Entrevista do presidente Lula à Rede Amazônica
Welliton Lopes – O presidente Lula nos recebe no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência da República, para responder questões importantes para o povo da Amazônia. Presidente, gostaria que o senhor começasse falando sobre duas agendas que o senhor vai cumprir amanhã em Manaus. Na parte da manhã, a inauguração do Centro de Cooperação Policial Internacional e, à tarde, a entrega da Infovia 04 do Programa Norte Conectado. Obrigado por nos receber.
Presidente Lula – Welliton, primeiro eu queria te dizer que vai ser uma pena, eu vou chegar em Manaus e não vou encontrar o meu velho amigo Phelippe Daou [Phelippe Arce Daou, jornalista, empresário e mecenas brasileiro, falecido em 2016] para me receber. Porque todas as vezes que eu fui quando era presidente, eu sempre tive oportunidade de ter um encontro com o Phelippe Daou, junto com o Eduardo Braga, depois junto com o companheiro Aziz [Omar, senador]. E ele morreu e deixou um vazio muito grande na comunicação brasileira, porque a rede de vocês é uma da rede mais espetacular que eu conheço no Brasil.
Ao mesmo tempo, você falar com o Amazonas, falar com o Pará, falar com o Macapá, falar com o Acre, falar com o Roraima, falar com o Rondônia, ao mesmo tempo. Além da periferia, se duvidar chega na Bolívia, se duvidar chega no Peru. Então, eu vou a Manaus, porque é muito importante esse centro que vai ser criado na Amazônia, o Centro de Cooperação Policial de combate ao narcotráfico em Manaus. Vai ser um centro que vai atender praticamente a quantidade de quilômetros, não sei se você se deu conta, que nós temos só 3,4 mil quilômetros de fronteira com a Bolívia, ambas com boa parte na floresta da Amazônia. E mais de 3 mil quilômetros com a fronteira com o Peru, são quase 6 mil quilômetros de fronteira que nós temos.
E o México tem 3 mil com os Estados Unidos e dá problema todo santo dia, fizeram até o muro de proteção. Nós, ao invés de fazer o muro, nós vamos criar uma polícia preparada. Essa polícia vai trabalhar com policiais de todos os estados amazônicos e também vai trabalhar com todos os países amazônicos da América do Sul para que a gente possa fazer uma luta muito dura contra o garimpo ilegal. Uma luta muito dura contra os madeireiros ilegais. Uma luta muito dura contra o tráfico de armas, tráfico de drogas, ou seja, o crime organizado. Por isso eu vou lá com muito orgulho. O presidente da Colômbia vai participar junto comigo amanhã [9 de setembro] e depois ainda vamos inaugurar uma parte da Infovia.
Você sabe que a Infovia vai ser uma revolução digital para a região amazônica. Ou seja, a gente vai fazer com que todos os estados estejam digitalmente conectados para que vocês possam ter lá comunicação de primeira linha sem dever nada a nenhuma outra parte do mundo. Isso é uma coisa que eu quero fazer com muito orgulho, porque hoje sem a comunicação você não consegue fazer desenvolvimento, você não consegue crescer economicamente, você não consegue crescer do ponto de vista educacional.
Então, nós vamos fazer essas duas coisas em Manaus e para o mês de outubro eu tenho que voltar a Manaus para fazer outras coisas. Eu tenho que inaugurar Minha Casa, Minha Vida, eu tenho que inaugurar uma ponte que caiu e que nós já reerguemos essa ponte. De forma que eu vou muito prazerosamente a Manaus amanhã fazer essas duas visitas.
Welliton Lopes – Saindo do Amazonas, nós vamos agora para o Amapá. O senhor já disse publicamente que é a favor da exploração de petróleo na costa do Amapá. Mas ainda falta uma decisão, o Ibama ainda precisa autorizar a Petrobras a fazer a perfuração do bloco exploratório. Nesse caso vai prevalecer uma decisão política ou técnica?
Presidente Lula – Welliton, às vezes a discussão se dá de forma errada e equivocada. Aqueles que têm pressa acham que tem que ser imediatamente. Não é assim que a gente faz as coisas. Primeiro, a Petrobras é uma empresa que tem a mais importante experiência de prospecção de petróleo em águas profundas e nunca teve nenhum incidente. Segundo, nós temos uma estimativa muito grande com relação à selva amazônica. Ou seja, nós queremos preservar a Amazônia, não como uma coisa intocável, mas que ela seja explorada, seja no mar ou em terra, da forma mais responsável possível, porque nós sabemos o que representa o cuidado com a Amazônia.
Então, nós vamos explorar o petróleo. O que nós estamos fazendo é cumprindo etapas. A Petrobras já fez o teste. Ou seja, não sei se você sabe, joga umas bolinhas não sei aonde lá para saber se as bolinhas vão vir para a margem ou ir para o mar. As bolinhas foram para o mar, portanto o Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis] deve estar satisfeito com o resultado da pesquisa e o Ibama agora vai dar a licença para a gente começar a fazer a primeira experiência nossa.
É muito importante para o Brasil e é muito importante para a Amazônia. Porque uma das coisas que as pessoas que são contra combustível fóssil têm que aprender e têm que entender é que nós precisamos utilizar o potencial de combustível fóssil do Brasil para fazer a revolução na transição energética que nós temos que fazer no Brasil. A energia solar, a energia eólica, a biomassa. Ou seja, nós temos que utilizar o hidrogênio verde, mas para tudo isso nós precisamos de dinheiro. E o combustível fóssil do petróleo pode ser o dinheiro que falta para a gente fazer a revolução na nossa transição energética no Brasil.
Porque nós defendemos uma transição energética verde, nós temos o cuidado de preservar a Amazônia, por isso é que nós assumimos o compromisso de chegar a desmatamento zero em 2030. Então, o que o povo pode ter clareza é que as coisas estão sendo feitas com muita maturidade e muita responsabilidade. Porque se a gente fizer de forma apressada e não der certo, vão dizer que a gente foi precipitado. Se a gente demorar para fazer muito, vão dizer que a gente demorou. Então, nós temos que ter um equilíbrio entre a necessidade de preservação e a necessidade de fazer a prospecção correta para a gente ajudar o Brasil a dar um salto de qualidade.
Welliton Lopes – Presidente, saindo do Amapá, vou agora fazer uma pergunta que envolve pelo menos três estados: Roraima, Amazonas e Rondônia. Tem uma BR lá, que já deve ter tirado o sono do senhor, a BR-319. Ela liga Manaus a Porto Velho, é a única ligação terrestre do Amazonas e também quem vem de Roraima com o restante do Brasil. Mas tem um problema ambiental para ser resolvido e há mais de 20 anos não se chega a um consenso sobre aquela parte do meio que corta a floresta, onde a floresta é preservada. O senhor acha possível haver uma solução definitiva nessa gestão?
Presidente Lula – Permita, antes de falar desses três estados que você citou, voltar à questão do Amapá. Você sabe que eu pedi ontem, estive com a Embrapa aqui me visitando, e eu pedi para a Embrapa [Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária] para ele me mandar um vinho que é produzido de açaí. E também me parece que vinho de cupuaçu. Então, é muito importante. Eu pedi porque eu quero ver, quero experimentar. Porque o que nós vamos fazer? Quando eu tiver a COP30, ninguém vai precisar tomar vinho francês, vinho espanhol, vinho italiano. Vai tomar um vinhozinho produzido no Amapá. Vinho de açaí, vinho de cupuaçu e de outras coisas que a gente puder produzir, que é para mostrar a riqueza da bioeconomia para os estrangeiros que vieram visitar a nossa querida cidade de Belém, na COP30. Então eu estou aguardando o vinho de açaí para levar para o pessoal beber.
A segunda coisa é o seguinte: a BR 319 precisa ser feita. Isso é uma briga eterna, Welliton. Eu já fui presidente duas vezes, isso já esteve na minha mesa muitas vezes. É uma questão ambiental muito séria, é uma questão de pressão internacional. Às vezes, tem uma pressa muito grande dos estados. Às vezes, as pessoas jogam a culpa em cima da Marina [Marina Silva, ministra do Meio Ambiente]. Eu falo para eles que a Marina ficou 15 anos fora do governo, portanto se não foi feito, não culpem a Marina. O que a Marina faz, é importante que ela seja assim, é que a Marina nunca disse que é proibido fazer. O que a Marina quer discutir é como fazer as coisas. E se fizer bem feito é melhor para todo mundo.
Então, nós estamos discutindo com muita seriedade. Eu penso que esse mês ainda vai ter um acordo definitivo. A gente vai fazer a BR-319. Agora é importante que a gente assuma a responsabilidade enquanto Governo Federal, enquanto governo estadual, para a gente cuidar da Amazônia. A gente não pode fazer uma rodovia e, dois meses depois que a gente tiver a rodovia pronta, estar o desmatamento, estarem os grileiros, estar ali criando gado onde não pode criar gado, nem plantando soja onde não pode plantar soja. Então, nós temos que fazer as coisas com muita responsabilidade. Nós vamos ter que naquele famoso trecho do meio, que tem quase 400 quilômetros, nós vamos ter que ter uma responsabilidade do governo do Estado, do Governo Federal, e das prefeituras para que a gente mantenha a floresta intocável para o bem da humanidade.
Isso nós vamos fazer. Eu posso te garantir hoje, olhando bem no teu rosto, que nós vamos fazer a BR-319. E vamos fazê-la de comum acordo com os ambientalistas, de comum acordo com aqueles que precisam da estrada e, sobretudo, para atender duas capitais que não podem ficar isoladas como ficam Porto Velho e Manaus.
Welliton Lopes – Falando agora sobre a COP30, presidente, muitos países têm reclamado que está inviável enviar delegações por causa do alto preço das hospedagens. O senhor tem receio de que esse problema acabe frustrando a realização da COP na Amazônia?
Presidente Lula – Não. Sabe por que eu não tenho, Welliton? Quando eu decidi reivindicar a COP para a cidade de Belém, eu já conhecia Belém há muito tempo. Mas eu resolvi fazer a COP em Belém, porque é preciso fazer a COP no coração da Amazônia, com as facilidades e com as dificuldades que a Amazônia apresenta. Eu conheço a infraestrutura de Belém. Eu sei da dificuldade, eu sei da falta de leito, mas nós estamos fazendo um esforço incomensurável. Só para você ter ideia, só do Governo Federal tem mais de R$ 6 bilhões investidos na questão de saneamento básico e infraestrutura. Nós, inclusive, o Governo Federal agilizou a contratação de dois navios, com quase 3 mil habitações, para atender uma parte da população. Agora, as pessoas não pensem que vai ter uma COP feita em Paris, feita em Madrid, feita em Roma. Não. É uma COP feita no Brasil, no estado do Pará, na cidade de Belém, no coração da selva Amazônica. Inclusive, com muito carapanã [mosquito característico da região Norte do Brasil].
Então, as pessoas precisam saber disso. Ou seja, não é um desfile de COP, em que as pessoas vão querer comprar coisas. Não, lá a gente quer mostrar para vocês a Amazônia. Para as pessoas saberem que na Amazônia moram aproximadamente 30 milhões de pessoas, que embaixo de cada árvore daquela que a gente quer preservar tem um seringueiro, tem um pescador, tem um pequeno trabalhador rural, tem um indígena. E que essa gente precisa que os países ricos paguem a conta para que a gente possa mantê-los tomando conta da floresta.
Então, eu estou muito tranquilo com relação a isso. Estou muito tranquilo. Eu disse outro dia para o ministro-chefe da Casa Civil [Rui Costa]: se precisarem de um exemplo, eu dou um exemplo. Eu não vou pagar hotel caro. Não vou pagar hotel caro. O preço do hotel que nós fizemos os Brics no Rio de Janeiro, que fizemos o G20 do Rio de Janeiro, é o preço mais alto. Ora, se alguém está cobrando muito caro em Belém e alguém já comprou, é porque alguém quer pagar. Então, nessa história a gente tem que saber que o mercado pode regular para mais ou para menos. Para os países mais pobres, nós estamos cuidando de ajudar. Inclusive o governador do Pará, o Helder [Barbalho], tem dado uma contribuição enorme. Nós vamos fazer a COP.
Eu vou te contar uma coisa, Welliton: Nós fizemos o melhor G20 da história do G20. Nós fizemos o melhor Brics da história do Brics. E vamos fazer a melhor COP da história da COP. Não é uma feira, uma exposição de produtos climáticos. Não. É uma reunião para se discutir a verdade. Nós queremos saber se os chefes de Estado que vão comparecer acreditam na ciência ou não. Se eles querem tomar posições para que a gente estabeleça, inclusive, uma governança climática ou não. Se eles vão querer criar um fundo para que a gente possa manter as florestas em pé ou não. Vai ser a COP da verdade, Welliton. E a gente vai ficar lá do jeito que Deus quer. Espero que esteja lua cheia. Se não tiver lua cheia, que tenha uma lua bonita. Que não chova muito. As pessoas vão adorar a cidade de Belém, adorar a Amazônia e adorar o Brasil. É isso que eu quero.
Welliton Lopes – Presidente, falando agora de tarifaço. Produtores, por exemplo, de açaí da Amazônia foram prejudicados com a sobretaxa dos 50%. O Programa Brasil Soberano, o senhor acha que ele vai ser suficiente para atender esses produtores? O governo pode fazer algo mais?
Presidente Lula – Nenhum produtor será prejudicado. Eu vou repetir: nenhum pequeno produtor de açaí, produtor de mel, produtor de castanha, ninguém vai ser prejudicado. Porque o governo não vai permitir que pequenos e médios produtores sejam prejudicados por isso. Nós já criamos um fundo para ajudar a financiar aqueles que possivelmente tenham o problema. Só para você ter ideia, na semana do tarifaço, eu estava fazendo uma visita no Acre e fui visitar uma cooperativa de castanha do Brasil. Antigamente, era a castanha do Pará, mas aí, como o Acre produz, a Bolívia produz, a Colômbia produz, ninguém chama mais de castanha do Pará. É castanha da Amazônia. Então, eu fui visitar o Acre. Tudo aquilo que os Estados Unidos iam comprar, o equivalente a US$ 9 milhões, a Europa comprou. Então, quanto mais castanha, quanto mais açaí, quanto mais suco de cupuaçu, graviola sobrar, mais o mundo vai aprender a comer.
E, depois, nós temos uma rede de alimentação escolar muito grande. Se for necessário, o governo assume a responsabilidade de não permitir que os nossos pequenos e médios produtores sofram com a irresponsabilidade da taxação sobre esses produtos aqui no Brasil. Podem ficar tranquilos, durmam tranquilos, porque não faltará governo para ajudar vocês.
Welliton Lopes – Falando agora, presidente, da situação dos Yanomami. Uma das primeiras medidas da gestão do senhor, logo em janeiro de 2023, foi declarar emergência em saúde pública por causa da desassistência na terra Yanomami, em Roraima, também do garimpo ilegal, invasor. Que balanço o senhor faz quase três anos depois, considerando que o garimpo ainda está ali por perto, querendo voltar a invadir.
Presidente Lula – Olha, eu te confesso que foi uma visita que eu fiz em janeiro de 2023. Uma das primeiras coisas que eu fiz foi visitar Roraima. E fui visitar o hospital da saúde lá que cuidava. Eu fiquei muito irritado, fiquei muito nervoso com o descaso e com o desprezo que o governo anterior tinha dado à questão indígena. E decidimos uma série de coisas. E eu fiquei mais nervoso ainda, porque depois de um ano de a gente decidir, as coisas não tinham acontecido. Eu fiquei muito irritado, Welliton. Então, eu fiz uma reunião com todos os ministros envolvidos, com todos, sem distinção, para resolver montar a Casa do Governo. Montamos uma estrutura profissional com representação do Governo Federal em todas as áreas para que a gente possa, definitivamente, dar aos Yanomamis a cidadania que eles merecem. É importante a gente saber que não são os Yanomamis que estão atrapalhando a gente. Eles já estavam ali quando os portugueses chegaram ao Brasil.
Então, o que nós precisamos é dar a eles tratamento respeitoso. Por isso, eu estarei visitando agora a Roraima, outra vez, e eu vou ao coração da selva amazônica, a quase 600 quilômetros floresta adentro, para poder visitar eles e ver como é que eles estão vivendo. Nós vamos inaugurar um hospital, nós já acabamos com 98% do garimpo, ou seja, isso já acabou, mas ainda falta muito para a gente fazer. Todas aquelas pessoas que eram impossíveis de serem salvas, por falta de atendimento médico, foram salvas. Mas ainda tem muita coisa para fazer porque o povo, sinceramente, era quase abandonado. Então, nós temos que montar uma estrutura para que a gente tenha acesso para chegar lá.
As pessoas não querem que a gente faça estrada. Não tem como chegar de barco. Só tem como chegar de avião. Avião, não dá para ir todo dia. Então, o que nós precisamos é criar as condições para que agentes da Funai, para que agentes do Ministério da Saúde, para que agentes do governo que cuidam da questão do respeito aos indígenas brasileiros possam visitar sempre que for necessário visitar os Yanomamis.
Eu posso te garantir, Welliton, que melhorou, eu diria uns 60%, 70%. Mas ainda falta muito. Nós precisamos plantar coisas para eles comerem, precisamos tratar da água bem limpa, já estamos resolvendo com filtro e estamos resolvendo com cisterna. Mas é importante que a gente crie condições para eles sobreviverem dignamente. Eu, quando cheguei em Boa Vista, eu vi indígena que vinha de onde ele morava, muito longe, comprar alimento com o Bolso Família e depois ele não tinha como voltar para casa. Então, nós precisamos garantir o direito de ir e vir dessa gente.
É por isso que eu tenho que ir lá fazer uma visita. Eu vou lá no coração, onde nunca um presidente da República colocou os pés. Eu quero colocar os pés. Porque eles são brasileiros e merecem ser tratados com muito respeito.
Welliton Lopes – Uma última questão, presidente. Até retomando um raciocínio que o senhor colocou aí no começo. Esse problema da nossa fronteira, que é muito extensa ali, e aí tem produtores de drogas do outro lado, o crime organizado vai proliferando por ali. Como é que o Estado brasileiro pode fazer frente a um problema que vem crescendo e que é tão grave?
Presidente Lula – Olha, nós temos que tratar, Welliton, o crime organizado como uma indústria multinacional. O crime organizado hoje está em tudo quanto é lugar. Ele está no futebol, ele está na Justiça, ele está na política, ele está em todas as instituições. Está metido em tudo. Você veja que nós fizemos uma operação, a maior operação da história do Brasil já feita contra o narcotráfico, e nós fomos chegar aonde? Na Faria Lima. Nós fomos chegar nas fintechs. Nós fomos chegar nessas empresas de jogos. Então tem muita gente envolvida.
É, por isso, que nós estamos montando um centro de investigação na Amazônia, para que a gente possa, numa combinação com os outros países e com os nossos governadores dos estados, a gente ser mais agressivo no combate ao narcotráfico, ser mais agressivo com relação ao tráfico de armas. Porque entram por ali também muitas armas, e mais agressivo para proteger a nossa floresta. Não vai cortar madeira quem não tiver autorização para cortar e não vai garimpar quem não tiver autorização para garimpar. É isso que vai acontecer nesse país. Esse país tem lei e as pessoas vão ter que aprender a respeitar.
Agora, se o Estado estiver ausente, ninguém respeita. Então o Estado vai estar presente.
E é por isso que eu vou lá inaugurar esse centro e dizer para você que eu fico com muito orgulho, porque em 500 anos de história, a primeira ponte entre Brasil e Bolívia fui eu que fiz. E a primeira ponte entre o Brasil e o Peru fui eu que fiz também. Ou seja, porque a gente vivia de costas uns para os outros. E o que nós precisamos fazer? Agora estamos fazendo cinco possibilidades com ferrovias e com rodovias para a gente ligar o Atlântico e o Pacífico. Quando a gente fizer isso, a gente vai diminuir a distância do Brasil para a China em praticamente 10 mil quilômetros. O que é uma coisa extraordinária para o comércio brasileiro.
E, no mais, dizer ao povo do Amazonas o seguinte: a Amazônia é uma parte do Brasil que tem que ser levada em conta, porque ela é o Brasil mais original que nós temos hoje. Ela tem tudo que nós precisamos. Ela tem toda a riqueza da floresta, da fauna, toda a riqueza da água doce que nós precisamos. Então, o Brasil precisa olhar a Amazônia com um carinho um pouco maior. E fazer o mundo entender a Amazônia com esse carinho. Então, por isso que nós vamos fazer a COP lá.
Welliton, eu tenho certeza, acho que você vai estar lá, obviamente, você não pode deixar de estar lá. Um homem de Caxambu, que faz jornalismo em Brasília, vai estar lá em Belém para cobrir a COP e vai ser uma coisa extraordinária. Eu acho que vai ser uma COP excepcional.
E depois é o seguinte: o Norte do Brasil, uma coisa importante que o Juscelino [Kubitschek, ex-presidente da República, idealizador de Brasília] fez quando a gente fez a Belém-Brasília, foi trazer Brasília para o oeste e depois fazer o Brasil ir para o Norte. Nós precisamos muito ainda fazer o Norte se desenvolver. Mas hoje o desenvolvimento da Região Norte do país não é mais aquela devastação que era feita antigamente. Agora, nós não precisamos mais derrubar árvores para plantar alguma coisa. Nós temos 40 milhões de hectares de terra degradadas que a gente pode utilizar para criar o que a gente quiser, para plantar o que a gente quiser, sem precisar derrubar a floresta Amazônica.
Agora, é importante ter claro que a Amazônia não é um santuário da humanidade. Lá tem gente que quer trabalhar, que quer viver, que quer ter acesso a bens materiais, quer ter uma casa, quer ter um televisor, quer ter uma geladeira, quer ter um carrinho. Nós precisamos criar as condições para que as pessoas tenham tudo isso. Além de uma boa qualidade educacional e uma boa qualidade da medicina. Se a gente fizer isso, a Amazônia estará preservada e muito ligada ao Brasil.
Welliton Lopes – Presidente, renovo aqui meu agradecimento. De Brasília, Welliton Lopes.