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Você está aqui: Página Inicial Acompanhe o Planalto Entrevistas Entrevista do presidente Lula ao programa Balanço Geral (MG)
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Entrevista do presidente Lula ao programa Balanço Geral (MG)

Transcrição da entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao programa Balanço Geral, da TV Record de Minas Gerais, em 28 de agosto de 2025
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Publicado em 05/09/2025 11h59 Atualizado em 05/09/2025 12h01

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Jornalista Lair Rennó: Presidente, o senhor vai amanhã para Contagem, depois Montes Claros, vai anunciar importantes obras de mobilidade urbana, que são investimentos importantes. Como é que esse pacote, na avaliação do senhor, vai beneficiar os mineiros?

Presidente Lula: Então, eu trouxe duas coisas para te comunicar aqui. Primeiro, eu quero dar bom dia aos nossos queridos telespectadores, dizer que é um prazer, outra vez, estar falando aos microfones da Record e, muito mais importante, falando ao povo da nossa Minas Gerais. Eu vou amanhã a Minas Gerais anunciar o PAC Seleções. Nós vamos anunciar investimento no Brasil, 31 propostas no valor de R$ 9,6 bilhões para o Brasil e mais 70 propostas de renovação de frota para comprar ônibus elétricos, no equivalente a R$ 3,9 bilhões. Isso é para o Brasil.

Em Minas Gerais, o que eu vou anunciar? Eu vou anunciar a expansão do metrô de Belo Horizonte a Contagem. Investimento de R$ 1 bilhão, em que a gente vai implantar 3.600 quilômetros de duas novas estações, Parque São João e Beatriz, a partir da estação Novo Eldorado, que já está em construção. Isso é por metrô: R$ 1 bilhão.

Jornalista Lair Rennó: Que é uma obra que o povo mineiro espera.

Presidente Lula: Está esperando há muito tempo. A outra coisa é que nós vamos fazer a assinatura de dois contratos com o prefeito de Belo Horizonte [Álvaro Damião], que é o seguinte: R$ 456 milhões para a implantação de 64,3 quilômetros de faixas exclusivas para transporte coletivo e mais a aquisição de 100 ônibus elétricos.

Jornalista Lair Rennó: Isso para Belo Horizonte.

Presidente Lula: Para Belo Horizonte. Vou aproveitar e vou conhecer o prefeito.

Jornalista Lair Rennó: Prefeito Álvaro Damião.

Presidente Lula: E depois nós vamos fazer uma visita às obras da Avenida Maracanã, em Contagem, e a entrega do primeiro trecho da nova avenida. É isso que nós vamos fazer. Isso em Belo Horizonte e Contagem. Depois eu parto para Montes Claros. Em Montes Claros, eu vou inaugurar a Agripark, Centro de Inovação Tecnológica Industrial, focado na cultura da macaúba. Investimento de R$ 314 bilhões. Você está percebendo que é a segunda fábrica que eu vou inaugurar em Montes Claros este ano.

Já inaugurei uma de remédio, agora estou inaugurando esta. Esse é o lançamento de um programa chamado Acelen Valoriza, de capacitação de pequenos agricultores do norte de Minas Gerais e da Bahia para cultivar macaúba para fazer o biocombustível. Essa revolução da transição energética que nós vamos fazer também em Montes Claros. Essas duas iniciativas fazem parte de um projeto de R$ 3 bilhões para a produção de biocombustível a partir da macaúba, chamado Acelen Renováveis, que faz parte do Novo PAC.

Então essa é a razão pela qual eu vou amanhã a Contagem e depois eu vou anunciar em Belo Horizonte e vou a Montes Claros. E na semana que vem, eu volto a Belo Horizonte para ir ao Aglomerado da Serra anunciar o programa chamado Gás do Povo. É um programa de financiamento de gás para as pessoas mais pobres do país que não vão pagar mais pelo gás, vão receber o gás gratuitamente.

Jornalista Lair Rennó: Recebem um botijão de gás?

Presidente Lula: Um botijão de gás. É isso que nós vamos anunciar, mas você vai saber tudo quando a gente estiver lá no Aglomerado da Serra, na próxima semana.

Jornalista Lair Rennó: Agora, presidente, em 2022, a campanha, o senhor esteve em Minas, em 2023 não. Aí parte do povo reclamou, né? Eu conversei sobre isso, inclusive, no Balanço Geral com algumas autoridades, com prefeitos. “Onde é que está o Lula? Por que o Lula não está vindo a Minas?”. Aí em 2024 o senhor foi cinco vezes, agora vai a quinta vez, depois semana que vem a sexta, em oito meses. O senhor está se reaproximando de Minas, porque em 2023 ficou um pouco distante. Minas é, numa campanha eleitoral, o fiel da balança. O senhor em 2022 ganhou nos dois turnos. É inevitável eu perguntar isso.

Presidente Lula: Minas Gerais, Lair, para mim é mais do que visitar um estado. Eu tenho uma relação muito, mas muito forte com Minas Gerais desde a criação do PT, que eu ando todos os vales de Minas Gerais. Eu já andei muito no Vale do Jequitinhonha, no Vale do Rio Doce, no Vale do Mucuri, no Vale do Aço. Eu já andei muito no norte de Minas Gerais. Conheço Minas Gerais como jamais algum presidente da República conheceu Minas Gerais. Jamais.

Eu duvido que, se juntar todos os presidentes, talvez o Juscelino [Kubitschek, ex-presidente da República] tenha ido a Minas Gerais, mas eu tenho certeza, porque ele foi governador de Minas Gerais. Mas eu duvido que, se juntar, desde a proclamação do Marechal Deodoro da Fonseca, em 1889, até a coisa que governou o Brasil na gestão passada, eu duvido que todos eles juntos tenham ido a Minas Gerais como eu fui.

Eu fui para construir o PT, eu fui para construir a CUT [Central Única dos Trabalhadores], eu fui para participar de greve, eu fui para participar de eleição de prefeito, de presidente da República. Eu conheço muito o Vale do Aço, conheço muito o Vale do Jequitinhonha, conheço muito o Vale do Mucuri, conheço muito o Vale do Rio Doce, conheço muito o norte de Minas. Conheço muito o sul de Minas Gerais, do Triângulo para cá, até a extrema que é a divisa com São Paulo. Eu já fui muito a Minas Gerais e Minas Gerais faz parte de uma coisa cultural muito forte para mim. Minas é o único estado atípico, porque Minas são várias Minas, não apenas uma Minas.

Jornalista Lair Rennó: É uma síntese do país.

Presidente Lula: A Minas de Brasília, a Minas de Goiás, a Minas do Rio de Janeiro, a Minas de São Paulo, a Minas do Nordeste brasileiro. É uma quantidade de Minas Gerais, é uma quantidade de cultura e depois uma riqueza culinária de causar inveja a qualquer parte do Brasil. Então, Minas Gerais está, para mim, muito mais do que um estado, faz parte da minha vida política o estado de Minas Gerais. Por que eu não fui em Minas Gerais em 2023? Porque eu peguei esse país arrasado. Fazendo uma comparação muito drástica, eu peguei esse país quase que com uma Faixa de Gaza, destruído economicamente, politicamente, não tinha relação internacional com ninguém.

Nós precisávamos reconstruir. A gente não tinha mais Ministério do Trabalho, não tinha Ministério da Cultura, não tinha Ministério da Igualdade Racial, não tinha Ministério das Mulheres, não tinha Ministério dos Povos Indígenas, não tinha Ministério dos Direitos Humanos, eles acabaram com tudo. E nós, então, passamos a reconstruir esse país. Tanto é que nós começamos com o slogan "União e Reconstrução”, porque a gente queria reconstruir esse país.

Eu vou te dar só um dado para você ver o absurdo desse país. O Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], quando eu voltei em 2023, tinha 700 funcionários a menos do que quando eu deixei em 2010, 15 anos atrás. Só para você ter ideia do destroço desse país, quando eu deixei a Presidência em 2010, esse país produzia 3, 6 milhões automóveis. Quando eu voltei em 2023, ele só produzia 1,6 milhão, menos da metade. Então nós tivemos que reconstruir esse país, para chegar no nível que nós estamos hoje.

Hoje nós estamos na fase da colheita e da entrega. Foram dois anos de trabalho. Dois anos de trabalho. Nós conseguimos aprovar num cenário muito adverso na política. Eu digo sempre para as pessoas: é fácil governar quando você tem maioria. Mas eu tenho 70 deputados em 513. Eu tenho nove senadores em 81. Com meus aliados mais à esquerda, eu tenho 130. Com os outros aliados que eu construí, eu consigo maioria. E por isso eu estou agradecido ao Congresso Nacional, porque nós aprovamos 99% de tudo que a gente queria aprovar. Inclusive, Lair, uma coisa que ninguém conseguiu fazer nesse país: uma Reforma Tributária.

Possivelmente a mais moderna reforma tributária de qualquer país do mundo vai começar a vigorar nesse país a partir de 2027. E vou te dizer mais. Segundo alguns institutos de pesquisa, e segundo o meu vice-presidente [e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços], Geraldo Alckmin, só a política tributária vai fazer com que a economia brasileira possa crescer, em média, durante vários anos, acima de 12%. É isso que pode possibilitar esse país. Porque nós estamos fazendo com que a tributação seja mais justa. Estamos cumprindo uma coisa que eu prometi há muito tempo. Estamos colocando o pobre no Orçamento e o rico no Imposto de Renda.

O Congresso vai votar na semana que vem a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil para todo o povo brasileiro e vai taxar as pessoas que ganham mais de R$ 1 milhão por ano que pagam um pouquinho, 10%, para poder compensar. E os ricos não querem pagar. E vão ter que pagar. Porque nós queremos fazer justiça tributária. Porque não é normal um pobre lá do Aglomerado da Serra, que vai ao supermercado comprar alguma coisa, ele paga o mesmo imposto que o presidente do BMG [Banco de Minas Gerais], que vai no mesmo supermercado. Então não é possível. A partir da aprovação da nossa Reforma Tributária, também a cesta básica não pagará mais Imposto de Renda. Inclusive a carne não vai pagar mais Imposto de Renda.

Jornalista Lair Rennó: Deixa eu voltar para a visita do senhor amanhã a Contagem, depois Montes Claros, na semana que vem de volta a Belo Horizonte, no Aglomerado da Serra. E, ao que parece, o governador Zema [Romeu, governador de Minas Gerais] não estará presente. Ele não tem participado de eventos com o senhor. Ele já é um pré-candidato, um lançamento, à Presidência da República. Como é que é a relação do presidente Lula, hoje, com o governador Romeu Zema?

Presidente Lula: Eu achei muito importante o seguinte. Eu trato todos os governadores, eu não faço distinção a nenhum governador. Nem ao de Santa Catarina [Jorginho Mello], que me ataca todo dia, nem ao Zema, que mente, porque o Zema é o falso humilde. Bom, quem quiser conhecer o Zema, assista ao Roda Viva. Porque, quando ele aparece nas redes dele comendo uma banana com casca, ele poderia ter sido mais radical, comer um abacaxi com casca, ou comer uma jaca com casca. Seria muito melhor para ele mostrar a bobagem que ele tentou passar para o povo.

Ele é um falso humilde. Ele tenta vender uma humildade que ele não tem. Ele não tem essa humildade. Ele, é o seguinte, tenta criar um tipo de comportamento que não condiz com a necessidade de um governo de Minas Gerais. Minas é o segundo estado economicamente mais importante do Brasil, do ponto de vista populacional. Mas Minas tem uma coisa: é o estado mais rico do ponto de vista cultural. É um estado muito rico do ponto de vista político. Ninguém sabe fazer política como o mineiro.

Todo mineiro já nasce político. E ele tenta descaracterizar a honradez do povo de Minas Gerais tentando essa falsa humildade, vendendo coisa que não tem. Oito anos falando mal do Pimentel [Fernando, ex-governador de Minas Gerais]. Oito anos, sem explicar a verdade. Porque a verdade nua e crua é que o Pimentel, durante quatro anos de mandato, teve que pagar a dívida com o Governo Federal. E ele, durante oito anos, não pagou nenhuma dívida.

Jornalista Lair Rennó: É uma dívida de R$ 160 bilhões.

Presidente Lula: A dívida está agora a R$ 191,7 bilhões. E o Pimentel pagava para o Governo Federal e ele não pagou, sabe por quê? Porque o Pimentel entrou com o processo da Suprema Corte e a ministra Rosa Weber deu ao Pimentel o direito de não pagar durante um determinado tempo. Então o senhor Zema pegou o estado sem pagar a dívida. E aí começou a dizer que ele era competente e que o Pimentel não era competente. Eu procurei o Pimentel e falei: “Pimentel, você tem que ir para o enfrentamento com o Zema. Você precisa ir para a rádio, você precisa ir para o jornal, você precisa visitar o estado e dizer o que aconteceu de verdade. Porque senão as pessoas vão contando mentiras, vão contando mentiras e agora ela vira verdade”. Se você quiser saber de uma coisa...

Jornalista Lair Rennó: O Propag, por exemplo. Essa relação que hoje é mais azeda, vamos dizer assim, entre o senhor e o governador Zema, pode atrapalhar a renegociação da dívida estadual com o Governo Federal?

Presidente Lula: Ele não pode atrapalhar porque eu fiquei sabendo ontem que a Assembleia Legislativa já aprovou o acordo que foi feito, graças ao companheiro Rodrigo Pacheco [senador]. É importante a gente dar reconhecimento a quem merece. O Rodrigo Pacheco foi um dos companheiros e foi presidente do Senado. E ele foi quem articulou a possibilidade de a gente fazer o Propag. Ele tem [inaudível], e o companheiro Alexandre Silveira, que é o meu ministro de Minas e Energia, que tem feito um bom combate para tentar desmentir as mentiras contadas contra o Governo Federal.

Pois bem, esse acordo prevê um acordo de 30 anos. São refinanciamentos em 30 anos e vai ter o desconto do juros da dívida. E o que é que nós propusemos nisso? Para a gente fazer o acordo, o desconto do juros da dívida, 60% do dinheiro, que é quase 3 bilhões e 600 milhões anuais que o governador vai deixar de pagar, para aplicar em políticas sociais.

Jornalista Lair Rennó: Reinvestidos no Estado.

Presidente Lula: Reinvestidos em políticas sociais. Para que o povo de Minas Gerais possa acompanhar o desenvolvimento de qualquer outra região desse país. Então foi um bom acordo. Eu quero agradecer à Assembleia Legislativa por ter aprovado esse acordo. E todos os estados vão ter que investir parte desse dinheiro também em educação. Para que a gente possa ter mais escolas de tempo integral. Para que a gente possa ter mais Pé-de-Meia. Para que a gente possa ter mais benefícios para o povo que mais necessita em Minas Gerais. Então essa dívida foi um acordo.

Ele pode pagar parte dessa dívida em patrimônio, em empresas públicas e tal. E a gente só vai aceitar se as empresas forem rentáveis. A gente não vai aceitar massa falida.

E também não vou pegar a empresa: “Ah, vamos pagar com a Cemig [Companhia Energética de Minas Gerais], mas o presidente tem que privatizar”. Não vou privatizar a Cemig. Eu não esqueço Itamar Franco [ex-governador de Minas Gerais e ex-presidente da República] colocando a polícia dele para enfrentar o Fernando Henrique Cardoso [ex-presidente da República] para não privatizar a Cemig. Eu não vou privatizar a Cemig.

Jornalista Lair Rennó: O senhor pode pegar controle, mas não vai privatizar.

Presidente Lula: Se a gente ficar com a Cemig, ela não será privatizada. Ela será moralizada publicamente e continuará sendo a grande empresa que ela sempre foi para o estado de Minas Gerais.

Jornalista Lair Rennó: O senhor falou do senador Rodrigo Pacheco aí. Ele vem, ano que vem, ano de eleição também para o governo do estado. A chapa do presidente Lula para Minas Gerais, a chapa dos sonhos, seria formada por Rodrigo Pacheco e Marília Campos, prefeita de Contagem, como vice?

Presidente Lula: Ó, você está me dando uma ideia. Eu posso dizer ao povo de Minas Gerais que não é ideia minha. Isso aqui é o Lair que está dizendo. Ele já encontrou o candidato a governador e a candidata a vice. Eu vou dizer para você uma coisa, Lair
Eu tenho sido muito amigo do Pacheco. Eu não conhecia o Pacheco e durante o exercício da presidência dele no Senado, eu tive a oportunidade de ter uma boa relação com o Pacheco, gosto do Pacheco, respeito o Pacheco. Acho que o Brasil deve muito a ele, porque a defesa da democracia foi ele que fez naquele Senado.

Se não fosse ele, a gente poderia ter uma situação diferente no Brasil. Então, eu acho que o Pacheco é hoje a figura pública de Minas Gerais mais respeitada de Minas Gerais. Por isso eu acho que ele está altamente qualificado para ser candidato ao que ele quiser.
E se ele quiser ser candidato a prefeito, e a companheira Marília quiser ser vice...

Jornalista Lair Rennó: Ao governo.

Presidente Lula: Não, se ele quiser ser candidato ao governo de Minas Gerais, e a Marília quiser ser vice, seria uma dupla imbatível.

Jornalista Lair Rennó: Mas o senhor conversa com ele sobre isso, né? O senhor já falou com ele sobre isso.

Presidente Lula: Eu já sondei, mas ainda não firmei nada com ele.

Jornalista Lair Rennó: E o que ele respondeu? Para o senhor já anunciar em primeira mão aqui no Balanço Geral.

Presidente Lula: Eu acho que o Pacheco está se convencendo de que todos nós, seres humanos, precisamos construir uma causa na nossa vida. Você sabe por que eu acho que eu não vou ficar velho? Eu não vou evitar que os anos sejam contados. Eu vou fazer 80 anos agora, 27 de outubro. No ano que vem eu vou fazer 81. Os anos vão passando. Mas eu não fico velho porque eu tenho uma causa. E quando você tem uma causa que levanta todo dia, disposto a cumprir aquela causa, você não fica velho. Os anos passam e a tua energia continua.

Jornalista Lair Rennó: Qual é a principal causa do presidente Lula hoje?

Presidente Lula: É fazer com que esse país se transforme num país em que o povo tenha um padrão de classe média. Em que o povo possa ter escola de qualidade, saúde de qualidade. Que o povo possa, efetivamente, ter um salário de qualidade, viver uma vida digna. Porque as pessoas não querem muito. As pessoas querem morar bem, querem comer bem, querem se vestir bem, querem estudar bem, querem ter uma profissão, querem ter acesso à cultura e ao lazer. E isso nós temos condições de garantir.

Ô, Lair, nós tínhamos acabado com a fome nesse país de 54 milhões de pessoas em 2014. Quando eu voltei em 2023, tinham 33 milhões de pessoas em situação de fome. Nós agora, 15 dias atrás, a ONU [Organização das Nações Unidas] anunciou que o Brasil outra vez saiu do Mapa da Fome. Nós tiramos 30 milhões de pessoas do Mapa da Fome. Significa que as pessoas voltaram a tomar café de manhã, almoçar e jantar, que é um sonho da minha vida. Porque não tem soberania se as pessoas não comem. Não tem soberania se as pessoas não estudam. Não tem soberania se as pessoas não têm orgulho do país em que elas moram.

Então, qual é o papel do governo? É fazer com que as pessoas se sintam bem. E o Estado esteja governando para essas pessoas. É para isso que eu fui eleito presidente da República.

Jornalista Lair Rennó: Eu sinto que esse é um tema sensível, talvez o principal tema do senhor como presidente da República. É o terceiro mandato, o Lula de hoje, se conversasse com o Lula menino, que o senhor já falou isso algumas vezes, nem sempre sabia se teria a próxima refeição, o que o senhor diria? Do país de hoje, comparando com o Lula, o Lula de hoje com o Lula menino, com as dificuldades que enfrentou.

Presidente Lula: O Lula menino saiu de Pernambuco com sete anos de idade para não morrer de fome. E o Lula de hoje é presidente da República. Eu credito essa mudança na minha vida a Deus. Se não fosse o dedo de Deus, eu não estaria onde eu estou. Tem muita gente melhor formada do que eu, tem muita gente mais estudada do que eu, tem muita gente com mais diploma do que eu. Mas quis Deus que fosse eu que chegasse a ser o único presidente a ter o terceiro mandato neste país.

Porque eu tenho um compromisso de alma, um compromisso de coração, um compromisso de vida. Esse país pode efetivamente melhorar. É por isso que o país de hoje está batendo o recorde em tudo. Se você pegar a situação econômica do país hoje, você vai perceber o seguinte: o país não crescia acima de 3% desde que eu deixei a Presidência da República. Ele só voltou a crescer quando eu voltei a ser presidente da República. A massa salarial não crescia, o salário mínimo não crescia. A merenda escolar ficou 10 anos sem reajuste.

Então um país que não dá reajuste no salário mínimo, que não dá reajuste na refeição escolar, que não dá reajuste na bolsa dos nossos pesquisadores que têm que estudar. Um país que não investe. Nós pegamos esse país com 480 mil jovens do Ensino Médio desistindo da escola para ajudar no orçamento familiar. Só vou te dar uma ideia, Lair. Lá em Minas Gerais, nós temos quase 347.900 alunos no Pé-de-Meia. Você tinha 480 mil alunos que desistiam da escola para ajudar no orçamento familiar. Nós resolvemos criar o Pé-de-Meia para garantir que esse jovem não desista da escola. Ele recebe R$ 200 por mês durante 10 meses para combater a evasão escolar. E no final do ano, se ele passar e ele tiver 80% de comparecimento, recebe mais RS 1 mil. Nos três anos, ele pode ter R$ 9 mil.

E por que nós fizemos isso? Porque é muito melhor a gente fazer o investimento para que ele continue estudando do que ficar fazendo investimento no combate ao narcotráfico. Se esse jovem não estudar, ele vai ser ganho para o outro lado. Então fica o investimento que vai deixar esse jovem orgulhoso, o pai orgulhoso, a mãe orgulhosa, e nós vamos fazer virá-los profissionais, homens de bem, cuidando desse país. Só em Minas Gerais, são 347 mil alunos que nós pagamos. Já colocamos um milhão de estudantes na escola de tempo integral, porque nós queremos que a criança fique na escola o dia inteiro para não ficar na rua. Então, eu voltei muito mais preparado, eu voltei com muito mais otimismo, e voltei para reconstruir.

Nós encontramos 147 mil casas paralisadas, quase 6 mil creches e escolas paralisadas, obras que tinham começado no governo da Dilma [Rousseff, ex-presidenta do Brasil]. Nós tivemos que reconstruir tudo isso. E vamos terminar em 2026 com um contrato de 3 milhões de casas. Eu prometi 2 milhões, e nós vamos contratar 3 milhões de casas do
Minha Casa, Minha Vida. E vamos anunciar, nos próximos dias, o maior programa para a construção civil da história desse país. Porque eu não voltei para brincar, cara, eu voltei para fazer com que o país se transforme em uma das 6ª maior economia do mundo.

Jornalista Lair Rennó: Do ponto de vista de relações internacionais com os Estados Unidos, que é difícil, que é complicado. Desafiador com o tarifaço imposto pelo governo americano de 50%. Minas, presidente, com essa sobretaxa, atingiu 63% das nossas exportações. O que o senhor fez até o momento deu resultado, e o que pode ser feito além disso?

Presidente Lula: Vamos só colocar as coisas no seu devido lugar, porque eu não sou de ficar chorando o leite derramado. Se o meu bule de leite caiu, ao invés de ficar olhando para ele chorando, eu vou ter que procurar outro leite, procurar outra vaquinha e tirar o meu leite. O que nós temos que fazer? Nós tomamos atitude e colocamos R$ 30 bilhões à disposição das empresas exportadoras que vão ter problemas, nós queremos defender o nosso trabalhador e o nosso empresário.

Jornalista Lair Rennó: Garantir emprego.

Presidente Lula: Mas, ao mesmo tempo, nós temos que levar em conta o seguinte: nós temos que procurar novos mercados. Porque esse prejuízo que a gente está achando que vai ser para nós, ele vai ser para o povo americano. Porque quem está pagando mais caro é o povo americano, quem vai comprar o café mais caro é o povo americano, quem vai comprar a máquina mais cara é o povo americano. Isso vai surtir na inflação americana. Eu quero saber até quando o Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos] vai segurar isso. E nós, é importante que a gente tenha claro, para não ficar com aquele complexo de vira-lata, chorando, “não sei das quantas, o Lula é culpado, porque o Lula é dos BRICS”.

Eu sei que o Zema disse isso, deixa eu te dizer uma coisa. Se ele não fosse tão ignorante, ele iria saber que o nosso comércio com a China é simplesmente o dobro do que o nosso comércio com os Estados Unidos. Deveria saber, no mínimo. São US$ 160 bilhões contra US$ 80 bilhões. E com a China nós vamos superavitários em mais de US$ 30 bilhões, e com os Estados Unidos nós somos deficitários, em 15 anos, em US$ 410 bilhões. Então se ele estudasse um pouco, se ele deixasse de querer ser o falso humilde e batesse o pé na realidade, ele iria saber que nós temos outro mecanismo para vender nossos produtos.

No começo do século as exportações americanas significavam 20% das exportações brasileiras. Hoje significa 12% só. Só 12%. Destes 12%, só 4% foram taxados acima da média, porque…

Jornalista Lair Rennó: Mas você acha que vai chegar num ponto de equilíbrio?

Presidente Lula: Vai chegar num ponto de equilíbrio. Ninguém pode dizer que eu não quero negociar, o problema é que os americanos não querem negociar. Eu tenho o ministro Geraldo Alckmin, vice-presidente da República, que ninguém pode dizer que é radical, foi governador de São Paulo durante 16 anos, eu tenho o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que ninguém pode dizer que é radical, como meu negociador, eu tenho o Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores. Três ministros top para negociar.

Só que ninguém nos Estados Unidos quer conversar, porque o presidente americano se acha dono do planeta. Ele acha que ele pode blasfemar o que ele quiser e os outros têm que obedecer, e fica “ah, porque o Lula tem que ligar”. Não. Sabe o que acontece? O Lula aprendeu a andar de cabeça erguida. Há muito tempo eu aprendi a andar de cabeça erguida. E um homem que anda de cabeça erguida, um homem que se respeita, um homem que tem dignidade, não rasteja diante de outro homem. Então, o dia que o Trump quiser conversar, eu estarei pronto para conversar.

Mas nem carta para mim ele mandou, nem carta, ele publicou a carta na internet dele, eu fiquei sabendo pela imprensa. Eu mandei uma carta convidando ele para a COP, uma carta civilizada, como um presidente deve mandar para o outro, uma carta assinada por mim. Então, a hora que ele quiser conversar, o Lulinha paz e amor está pronto para conversar. Mas não pensem que o Lula vai ficar mendigando uma conversa, não. O Lula vai procurar outros parceiros. Aliás, é importante, o Alckmin está agora no México, negociando um novo acordo comercial com o México, que a gente pode ajudar o México, o México pode nos ajudar.

Em outubro, eu vou participar do congresso da ASEAN [Associação das Nações do Sudeste Asiático]. São 11 países da Ásia e que tem um PIB de mais de alguns trilhões de dólares, que nós vamos tentar vender os nossos produtos lá, e vou fazer visita de estado a Malásia e a Indonésia. Então, eu não vou ficar chorando, cara. Eu vou trabalhar para que o Brasil tenha outros mercados que queiram comprar o que a gente vende. E a hora que os Estados Unidos quiserem conversar, nós estaremos prontos a conversar.

Os que falam mal do BRICS não sabem que 10 países do BRICS fazem parte do G20. Não sabem que, dos BRICS, quatro países são convidados para o G7 em toda reunião. Eu estou quase convidando o G7 para entrar no BRICS. Estou quase convidando o G20 para entrar todos no BRICS, aí fica tudo uma coisa só, não tem problema. Agora o que não dá para a gente aceitar é o fim do multilateralismo. O fim do multilateralismo significa você permitir que um país do tamanho dos Estados Unidos negocie sozinho com um país do tamanho do Uruguai. Não. O que nós queremos é que, através da Organização Mundial do Comércio, a gente possa ter negociações em que todos possam ganhar. É um jogo de ganha-ganha, cara, é um jogo de ganha-ganha. Não é um jogo onde só o grande ganha. Acabou, acabou, não existe mais espaço para imperador. Existe espaço para o fortalecimento da democracia, e o que nós queremos é que o presidente Trump respeite a carta da ONU, respeite o protocolo da Organização Mundial do Comércio e sente na mesa para negociar.

Jornalista Lair Rennó: Presidente, no ano que vem que tem a eleição presidencial, a direita já tem nomes ventilados. Por exemplo, já citei aqui do governador Romeu Zema, que é pré-candidato já. Mas tem Tarcísio Freitas [governador de São Paulo], Eduardo Leite [governador do Rio Grande do Sul], Ratinho Júnior [governador do Paraná], nomes que são ventilados. Essa pulverização da direita no ano que vem, o que o senhor pensa disso? De vários nomes, o governador Zema disse, por exemplo, que acha interessante, quanto mais nomes da direita, na avaliação dele, melhor. Qual é a sua avaliação?

Presidente Lula: Eu também acho melhor, quanto mais eles tiverem candidato, melhor.
Aliás, o Brasil precisa que tenha muito candidato. Não é a primeira reunião que eu disputo com muito candidato. É importante para quem tem memória aguçada, que em 89...

Jornalista Lair Rennó: Em 89 eram quantos?

Presidente Lula: Em 89, eu era um simples metalúrgico de um partido criado há oito anos, que disputou contra o doutor Ulysses Guimarães, doutor Paulo Salim Maluf, doutor Aureliano Chaves, doutor Mário Covas, doutor Afif Domingos, doutor Enéas [Carneiro], doutor Roberto Freire. Eu era o único que não tinha diploma universitário e fui para o segundo turno. De lá para cá, ou o PT é o segundo ou o primeiro, ou o segundo ou o primeiro, ou o segundo ou o primeiro. Nós fomos o segundo em 89, o segundo em 94, o segundo em 98, o primeiro em 2002, o primeiro em 2006, o primeiro em 2010, o primeiro em 2014, o segundo em 2018 e o primeiro em 2022.

Estamos preparados para ser o primeiro em 2026 outra vez. Estamos preparados para ser o primeiro. Então, eu jamais pedirei para um presidente de partido não lançar candidato a presidente. Porque eu só sou o presidente porque eu teimei. Eu fui candidato. As pessoas não queriam que eu fosse candidato, os meus adversários, mas eu fui candidato. Então, eles que saiam candidatos. Eles precisam virar liderança nacional. Esse país não tem liderança nacional. Não tem.

Esse país teve o Lula e o Getúlio [Vargas, ex-presidente do Brasil]. Embora o Getúlio tenha sido uma espécie de ditador nos primeiros 15 anos do mandato dele, ele criou o salário mínimo e criou a CLT, que foi uma libertação do povo trabalhador desse país e depois eu, para fazer política de inclusão social. Quem mais? Quem mais? Então, é o seguinte, o povo vai poder aferir.

Jornalista Lair Rennó: Vai ser polarizado como foi em 2022?

Presidente Lula: Eu acho que vai ser polarizado.

Jornalista Lair Rennó: Mais ou menos?

Presidente Lula: Pode surgir 10 times em Minas Gerais, mas o Cruzeiro e o Atlético serão eternamente polarizados. Podem surgir 10 times aqui em São Paulo. Corinthians e Palmeiras será a maior polarização. Flamengo e Vasco será a maior polarização. Grêmio e Internacional será a maior polarização. Brasil e Argentina é a maior polarização. Então, as eleições vão ser polarizadas. E é bom. Sabe por quê? Porque no mundo inteiro, quando tem dois candidatos, ela é polarizada. No mundo inteiro, a eleição é polarizada. No mundo inteiro.

Então, é o seguinte, vamos disputar. Vamos disputar. Ela vai ser polarizada. Acho que não há espaço para uma terceira via. Não haverá espaço. As pessoas vão ter que escolher o lado que vão ficar. Eu tenho dito, Lair, com muita tranquilidade o seguinte: a condição para que eu seja candidato é eu estar 100% de saúde, de cabeça e fisicamente. Se eu não estiver, eu não sou candidato. Eu digo para todo mundo.

Jornalista Lair Rennó: Hoje o senhor está 100%?

Presidente Lula: Eu não quero enganar ninguém. Agora, eu quero saber se os outros vão estar melhor do que eu. Eu quero saber se os outros vão estar melhor do que eu. Eu me preparo. Me preparo fisicamente, cuido da minha saúde, porque eu gosto de mim. Eu tenho uma causa nesse país. Eu quero que o povo brasileiro deixe de ser tratado como se fosse um cidadão de segunda categoria. Nós já conseguimos isso.

Se você vai à Universidade Federal de Minas Gerais, você percebe que não é mais uma universidade de branco. Se você for na USP [Universidade de São Paulo] em São Paulo, você vai descobrir que não é mais uma universidade de branco. É uma universidade onde as pessoas negras da periferia estão estudando. As meninas e os meninos que antes eram marginalizados. É esse o país que eu quero. É esse o país da igualdade. Da igualdade de renda, da igualdade racial, da igualdade de gênero, da igualdade de oportunidades. É esse o país que eu vou construir.

Jornalista Lair Rennó: Para a gente encerrar essa entrevista aqui, um recado para o povo mineiro.

Presidente Lula: Olha, eu queria dizer ao povo mineiro que eu estarei outra vez. Eu vou amanhã a Minas Gerais e na outra semana eu vou no Aglomerado da Serra lançar o programa Gás do Povo. É um programa que a gente vai entregar por botijão de gás para o povo mais pobre desse país. Porque tem gente cozinhando com querosene, tem gente cozinhando com álcool, tem gente cozinhando com lenha. Tem muita gente procurando hospital com queimadura. Nós vamos tratar de ajudar as pessoas que mais necessitam neste país. Todo mundo sabe, eu cuido de todos.

Mas eu sou que nem uma mãe. O que tiver um probleminha, é o que eu vou dar com mais carinho. E quem tem mais problema é o povo mais humilde desse país. Então, cuidar de fazer com que a juventude brasileira continue sonhando. Sonhar. E sonhar grande. Não desistir jamais. Não desistir jamais. A minha mãe dizia, se tem uma coisa que marca a minha vida, é que muitas vezes a gente estava na beira de uma mesa, sentado, e não tinha o que colocar no fogo para a gente comer.

A minha mãe, eu nunca vi ela reclamar. Ela falava assim: “hoje não tem, mas amanhã vai ter”. Então, a minha vida sempre foi assim. Se hoje está difícil, amanhã não vai estar difícil. E cabe a mim lutar para melhorar. Então, eu peço sempre para a juventude: pelo amor de Deus, não desistam nunca. Não desistam nunca. O dia que um jovem estiver em casa, na internet, ou na televisão, ou no rádio, achando que todo político é ladrão, que ninguém presta, que não sei o que lá, “eu não vou votar, porque ninguém presta”. Vote e entre você na política, porque o político bom está dentro de você.

Não queira que os outros sejam o que você é. Entre você na política, dispute. Porque sabe qual é a desgraça de quem não gosta de política? É que é governado por quem gosta. E se a maioria não gostar, vai ter que governar sempre pela melhoria. Então, tem esse recado que eu dou para o povo mineiro. Minas é o estado mais sabido politicamente. Minas merecia um governador melhor do que o Zema. Alguém mais mineiro, que não fosse falso humilde, que fosse alguém verdadeiro. A Minas de Tiradentes [Joaquim José da Silva Xavier]. A Minas de Tancredo [Neves]. A Minas de Henfil [desenhista]. A Minas de Betinho [Hebert de Souza, sociólogo]. A Minas de Frei Betto [frade]. A Minas de Dilma Rousseff. É essa gente que precisa botar na cabeça. Minas é um estado muito importante.

Portanto, é que eu amo Minas Gerais.

Jornalista Lair Rennó: Presidente, muito obrigado mais uma vez.

Presidente Lula: Obrigado e até a próxima oportunidade.

Tags: EntrevistaLuiz Inácio Lula da SIlvaTV RecordMinas Gerais
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