, você não encontra mais. Porque, como não tem política pública. Uma outra coisa, Davi, que eu às vezes me ressinto, é o seguinte, eu vou tentar ver se o povo entende corretamente. Quando você vai comer num restaurante humilde, você chega lá e vai pedir o quê? Um comercial.

Um comercial, todo mundo sabe o que é. O cara vê lá, um feijãozinho com arroz, um bife acebolado, e você sabe o que é. Então, se perguntarem pra você o que você comeu? Um bife acebolado, um comercial. Então, só tem aquilo, você só vai falar daquilo.

No nosso governo tem muita política, mas muita política. É como se você entrasse num restaurante com buffet cheio de coisa, que você termina de almoçar e não conseguiu ver tudo o que você tinha. Aí vem você, come, quando você termina, fala: puta, se eu soubesse que tinha aquilo, eu tinha pego aquilo. Nós temos muita política social, mas muita política social na área da educação, na área da saúde.

O nosso cuidado com a mulher é muito grande, é muito grande. No crédito rural, a maioria é pra mulher. Tudo que a gente puder fazer é para dar segurança à mulher. Porque, na verdade, na verdade, é a mulher que é a responsável desse país por quase tudo de bom que acontece. Então, se a gente puder aprovar mais política para dar garantia às mulheres, nós vamos aprovar.

Por isso, eu queria dizer pra você, pastor Davi e Eulália, que eu me coloco à disposição de vocês, para debater o tema que vocês quiserem, do jeito que vocês quiserem, porque é o seguinte, eu só tenho uma coisa na vida que eu não quero negar. Eu, jamais, jamais, em nome de Deus, eu mentiria pra esse povo.

Eu, quando era presidente do sindicato, eu dizia que a única coisa que eu tinha medo era ir na porta de fábrica e mentir pro trabalhador. Então, a minha mãe dizia assim pra mim: “ô Lula, você conhece a verdade de uma pessoa pelos olhos. Não minta nunca, porque as pessoas vão ver nos teus olhos que você está mentindo”.

Então, como eu acho que esse é o ano da verdade, a gente vai trabalhar para desmascarar aquelas pessoas que mentiram, aquelas pessoas que vivem de intriga, de baixo nível, de ofensa, aquelas pessoas que não constróem, só destroem.

E eu quero, sinceramente, da mesma forma que eu disse em 2003, se quando terminar o meu governo, todos os brasileiros e brasileiras estiverem tomando café da manhã, almoçando e jantando, eu já realizei a obra da minha vida.

Pois eu quero dizer pra você, Davi, o seguinte: se ao terminar o meu governo, a gente tiver desmantelado a mentira nesse país, eu já terei cumprido a missão da minha vida.

Eulália Lemos: Nós queremos expressar nossa gratidão a vocês por terem dispensado esse tempo para falar com o povo do Papo de Crente e compartilhar os compromissos que vocês têm com o povo brasileiro, que alcança todos os evangélicos, que nós somos maioria preta, pobre, e evangélicos pretos e pobres.

Nós agradecemos muito essa atenção de vocês.

Pastor Marco Davi: É, nós terminamos sempre o nosso programa com uma benção e eu vou dizê-la aqui, que é uma realidade nossa como servos do Senhor. Então, vamos a ela.

Que o Senhor lhes abençoe e lhes guarde. Que o Senhor faça resplandecer sobre vocês o seu rosto e tenha misericórdia de vocês. Que o Senhor sobre vocês levante o seu rosto e vos dê a paz.

Que Deus os abençoe. Até o próximo Papo de Crente.

Janja Lula da Silva: Eulália, dá uma palinha.

Eulália Lemos: Ah, não. Vai cantar comigo?

Janja Lula da Silva: Vamos, vamos lá.

Eulália Lemos e Janja Lula da Silva: Deus cuida de mim na sombra das suas asas. Deus cuida de mim. Eu amo a sua casa e não ando sozinha. Não estou sozinha, pois sei: Deus cuida de mim.

Eulália Lemos: E o Lula também.

Janja Lula da Silva: Amém.

Pastor Marco Davi: Muito obrigado.

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