Ir para o Conteúdo 1 Ir para a Página Inicial 2 Ir para o menu de Navegação 3 Ir para a Busca 4 Ir para o Mapa do site 5
Abrir menu principal de navegação
Planalto
Termos mais buscados
  • imposto de renda
  • inss
  • assinatura
  • cnh social
  • mei
Termos mais buscados
  • imposto de renda
  • inss
  • assinatura
  • Acesso à Informação
    • Institucional
      • Estrutura da Presidência
      • Competências
      • Base Jurídica
      • QUEM É QUEM | Principais cargos e respectivos ocupantes
      • Perfil Profissional
      • Atos normativos
      • Horários de atendimento do órgão
      • Gabinete Pessoal do Presidente da República
      • Assessoria Especial do Presidente da República
      • Redes Socias
    • Ações e Programas
      • Programas, Projetos, Ações, Obras e Atividades
      • Carta de Serviços
      • Concessões de Recursos Financeiros ou Renúncias de Receitas
      • Programas Financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT
      • Governança
      • Plano de Gestão de Logística Sustentável
      • Orçamento Público
      • Governo Digital
    • Participação Social
      • Ouvidoria
      • Audiências e Consultas Públicas
      • Conselhos e Órgãos Colegiados
      • Conferências
      • Editais de Chamamento Público
      • Outras Ações
    • Auditorias
      • Prestação de Contas
      • Relatórios de Gestão
      • Demonstrações Contábeis
      • Rol de Responsáveis
      • Relatórios de Auditoria
      • Plano Anual de Atividades de Auditoria Interna
      • Relatório Anual de Atividades de Auditoria Interna
    • Convênios e Transferências
    • Receitas e Despesas
    • Licitações e Contratos
    • Servidores
    • Informações Classificadas
    • Serviço de Informação ao Cidadão
    • Tratamento de Dados Pessoais
    • FAQ - Perguntas Frequentes
    • Dados Abertos
    • Sanções Administrativas
    • Ferramentas e aspectos tecnológicos
    • Prestação de Contas
    • Radar da Transparência Pública
  • Acompanhe o Planalto
    • Notícias
    • Artigos
    • Comunicados Interministeriais
    • Discursos e pronunciamentos
    • Entrevistas
    • Notas Oficiais
    • Central de Conteúdo
      • Áudios
      • Imagens
      • Vídeos
      • Textos
    • Área de Imprensa
    • Agenda do Presidente da República
    • Agenda da Primeira-Dama
    • Agenda do Presidente em exercício
  • Agenda Internacional
    • Missões Internacionais
      • Missão a Honduras
      • Missão ao Vietnã
      • Missão ao Japão
      • 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul
      • Cúpulas do BRICS
      • Missão ao México
      • Assembleia da ONU 2024
      • Missão à Itália
      • Missão à Colômbia
      • COP28
      • Assembleia da ONU 2023
      • G20 2023
      • Missão à África
      • Cúpula da Amazônia
      • Missão à Bélgica
      • Missão à Europa
      • Missão ao Japão
      • Missão a Portugal
      • Missão à China
      • Missão aos EUA
      • Missão à Espanha
    • Visitas ao Brasil
      • Visita do presidente do Chile
      • Visita do presidente de Portugal e do primeiro-ministro português
      • Visita do presidente da China
      • Visita do presidente da França
    • BRICS
    • COP30
    • Cúpula do G20
    • Operação Raízes do Cedro
  • Conheça a Presidência
    • Biografia do Presidente da República
    • Biografia do Vice-Presidente
    • Órgãos da Presidência da República
      • Orgãos Essenciais
      • Órgãos de Assessoramento Imediato
      • Órgãos de Consulta
      • Conselhos
      • Órgão Vinculado
    • Ministros e Ministras
    • Conselhos
    • Principais Tropas
    • Ritos e Solenidades
    • Palácios e Residências
      • Palácio do Planalto
      • Palácio da Alvorada
      • Palácio do Jaburu
      • Granja do Torto
      • Agende sua visita ao Palácio do Planalto
      • Programas de visitação
    • Biblioteca da Presidência da República
      • Símbolos Nacionais
      • Constituição Federal
      • Legislação
      • Biblioteca da Presidência
    • Acervo Cultural
    • Acervos Presidenciais
      • Comissão Memória
      • Acervo
  • Credenciamento de Imprensa
    • Cobertura Diária e Eventos em Brasília
    • Cobertura de Viagens
  • Fale Conosco
    • Fale com o Presidente
  • Vice-Presidência
    • Acesso à Informação
      • Institucional
      • Ações e Programas
      • Gestão Estratégica
      • Participação Social
      • Auditorias
      • Licitações e Contratos
      • Convênios e Transferências
      • Receitas e Despesas
      • Informações Classificadas
      • Serviço de Informação ao Cidadão
      • Perguntas Frequentes
      • Dados Abertos
      • Demonstrações Contábeis
      • Diárias e Passagens
      • Servidores
      • LGPD
      • Sanções Administrativas
      • Ferramentas e aspectos tecnológicos
      • Presentes entregues a Vice-Presidentes
      • Relatório Anual da LAI
      • Outros
    • Agenda Vice-Presidente Geraldo Alckmin
      • Agenda do Vice-Presidente
      • Agenda de Presidente em Exercício
    • Agenda de Autoridades
      • Compromissos Públicos
      • Gestões Passadas
    • Central de Conteúdo
      • Notícias
      • Discursos
      • Comunicados
      • Artigos
      • Arquivo Público
    • Canais de Atendimento
      • Ouvidoria
      • Imprensa
    • Redes Sociais
  • GOV.BR
    • Serviços
      • Buscar serviços por
        • Categorias
        • Órgãos
        • Estados
      • Serviços por público alvo
        • Cidadãos
        • Empresas
        • Órgãos e Entidades Públicas
        • Demais segmentos (ONGs, organizações sociais, etc)
        • Servidor Público
    • Temas em Destaque
      • Orçamento Nacional
      • Redes de Atendimento do Governo Federal
      • Proteção de Dados Pessoais
      • Serviços para Imigrantes
      • Política e Orçamento Educacionais
      • Educação Profissional e Tecnológica
      • Educação Profissional para Jovens e Adultos
      • Trabalho e Emprego
      • Serviços para Pessoas com Deficiência
      • Combate à Discriminação Racial
      • Política de Proteção Social
      • Política para Mulheres
      • Saúde Reprodutiva da Mulher
      • Cuidados na Primeira Infância
      • Habitação Popular
      • Controle de Poluição e Resíduos Sólidos
    • Notícias
      • Serviços para o cidadão
      • Saúde
      • Agricultura e Pecuária
      • Cidadania e Assistência Social
      • Ciência e Tecnologia
      • Comunicação
      • Cultura e Esporte
      • Economia e Gestão Pública
      • Educação e Pesquisa
      • Energia
      • Forças Armadas e Defesa Civil
      • Infraestrutura
      • Justiça e Segurança
      • Meio Ambiente
      • Trabalho e Previdência
      • Turismo
    • Galeria de Aplicativos
    • Acompanhe o Planalto
    • Navegação
      • Acessibilidade
      • Mapa do Site
      • Termo de Uso e Aviso de Privacidade
    • Consultar minhas solicitações
    • Órgãos do Governo
    • Por dentro do Gov.br
      • Dúvidas Frequentes em relação ao Portal gov.br
      • Dúvidas Frequentes da conta gov.br
      • Ajuda para Navegar o Portal
      • Conheça os elementos do Portal
      • Política de e-participação
      • Termos de Uso
      • Governo Digital
      • Guia de Edição de Serviços do Portal Gov.br
    • Canais do Executivo Federal
    • Dados do Governo Federal
      • Dados Abertos
      • Painel Estatístico de Pessoal
      • Painel de Compras do Governo Federal
      • Acesso à Informação
    • Empresas e Negócios
Links Úteis
  • Galeria de Aplicativos
  • Participe
  • Galeria de Aplicativos
  • Participe
Redes sociais
  • Instagram
  • Facebook
  • Flickr
  • RSS
  • WhatsApp canal
  • YouTube
  • TikTok
  • Kwai
  • Linkedin
Você está aqui: Página Inicial Acompanhe o Planalto Entrevistas Entrevista do presidente Lula à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais
Info

Entrevista do presidente Lula à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais

Entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Rádio Itatiaia, de Minas Gerais, em 29 de agosto de 2025
Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
Publicado em 11/09/2025 13h40

Jornalista Edilene Lopes: O presidente Lula acaba de desembarcar aqui em Belo Horizonte para duas agendas importantes, uma em Contagem, na região metropolitana, e outra em Montes Claros, na região norte de Minas, e ele concede, mais uma vez, uma entrevista exclusiva à Itatiaia, pelas minhas contas, é a décima comigo. Presidente, seja muito bem-vindo a Belo Horizonte, a Minas Gerais. Muito obrigada, mais uma vez, por mais uma entrevista.

Presidente Lula: Edilene primeiro, é um prazer muito grande estar de volta a Minas Gerais. E, segundo, estar falando com a Rádio Itatiaia, e, terceiro, estar falando com você. Eu poderia fazer uma inversão, primeiro você, depois Itatiaia, depois Minas Gerais. Você sabe que hoje eu tive uma novidade no avião, né? Na hora que eu entrei no avião, eu mandei colocar uma música “Ó, Minas Gerais”, porque tinha muito mineiro no avião, para demonstrar o carinho e o respeito que eu tenho pelo estado de Minas Gerais.

Eu acho que Minas Gerais é o estado que eu mais visitei na minha vida. Porque aqui, desde os anos 80, para construir o PT [Partido dos Trabalhadores], depois para construir a CUT [Central Única dos Trabalhadores], depois para participar de tudo que é eleição municipal, estadual. Como eu fui candidato muitas vezes, eu acho que pouca gente nesse país conhece Minas Gerais como eu conheço.

Do Vale do Mucuri, do Vale do Jequitinhonha, do Vale do Rio Doce, do Vale do Aço, do Norte de Minas Gerais. Lugares que eu viajei muito, muito, durante muito tempo, e alguns lugares que eu tenho uma paixão muito grande, sobretudo do Vale do Jequitinhonha. Eu tenho uma afinidade, acho que em algum momento da minha história, em alguma encarnação, eu nasci no Vale do Jequitinhonha, pelo carinho que eu tenho, pela capacidade cultural daquele povo, pela capacidade de resistência.

Então, eu me sinto bem quando eu estou em Minas Gerais, acompanhado do senador Rodrigo Pacheco, meu ministro Alexandre Silveira [Minas e Energia], da nossa querida professora e ministra de Direitos Humanos [e da Cidadania], Macaé [Evaristo], e do Rui Costa [ministro da Casal Civil], que está tentando resolver os problemas da Casa Civil.

Jornalista Edilene Lopes: Presidente, eu queria que o senhor detalhasse para nós e para quem está em casa entender, e quem assiste pelo YouTube da Itatiaia, quem assiste pela TV, estão presentes aqui, junto com o presidente Lula, conforme ele disse, a ministra Macaé Evaristo, o ministro Alexandre Silveira e também o senador Rodrigo Pacheco, o vice-presidente do Congresso Nacional, além do ministro Rui Costa.

Eu queria que o senhor detalhasse como vai ser essa agenda em Minas Gerais e qual é o anúncio mais importante ou quais são os mais importantes que o senhor vai fazer por aqui. É a sexta vez que o senhor visita Minas Gerais e vem mais uma vez na semana que vem, só em 2025.

Presidente Lula: Minas Gerais é o segundo estado mais importante do ponto de vista econômico, do ponto de vista populacional, e Minas Gerais, do ponto de vista político, o povo mineiro é o povo que tem mais expertise nesse mundo de fazer política. Então tudo passa por Minas Gerais, porque Minas Gerais não é só Minas Gerais, é Minas Gerais baiana, é Minas Gerais goiana, é Minas Gerais de São Paulo, é Minas Gerais do Norte e do Nordeste brasileiro, é Minas Gerais de Belo Horizonte, é Minas Gerais do Vale do Aço. Tem várias características em Minas Gerais.

E depois, Minas Gerais tem uma coisa fantástica que é a culinária de Minas Gerais. Quem nunca comeu um franguinho com quiabo feito numa estrada em Minas Gerais, feita num fogão de lenha, não sabe o que é comer um franguinho com quiabo. Então eu acho que Minas Gerais é essa coisa fantástica. Eu vim aqui anunciar o PAC Mobilidade.

Nós vamos anunciar um PAC que é o investimento de R$ 9,6 bilhões para todo o Brasil e para Minas Gerais eu vim anunciar neste instante R$ 1 bilhão para o metrô de Belo Horizonte. Um bilhão de reais para ligar três estações. A estação do Parque São João e Beatriz, a partir da estação Novo Eldorado que já está em construção.

E a semana que vem eu venho aqui lançar o Gás do Povo e venho lançar aqui, fazer uma assinatura de R$ 456 milhões para que a gente possa favorecer o transporte elétrico aqui em Minas Gerais, com novos ônibus e também para consertar 64 quilômetros de faixas exclusivas para transporte coletivo aqui em Belo Horizonte. Então, em Belo Horizonte eu vou vir, espero encontrar com o prefeito, com os vereadores, mas hoje é isso.

E depois eu vou a Montes Claros inaugurar a Agripark, que é uma empresa que está incentivando pequenos produtores a plantarem mudas de macaúba, que vai ter um investimento total de quase R$ 3 bilhões para fazer investimento em biocombustíveis. Então essas duas coisas eu venho fazer hoje. Uma em Contagem e outra em Montes Claros.

Jornalista Edilene Lopes: Em Contagem a expansão do metrô já é algo muito esperado, muito pedido aqui em Belo Horizonte na região metropolitana. Na avaliação do senhor isso turbina a gestão de Marília Campos [prefeita de Contagem]. E o senhor vê ela como uma possibilidade de vice para Rodrigo Pacheco numa candidatura ao governo de Minas?

Presidente Lula: Eu vejo Marília com possibilidade de qualquer coisa que ela quiser ser. Marília, além de ser uma prefeita altamente competente, altamente valorizada, é eleita em Contagem uma companheira de muita qualidade política. Ela será candidata ao que ela quiser. Ontem me fizeram essa pergunta sobre se ela seria vice do Pacheco. Primeiro que o Pacheco não está definido se é candidato a governador, mas é o meu governador.

Segundo, se ela quiser ser vice, se ela topar ser vice, seria uma chapa imbatível. Imbatível. Eu tenho certeza que nós vamos ganhar o estado de Minas Gerais com o Pacheco.

Ele sabe o que eu penso. É só ele se dispor a ser candidato. Se ele for candidato, ele será o futuro governador de Minas Gerais.

Jornalista Edilene Lopes: Tem um prazo final para essa definição? O que o senhor espera, presidente?

Presidente Lula: Eu espero que dentro de poucos dias a gente tenha essa definição.

Jornalista Edilene Lopes: Ainda em setembro?

Presidente Lula: Eu tenho dito ao senador Pacheco que campanha a gente começa a gostar quando ela começa. Eu conheço os outros candidatos, eu ouço falar dos outros candidatos, eu vejo notícia dos outros candidatos, mas nenhum pode ser comparado à qualidade política do Pacheco. Portanto, se o Pacheco for candidato, depois do belíssimo trabalho que ele fez no Senado e como presidente do Senado, porque foi a coragem do Pacheco que garantiu a manutenção do processo democrático nesse país. Foi a capacidade do Pacheco que permitiu que a gente pudesse organizar o acordo de uma dívida considerada impagável de R$ 191 bilhões feita pelo governo de Minas Gerais. O Pacheco é o companheiro que articulou.

Tive o prazer de, junto com ele, começar a discutir esse acordo. E foi feito um acordo dos quais parte dos juros que Minas Gerais não vai pagar vai ser transformado em políticas sociais, sobretudo na educação. O equivalente a quase R$ 4 bilhões vai ser investido em educação nesse país. Então, eu acho que o tempo do Pacheco está terminando, porque o povo já começa a pensar o que vai acontecer nesse país. Então, eu falo para o Pacheco, obviamente que eu não quero forçar uma pessoa, uma advogada da qualidade do Pacheco, com a experiência política dele, a ser candidato. Acontece que eu acho que ele é, hoje, a figura política mais importante que o estado de Minas já tem.

De todas as figuras públicas, ele é a mais importante. Ele só não será se não quiser. Se ele quiser, ele terá. E com o apoio de muitos partidos políticos. Então, eu acho que é uma coisa importante. Ele deve saber, ele sabe que eu gosto de Minas Gerais. Ele sabe a importância que esse estado tem do ponto de vista político, do ponto de vista cultural, do ponto de vista econômico, da ascendência política que Minas tem sobre o Brasil. Ele sabe de tudo isso.

Afinal de contas, eu quando falo de Minas Gerais, falo de Minas Gerais de Tiradentes, de Minas Gerais do Tancredo [Neves], de Minas Gerais do Betinho [Herbert de Souza, sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro], do Henfil [autor de quadrinhos]. Sabe de gente muito importante desse estado. Não vou nem falar dos meus companheiros jogadores de futebol, do Cruzeiro. Mas falo do Reinaldo [ex-jogador de futebol] do Atlético Mineiro.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor espera uma decisão ainda em setembro?

Presidente Lula: Eu acho que tem que tomar a decisão, porque é importante... Quanto mais tempo demorar para tomar a decisão, mais os outros vão ganhar espaço.

Jornalista Edilene Lopes: E o senhor tem plano B, caso o Pacheco não seja…

Presidente Lula: Não, eu não tenho, porque eu não decido a política de Minas Gerais. Quem decide são os partidos de Minas Gerais. Eu estou aqui apenas dando um palpite. Eu estou apenas demonstrando um desejo meu, que eu gostaria que fosse aceito pelo Pacheco, porque pelo PT eu já sei que é aceito, mas vai depender dele. Eu gostaria que ele assumisse a responsabilidade, porque ele será governador de Minas Gerais. Eu não tenho dúvida que os adversários dele irão se desmanchar em pó na disputa para a eleição de 2026.

Jornalista Edilene Lopes: Quantos ministros o senhor acha que vão se licenciar para se candidatar ao governo do estado, pelos cálculos que o senhor tem por alto? Quais são os planos para os dois que estão sentados aqui? Por exemplo, Alexandre Silveira e Macaé Evaristo.

Presidente Lula: Eu não posso decidir a vida de todo mundo. Eu não posso decidir.
Eu acho que o sonho do companheiro Alexandre é ser senador. Eu acho. Acho que o sonho da Macaé é continuar sendo deputada. Em algum momento ela vai pedir para mim para se afastar. Sabe como é que eles chegam? Eles chegam dizendo: “presidente, eu queria dizer para o senhor que eu gosto muito do senhor, mas a minha base está exigindo que eu seja candidato. Então eu vou ser candidato”.

É isso que eu acho. Mas veja, Edilene, Minas Gerais é um estado tão importante para o Brasil que se Minas Gerais quiser ter incidência nas decisões políticas internacionais, Minas Gerais é muito importante. É muito importante. Não tem estado de gente mais esperta politicamente que Minas Gerais. O mineiro já nasce com a experiência política de berço.

Jornalista Edilene Lopes: Nessa lista o senhor inclui o Zema [Romeu, governador de Minas Gerais] ou o Zema está fora?

Presidente Lula: Eu acho que o Zema é aquilo que a gente pode chamar de uma figura caricata. Ele tenta ser alguma coisa que ele não é. É por isso que eu chamo ele de um falso humilde. Tenta vender a humildade que ele não tem. É o seguinte, vai chegar a hora da verdade em que a gente vai ver quem fez o quê, quem produziu o quê, quais foram as políticas de inclusão social que as pessoas fizeram, quais foram as políticas educacionais que as pessoas fizeram, porque o governador de Minas Gerais, ele pautou todos os seus oito anos de mandato fazendo crítica ao governador Pimentel [Fernando, ex-governador de Minas Gerais].

Todos os seus oito anos. Tentando dizer que o Pimentel tinha destruído o estado e ele recuperou. O que aconteceu de verdade? O governo do Pimentel, ele pagava a dívida dele com a União, pagava os juros da dívida. O Pimentel entrou no Supremo Tribunal Federal e a ministra Rosa Weber [ex-Ministra do Supremo Tribunal Federal] deu ao Pimentel o direito de não pagar os juros da dívida. O que aconteceu? Veio as eleições, o Pimentel perdeu, o Zema entrou, e o Pimentel perdeu as eleições porque o Pimentel não conseguia pagar salário, o Pimentel não conseguia pagar fornecedores, os prefeitos estavam todos zangados com o Pimentel.

Então, quando entra o Zema, o Zema tinha a decisão da Suprema Corte de não pagar a dívida. Então, ele teve dinheiro para fazer tudo o que ele queria fazer, e culpar o Pimentel. Agora, ele, graças à atitude corajosa do meu ministro da Fazenda [Fernando Haddad] e do Pacheco, a gente fez um acordo para que todos os estados pagassem a dívida, porque eram os quatro estados mais ricos que não pagavam.

Jornalista Edilene Lopes: Ele quer a derrubada de vetos. O senhor acredita que isso vai acontecer? Para aderir ao Propag, ele quer que alguns vetos do senhor sejam derrubados.

Presidente Lula: Ele pode querer derrubar, mas não vai derrubar. Não vai derrubar porque eu vetei aquilo que os senadores compreendem que era preciso vetar. Eu, por exemplo, não quero... Pode pagar a dívida com a Cemig, tem que privatizar a Cemig? Não! A Seming jamais será privatizada por mim. Ela é uma empresa de excelência que ela precisa ser bem administrada. Então, eu disse, vamos ver o que vai acontecer.

Nós fizemos o acordo, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais aprovou agora, recentemente, a conclusão do acordo e nós estamos dispostos a fazer o que for melhor para Minas Gerais e o que for melhor para o Brasil.

Jornalista Edilene Lopes: Como é que o senhor viu o lançamento da pré-candidatura do governador Romeu Zema? O senhor acha que ele vai ter fôlego? E ontem, depois da entrevista que o senhor deu, ele disse que o agiota vem aí cobrar a dívida se referindo ao senhor. Como é que o senhor reage a esses comentários e as críticas que o Zema tem frequentemente feito ao governo do Senado?

Presidente Lula: Eu não reajo ao lançamento dele. Ele pode ser candidato, ele tem mais de 35 anos de idade, é governador de Minas Gerais, ele pode pleitear ser candidato a governador, a presidente da República, eu não vejo nenhum problema nisso. Agora, ele sabe se ele tiver um por cento de honestidade dentro da cabeça dele, ele sabe que ele recebeu no meu governo mais dinheiro do que ele recebeu nos quatro anos do Bolsonaro e nos quatro anos do Temer. Ele sabe disso.

Ele sabe disso. Então é o seguinte, eu cuido de Minas, cuidei de Minas quando o Aécio [Neves, deputado federal] era governador do estado. Eu cuidei de Minas nesse último mandato com o Zema, só não tive o prazer de cuidar do Pimentel porque se eu tivesse como presidente no Pimentel teria sido reeleito governador do estado de Minas Gerais.

Então, vamos à disputa. Eu, quanto mais candidato tiver, melhor. Você sabe que o meu problema não é ter medo de candidato. Eu já disputei com o Ulysses Guimarães [ex-presidente da Câmara dos Deputados], com o Maluf [Paulo, ex-deputado federal], com o Brizola [Leonel, ex-deputado federal], Aureliano Chaves [ex-vice-presidente do Brasil], com tanta gente importante. Eu acho que é o seguinte, essas eleições para presidente da República serão as eleições definitivas para este país. Quem quer manter o Estado democrático de direito, quem quer manter o Estado efetivamente democrático ou quem quer a implantação de mentiras neste país? Aliás, por falar em mentira, você viu que um deputado, que eu não vou dizer o nome dele aqui, fez uma campanha contra uma mudança que a Receita Federal tentou fazer, que vai ter feito agora, porque naquele tempo a mudança era para combater o crime organizado.

E nós agora vamos colocar uma apuração mais rígida, porque nós descobrimos que tem muita gente ligada ao crime organizado e ontem nós fizemos a operação mais importante da história de 525 anos do Brasil. Para pegar, como disse o Haddad [Fernando, ministro da Fazenda], no andar de cima. Porque, por enquanto, é no andar de baixo. Agora nós queremos saber quem é que efetivamente faz parte do crime organizado. Quem fizer, vai aparecer.

Jornalista Edilene Lopes: E o senhor acha que isso pega político da direita? Porque o ex-presidente Jair Bolsonaro sempre faz uma relação entre o governo do senhor e o crime organizado. Isso é uma resposta?

Presidente Lula: Eu acho que nós vamos ver quem é que está no crime organizado. Você vê que eu não sou de fazer ufanismo, eu não sou de ficar ameaçando, nós vamos fazer, não. Quem vai fazer é a Polícia Federal organizada pelo Ministério da Justiça. Nós trabalhamos em conjunto com o Ministério Público de São Paulo nessa operação e tem que ser assim para a gente poder fazer valer a força da polícia e a força da justiça. E é isso que o povo espera de nós. Então é o seguinte: a gente vai mostrar a cara de quem faz parte do crime organizado neste país. E o ex-presidente que tome cuidado.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor se dispôs, por exemplo, por minar na abertura de alguma CPI ou algo do tipo? O senhor acha que há componentes do Congresso Nacional envolvidos no crime organizado?

Presidente Lula: Olha, deixa eu falar uma coisa. O crime organizado hoje é uma coisa muito sofisticada. Porque ele está na política, ele está no futebol, ele está na justiça. Ele tem tudo em qualquer lugar. Tá em tudo. É um braço internacional muito poderoso. Tem relações com o mundo inteiro. É uma verdadeira multinacional.

Então eles estão em todos os lugares. Acho que não tem lugar. Obviamente que é muito investimento em inteligência para você começar a descobrir essas coisas. Mas nós vamos chegar lá. Mas eu estava te falando uma coisa. Tem um deputado que fez uma campanha contra as mudanças que a Receita Federal propôs. E agora está provado que o que ele estava fazendo era defender o crime organizado. E nós não vamos dar trégua para o crime organizado. Nós não vamos dar trégua.

O que aconteceu ontem foi muito importante. Eu acho que vai facilitar a aprovação da PEC no Congresso Nacional. A gente vai fazer mais uma discussão de como aperfeiçoar a política pública nesse país. Porque o que nós queremos é saber como é que o Governo Federal pode ajudar, junto aos governadores, a fazer a polícia mais eficiente. É isso que nós queremos.

Jornalista Edilene Lopes: Você acha que essa operação impulsiona a aprovação da PEC da Segurança?

Presidente Lula: Eu acho que ela ajuda muito. Porque ela percebe a seriedade com que foi feita essa operação. Se bem que hoje eu vi uma notícia no jornal que parece que houve vazamento. Porque das 41 pessoas que iam ser presas uma parte já não estava mais. Saíram. Nessas coisas a gente sabe, né? Sempre tem alguém que bate boca, que avisa. Mas nós vamos descobrir. O dado concreto é que o governo começou a agir fortemente no combate ao crime organizado e não tem mais volta. Eu, na semana que vem, vou a Manaus. Nós estamos inaugurando um centro de combate ao narcotráfico em Manaus, da Polícia Federal com polícias dos países amazônicos para que a gente faça um combate severo ao crime organizado, ao tráfico de armas, ao tráfico de drogas. Ou seja, ou nós fazemos isso ou a gente não vai acabar com isso.

Jornalista Edilene Lopes: Aproveitando, qual é o posicionamento do senhor sobre a PEC da blindagem em relação ao projeto do Foro também? O senhor acha que abre, de fato, um caminho para a aprovação da Anistia? O senhor acha que essas peças passam no Congresso?

Presidente Lula: Não se discute a anistia. É uma coisa tão impertinente, ninguém foi ainda condenado. O homem não foi nem julgado. Ele já está querendo a anistia? Ele já está dizendo que é culpado e quer ser perdoado? Não. Ele tem que primeiro provar a inocência dele. Ele está tendo direito à presunção de inocência que eu não tive. Então, ele que se defenda, ele que prove que é mentira. Ele que prove que não tinha caminhão com bomba no aeroporto de Brasília. Ele que prove que ele não tinha um plano arquitetado para matar o Lula, para matar o Alckmin [vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços], para matar o Alexandre de Moraes [ministro do STF]. Ele que prove que não foi ele que organizou a ocupação na frente dos quartéis brasileiros.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor vai assistir ao julgamento? O senhor vai acompanhar?

Presidente Lula: Não, eu não vou assistir ao julgamento. Tenho coisa melhor para fazer.

Jornalista Edilene Lopes: Qual que o senhor acha que é a resposta? Como é que o senhor acha que termina essa história?

Presidente Lula: Eu não sei como é que termina. Eu acho que ele vai ser julgado com base nos autos. Não é a figura do Bolsonaro que está sendo julgada. O que está sendo julgado é o comportamento desse cidadão que foi presidente da República em função das denúncias e das delações feitas e das provas apuradas pela Polícia Federal. É isso que vai ser julgado. São os autos do processo que vai ser julgado.

Então, se ele cometeu o crime, ele vai ser punido. Se ele não cometeu, ele será absolvido. E a vida continua. É assim que as coisas devem funcionar no Brasil. A justiça deve valer exatamente para todos.

Jornalista Edilene Lopes: Como é que o senhor enxerga a possibilidade de Eduardo Bolsonaro [deputado federal] continuar exercendo seu mandato, mesmo estando fora do país? Como é que o senhor vê isso?

Presidente Lula: Ele não pode exercer o mandato dele. Eu já falei com o presidente Hugo Motta [presidente da Câmara dos Deputados], já falei com vários deputados, de que é extremamente necessário cassar o Eduardo Bolsonaro porque ele vai passar para a história como o maior traidor da história desse país. Aliás, um dos maiores traidores da pátria do mundo. Porque ele sai do Brasil, vai para os Estados Unidos, denunciar o Brasil e ficar mentindo com relação ao Brasil.

Porque as acusações que o Trump [Donald, presidente dos Estados Unidos] fez ao Brasil para fazer a taxação são todas, todas, inverídicas. Primeira, uma totalmente improcedente e inaceitável, que é a interferência na Suprema Corte Brasileira. “Bolsonaro não pode ser julgado. Parem imediatamente”. Aqui a lei funciona diferente. Então, o presidente da República não tem nenhum poder diante da Suprema Corte, eles decidem o que eles quiserem, como quiserem.

Segundo, dizer que teve um déficit comercial com o Brasil. É uma mentira deslavada. Em 15 anos eles tiveram um superávit comercial de 410 bilhões de dólares. Eu vou repetir, eles tiveram um superávit comercial, de bens e serviços, de 410 bilhões de dólares em 15 anos.

Então, que não venham falar. Outra coisa é que as Big Techs dele não podem ser reguladas no Brasil. Então, o que é importante o presidente americano compreender é que o Brasil tem uma Constituição, o Brasil tem uma legislação e todas as empresas de qualquer nacionalidade que esteja implantada no Brasil elas se submetem a legislação brasileira. E nós vamos regular as Big Techs. Nós vamos regular porque nós queremos defender as nossas crianças, os nossos adolescentes.

Jornalista Edilene Lopes: Qual o próximo passo nesse sentido?

Presidente Lula: O Congresso já fez uma parte dele agora que foi regular a questão dos adolescentes. Nós vamos fazer uma regulação. Na semana que vem estaremos dando entrada no Congresso Nacional da proposta do governo para a gente regular definitivamente as Big Techs.

Jornalista Edilene Lopes: Agora, presidente, aproveitando que nós entramos na questão do Tarifaço, o senhor acabou de autorizar a aplicação da Lei da Reciprocidade. Já tem uma lista de quais são os setores que podem entrar nessa aplicação?

Presidente Lula: Isso é um processo, Edilene, que é um pouco demorado. Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a Reciprocidade contra os Estados Unidos.

Jornalista Edilene Lopes: Mas por que o senhor tomou essa medida agora?

Presidente Lula: Eu tomei a medida porque eu tenho que andar o processo. Se você for tentar andar na forma que todas as leis exigem, o comportamento da Organização Mundial do Comércio, o comportamento das regras, você vai demorar um ano. Então nós temos que começar. Nós já entramos com o processo na Organização Mundial do Comércio. Então nós temos que dizer para os Estados Unidos que nós também temos coisas para fazer contra os Estados Unidos.

Mas eu não tenho pressa porque eu quero negociar. Ô, Edilene, eu coloquei nada mais, nada menos que o meu vice-presidente Geraldo Alckmin, meu ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e meu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, para serem negociadores com os Estados Unidos. Até agora nós não conseguimos falar com ninguém. Esses dias o Haddad tinha marcado um telefonema com o secretário do Tesouro, ele disse que não podia e apareceu na foto reunido com o Eduardo Bolsonaro.

Então eles não estão dispostos a negociar. O que é que eu disse, o seguinte: se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta. Eu não quero guerra com os Estados Unidos. Eu quero negociar. Eu quero a verdade em cima da mesa. E eu quero sentar junto. Porque mais de 73% dos produtos americanos que entram aqui não pagam imposto. Dos 10 mais importantes, 8 são zerados.

Dos 10 mais importantes, 8 são zerados. E a média de que eles pagam imposto é 2,7% que eles pagam imposto. É quase nada. É quase nada. Então, se tem uma coisa que os americanos não podem reclamar, é da relação comercial com o Brasil. Ela é vantajosa para os Estados Unidos.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor falou que se não fosse a Lei da Reciprocidade, demoraria mais ou menos um ano para ter qualquer tipo de solução. Em quanto tempo, se não houver negociação, o senhor acha que a lei da reciprocidade começa a ser aplicada?

Presidente Lula: Vai depender de nós.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor acha que ainda esse ano?

Presidente Lula: Nós vamos avaliando, nós vamos avaliando. Eu, por enquanto, Edilene, por enquanto eu quero deixar claro. Por enquanto, o Brasil está aberto às negociações com os Estados Unidos. Eu vou repetir. O Brasil está aberto às negociações com os Estados Unidos. O que está acontecendo de diferente é que o Brasil não precisa ficar de cabeça baixa diante dos Estados Unidos.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor já tentou ligar para o Trump?

Presidente Lula: Não, não tentei ligar.

Jornalista Edilene Lopes: Se ele ligasse...

Presidente Lula: Não tentei ligar, por quê?

Jornalista Edilene Lopes: Se ele ligasse, o senhor falaria?

Presidente Lula: Não. Eu não tenho nenhum problema de falar com quem quer que seja. Ele tem que dar um sinal de que ele quer negociar. Por que as pessoas falam é para ligar para o Trump. Se o secretário de Tesouro não falou com o Haddad, se o Alckmin não conseguiu falar com o cidadão do Comércio, por que as pessoas acham que um telefonema para Trump ia resolver?

Jornalista Edilene Lopes: Tem alguma possibilidade de o senhor ter algum encontro com ele na viagem do senhor para os Estados Unidos para a Assembleia Geral da ONU [Organização das Nações Unidas] ?

Presidente Lula: Vai depender dele. Vai depender dele, porque eu vou estar no mesmo espaço que ele. Na hora que eu entrar na ONU, eu sou o primeiro a falar. Eu entro, fico aguardando o início, que nem eu fiz aqui com vocês. Fico sentado aguardando vocês começarem o programa. Lá eu fico aguardando me chamarem. Quando me chamarem, ele será o segundo orador. Ele pode chegar antes e conversar comigo, ele pode não querer conversar comigo, chegar quando eu for falar, e quando eu sair, aí ele vai entrar para falar.

A gente pode não conversar. Agora o que eu estou dizendo para você é o seguinte, se o Trump quiser conversar, ou qualquer pessoa de relevância no governo americano quiser negociar sério com o Brasil, nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia. É assim que o Brasil pratica. É por isso, querida Edilene, que nesses dois anos e meio, nós abrimos 402 novos mercados para os produtos brasileiros. Então, eu estou muito tranquilo. Se os Estados Unidos não quiserem comprar, vamos procurar outro mercado.

Não vou ficar chorando o leite derramado. Se o leite caiu, eu vou procurar outra vaquinha para tirar mais leite. Então eu vou procurar outro país para negociar. Aliás, eu vou lhe contar, o Alckmin está no México agora, negociando. Em outubro, eu vou para a Malásia. No encontro da Malásia eu sou o principal orador no encontro de 11 países asiáticos, e vou lá para vender os produtos brasileiros. Depois vou fazer uma visita de Estado à Malásia, uma visita de estado à Indonésia.

Eu não vou ficar reclamando. Não vou ficar reclamando. Se o presidente americano quer fazer uma taxação, que faça. Porque aqui no Brasil, também nós taxamos alguns produtos. Aqui no Brasil, de vez em quando, o Alckmin me procura, o Haddad: “olha, Lula, tal produto está entrando muito no Brasil, eu preciso aumentar um pouco o imposto para dificultar a entrada”. Tudo bem, vamos aumentar. Mas tem que ter um critério.

Na Organização Mundial do Comércio, o máximo que eles permitem de taxação é 35%. Sabe? O Trump chegou a 50%. Então, com todo o respeito que eu tenho aos Estados Unidos, com todo o respeito a 201 anos de relação diplomática, é o seguinte: o Brasil não é uma republiqueta de banana. O Brasil quer ser respeitado como o Brasil respeita todo mundo. É isso.

Jornalista Edilene Lopes: O Vladimir Zelensky [presidente da Ucrânia] teve um encontro constrangedor com o Donald Trump na Casa Branca. Se o senhor fosse convidado para um encontro no Salão Oval, o senhor iria a um encontro público como aquele?

Presidente Lula: Primeiro, deixa eu lhe falar uma coisa. Eu já fui à Casa Branca com o Bush [George W., ex-presidente dos Estados Unidos]. Eu já fui à Casa Branca com o Obama [Barack, ex-presidente dos Estados Unidos]. Eu já fui à Casa Branca com o Biden [Joe, ex-presidente dos Estados Unidos]. Eu não tenho nenhum problema. Eu não tenho problema com o Trump. O Trump é um problema do povo americano. O povo americano elegeu ele, elegeu ele o presidente. Então, se eu respeito ele como resultado de uma eleição americana, eu quero que ele respeite o Brasil com a sua soberania.

O Brasil é dono dos problemas aqui. Na hora que ele quiser conversar, nós estamos prontos a conversar e sempre foi assim. O Brasil não recusa a conversar. O que o Brasil faz é não submeter. Nós não adotamos aquele negócio da complexidade de vira-lata, não. Nós somos iguais. Nós não queremos conversar com ninguém de forma subalterna. E, não adianta... Eu não sou daqueles que falam grosso com a Bolívia e falo fino com os Estados Unidos, não. Eu falo igual com a Bolívia, com o Uruguai.

Eu falo igual com os Estados Unidos, com a China, com a Rússia. Porque dignidade é uma coisa que a gente não compra em shopping. Caráter é uma coisa que a gente não compra no free shop. A gente nasce com ele. E eu não abro mão disso.

Jornalista Edilene Lopes: Como é que vai ser o discurso do senhor na Assembleia Geral da ONU? Como estão as agendas paralelas em relação à criação do Estado Palestino? O senhor acha que haverá um avanço nessa Assembleia?

Presidente Lula: Olha, eu não posso te falar o que vai ser o discurso, porque eu estou preparando um discurso a oito mãos, a vinte cabeças. Eu acho que vai ser um discurso importante na defesa da democracia, na defesa do multilateralismo. E eu acho que a defesa da democracia e do multilateralismo passa pela defesa da governança mundial. Não é aceitável o genocídio que está acontecendo em Gaza. Não é aceitável.

Não tem exemplo no mundo. O exército profissional de Israel não está lutando contra outro exército. Ele está matando mulheres e crianças. É isso que está acontecendo. Então eu sou favorável à criação do Estado Palestino, que ele viva no território demarcado pela ONU, e que eles possam viver harmonicamente e pacificamente com o Estado de Israel. Essa minha posição é antiga, eu não abro mão dela.

Jornalista Edilene Lopes: Agora, presidente, voltando para as questões nacionais, nós falamos do governador Romeu Zema, que é um pré-candidato à presidência da República. Tarcísio de Freitas [governador de São Paulo] fala que não é, mas ele é uma possibilidade. Na pesquisa mais recente da Atlas, mostrou-se que ele, no segundo turno, teria uma possibilidade de vitória sobre o senhor, que até chegou a animar o mercado. Como é que o senhor vê isso? O senhor vê que ele é de fato um candidato competitivo?

Presidente Lula: Chegou a animar o quê?

Jornalista Edilene Lopes: Animar o mercado.

Presidente Lula: Deixa eu te dizer uma coisa. Primeiro, é muito cedo para você analisar a pesquisa. A história está cheia de gente que foi eleita presidente no ano anterior e quando concorre a eleição não tem nenhum voto. Não é fácil ser candidato à presidência da República num país megadiverso como o Brasil. Não é fácil. Um Brasil de culturas muito diferentes. Mas eu acho que as pessoas devem se candidatar. Eu acho que é importante. O Zema, se ele tiver a performance que ele teve no Roda Viva, vai ser um desastre para ele.

Ou ele melhora, ou deixa de ser um falso humilde e começa a dizer a verdade, começa a dizer coisa concreta, ou ele vai ser desmoralizado na campanha. É importante que eles se preparem para isso. Mas eu acho que todos devem ser candidatos, quantos quiserem. O Tarcísio quer ser candidato, o Zema quer ser, o Caiado [Ronaldo, governador de Goiás] quer ser, o Ratinho Junior [governador do Paraná] quer ser, não sei mais quem, todo mundo. Ainda vai aparecer mais candidatos. Quanto mais aparecer, melhor.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor acha que eles temem o ex-presidente Jair Bolsonaro, por isso alguns não se despontam, não apresentam candidatos. E como é que o senhor acha que o Bolsonaro influencia nesse cenário para a direita?

Presidente Lula: Ora, o Bolsonaro, nós temos que reconhecer que o Bolsonaro tem uma força no setor de extrema-direita muito forte. O Zema não seria nada sem o Bolsonaro. Então eu acho que o Zema vai fazer o que o Bolsonaro quiser. E o Tarcísio também? Não, melhor, desculpas, não é o Zema não, é o Tarcísio. Ele vai fazer o que o Bolsonaro quiser. Até porque se é o Bolsonaro, ele não é nada. Ele sabe disso.

Jornalista Edilene Lopes: E o senhor acha que o senhor consegue puxar o Kassab [Gilberto, Secretário de Governo e Relações Institucionais de São Paulo] para uma aliança com o senhor, e que ele vai numa candidatura alternativa como a do Tarciso?

Presidente Lula: Eu não tenho nada. A minha relação com o PSD é uma relação muito boa, muito sólida. A minha relação com o Kassab é muito boa. Mas eu acho que é muito precipitado a gente querer definir o jogo fora do estádio. Vamos entrar em campo e vamos começar a decidir o jogo. Vai chegar o momento em que as coisas vão ser definidas, quem vai estar com quem. E aí nós vamos jogar. Nós vamos jogar. O que eu tenho dito para poder deixar as pessoas com tranquilidade? Eu, para ser candidato à reeleição, eu tenho que estar 100% com saúde.

Eu tenho que estar com a minha cabeça muito boa, tenho que estar fisicamente bem. Então se eu tiver como eu estou agora, na sua frente, eu não tenho dúvida que eu serei candidato.

Jornalista Edilene Lopes: Mas o senhor tem um plano B, se o senhor não for candidato?

Presidente Lula: Eu tenho plano B, C, D. O que não falta é candidato.

Jornalista Edilene Lopes: Tem nomes?

Presidente Lula: Tem nomes.

Jornalista Edilene Lopes: Quem, por exemplo?

Presidente Lula: Não, eu não posso citar, porque senão você vai dizer que o Lula está lançando alguém. Mas tem vários nomes dentro do PT e fora do PT. O que não vai faltar é nome. Agora, o que nós precisamos ter certeza é que é uma eleição difícil e que é uma eleição que nós não podemos perder. Se eu for candidato, pode ter certeza que é para ganhar as eleições. Se eu anunciar a minha candidatura, pode ter certeza que é para ganhar as eleições, porque nós não temos condições de devolver esse país aos fascismos que governou durante os últimos anos, porque esse país foi semi destruído. Então é preciso que a gente comece a reconstruir.

Nós estamos vivendo um bom momento na economia brasileira. É muito interessante, Edilene, a gente não esquecer. Depois que eu deixei a presidência em 2010, a economia não crescia mais de 3%. Só voltou a crescer acima de 3% quando eu voltei à Presidência da República. Nós estamos com a inflação altamente controlada, uma inflação de 5% com o país crescendo 3%. As pessoas podem até guardar dinheiro embaixo do colchão. Eu vivi nesse país com inflação 80% ao mês.

Eu recebia meu salário e eu corria para comprar as coisas que não eram perecíveis para ver se meu salário não desaparecia. Então, nós estamos com a economia crescendo, a indústria crescendo, a construção civil vai crescer muito neste país. O crédito cresceu como jamais cresceu na história desse país.

Então, as coisas vão acontecer. Nós votamos agora, veja, nós criamos um programa como o Pé-de-Meia que, só em Minas Gerais, tem quase 350 mil crianças recebendo o Pé-de-Meia, que é para garantir que as crianças não desistam da escola.

Nós estamos fortalecendo a necessidade das Escolas de Tempo Integral. Aqui em Minas Gerais tinha mil e poucos médicos. Nós já colocamos mais, dobramos o número de médicos aqui em Minas Gerais.

Ou seja, a gente não pode destruir este país outra vez. Este país precisa dar um salto de qualidade. Nós estamos vivendo este mundo maluco, sabe, da transição energética em que o Brasil tem uma chance extraordinária de dar um salto de qualidade e se transformar em um país de economia sólida.

Eu sonho em levar o Brasil para a sexta ou quinta economia do mundo. Nós já levamos uma vez. Sabe, é só a gente acreditar e fazer com que as coisas aconteçam. Nós passamos dois anos reconstruindo este país. Dois anos. As pessoas não podem esquecer que, quando eu cheguei na Presidência, a gente teve que fazer uma PEC da Transição, porque a gente não tinha dinheiro para governar esse país. E, graças à compreensão da Câmara e do Senado, a gente aprovou a PEC da Transição antes de eu tomar posse.

Depois, nós criamos o Arcabouço Fiscal, também aprovado pelo Congresso Nacional, para que a gente pudesse dar seriedade. E depois conseguimos aprovar uma coisa chamada Reforma Tributária, que há mais de 40 anos se desejava neste país. Ela foi aprovada pelo Congresso Nacional.

Então, nós, depois de reconstruir esse país, agora estamos fazendo a colheita. Estamos fazendo a colheita de tudo que foi plantado. Nunca se fez tanta política de inclusão social. Nunca. Nunca, nunca. Aliás, em apenas dois anos e meio, tiramos 30 milhões de pessoas do Mapa da Fome outro mês. Esse país voltou a comer.

Então, esse país voltou a comer, voltou a crescer, voltou a viajar. Você sabe que as viagens, os voos, estão todos lotados. Para dentro e para fora do país.

A sociedade voltou a sorrir, porque a gente continuou fazendo com que os mais necessitados tivessem aprovação. Vamos agora votar a isenção de Imposto de Renda para todas as pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês.

Fizemos um programa Luz do Povo para garantir que as pessoas que consomem até 80 quilowatts não paguem nada de energia e, até 120, paguem apenas uma parcela, a diferença.

Vamos lançar agora o Gás do Povo e depois vamos lançar ainda uma grande política de habitação do país. Vai ser a maior política de investimento na construção civil já feita na história deste país. Pode aguardar que você vai ver. E eu espero que você ajude a gente a colher.

Jornalista Edilene Lopes: Para encerrar, presidente, em um futuro mais distante na política brasileira, depois de 2030, o senhor enxerga um embate na Presidência da República entre figuras como Nikolas Ferreira [deputado federal] e João Campos [prefeito de Recife] disputando a cadeira da Presidência?

Presidente Lula: Eu acho que são dois meninos, ou seja, é importante lembrar que, quando eu comecei essa briga, eu tinha 33 anos. Leva tempo. Eu sou o único cara, Edilene, que agradeço a Deus ter esperado 12 anos para chegar à Presidência. Você, veja, que loucura: eu, Pacheco, agradeço a Deus não ter ganho as eleições em 1989. Porque, se eu tivesse ganhado as eleições, com a minha cabeça naquele tempo, eu acho que eu teria caído seis meses depois.

Porque eu queria fazer o que não era possível fazer. Eu esperei 12 anos, amadureci, conheci gente mais madura que eu, ouvi muita gente, o PT foi crescendo, fomos grandes prefeituras. Quando eu cheguei, eu estava preparado. Muito preparado. Então, eu estou altamente convencido que esses jovens todos podem ser. Mas não é fácil, não. Você veja que quem chega de forma imatura em um cargo, cai rapidamente. Foi assim que aconteceu com o Collor [Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República]. Foi assim que aconteceu com o Jânio [Quadros, ex-presidente da República].

Se a pessoa chegar lá despreparada, dizendo que pode fazer o que quiser, não sei… Qual foi a vantagem do Bolsonaro? Não fazer nada. O Bolsonaro não fez nada. E ele mentia 11 vezes por dia. E ele dizia pra todo mundo: eu não entendo economia, quem entende é o Guedes [Paulo, ex-ministro da Economia], o Guedes faz o que quiser. Eu entendo mesmo é de gabinete do ódio. Então, ia pouco ao Palácio [do Planalto], ficava muito no [Palácio] da Alvorada.

Você não tem noção da quantidade de televisão que eu encontrei naquela Alvorada, que era o gabinete do ódio, onde ficava o tempo inteiro fazendo bobagem para este país afora. Dizendo que quem tomasse vacina iria virar gay, quem tomasse vacina ia virar jacaré, receitando remédio que não valia nada.

Então, o que é a palavra governar? É cuidar do povo. Cuidar. Cuidar da saúde deste povo. Nós, agora, estamos fazendo uma revolução na saúde, que é Agora Tem Especialista. Que era o meu sonho há 12 anos. Sabe, é o seguinte: sua mãe vai ao médico. Ela tem a consulta. Aí o médico pede pra ela um oftalmologista, um cardiologista. Aí, quando ela vai marcar, tem que esperar 10 meses, 11 meses, um ano. Aí ela espera. Quando ela vai ao especialista, ele vai pedir para ela fazer uma tomografia, uma ressonância magnética. Aí a moça vai lá e demora mais 12 meses, um ano. Ou seja, ela morre antes.

Então, o que nós fizemos? Agora, a pessoa vai na primeira consulta, tem que ser rapidamente. Em 30 dias, ela tem que passar pelo segundo médico. Em 30 dias, ela tem que ir para a máquina. Ou a gente faz isso, ou nunca o povo brasileiro vai ser atendido de forma decente. Por que é que o presidente da República pode ir ao hospital e fazer o exame em um dia em todas as máquinas e o povo pobre não pode?

Jornalista Edilene Lopes: Se o senhor pudesse elencar cinco, quais seriam as principais marcas do governo Lula 3.0?

Presidente Lula: Eu acho que a minha marca é a seguinte: a marca que eu carrego, eu vou lembrar você das palavras que eu disse quando eu fui presidente da República em 2003, quando eu fui eleito. Se ao terminar o meu mandato, todas as mulheres, homens e crianças, se eu estiver tomando café, almoçando e jantando, eu já terei cumprido toda a missão da minha vida. Agora, a minha marca vai ser o Prouni [ Programa Universidade para Todos], a minha marca vai ser o FIES [Fundo de Financiamento Estudantil], a minha marca vai ser os Institutos Federais, a minha marca vai ser o Combate à Fome, a minha marca vai ser o Luz do Povo, a minha marca vai ser o gás de graça para as pessoas mais pobres desse país.

A minha marca vai ser a maior política de inclusão social da história desse país. Não há momento na história em que houve uma política de inclusão social nesse país. Tem tantas marcas de coisas que eu não fiz sozinho, porque quem fez foram as pessoas que trabalham comigo com a ajuda do Congresso Nacional. Porque muita gente fala, fala, fala do Congresso. Eu só tenho 70 deputados em 513. Eu só tenho 9 senadores em 81.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor pretende aumentar na próxima eleição?

Presidente Lula: E nós aprovamos tudo o que a gente queria. Porque eu não mando um projeto do meu interesse pessoal, eu mando um projeto de interesse do país. Quem quiser votar contra, que vote. Eu, por exemplo, não tive nenhum problema de vetar o aumento de deputados. Eu achei a aprovação do aumento de deputados o assunto da sociedade brasileira. Então, vetei. O Congresso pode derrubar o meu veto. Não tem nenhum problema, é um direito do Congresso. Mas eu acho que eu tinha que vetar.

Então, a relação é perfeita. Eu não conhecia o Pacheco. Nunca tinha ouvido falar do Pacheco. E hoje o Pacheco é uma pessoa que eu aprendi a gostar, a admirar. Tanto que eu estou querendo que ele seja meu governador em Minas Gerais. O Alexandre Silveira foi um companheiro que não foi o PSD que pediu para ele ser ministro. Ele é quem pediu para o PSD deixar ele ser meu ministro. Então, eu gosto de conviver com as pessoas da forma mais humana possível.

Eu sou um homem tocável.Eu acho que a relação humana é uma relação química. Se a gente não olhar, se a gente não tocar, a gente não sente isso. Eu sou assim. Portanto, eu quero terminar essa entrevista dizendo para você o seguinte. Se eu disputar as eleições é para ganhar as eleições. Se o Pacheco for candidato aqui em Minas Gerais para ser governador do estado. Nós temos que eleger senadores em todos os estados da federação, que é uma das minhas prioridades, eleger senador também.

Se o Alexandre Silveira quiser ser senador e tem vaga para mais um senador, vai ser senador. E fazer as coisas com muito cuidado, com muita calma, sem pressa. Sem pressa. Tem muitos partidos que não vão me apoiar, porque não me apoiaram na eleição passada. Toda eleição minha, eu só tinha o PCdoB do mesmo aliado. Em algumas, eu tinha o PSB, em outras, eu não tinha. Numas eu tinha, em outras eu não tinha. Então, é importante que conheçam a nossa história. A nossa história é assim.

Eu fui candidato em 89, fui o segundo colocado em uma eleição que teve só vedete, o menos conhecido era o Ulysses Guimarães, que foi presidente da Constituinte. Depois eu fui em 94, eu fui o segundo colocado. Depois eu fui em 98, eu fui o segundo colocado.
Depois eu fui em 2002, fui o primeiro. 2006, o primeiro. 2010, o primeiro. 2014, o primeiro. 2018, o segundo. 2022, o primeiro. Eu estou preparado para ser o primeiro em 2026 outra vez. Preparado. É assim que eu vou fazer a coisa, conversando com o povo.

Porque eu quero te viver dizendo que o que eu quero é cuidar desse povo. Cuidar, cuidar. Porque é isso que demonstra a soberania de um país. É a qualidade do sorriso da sociedade brasileira. Como você está sorrindo agora. É isso que eu quero no Brasil.

Jornalista Edilene Lopes: Presidente, muito obrigado por mais essa entrevista. Eu queria aproveitar a oportunidade para fazer um convite para o senhor, no mês que vem, agora em setembro, a Itatiaia vai lançar o movimento Elos, que é para potencializar o desenvolvimento do Estado e para conectar vários setores produtivos, a indústria, a mineração, o agro, as cidades, enfim, todos os setores produtivos. E a gente queria convidar o senhor para estar, para fazer a abertura no dia 22 de setembro. Se o senhor estiver aqui e puder, será um prazer, uma honra para nós.

Presidente Lula: Olha, Edilene, dia 22, possivelmente eu tenha que estar na ONU, porque eu falo dia 23. Mas se eu estiver aqui, pode ficar certa que eu participarei. Eu tenho que vir a Minas outra vez, porque eu vou na inauguração de uma mina da Vale. Eu vou vir na inauguração de uma mina da Vale.

Jornalista Edilene Lopes: Junto com a vinda para o Gás para Todos na semana que vem? Ou mais uma vez?.

Presidente Lula: Não. Vai ter acho em outro momento.

Jornalista Edilene Lopes: Então o senhor vai completar a oitava vinda a Minas Gerais.

Presidente Lula: Eu só lamento não ter tempo de ir no Xapuri comer um frango preguento.

Jornalista Edilene Lopes: Mas toda vez que o senhor vier, pode me dar entrevista.

Presidente Lula: Posso, toda vez que eu vier. Se você quiser, eu peço para a Rádio Itatiaia mandar você viajar comigo e me entrevistar todo dia.

Jornalista Edilene Lopes: Gostei dessa ideia. Presidente, muito obrigada pela entrevista mais uma vez. Para quem está em casa acompanhando, nos assiste pelo YouTube, nos assiste pela TV, estão aqui na sala, além do presidente Lula, tem uma equipe grande, técnica nossa, técnica deles, fazendo um trabalho exemplar, mas tem aqui também a ministra Macaé Evaristo, dos Direitos Humanos, ministro Alexandre Silveira, de Minas e Energia, senador Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Congresso Nacional, ministro das Cidades, Jader Filho, e também o ministro Rui Costa, que é da Casa Civil. Presidente, muito obrigada mais uma vez.

Presidente Lula: Edilene, obrigado a você, obrigado a direção da Rádio Itatiaia e obrigado ao povo de Minas Gerais. Obrigado ao povo. O povo de Minas Gerais nunca faltou a mim nas eleições que eu participei. Nunca, nunca. E eu vou contar uma coisa, na última eleição minha, aquela passeata aqui na capital foi uma coisa marcante. Você não tem noção de ainda terminar a passeata encontrando com o Chico Buarque em cima do caminhão. Foi uma coisa apoteótica e eu tenho um carinho por Minas Gerais, porque Minas Gerais faz parte da minha vida.

É importante lembrar que em 1979, quando eu não conhecia Minas Gerais, essa cidade de Belo Horizonte teve uma greve dos trabalhadores da construção civil. Eu era presidente do sindicato de São Bernardo e ouvi uma notícia de que tinha sido assassinado um trabalhador chamado Horacilio. Eu saí de São Bernardo, vim aqui falar com o prefeito, mandar ele tirar a polícia da rua, dar comida para aquele povo que a gente ia acabar com a greve. E assim foi feito. Deram comida para o povo. Eu lembro de um caminhão de leite distribuído, eu lembro de banana, penca de banana distribuída, e nós fizemos uma assembleia para colocar a ordem na casa e, graças a Deus, os trabalhadores voltaram à normalidade.

Então, foi a primeira entrada. A segunda entrada, eu fui a João Monlevade, conheci o Vale do Aço, conheci o João Paulo Pires de Vasconcelos, que era presidente do sindicato, que foi um grande companheiro meu. E lá eu tive oportunidade de conhecer outro grande mineiro, Frei Betto. Então, a minha história com Minas é muito grande, é muito grande, é muito rica. Já andei muito de carro em Minas Gerais, já comi muita poeira em Minas Gerais.

Já tomei umas cachacinhas em Minas Gerais e já comi frango, já comi frango com quiabo, frango molho pardo, frango preguento, frango de tudo quanto é jeito. Porque a culinária de Minas Gerais é tão importante. O Brasil tem três países com culinária forte. Minas Gerais, o Pará e a Bahia. São Paulo, por exemplo, é um estado tão importante, o mais rico do país, mas não tem uma culinária própria. A comida de São Paulo é de lá da Paulista.

Jornalista Edilene Lopes: E o senhor acha que ele vai ter um candidato competitivo à presidência?

Presidente Lula: É um tutu à mineira com a bisteca.

Jornalista Edilene Lopes: O senhor acha que vai ter um candidato competitivo à presidência ou não? Em São Paulo. O senhor falou da culinária de São Paulo. O senhor acha que é um estado que vai ter um candidato competitivo à Presidência ou não?

Presidente Lula: É, São Paulo sempre pode ter um candidato competitivo. Sempre. São Paulo é um Estado que tem 44 milhões de habitantes. É o Estado mais industrializado, mais rico do país, é o estado que tem mais infraestrutura. Sempre pode ter candidato. Nem sempre dá certo. O Quércia [Orestes, ex-governador de São Paulo] tentou ser, não foi. O Ulysses Guimarães tentou ser, não foi. O Maluf tentou ser, não foi. Muita gente tentou ser, não foi. Eu? Eu sou paulista também. O candidato competitivo de São Paulo sou eu, que mora em São Paulo desde 1952. Você não era nem nascida, eu já morava em São Paulo.

Jornalista Edilene Lopes: Presidente, muito obrigada pela entrevista. A gente tem um tempo, eu tô extrapolando porque eu tô fazendo pergunta, pergunta, pergunta. E o Laércio [Portela, secretário de Imprensa] tá aqui “ó o horário, tem a agenda”. Muito obrigada.
Sejam bem-vindos sempre e sempre, viu?

Presidente Lula: É importante lembrar que essa agenda de hoje não tem nem horário para almoço. Eu vou sair de Contagem, vou direto para Montes Claros. Meia hora de voo. E vamos ter que comer uma farofa com água no avião porque não dá pra comer mais.

Jornalista Edilene Lopes: Mas tudo o que o senhor come em Minas é gostoso, então…

Presidente Lula: É bom. Eu espero que o pessoal tenha comprado uma comida mineira.
Mas às vezes eles não compram, às vezes eles trazem de Brasília a comida. É comida requentada, às vezes. Edilene, obrigado. Muito obrigado e um beijo no coração do povo mineiro.

Jornalista Edilene Lopes: A gente agradece.

Tags: Entrevista Luiz Inácio Lula da SilvaRádio ItatiaiaMinas Gerais
Compartilhe por Facebook Compartilhe por Twitter Compartilhe por LinkedIn Compartilhe por WhatsApp link para Copiar para área de transferência
  • Acesso à Informação
    • Institucional
      • Estrutura da Presidência
      • Competências
      • Base Jurídica
      • QUEM É QUEM | Principais cargos e respectivos ocupantes
      • Perfil Profissional
      • Atos normativos
      • Horários de atendimento do órgão
      • Gabinete Pessoal do Presidente da República
      • Assessoria Especial do Presidente da República
      • Redes Socias
    • Ações e Programas
      • Programas, Projetos, Ações, Obras e Atividades
      • Carta de Serviços
      • Concessões de Recursos Financeiros ou Renúncias de Receitas
      • Programas Financiados pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT
      • Governança
      • Plano de Gestão de Logística Sustentável
      • Orçamento Público
      • Governo Digital
    • Participação Social
      • Ouvidoria
      • Audiências e Consultas Públicas
      • Conselhos e Órgãos Colegiados
      • Conferências
      • Editais de Chamamento Público
      • Outras Ações
    • Auditorias
      • Prestação de Contas
      • Relatórios de Gestão
      • Demonstrações Contábeis
      • Rol de Responsáveis
      • Relatórios de Auditoria
      • Plano Anual de Atividades de Auditoria Interna
      • Relatório Anual de Atividades de Auditoria Interna
    • Convênios e Transferências
    • Receitas e Despesas
    • Licitações e Contratos
    • Servidores
    • Informações Classificadas
    • Serviço de Informação ao Cidadão
    • Tratamento de Dados Pessoais
    • FAQ - Perguntas Frequentes
    • Dados Abertos
    • Sanções Administrativas
    • Ferramentas e aspectos tecnológicos
    • Prestação de Contas
    • Radar da Transparência Pública
  • Acompanhe o Planalto
    • Notícias
    • Artigos
    • Comunicados Interministeriais
    • Discursos e pronunciamentos
    • Entrevistas
    • Notas Oficiais
    • Central de Conteúdo
      • Áudios
      • Imagens
      • Vídeos
      • Textos
    • Área de Imprensa
    • Agenda do Presidente da República
    • Agenda da Primeira-Dama
    • Agenda do Presidente em exercício
  • Agenda Internacional
    • Missões Internacionais
      • Missão a Honduras
      • Missão ao Vietnã
      • Missão ao Japão
      • 65ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul
      • Cúpulas do BRICS
      • Missão ao México
      • Assembleia da ONU 2024
      • Missão à Itália
      • Missão à Colômbia
      • COP28
      • Assembleia da ONU 2023
      • G20 2023
      • Missão à África
      • Cúpula da Amazônia
      • Missão à Bélgica
      • Missão à Europa
      • Missão ao Japão
      • Missão a Portugal
      • Missão à China
      • Missão aos EUA
      • Missão à Espanha
    • Visitas ao Brasil
      • Visita do presidente do Chile
      • Visita do presidente de Portugal e do primeiro-ministro português
      • Visita do presidente da China
      • Visita do presidente da França
    • BRICS
    • COP30
    • Cúpula do G20
    • Operação Raízes do Cedro
  • Conheça a Presidência
    • Biografia do Presidente da República
    • Biografia do Vice-Presidente
    • Órgãos da Presidência da República
      • Orgãos Essenciais
      • Órgãos de Assessoramento Imediato
      • Órgãos de Consulta
      • Conselhos
      • Órgão Vinculado
    • Ministros e Ministras
    • Conselhos
    • Principais Tropas
    • Ritos e Solenidades
    • Palácios e Residências
      • Palácio do Planalto
      • Palácio da Alvorada
      • Palácio do Jaburu
      • Granja do Torto
      • Agende sua visita ao Palácio do Planalto
      • Programas de visitação
    • Biblioteca da Presidência da República
      • Símbolos Nacionais
      • Constituição Federal
      • Legislação
      • Biblioteca da Presidência
    • Acervo Cultural
    • Acervos Presidenciais
      • Comissão Memória
      • Acervo
  • Credenciamento de Imprensa
    • Cobertura Diária e Eventos em Brasília
    • Cobertura de Viagens
  • Fale Conosco
    • Fale com o Presidente
  • Vice-Presidência
    • Acesso à Informação
      • Institucional
      • Ações e Programas
      • Gestão Estratégica
      • Participação Social
      • Auditorias
      • Licitações e Contratos
      • Convênios e Transferências
      • Receitas e Despesas
      • Informações Classificadas
      • Serviço de Informação ao Cidadão
      • Perguntas Frequentes
      • Dados Abertos
      • Demonstrações Contábeis
      • Diárias e Passagens
      • Servidores
      • LGPD
      • Sanções Administrativas
      • Ferramentas e aspectos tecnológicos
      • Presentes entregues a Vice-Presidentes
      • Relatório Anual da LAI
      • Outros
    • Agenda Vice-Presidente Geraldo Alckmin
      • Agenda do Vice-Presidente
      • Agenda de Presidente em Exercício
    • Agenda de Autoridades
      • Compromissos Públicos
      • Gestões Passadas
    • Central de Conteúdo
      • Notícias
      • Discursos
      • Comunicados
      • Artigos
      • Arquivo Público
    • Canais de Atendimento
      • Ouvidoria
      • Imprensa
    • Redes Sociais
Redefinir Cookies
Redes sociais
  • Instagram
  • Facebook
  • Flickr
  • RSS
  • WhatsApp canal
  • YouTube
  • TikTok
  • Kwai
  • Linkedin
Acesso àInformação
Todo o conteúdo deste site está publicado sob a licença Creative Commons Atribuição-SemDerivações 3.0 Não Adaptada.
Voltar ao topo da página
Fale Agora Refazer a busca